Que abram as portas do armário

É a primeira vez que eu falo abertamente sobre a minha sexualidade, e esse texto é só mais um texto que circula a internet tentando clarear a ideia das pessoas que julgam o fato de ser gay errado.

Queria dizer que é extremamente difícil escrever sobre isso, mesmo eu que sempre escrevi sobre tudo. Tem algumas cicatrizes que ainda doem (apesar de fechadas).

Esse texto tem o intuito de transmitir informação para os pré conceitos que alguns têm.

Vamos começar esclarecendo a ideia de que nós, gays, não escolhemos ser gays. A regra é básica, você, hétero, em qual parte da sua vida você decidiu ser hétero? (tempo para pensar). Resposta: Você não decidiu nada! Você simplesmente é e ponto. Nós também não escolhemos ser gay. (mas se tivesse a opção, eu escolheria)

Ok, vamos para o próximo questionamento, o qual eu ouvi muito, principalmente dos mais tradicionais: “O homem e a mulher foram criados para procriar, você, como homessexual não pode procriar”. Of course, não podemos, mas a gente vem ajudando muitos casais heterossexuais que abandonaram seus filhos em orfanados, nós estamos adotando essas crianças e dando amor, educação e carinho. (coisa que um casal hétero não deu). E convenhamos, a ciência evoluiu e agora a gente tem vários jeitinhos de termos filhos, gerados! Aceita sociedade! Ah, e nem por isso meu filho vai ser gay, afinal, ele pode ser o que quiser.

Mas o homessuxalismo…. pera pera,  Para tudo! O sufixo ismo é indicado como doença, então não, a HOMESSEXUALIDADE não é uma doença, você não precisa de remédio nem de hormônios a mais no seu corpo, porque você não está doente!

Observação útil no meio de tanta informação: Você sabia que no vocabulário americano a palavra “gay’ significa “pessoa feliz e alegre”? (E apesar de tanta violência e tanta descriminação, ainda somos considerados uma comunidade alegre e feliz, talvez você se orgulhe disso).

Bom, para quem ainda não sabe, tivemos muitos ativistas lutando pela nossa causa muito antes de você nascer. Tivemos Harney Milk, o primeiro homem gay a ocupar um cargo público importante na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, tivemos também Barbara Jordan, primeira negra do Sul dos Estados Unidos a ser eleita para a Câmara de Representantes, entre outros ativistas que lutaram e deixaram seu legado na história da nossa causa.

No Brasil tivemos muitos ícones gays na música, na literatura e na dramaturgia, pessoas que também lutaram contra a censura, para que você, hoje, tivesse mais segurança e mais tranquilidade de andar na rua de mãos dadas com seu parceiro.

Devemos destacar também que não é assim que acontece ao redor do mundo, 76 países proíbem seus cidadãos de serem homessexuais, e em 6 deles você pode ser condenado a morte… por amar.

Então esse texto é um misto de informação para você gay, se orgulhar do que você é, porque ser gay não transforma seu caráter, não transforma sua essência. Houveram pessoas que lutaram pelos direitos (ainda que sejam poucos) que você têm hoje. Honre!

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É tão triste ver alguém se afastando da família, se escondendo atrás de uma máscara, vivendo uma vida paralela, com medo, com vergonha, só por ser quem realmente é. É tão triste ver uma criança se bloqueando das suas espontaneidades porque alguém disse a ela que “brincar de boneca é coisa de menina”, é triste ver jovens se suicidando porque não foram compreendidos e amados. É triste. Mas a luta continua, porque as cores do arco íris precisam ser vistas.

E porque esse texto não diz respeito somente à você, LGBT, diz respeito aos seus pais, à sua família, aos seus colegas do trabalho, aos seus vizinhos, porque independentemente de orientação sexual, todos nós contemos os mesmos elementos na nossa formação, somos acima de tudo, seres humanos. E devemos sim acolher, proteger e respeitar as diferenças, afinal, nada mais lindo do que viver a diversidade que o universo nos ofereceu.

