Eu sou o caos que habita seu coração

Não adianta fugir, eu sou o caos que habita seu coração. Você vai se esconder, negar, mas eu estou lá, revirando tudo, pensamentos, lógica e estômago.

Esse sou eu, seu caos. Você me escolheu e eu só quis ficar.

Vão discordar da gente, mas quem é que nos entende, não é mesmo? Eu te faço confusa, mas no fundo a gente quer a mesma coisa, você é quem complica.

Eu sou tudo que você desvia, tudo que você não se orgulha. Como é que pode uma garota ainda sentir amor por quem a magoou. Eu sou as respostas para suas perguntas noturnas, eu sou a resposta que você não quer ouvir, e quando ouve, desacredita.

Sou seu companheiro diário, mas é quando estamos a sós que você briga comigo, chora e se descabela. Eu jogo com a verdade e você me diz que é jogo baixo, eu te mostro o caminho e você procura um novo, maior e mais difícil. Eu te mostro a luz mas você só quer ver a escuridão.

Eu sou seu caos.

Te faço forte na frente dos sorrisos que cruzam seu caminho, te faço confiante na frente de bocas que você sente vontade de beijar, te faço corajosa para dividir a cama com alguém que você não ama. Mas é só estarmos a sós que os nossos paralelos se formam um.

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Eu sou seu caos, baby. E há momentos que você quer me ouvir, quer seguir minha voz.

Os olhos se fecham, e eu percorro todo o seu corpo, passo pela sua barriga, pelo seu pescoço, chego a sua mente e faço você lembrar de tudo que prometeu esquecer, mas eu sei que você não quer, então te dou doses de pequenas e suaves memórias que fazem sua boca abrir um singelo sorriso. Você está amando, e eu estou te convencendo.

Agora eu vou mais fundo, uso os 5 sentidos para não haver mais argumentos contra mim. Eu faço você sentir o gosto do beijo, o calor do toque, o cheiro da pele. Agora você começa a chorar e eu finalmente paro. Espero você se recompor, mas você não corresponde. Te vejo completamente sem máscaras, nua de conceitos e rótulos, eu te vejo como você é.

Eu sou seus caos, e eu te vejo de fora agora.

E então eu posso te ouvir dizer, com todas as palavras, que seu amor é único, e que tua confusão te levou para o caminho errado. Que o caos que te habitava estava certo o-tempo-todo.

Tantos desvios e caminhos alternativos para chegarmos finalmente no mesmo lugar. Naqueles olhos que você deixou para trás, naquele beijo que ficou para outra hora, naquele amor que foi abandonado. Enfim, às vezes o caos vem para revirar tudo, às vezes, vem para alinhar tudo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Um eu sem você #22 – 26 de Outubro

Acordo ainda levemente alterada e saio às pressas para votar no segundo turno. O sol quente, o dia abafado, o gosto de álcool na boca e uma sensação de não me lembrar plenamente de tudo. Um almoço em família em Águas de São Pedro, o corpo cansado e os olhos desejando fechar… E o pensamento ainda em você. Saudades de participar do seu dia, da sua vida e saber das suas coisas.

Daquilo que fica, a saudade é o único vazio que não pode ser preenchido com nada que venha a aparecer. Beijos, carinhos, novas paixões… Nada disso consegue ocupar o espaço que oferecemos ao amor que vai embora.

A única capaz de mudar o sentido e o sentimento, é a presença de quem foi embora. E isso pode nunca mais acontecer. Por isso nossas máscaras têm que ser mantidas. É muito mais fácil fingir-se alegre do que explicar a falta que faz o sorriso tímido que ela te dava e poder ver no olhar dela todo o amor do mundo e, assim, sentir-se segura para nunca mais querer sair dali.

É mais fácil fingir não sentir nada do que tentar explicar o quanto era lindo deitar ao lado dela e vê-la dormindo tão perto de mim. O jeito que só ela tinha de acordar ainda mais linda que na noite anterior e o modo como nossos corpos se procuravam embaixo das cobertas.

É melhor fingir que eu não conseguia ler o seu olhar e que você não reconhecia algo de errado sem que eu precisasse abrir a boca do que tentar explicar para o mundo inteiro que o seu coração é o maior que eu já vi. Mas talvez ele estivesse preocupado demais em abraçar e cuidar do mundo inteiro que esqueceu de me acolher.