[Esse texto também é um agradecimento enorme aos amigos que me acolheram em tempos conturbados, à parte da minha família que me compreendeu mesmo quando tudo não fazia sentido, e a minha mãe que aprendeu a me respeitar e nunca deixou de me amar. O mundo devia aprender com você mãe, obrigada por me acolher e me compreender, isso é importante demais para mim]

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Não, nem todo mundo vai viver com o amor da sua vida

O título dói mais que bater o dedinho na quina da cômoda do quarto, dói mais que estar com fome e morder a língua sem querer, dói, e como dói. Parece inaceitável a ideia de que o nosso “felizes para sempre” pode não ser com a pessoa que imaginamos, mas isso nunca significou infelicidade. Pare bem para refletir, quantas histórias ouvidos de amores apaixonados e recíprocos que seguiram caminhos diferentes, mas que por desventura do destino tivemos que seguir em frente e encontrar uma saída de emergência, procurando o ponto certo e equilibrado para amar.

Sabe, não é todo mundo que tem o destino traçado para se casar com o amor da nossa vida, as vezes casamos, as vezes ficamos sozinhos e as vezes casamos com o nosso amor, que pode não ser o de nossa vida, mas é um baita amor. Quando você começa a enxergar as pessoas que dão valor ao seu eu, você começa a perceber que a demonstração de afeto e carinho são também formas lindas de amar alguém.

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Lembro que a hipótese de não viver com o amor da minha vida era algo que me deixava triste, com a percepção de que meu final feliz, seria na verdade, apenas um final. Não me sentia uma pessoa de sorte, afinal, via tantos outros casais se intitulando como “amor da minha vida”, que parecia que aquela verdade nunca chegaria em mim. Até que chegou, experimentei lindos momentos com o amor da minha vida, compartilhei planos, musicas, filmes, senso crítico e conhecimento. Mas os acasos da vida fez com que nosso final não fosse tão feliz assim.

Mas ai eu te pergunto, qual é o fucking problema se o meu final feliz ser com outro alguém que pode me amar na medida certa, que venha me amar a cada amanhecer de uma segunda-feira chata, que mesmo com todo meu senso crítico, ainda queira estar ao meu lado. Ou se não, qual é o problema se no final, a felicidade esteja dentro de nós mesmos, porque acima de tudo, felicidade só depende da gente.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Seja nada para ser tudo

A vida é tão difícil com a gente, que quando a realidade te dá uns tapinhas nas costas e você se vira para ficar de cara com ela, pronto, lá está a vida sendo dura com você.

Eu particularmente nunca entendi essa coisa de estar preparada para tudo que vem pela frente. Uma hora você é tudo, outra você é nada.

E das vezes que fui tudo, simplesmente não estava pronta para ser, porque precisava ser nada. Precisava que a vida fosse dura comigo, que a realidade batesse na minha porta, eu precisava sentir que nada me pertencia, e o nada é aceitar que outras vidas continuam mesmo sem você.

Quando a gente é nada fica mais fácil perceber que sorrisos têm outros motivos além das suas piadas, os olhos brilham vendo outras pessoas além de você, a pele se arrepia sentindo frio na barriga quando encontram outras pessoas, e essas pessoas não são você.

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Fica claro entender que romances antigos recheados de juras de amor eterno, não são mais amor, eles simplesmente não doem mais, e quer saber ? As pessoas podem seguir suas vidas sem você.  Aceite.

Fica fácil dizer que a sua dor de amor é maior que as dos outros porque você passou dois anos na merda, mas a verdade é simples: cada um supera sua dor da sua própria maneira. Tem gente que passa anos aprendendo com o antigo relacionamento até se entregar à outra pessoa, e tem gente que simplesmente não se importa mais com o que passou, elas entendem que o que era para ser, não foi e ponto.

Quando a gente vê que o mundo ainda continua, mesmo o nosso estando parado, a gente acaba acordando para vida tentando recuperar o que já foi perdido, e o nada volta a te preencher, porque tudo que você tem agora é o: tarde demais.

Então se for para ser, seja nada. Tem gente que nunca vai ser tudo porque nunca soube ser nada.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Um eu sem você #26 – 30 de Outubro

Quando você decidiu sair da minha vida, e o fez com tanta facilidade, eu me perdi no tempo. Hoje, acordo sempre atordoada, com a cabeça pesada e nunca acerto em que dia da semana estamos. Só consigo acertar quando estou sentada na cadeira do trabalho e o computador me informa precisamente. É que eu não tenho mais grandes motivos para ansiar o fim de semana ou o começo do mês, sabe?

Antes, eu vivia esperando o fim de semana para estar mais perto de você mesmo em cidades diferentes. Antes, eu contava os dias até o quinto dia útil só pra poder comprar a passagem e te ver. Agora, não tenho mais o que ansiar.

Ontem à noite eu te procurei, pela milésima vez após falar que não o faria. Vi que, talvez, você estivesse voltando a flertar com seu “ex primeiro amor”, mesmo você negando e falando que eu estava confundindo as pessoas.

Constatar que, de repente, você nunca tenha o esquecido, ou que talvez com ele você possa viver tudo que eu sonho viver com você, doeu bem fundo no coração que já não consegue cicatrizar.

Eu conheço os seus passos apaixonados, seu comportamento quando está envolvida. Eu te vi e senti assim comigo, agora não é tão difícil conseguir enxergar esses hábitos, mesmo que seja com outros.

Quem nunca foi fuçar as coisas do passado da pessoa pela qual se tem sentimento? E eu fui atrás de tudo dele, só pra não me achar tão louca assim. Ele, canceriano como eu, deve ter se apaixonado tanto quanto eu estou por você. E, aparentemente, antes de mim você também sentia algo por ele. Ou eu estou louca e realmente preciso parar. Mas com todas suas curtidas nas coisas dele e os comentários dele nas suas coisas… Fiquei fora de mim.

E eu te procurei, com sensatez nenhuma. E te pedi desculpas e justifiquei meus atos falhos como respostas de estar tentando… E tentar não significa sucesso. Mas eu estou tentando, mais do que você jamais um dia saberá.

Nunca lutei tanto contra mim mesma para não procurar alguém. É que é difícil demais ouvir todos os barulhos no meu peito e na minha cabeça e não conseguir silenciá-los. É difícil demais lembrar que nós não terminamos porque nos fizemos mal, porque não dava certo ou porque não era recíproco.

É difícil seguir em frente quando a minha cabeça insiste em me lembrar de todos os detalhes que vivi com você e reforçar o quanto você era exatamente tudo que eu queria pra minha vida.

Como eu posso mudar de pensamento sendo que quando eu estou ali sentada no ônibus, não tem mais nada que venha na cabeça? É só você, seu sorriso, seu olhar, seu toque, seu cheiro, o jeito que você costumava me olhar e a forma como nossos corpos pareciam sempre ter pertencido uma à outra que me vem como cenas de um filme dentro de mim.

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O problema é que mesmo eu sendo a roteirista dessa produção, eu não consigo controlar o enredo e te fazer voltar. Éramos ótimas parceiras e nossa vida teria sido linda. Como se faz para lutar para esquecer isso? Para esquecer que encontramos a melhor pessoa pra gente e que, simplesmente, não pode ser?

Eu não consigo esquecer você e desocupar a casa do meu coração, te expulsar daqui e abrir o peito pra outra morar. E talvez eu nunca consiga. Talvez eu não queira que ninguém ocupe o seu lugar. Talvez eu não tenha mais forças pra te despejar e muito menos pra deixar o futuro trazer um novo inquilino.

Eu não perdi somente a minha melhor amante e o amor mais doce que já senti, mas perdi também uma amiga, uma companheira e uma confidente. Abri minha vida pra você, te contei coisas que nem meus amigos de dez anos sabem. Fui inteiramente sua e amava sentir que você também era inteiramente minha.

Eu te confiei meu amor, meu passado e meu futuro e te via confiando o teu em mim também. Agora, talvez ninguém mais saiba do que contei pra você. E você deveria saber: eu confiei instantânea e cegamente em você.

Tudo que era nosso, ia além do corpo, do material. Acho que você sabe do que estou falando. E acho que só você poderia entender isso.

Hoje eu vesti aquela minha camiseta que tem um buraco do lado, porque eu cortei muito a etiqueta, sabe? E me lembrei que você havia ficado de costurá-la pra mim. Espero que também tenha anotado na sua agenda de voltar para costurar os buracos do meu coração.

Agora já são 23h30 e me pergunto: onde está meu sono? Voltei à semana em que a garganta começa a doer… É que são muitas palavras guardadas, muito amor que eu não posso extravasar que tudo fica aqui, preso entre minha boca e meu coração.

Me distraio pelo Instagram até o sono me pegar e o que me pega é a sua foto fantasiada para uma festa de Hallowen. Como pode alguém nesse mundo ser tão linda assim? É covardia isso, sabia? Reunir em si tanta beleza, o amor mais leve, o sexo mais sensacional e o carinho mais afável. Tudo isso em uma só pessoa. Meu coração não aguenta.