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É mais sensato fingir que passou do que tentar mostrar ao mundo que você não foi só o meu melhor sexo, mas que era você e continua sendo você, aquela que tem em si todas as qualidades e defeitos que eu buscava, mas nunca encontrava. Para falar a verdade, eu nem sabia o que eu queria antes de você chegar.

Agora, eu sei. Como se faz pra esquecer quando temos nosso maior pedido realizado mas quando começamos a ficar feliz em vivê-lo, ele é tirado com a mesma rapidez com que me foi presenteado?

Depois de conhecer o melhor de mim, em você, fica difícil me interessar por mais de uma noite por quem quer que apareça na minha porta. Sinto-me na obrigação de avisar a quem quer que apareça que no meu peito não bate mais um coração. Quem bate é a saudade.

À noite vou ao cinema com um amigo e, no fundo, desejava que fosse você comigo num domingo à noite esperando a semana começar. No filme, um dos personagens era autista e me lembro de você e da sua paixão sempre que falava do seu curso e das vivências durante os estágios.

A forma como você disparava a falar quando o assunto era Terapia Ocupacional sempre me encantava, mesmo sem entender muita coisa. E eu nem tive tempo de te contar que eu amava quando você tirava o freio das palavras e falava sem parar, principalmente sobre sua futura profissão.

Gostaria de ter uma forma de te mostrar e falar tudo que o tempo que não pude dividir contigo me impossibilitou. Um dia, quem sabe.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #20 – 24 de Outubro

Pode soar repetitivo, mas a cada dia que passa está mais difícil acordar e abrir os olhos. A cada dia que passa, a dor aumenta e fica ainda mais cansativo empurrar o peso em cima do meu peito para conseguir me levantar. Mas a gente levanta. A gente precisa trabalhar, ganhar dinheiro e “viver” – mesmo sem conseguir encontrar um porquê.

Quem um dia disse que o tempo cura tudo, com certeza não havia sentido saudades. A saudade não passa de um dia pro outro, pelo contrário: aumenta a cada amanhecer. A única forma de fazer ela desaparecer é substituir o seu sufoco pelo alívio e felicidade em ter a pessoa distante dentro dos seus braços e abraços.

Mas, ainda, a pior das saudades é aquela do não vivido. Essa não tem como ser desafogada nem com mil beijos e abraços. Saudade da viagem que ficou pra ser feita, saudade daquele filme que ficou pra ser assistido, saudade daquele show que íamos comprar os ingressos… Como matar algo que ficou no passado antes mesmo de ser presente?

Torço pra que você fuja desses sentimentos em outros cheiros e gostos… Mas só pra perceber que, em você, também tem um pouco de saudade de mim. E, assim, volte correndo pra escrever e colorir as páginas da nossa história. Recíproco ou não, iludida ou não, esperança ou não: eu ainda não consigo acreditar que esse é o fim e nunca mais iremos nos cruzar.

Foram quase dois meses, é pouco tempo, eu sei. Mas só nós sabemos o quanto esses dois meses significaram mais do que dois anos. Vivi com você duas vidas dentro de dois meses e, agora, meu corpo e meu coração querem você por todas as minhas outras vidas. A começar por essa.

Você mesma dizia que nunca tinha sido tão você com alguém. Lembra? Que no seu último namoro você demorou um ano pra ficar sem maquiagem… E eu justamente te amava ainda mais quando estava limpa e inteira pra mim e comigo.

Inclusive sem maquiagem. Eu amo a cicatriz no seu rosto que você tanto esconde entre camadas de base e pó. E acho que eu nunca tive tempo de te dizer isso, né? Então que você saiba agora: eu amo sua pele cor de leite, eu amo sua cicatriz, amo seu sorriso, amo seu olhar, amo o jeito que você costumava me beijar e deixava claro que sentia o mesmo prazer e amor que eu quando nossas línguas se tocavam.

Eu amo sua risada, quando você cantava, quando você fazia bico para fazer charme ou quando chegava perto da hora de eu ir embora… E ah, amo seus seios. Mas isso você já estava cansada de saber, né? Mas você deveria saber: eles são os mais lindos. E sempre serão.