Dou um print na tela com a sua foto e me obrigo a dormir, ainda pensando em como alguém pode não se apaixonar por você? Ou te magoar? Ou te trair? Ou não dar valor a tudo que você é? Pra mim, és um sonho bom o qual eu não queria jamais acordar. Por isso, durmo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #25 – 29 de Outubro

São nesses buracos, entre espaços de tempo e trajetos, como da cama pro banheiro, do banheiro pro quarto, da casa pro ponto de ônibus e do ônibus pro trabalho que o pensamento torna-se indomável.

Hoje comecei a pensar antes mesmo de abrir os olhos. Quando meu corpo despertou, todas as lembranças de você estavam na minha visão, mesmo que os meus olhos ainda estivessem fechados. Seu corpo, seu beijo, seu gosto e seu cheiro. Tudo tão vivo que quase me iludi e acreditei que finalmente estivesse acordando desse pesadelo que é não ter você pra mim.

Entre as lembranças, revivi o dia em que te conheci. Era como se todo o resto do bar estivesse borrado e eu só conseguisse olhar pra você. Te vi antes mesmo de adentrar na casa, entre toldos, feições e paredes.

Você não sabe, mas troquei de lugar só para te enxergar melhor. Meus olhos estavam viciados em você desde o instante que te reencontrei. Era como se, de alguma forma, eu já tivesse te visto antes, sabe? Era como se eu te conhecesse de algum lugar que, ao nascer de novo, foi apagado das minhas lembranças.

O estalo que eu tive na fila do caixa de perguntar seu nome foi os cinco segundos de coragem que eu mais me orgulho. Foi depois de ouvir sua voz e um mês depois de conversas, quando minha boca se juntou à tua e nossos corpos se aproximaram de forma a parecerem só um, que eu caí em mim e vi o amor de todas as minhas vidas novamente comigo.

Acho que nessa vida não demos sorte, né? Afinal, pro amor dar certo, precisamos tirar a sorte grande de encontrar a pessoa certa no tempo exato e somar tudo isso com uma pitada de vontade recíproca de ser dois. Sentir, por si só, não é suficiente.

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No nosso caso, o azar ficou por conta dos sexos iguais. Um obstáculo que não deveria ser empecilho pro amor, certo? Certo. Mas não pro mundo que vivemos. Espero que o tempo passe e esse cenário mude. Quem sabe, assim, ainda dê tempo de terminarmos essa vida juntas.

Na rua, o Sol põe-se alto para iluminar o dia. O moletom que uso, mesmo em dias quentes, é pra aquecer as emoções que foram congeladas desde que você se foi. Sem você, todo dia faz frio. Até mesmo quando lá fora o Sol está escaldante e a temperatura acima dos 30ºC.

Mas basta olhar para a janela do Skype me avisando que você está online que todo meu gelo se derrete. Antes você só entrava à noite, quando nos encontrávamos para dividir a rotina e nosso amor. Penso se você ainda entra só pra ver meu status online. Se for, saiba que também me faz bem quando vejo você ali. É como se você estivesse um pouco mais perto de mim. Abro e fecho sua janela um milhão de vezes, até você ficar offline. Depois de você, o Skype ficou tão sem graça, e você nem imagina.

Durante a manhã, me pego num ato falho de ver todas as suas postagens no Facebook. Quer dizer, todas as desbloqueadas. A cada foto sua, meus olhos marejam águas salgadas da saudade de você. Eu havia encontrado a minha paz no teu olhar, e você costumava chamar meu abraço de lar. Onde nos perdemos?

Eu nem tive tempo de ver você fazendo as malas e calçando seu tênis para viajar. Talvez se eu percebesse antes, teria colocado um cadeado em nossos corações e jogado a chave fora. Será que adiantaria?

Espero que, assim como toda viagem exige retorno para o aconchego do nosso ninho, você volte para o meu carinho. Que o tempo a passar nos faça melhor uma para a outra.

Por hora, se alguém me pedisse para desenhar a saudade, eu tentaria tirar do lápis e colocar no papel um dia cinza de inverno com uma brisa carregada com teu cheiro. E as nuvens que descolorem o azul do céu se fazem tão triste que, assim como eu, seguram as suas chuvas para não desaguarem a todo instante e em cima de quem não tem na a ver com essa história toda.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #18 – 22 de Outubro

Acho que a TPM está chegando e isso não está me ajudando muito a ficar bem. Tenho vontade de chorar de minuto em minuto. Você não sai da minha cabeça e em tudo que eu olho vejo você.

É como se minha retina tivesse gravado cada detalhe seu e tudo que vivemos, de modo que para que onde quer que eu olhe, vejo você… Nós. Mas, agora, com o nó desatado.

Lembro de tudo como se eu tivesse acabado de acordar de um sonho bom e quisesse me agarrar às lembranças para ter um bom dia. Quando percebo que o sonho acabou, tenho que conter meus olhos para que não criem um mar sob eles para que eu navegue até você.

Sabe aquela playlist que eu fiz pras nossas noites ficarem ainda melhores? Não que naturalmente já não soltássemos faíscas, mas poder eternizar nossos suspiros com as melodias pareceu sempre tão nosso.

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Hoje passei a tarde ouvindo todas as músicas e parecia que estavam faltando notas entre um refrão e outro. É como se sua respiração tivesse se tornado parte da melodia e não tê-la no meu ouvido simplesmente não parece certo. Você transformou grandes músicas em uma banda de garagem que está aprendendo a tocar.

Revejo postagens no Facebook de épocas em que minhas declarações virtuais eram respondidas com as suas e sinto saudades do tempo em que a certeza de sermos duas me mantinha firme, com os pés fincados no chão para caminhar até te encontrar.

Mas parece que, no meio do caminho, o seu cadarço desamarrou e você parou sem me avisar que eu estava indo sem você.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #12 – 15 de Outubro

Dormi cedo para evitar pensar e poluir mais ainda meu pensamento, mas, ao acordar, parece que um caminhão passou em cima de mim, dos meus sentimentos e certezas. Hoje, não acredito mais em nada. Nem no que passou e que você jurava ser verdadeiro, pra vida toda e único.

Os olhos e as olheiras entregam as noites mal dormidas … Eu só queria arrancar meu coração com a mão e parar de sentir. Cadê o Lacuna INC quando precisamos esquecer alguém? Por favor, apaguem minhas memórias antes que elas me sufoquem. Limpem meus sentimentos antes que eles me afoguem.

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Entro no Facebook por 5 minutos para fazer um post da Agência e mais um pouco só para jogar meus jogos no almoço. Aparentemente, você não fez nada lá hoje. Você conseguiu o que jamais ninguém conseguiu na minha vida. Você conseguiu me fazer sair de redes sociais e querer ficar longe de tudo seu na mesma proporção que eu queria ter perto há 1 mês atrás.

Almoço com uma amiga, conto tudo e todos os detalhes das histórias que eu contei pra você e pra poucas pessoas além de você.

Minha cabeça não me deixa te esquecer. Olhando para páginas e matérias na internet, me pego pensando e te vendo na minha memória. Seu toque, seu abraço, seus lábios. É tudo tão vivo que quase não acredito no que aconteceu e que hoje estamos assim.

No caminho do ponto de ônibus pra casa, começo a pensar as tantas coisas que você não teve tempo para conhecer sobre mim. Por exemplo, quando vejo formigas trabalhando na calçada, carregando folhas até 50% maiores que elas, eu desvio delas. Quando eu estou pra adoecer, sinto dor em uma parte específica das mãos. Você sabia? É, eu sei que não.

Meu corpo está exausto, mas eu deito e não consigo dormir com a mesma facilidade de antes. Você roubou minha paz e o meu sossego.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #7 – 10 de Outubro

A sexta-feira começa e, o que era pra ser motivo de felicidade, se torna um peso ainda maior dentro de mim. Era pra eu curtir o fim de semana, era pra eu te ver, era pra eu estar ao menos aliviada com o fato de não ter que sair de casa até segunda-feira. Mas não dá.

Te vejo online toda hora no Whatsapp e sinto uma vontade gritante de te procurar, de te mandar mensagem e um oi. Às 09h37 o meu coração vence a briga contra minha cabeça e eu te procuro. Mando um oi, pergunto como você está e suas palavras monossilábicas me desesperam e te deixo quieta.

Eu tento te deixar quieta, mas o meu pensamento não me deixa em paz e eu te procuro novamente a fim de entender como você consegue, em tão pouco tempo, já estar indiferente e fria com tudo. Fui só umazinha que cruzou sua vida e te fez experimentar uma coisa nova, mas que, do dia em que decidiu terminar tudo, agora não sou e nunca fui ninguém?