Em pouco tempo de reencontro – pois nós sabemos que esse amor não é só dessa vida –, consegui te amar mais do que eu jamais pensei. E é triste demais acordar todo dia com nada além da sua ausência.

Me desculpe agora a sinceridade, mas espero que você encontre alguém e esteja com esse alguém. Mas que toda vez que deitar com ele, lembre-se de mim. Que uma brisa traga o meu cheiro e você repense a escolha que fez e me deseje com você.

Que você largue tudo e decida viver o amor que um dia pensou ter colocado num baú e perdido a chave. Não se preocupe, eu guardei ela pra quando você quisesse transformar nossos singulares em plural.

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Que em um dia breve, você acorde e se arrependa. E venha correndo. Eu tô aqui, tá vendo? Tô te esperando se enganar, fingir que consegue esquecer, que nunca me viu… Eu espero. Eu não tenho pressa pra ter a vida inteira ao seu lado.

Só não demora muito porque a saudade machuca e eu não sei quanto tempo eu consigo fingir que está tudo bem e que não dói.

Penso que, talvez, você possa me entender e compreender o quão difícil as coisas estão pra mim e te peço para falar comigo sobre o que você sente, se eu fui só um caso e que nunca mais quer isso e acabou.

Ah, como sou tola. Você me ignora e quando peço a resposta, você simplesmente argumenta que já disse tudo que tinha pra dizer. Queria ser como você e conseguir esquecer o que trago no peito.

Maldito signo. Maldito câncer. Maldita mania de ser 8 ou 80 e me entregar por inteira. Maldita ilusão em acreditar que seria diferente e que eu teria um amor pra chamar de meu por mais de algumas noites.

Por enquanto, eu ainda sinto e sofro, mas eu tenho terríveis medos do que eu posso me tornar quando isso passar. Todos os baques que já tive foram pesados e difíceis de me levantar. Depois de tanto tempo – quatro ano , você sabe, eu te contei –, eu me abri pra você.

Eu me joguei sem olhar pra atrás e ver se você estava segurando a corda pra que eu não me afogasse. Por um tempo você amarrou a minha corda em uma pedra e se jogou comigo. Estávamos apenas começando a nos aventurar, mas você se soltou da corda e nem sequer me avisou.

E eu continuei ali pendurada, com as mãos ocupadas e preocupadas demais em te segurar, te abraçar e não deixar você cair e se machucar que quem caiu, no final, fui eu.

Não me arrependo. Mas me conheço de uma maneira que você não teve tempo de conhecer e sei que essas marcas não cicatrizarão de uma hora pra outra. Sei que comigo o processo é longo e demorado e eu não conseguirei ignorar o estrago que fizestes em mim.

A maioria das pessoas consegue acordar no dia seguinte e agir como se a outra vida nunca tivesse tocado nas delas, mas eu não. Eu me permiti ser tua, te dei tudo o que eu tinha e aceitei tudo o que você estava disposta a dar. Agora, eu tenho só esse peito rasgado e implorando por um cuidado que não chegará.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #19 – 23 de Outubro

Perdi a hora do trabalho e acordei assustada às 08h20. Tenho tentado voltar a sentir sono às 21h como quando você me trazia paz e eu não tinha nenhum pensamento ruim ao repousar a cabeça nos travesseiros.

Mas está cada noite mais difícil. Deito às 21h, o tempo não para, meu sono não chega e vou dormir depois das 23h. Todo dia. Se eu te contasse isso, acho que você nem acreditaria, né? Eu sempre lutava contra mim mesma pra me manter acordada e aproveitar sempre um pouco mais de você…

E agora meu inconsciente não me deixa fechar os olhos que é pra ver se você volta. Eles se cansam e acabam fechando as cortinas dos meus olhos, mas eu durmo, acordo e está tudo igual. Menos a saudade, que só aumenta com o tempo que se arrasta nos meus dias sem você.

Durante as longas horas do meu dia, tenho vontade de te procurar e dizer: volta! Se você sente alguma coisa ainda, volta. Por favor, volta. Mas volta depressa, que a cada segundo sem você eu me perco ainda mais de mim.