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Você tenta me convencer de que não está fria nem indiferente, mas que é a sua maneira de ficar bem. Eu não acredito, mas o que posso fazer? Despeço-me antes que me despedace ainda mais pra e por você.

Resolvo matar as saudades de uma forma meio errada e leio toda nossa conversa, desde o primeiro oi. Era incrível como desde o primeiro segundo parecíamos tão nós, tão uma da outra. A naturalidade estava em cada letra, o carinho em cada reticência e a vontade recíproca em cada palavra trocada.

Paro um segundo pra pensar e listo, mentalmente, todas as músicas que você estragou pra mim (a menos que decida voltar): Ensaio Sobre Ela, Pra Sonhar, Proibida Pra Mim, Lost Stars, Magic, Você Me Bagunça e, a mais dolorida e sincera: Wonderwall. Você conseguiu estragar Oasis, tem noção disso?

Em casa, deito às 19h e pouco antes das 20h já estou dormindo. No mundo dos sonhos fica menos difícil viver.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #6 – 9 de Outubro

Os dias se arrastam e mais um dia começa. “Ainda é quinta-feira”, penso enquanto coloco meus tênis para ir trabalhar. Hoje o meu coração voltou a pesar e eu ainda não consigo ficar sem pensar em você por mais de 10 minutos.

Hoje sinto sua ausência virtual de maneira suprema. É como se eu nem tivesse te conhecido – se não fosse pelos sentimentos e lembranças que agora carrego em mim. Por que pra todo mundo é simples e fácil ir embora? Por que sempre sou eu a pessoa a ficar com os planos, sonhos, sentimentos e memórias?

Mexo no meu caderno de anotações do trabalho e, desastradamente, deixo-o cair. Enquanto recolho os papéis espalhados pelo chão, encontro as anotações de horários de ônibus para poder te ver. Instantaneamente, meu coração aperta.

Eu tenho uma maneira bem estranha de pensar, sabia? Sempre que me deparo com situações as quais são adiadas, mas que eu queria viver elas inteiras HOJE, eu falo comigo mesma, querendo que você ouvisse: “eu poderia morrer amanhã, sabe?”. Não de uma maneira mórbida, como se eu fosse me matar… Mas simplesmente por saber que a vida é frágil demais para ser adiada. O amor e todos os sentimentos atrelados a ele foram feitos para consumar imediatamente, não no próximo mês.

Durante as conversas com as pessoas próximas de mim, começo a achar que logo as cansarei por desabafar sobre você. Mas é inevitável: se eu não posso falar com você, é sobre você que eu estarei falando e pensando.

Uma amiga, que tem sido uma baita de uma amiga mesmo para passar essa fase nada fácil, me manda um site de presentes criativos… Em tudo que eu olho, vejo você. Tenho vontade de comprar o mundo inteiro de fofuras pra você, de modo que você sinta ao menos 1% do amor e da falta que faz nos meus dias.

A manhã vai passando e às 09h51, exatamente, eu olho pro calendário e vejo que, hoje, seriam 2 meses desde que voltei àquele bar para conhecer teu cheiro, teu abraço e teu beijo. Há exatamente 2 meses eu estava deixando pra trás todas minhas desilusões e pulando nesse barco para remar com você em direção à nossa felicidade. No minuto em que percebo o dia de hoje, é o minuto em que entendo o porquê de ter sido tão difícil sair da cama e encarar a realidade.

Entre um afazer e outro, acabo vendo um vídeo de um casamento em uma praça na Vila Madalena, em São Paulo. Eles fizeram o casamento em um formato de carnaval, sabe? Foi tudo tão lindo e simples. Ultimamente, qualquer cena de amor me desequilibra – não é inveja nem tampouco felicidade, é apenas a esperança de poder ter isso com você.

Vasculhando o site que minha amiga me passou, encontro uma almofada com a frase: “Paciência tem limite! Não aguento esperar tanto pra te ver”. Isso é tão nosso, né? Esperar e contar todos os dias do mês só para poder ir até você.

Em uma impulsividade, decido comprá-la. Acho que é a data que toma conta de mim e me deixa agir assim. Saio na hora do almoço para pagar o boleto e no caminho, que nem é tão longo assim, eu sinto o quanto você roubou não só meu coração, mas também todo meu ar e fôlego.