Volta. Eu já não conseguia acreditar em muita coisa quando você chegou e mudou todas minhas dúvidas para potenciais certezas. Volta. Agora tá difícil me apegar em qualquer ilusão ou realidade pra me manter em pé.

Volta. Eu prometo que vai valer a pena. Eu prometo que a coragem vai ser compensada. Eu prometo que nossa vida vai ser cheia de sorrisos e amor. Eu prometo que te faço cócegas só pra poder correr atrás de você pelo apartamento e, no final, te segurar em meu braços e te beijar.

Volta. Esquece os problemas, as dificuldades, os obstáculos… Só volta.

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Saudade é um bicho que não dá pra adestrar e ensinar que não se deve bagunçar o coração da gente. Tenho tentado prendê-lo, mostrar que é errado revirar um sentimento que não tem como continuar vivo, mas quanto mais eu o prendo, mais forte ele fica e as grades que o prendiam já não conseguem mais conter a sua agitação. Ele exige ser notado. O problema é que só você pode acalmá-lo. E eu sei que você não vem.

Enquanto o seu silêncio e ausência deixam a entender que você está bem sem mim, eu encosto a minha cabeça na cadeira durante uma pausa no trabalho e monto cenas na minha cabeça.

Desejo chegar bem perto de você, colocar o seu cabelo atrás da orelha, me atentando aos detalhes da sua expressão pedindo pra que eu te beije. Em seguida, puxo sua cintura contra a minha, puxo seu cabelo e te beijo de forma que, entre nossos corpos, nem sequer o ar passe. Finjo que não é sua presença que me tira o fôlego.

Deitada, tudo o que me vem à cabeça é você e a vontade de falar contigo. Montando diálogos imaginários, meu coração dispara e o oxigênio não consegue circular em mim. É desesperador. Mesmo assim, eu te procuro.

– O que eu faço com essa saudade de você? – eu lhe pergunto.

E sua resposta me vem como um escudo: – Carla, não faz isso. – você diz.

– Eu sei. Só… Faz falta. Como você está? – digo implorando por uma palavra tua que me abrace e me acalme como costumava ser. Mais uma vez em vão.

– Tô bem. E você? – a resposta vem tão seca quanto o Cantareira.

– Uhum… Sucesso no TCC? – insisto mais uma vez.

– Uhum, tá caminhando bem. – e o tapa seco dói mais uma vez.

– Que bom… Bom… Desculpa te procurar. É só que você foi, ou ainda é – não sei mais conjugar os verbos no tempo correto quanto ao que costumava ser sempre presente –, muito especial. Se cuida. Beijos. – finalizo a conversa, mas não o meu pensamento.

– Você também foi muito especial, de verdade. Se cuida! Beijos! – você encerra sem nem mais uma sílaba.

Internamente eu continuo a conversa: – Queria ter vivido mais.

E, assim, acaba uma tentativa de diálogo. Não sei se encaro sua maciez nas palavras como algo bom, se encaro com conjugar o nós no passado ou se fico pensando se um dia esse “especial” será tão especial a ponto de voltar a ter um lugar em nossas vidas novamente.

Com o peito dilacerado, eu durmo. Só assim para não te procurar e fugir de mim.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #16 – 19 de Outubro

O dia está lindo, o Sol está potente e eu quero aproveitar o máximo desse domingo. Acordo com o calor insuportável dentro da barraca. De ressaca, esse calor me deixa com a pressão baixa.

Preciso comer. Na padaria, a fila está gigante e o tempo abafado. Me concentro pra me manter em pé e não deixar a pressão me derrubar. Não consigo e preciso sair dali. Me sento e peço a um amigo pra comprar por mim.

Me refresco, melhoro, como um misto quente e bebo bastante água, mas só com o passar do dia é que consigo ficar 100%.

Aqui, não tem sinal de celular e se torna uma boa maneira de eu não te procurar e não saber nada teu.

Aproveito o mar, a vista, o Sol, a areia. Mas sempre penso em você. Vejo casais e penso em você. Vejo demonstrações e penso em você. Tudo que eu vivo, vivo querendo dividir com você.

Às 16h uma ventania começa e faz guarda-sóis voarem, só não voa o amor que eu sinto por você. Saio do mar e começamos a arrumar as coisas para voltar para casa. Às 18h estamos em Bertioga e pegando a estrada de volta.

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Assim que o sinal do meu celular volta, busco informações sobre você. Ao observar seus passos virtuais, chego à conclusão de que você está pelo menos paquerando três caras diferentes.

De certa forma, saber desse número me deixa melhor. Prefiro que se encha de superficialidade do que encontre alguém pra ocupar o amor que um dia pensei ser meu.

Descubro que você virá pra Americana no fim de semana e minha vontade é ficar plantada no bar em que conhecemos e que suas amigas sempre vão só pra ver se eu consigo te ver. Fico imaginando como seria se nossos olhos se cruzassem. Talvez os meus não aguentassem e começariam a agitar esse mar que venho carregando dia após dia.

Durmo quase a viagem toda e quando chego em casa tudo o que eu quero é dormir. Mas não consigo.

Demoro mais do que eu previa, mas antes das 01h eu adormeço.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #15 – 18 de Outubro

É bom estar longe, em contato com o mar, a areia e o Sol. Mas às 10h, quando estamos todos prontos para ir à Praia, o tempo fecha e meu humor instantaneamente muda. Eu não funciono muito bem em dias nublados.

Pouco depois das 11h30 nos sentamos para almoçar e, conversando com uma amiga sobre lembranças, sexo e sentimentos, meu olho começa a lacrimejar e choro na mesa da lanchonete.

Minhas amigas começam a cantar Parabéns pra mim, para mudar o ar e desafogar minhas emoções. No fim, fica tudo bem. O sol sai mais uma vez, a cerveja está gelada e o meu coração continua derretido por você.

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À noite, buscamos o que fazer e, no final, ficamos eu e um amigo bebendo em frente ao mar. Me atento aos casais sentados na areia em torno de luzes e violão e penso mais uma vez no quanto eu queria viver isso com você.

Com a luz do luar e das estrelas tudo fica sempre mais difícil e pesado. Sua ausência se acentua e eu queria o cheiro dos seus cabelos na minha roupa, na minha cama, no meu travesseiro. Na minha vida.

Embriagada, deito e durmo. Não tenho sequer tempo de pensar.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Eu esqueci o amor da minha vida

Caro leitor, talvez este seja o primeiro texto em que começo me desculpando. Desculpo-me, antecipadamente, pois talvez este texto seja repleto de melancolia. Talvez ele seja longo demais – provavelmente o maior que já escrevi – ou, talvez, seu conteúdo em nada lhe interesse.

Usarei estas palavras como forma de desabafo. Como forma de contar ao mundo e a mim mesmo como esqueci aquele que sonhei ser o amor da minha vida. E não falo de romances baratos, não. Falo de conexão de alma, de semelhança, de empatia. Falo daquilo que achei que fosse para sempre – depois que existisse, e que hoje não é mais.

Poderia, claro, estar em alguma mesa de boteco falando sobre isso com minhas amigas. Elas são as pessoas mais doces, amáveis e companheiras que conheço. Mas o incômodo que isso me causaria seria gigantesco. Primeiro porque elas provavelmente já se cansaram de me ouvir a respeito disso. E mesmo que não tenham, eu me cansei de falar. Cansei porque, há anos, pareço um cão correndo atrás do próprio rabo.

Ou parecia.

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Eu nunca fui daqueles que acreditou em amor à primeira vista. Quando vi esse fulano (e é assim que o trataremos daqui em diante), me interessei, primeiramente, por seu corpo que causava inveja em muito marmanjo cria de academia. A princípio, jamais imaginei que algo pudesse existir – ainda mais naquela época: minha autoestima era menor que a torcida do XV de Piracicaba.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas. E, como sempre, me surpreendeu. Aos poucos, aquele menino lindo – e arrogante – que outrora eu conheci, desmanchava-se em pedaços na minha frente. Era como se a pele de leão caísse e, em seu lugar, surgisse a mais bela lã. A fera da qual eu tinha medo, tornara-se um carneiro. E nos aproximamos.