Essas duas semanas têm sido as mais difíceis. Fazia tempo que eu não me entregava tanto pra alguém, fazia tempo demais que eu não abria as portas do meu coração para que quando saíssem por ela, eu tivesse vontade de jogar as chaves fora. Na agência, todos percebem minha mudança de humor. Uma das mulheres até ousam falar que eu estou apaixonada. Minha vontade é de responder: antes fosse só isso.

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Te vejo online no Facebook e me contenho ao máximo para não trocar palavras contigo. Casualmente vejo suas atividades no Instagram e, de certa forma, isso me acalma. É como se eu pudesse te sentir perto de mim. Saber de você é a melhor coisa diante de tanto silêncio.

Em busca de conteúdo para uma Landing Page de uma Floricultura, encontro algumas características das Orquídeas semelhantes ao amor. Você me transformou inteira e, onde quer que eu olhe, vejo um pouco desse sentimento.

Assim como as Orquídeas precisam da quantidade certa de água para viver, no amor a gente precisa acertar a medida ideal que cada um gosta e precisa de carinho, dedicação e afeto.

Com alguns, cuidar demais pode fazer o que nem começou morrer. Outros, carinho de menos deixa o coração seco e incapaz de pulsar por você. Mas, ao contrário das Orquídeas – que podem morrer mais com o excesso do que com a falta –, o amor precisa do máximo de cuidado, atenção e demonstração para continuar vivo.

Não existem regras, fórmulas ou soluções matemáticas capazes de resolver os mistérios de cada um e mostrar o melhor caminho a ser seguido. A verdade é que só o tempo e a experiência de relacionamentos passados e, inclusive, errados para descobrirmos a dose ideal que precisamos do outro para ser feliz e, da mesma forma, aceitar e oferecer a quantia suficiente para alegrar a vida o outro.

No caminho de volta pra casa eu começo a pensar na parte mais dolorida dessa semana. Hoje eu tiraria a noite para arrumar minhas coisas para poder viajar até você amanhã às 20h. Isso me dói mais do que chutar a mesa com o dedinho do pé.

A minha dor de garganta aumenta e até parece uma forma do meu organismo sabotar meus pensamentos, como se uma dor fosse anular a outra. Sem alternativas, tenho que tomar antibiótico por uma semana. Minha mãe insiste para que eu tome vitamina quando acabar os medicamentos e meu desejo é avisá-la que não adiantará, pois meu problema não é físico, é emocional. É o excesso de sentimentos parados na garganta e que agora não poderão mais ser ditos.

Saio comer um lanche com a minha mãe e ela me avisa que irá para a praia no fim de semana. Ela me convida, inclusive. Mas meu humor não está para socializar e minha garganta não aguenta mais dizer o que não sinto realmente. Recuso e prefiro ficar no meu quarto onde minha realidade é dolorida, mas é sincera.

Ao entrar no carro, a rádio começa a tocar Magic. Parece que o mundo não quer que eu te esqueça também, né? A Lua Cheia na janela, Coldplay nas caixas de som e meu pensamento em você.

Quando estou em casa, eu só consigo colocar uma música para tocar: Lost Stars. Você transformou ela em nossa música e nem sabe. Você mudou um dos meus filmes preferidos e nem suspeita disso. Enquanto a música toca como trilha sonora dos meus pensamentos e lembranças tua, me seguro para não curtir todas as suas fotos no Facebook e me achar uma louca de verdade.

Penso comigo: melhor eu dormir.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um Eu Sem Você #5 – 8 de Outubro

Hoje eu acordei mais leve. Não leve o suficiente para achar que tudo está bem novamente, mas suficientemente leve para levantar da cama. Sem dúvidas, minha pequenina flor de Liz consegue trazer calma e paz pro meu coração tão bagunçado.

Antes de ir ao trabalho, passo na farmácia para comprar um remédio que alivie as emoções e palavras não ditas que ficam constantemente presas na garganta. Olho pra uma prateleira e vejo um pacote de Oreo, e meu único pensamento é da última vez que te visitei e você havia comprado várias bolachas e as devorou. Enquanto espero na fila do caixa, quase me esqueço do mundo ao meu redor pensando em você.

Durante a travessia de ruas, me perco em pensamentos escuros e começo a te imaginar com outros. Outros sentindo seu cheiro, seu gosto, seu beijo, seu toque, seu carinho… Outros sentindo tudo que um dia você me fez sentir. Tudo que, por pura inocência, pensei ter e poder passar o resto da vida tendo.