Logo de cara a intimidade foi grande. Parecíamos amigos de longa data. Primeiro as caronas que eu dava, depois o apoio nos momentos difíceis, as risadas e cumplicidades… E, como se eu caísse dentro de um novelo, eu me enrolei.

Aos poucos enxergava aquela amizade demasiadamente crua. Eu queria mais.

Percebi que, de tudo o que me faltava na vida, ali estava o que eu mais precisava. Era um menino problemático, eu confesso, mas era isso que eu queria. Cuidar é algo intrínseco a mim. Não sei não ser mãe. A que conste para as notas do leitor, bebo Malzebier – tem algo mais maternal que isso?

E bem na hora que eu desprendia todo o meu cuidado, mais coisas aconteciam para que eu precisasse desprender ainda mais. Eu me sentia feliz na presença dele e ele havia se tornado meu ópio.

E toda droga, caro leitor – como bem adverte o Ministério da Saúde – causa efeitos colaterais. Eu usava da presença dele. Sentia cada minuto passando, como se os segundos fossem a batida tensa, insegura e esperançosa do meu coração. É fato que eu sempre fui um apaixonado pelos amores platônicos, mas agora era diferente. Agora era ele. Tinha que ser.

Eu fui me tornando dependente. Imagine que um viciado rouba, mata e se prostitui tudo pelo prazer de satisfazer o vício. À minha maneira, fazia o mesmo. Eu o via sofrendo nos braços de uma menina que jamais lhe dera o valor que merecia. Todas as noites, quando me deitava, a minha abstinência era o sofrimento pelo sofrimento dele. Se pudesse, teria arrancado com unhas e dentes tudo o que ele sentia de ruim, teria trazido pra mim, teria feito meu. Tudo para fazê-lo feliz.

Acompanhei noites e noites a fio, e o meu vício aumentava à medida em que eu acreditava que era ele. Tinha que ser. Tudo o que eu sempre procurei em minha vida estava ali. Eu não sabia explicar, mas era ele.

Meu vício foi se solidificando. Agora, vê-lo todos os dias era condição sine qua non para meus sorrisos. Terrível era o dia que eu passava sem poder olhá-lo nos olhos. Sentia que o Sol não havia nascido, o mundo não girava, o tempo não passava. Eu precisava daquilo. Eu precisava dele.

Imagine que, mesmo para sentir a dor dele, eu queria estar ali. Eu queria estar perto, eu queria pegar nas mãos dele e dizer “venha comigo, eu posso te fazer feliz.” E como o firmamento que existe, eu afirmo categoricamente: eu poderia mesmo.

Mas a vida, como bem sei, é cheia de suas peculiaridades. Não sei como não demonstrava abertamente tudo aquilo que sentia. Apesar do cuidado, do ombro, do ouvir chorar, do consolar, do alegrar, do acompanhar, do viver do lado, eu era simplesmente um amigo. Me imagino, hoje, como uma represa. Uma barragem gigantesca que acumulou, ao longo de anos, todos esses sentimentos tristes, alegres, nostálgicos, esperançosos… Condensei tudo dentro de mim. Preenchi meu vazio com as ilusões que aquele amor me trazia.

Pode parecer besteira ou encanação minha, mas fulano não me abraçava direito. Nunca abraçou, na verdade. Talvez eu demonstrasse só um pouco mais do que gostaria.

E fomos crescendo. Tanto eu quanto ele, em ritmos diferentes – mas sempre juntos – aprendíamos todo-santo-dia uma nova lição que levaríamos para contar aos nossos netos. Nossa vida era uma aventura pitorescamente monótona, dotada das mais simples alegrias e cumplicidades que eu jamais imaginei merecer. Aqueles momentos ao lado dele me faziam esquecer dos ciúmes que eu sentia da namorada nova. Da peguete nova. Daquela que ele estava comendo. Me fazia esquecer que, ao fim do dia, eu ainda estava sozinho. Que minha alma acreditava na completude daquele amor mais do que a realidade me dava. A minha represa, agora, era preenchida, também, por solidão.

Desenvolvi por fulano, em todo esse tempo, um amor tão grande que jamais pensei ser capaz de carregar. Longe de ser um romance shakespeariano, eu entraria na frente de uma arma por ele. Sem nem duvidar. Entre a minha vida e a dele, escolheria mil vezes a dele. Para que ele pudesse ser feliz, plenamente feliz, mesmo que isso não me incluísse.

O gosto da droga agora era amargo. A satisfação de estar perto tinha se misturado com a amargura de não estar tão perto como eu gostaria. Havia um abismo entre nós – que só eu enxergava. Vale notar, neste ponto, que fulano sempre (sempre mesmo!) deixou claro o quanto minha amizade importava, o quanto eu importava, o quanto era bom estar comigo como amigo.

Aos poucos eu percebi que eu jamais chegaria a possuir fulano. A minha vontade, verdade seja dita, era rasgar inescrupulosamente toda a roupa numa noite quente e aos beijos mais demorados fazer amor que daria inveja aos maiores amantes. De viver uma entrega tão grande e pura que nossa luz iluminaria o universo e nossas almas juntas viajariam por milênios, brincando, correndo, amando, dançando… Nós viveríamos a completude da entrega. Eu sentia. Eu queria.

Mas, diferente do sonho, a vida me levava por outro caminho. Eu me tornei um dependente do pior tipo: aquele que não quer aceitar a dependência. Homem atrás de homem, eu buscava freneticamente encontrar fulano, provocar fulano, mostrar que eu estava ali e era desejado. Por que ELE não me queria? Onde eu havia errado?

Fiz coisas das quais não me orgulho. Estive com pessoas – muitas pessoas – com quem não gostaria de estar em sã consciência. Mas eu estava sob o efeito daquela droga inebriante e minha sede por aquela boca se tornava maior, maior e maior.

Eu carregava em meu peito uma mistura heterogênea de amor e ódio. Ódio porque eu via fulano sofrendo, fazendo escolhas erradas, buscando a felicidade onde eu sabia que ela não encontraria. E como eu sabia! Não errava uma. Meu amor protetor também era intuitivo.

Só que agora eu estava cheio. Minha represa suja, poluída, cheia daquele lodo de amor rancoroso e não realizado transbordava incontrolavelmente dentro de mim. Agora eu era dor. Dor por não poder amar, dor por ver meu amor sofrendo. Dor e dor e mais dor. Era nisso que minha vida se resumia.

Eu decidi me afastar. Mas antes, é claro, deixei fulano ciente – e bem ciente! – de tudo aquilo que eu sentia. Tudo que 4 anos sempre escondi. Agora era hora da verdade. Confesso que foi um dos momentos mais difíceis em minha vida. Olhar nos olhos dele, com os meus já marejados, e dizer que eu não estaria mais ali, que eu não o procuraria mais, que eu PRECISAVA estar longe daquela droga para poder me limpar, foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida. Eu estava disposto a esquecer o amor da minha vida. E – uau! – isso doeu mais que tudo.

Nos primeiros dias a dor da abstinência era excruciante. Eu podia ouvir a respiração dele ao meu lado. Podia sentir o calor da pele que eu sempre senti, mesmo tendo tocado poucas vezes. Meu coração ainda estava nele. E ele ainda estava em mim.

Como bom filho resignado que sou, deixei o tempo passar e seguir seu fluxo. Nesse período sabático – acredite, fulano mesmo que o batizou assim, alegando que eu voltaria e, para ele, a amizade seria a mesma – eu me arrisquei em algumas tentativas bem fracassadas de novos relacionamentos. Que pela primeira vez não pareciam tão fracassadas assim.

Até para a minha família apresentei um cara, coisa que nunca tinha feito. E eu realmente acreditava que aquilo pudesse dar certo. Que a maneira mais fácil de esquecer uma pessoa seria colocando outra em seu lugar. Não é.

Meu período sabático durou aproximadamente 4 meses. Num belo dia, resolvi ligar para fulano e passar na casa dele. Era um sábado à noite. Prontamente fulano me disse que estava jogando vídeo-game e que eu deveria passar sim. Ao chegar lá, não subimos. Eu estranhei a recepção na garagem – quase me senti um carro – até que a verdade veio: fulano estava com uma garota upstairs e eu não poderia subir pois a mesma não queria receber os amigos dele.