No segundo seguinte, me pego pensando nos pequenos planos que já estávamos montando: a festa de um amigo na minha cidade, o show da Banda do Mar na sua cidade, a HoliFest em São Paulo… E, como se meus pensamentos não fossem suficientemente esmagadores, constantemente recebo notificações no Facebook sobre todos eles.

Tantas coisas viraram passado antes mesmo de acontecerem que chego a conclusão de que deveria ser proibido relacionamentos terminarem até todos os planos se concretizarem. A ideia de nunca poder ter um terço do que sonhei é o que mais dói.

Há uns dias, assinei para receber notificações de uma página do Facebook (a Razões para Acreditar, sabe?). E em uma dessas notificações, recebi uma matéria sobre uma menina com autismo que tem como animal terapêutico um gato. Ao ler a reportagem toda, uma parte de mim se despedaça por não poder dividir isso com você.

No almoço, vou ao Shopping. Mesmo sem nunca ter pisado lá com você, eu te enxergo em todos os lugares. Compro um presente pra minha sobrinha com uma colega de trabalho e tudo o que eu sinto é a vontade de que fosse você ali, comigo. Ou, ao menos, nas mensagens. Passo de loja em loja e tudo o que eu consigo ver são calças. O seu vício entrou nas minhas retinas e onde quer que eu olhe, te vejo.

Durante minha rotina de trabalho, acabo sempre entrando no seu perfil do Facebook. A saudade já está gigante e eu preciso te ver. Olho suas fotos e sinto vontade de sorrir. Acho incrível a capacidade de, mesmo com todo o caos no nosso mundo, você conseguir mexer com os cantos dos meus lábios assim, sem pretensão alguma e nenhum esforço. Meus olhos ficaram viciados em você e toda vez que os fecho, é você bem perto de mim que eu enxergo.

Fico pateticamente seguindo seus passos em todas as redes sociais e aplicativos que posso. É como se eu precisasse saber de você, seja da forma que for. Vez ou outra, acabo sempre presenciando algo que mexe com minhas estruturas e aumenta o medo de te perder. Mas o que eu posso fazer? Eu prefiro imaginar, “paranoiar” ou saber do que simplesmente agir como se eu nunca tivesse te encontrado.

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Sua vida ainda é a pauta principal da minha. Como jornalista, eu vou em busca das informações necessárias para poder continuar escrevendo essa história.

Hoje à noite, por exemplo, tem eclipse e me pergunto se você sabe disso. Na pista para Limeira, olho a Lua com sua beleza natural e avermelhada e tudo o que eu queria era poder tentar fotografá-la e mandar pra você. E mais: queria te pedir que olhasse-a comigo, onde você estivesse.

Na casa da minha vó, acabo assistindo à novela e, mais uma vez, penso em você, dquele sábado no sofá da sua casa, vendo TV ao teu lado. Algo que era tão simples no momento, mas que hoje eu daria o mundo para poder reviver. Nós humanos somos assim, né? Deixamos os pequenos – e grandes – momentos passarem despercebidos e só nos damos conta da sua imensidão depois que eles se perdem conforme as folhas do calendário são viradas ou jogadas no lixo.

Bato meu recorde e passo mais de 24 sem te procurar. Não que nesse tempo todo eu não esteja morrendo por dentro e agindo como louca olhando para o celular de minuto em minuto para ver seus likes em fotos do Instagram ou se está online no WhatsApp.

Falar isso em voz alta me faz parecer ainda mais estúpida. Mas o que eu posso fazer? O amor não é racional e talvez ele realmente seja a droga mais pesada e todos esses anos que passei consciente da minha resistência às drogas ilícitas ou lícitas tenha caído por terra quando me viciei em você, no seu cheiro e no gosto do teu beijo.

Hoje, me arrependi de ter entrado no ônibus para voltar para casa da última vez. Me arrependi dos segundos que perdi sem te curtir sendo minha. Me arrependi dos beijos que não dei, das vezes que não me permiti ser louca e pegar o primeiro ônibus só para te abraçar. Hoje, mais do que nunca, me arrependi de todos os segundos que perdi brigando e deixando os hormônios da TPM nos afastarem.

Se eu soubesse que três semanas atrás seriam meus últimos beijos, abraços e carinhos, eu jamais teria te soltado. Eu jamais teria saído do seu lado. Eu teria dormido menos só pra poder te olhar mais. Eu teria te amado mais.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.