Imagine uma faca. Pegue essa faca e cometa haraquiri. Era essa a dor que eu sentia. Meu amor havia se transformado num gigantesco ódio. Ódio por aquilo, ódio por ela, ódio por ele, ódio de mim por ter tentado me reaproximar. Intrepidamente mórbido. Era assim que eu me sentia.

Amigo leitor, se você chegou até aqui, meus parabéns. Eu realmente preciso do seu apoio nessa parte.

Depois desse episódio, perdoá-lo foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida – de novo! Mas eu perdoei. Ele não tinha culpa, pois eu havia criado demasiada expectativa. Esperava que fulano me recebesse com tapete vermelho e alegorias, mas pra ele eu sempre estive ali. Eu tinha saído para ir ao supermercado e voltado. Era isso que ele imaginava. O que, para mim, tinha sido a eternidade, para fulano foi só “um tempo”.

E aos poucos fomos nos reaproximando. Sabe aquele cachorro traumatizado de tanto apanhar, que tem medo de chegar perto de você, mas que, ainda assim, quer seu carinho? Eu estava assim. Pisando em ovos.

Eu fui me envolvendo de novo – mais fortalecido, dessa vez. E para minha surpresa, o menino que eu havia deixado há 4 meses tornara-se um homem. Cheio de atitudes, responsabilidades e desejos. Meu menino havia crescido. Tudo tão rápido.

Agora já falamos de momentos atuais. E de mais surpresas. De um modo que eu nunca esperava, fulano me surpreendeu e me estendeu a mão de uma maneira que eu não imaginava que ele seria capaz. Eu precisava de ajuda e ele estava ali por mim. De um modo quase cármico, tudo o que outrora eu fizera por ele, ele estava fazendo por mim. Sem perceber, eu já estava viciado novamente.

Já sofria novamente, já esperava novamente, já queria novamente. Mas caramba! Tinha que ser ele. As pessoas falavam que era ele. “Léo, eu tenho certeza que vocês ainda vão ficar juntos”, eu ouvia. Me alegrava na hora, mas logo em seguida a melancolia me dominava.

De novo eu sentia o mesmo ciúme da nova menina idiota que não dava a ele o devido valor. Ao ouvi-lo contar de suas desventuras amorosas, meu silêncio enciumado ao telefone disfarçava-se de má qualidade no sinal da operadora. Eu era um cão correndo atrás do próprio rabo. Tinha que ser ele.

Mas, de repente, de um modo tão engraçado e surpreendente como a vida é, em uma ligação, em uma nova história de amor de fulano, eu enxerguei.

Foi como se a represa tivesse rompido, e todo aquele lodo de sentimentos agora vertiginosamente corresse para fora de mim. A venda havia caído, a ilusão acabado e a esperança morrido.

Não era ele. Assim. Simples. Que foi embora como veio. Não era ele. E, de repente, aquele preenchimento falso que me habitara por tanto tempo agora era só vazio. Eu estou vazio. Como se dentro do meu peito coubesse o infinito. Como se esse buraco fosse sem fim, sem chão.

Não era ele, e eu estava sozinho. Eu estou sozinho. O amor da minha vida não era o amor da minha vida. Fulano virou uma lembrança – ou o que eu sentia por ele.

Agora estou aqui, imensamente incompleto, perdido, vago. Agora caminho só pelo meu deserto de sal.

E quem sabe um dia esse vazio que existe em mim possa ser preenchido da maneira mais pura e bela pelo verdadeiro amor da minha vida.

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Um eu sem você #11 – 14 de Outubro

Ah, quem me dera que a leveza da vida não fosse apenas ilusões momentâneas. O sol nasce, e junto dele nasce toda a realidade diante dos meus olhos e sentidos: a sua falta. A cabeça que não me deixa te esquecer e, a cada dia, me faz viver uma lembrança nova.

Acredito que sempre temos uma nova história pra ser lida. Se não nas páginas de um livro, na vida. O problema é que, às vezes, a gente gosta tanto de uma história em específico que fica difícil gostar das sinopses à mostra.

O dia está pesado, mas, de certa forma, estou mais calma quanto a você. Assim, volto seu nome pra minha agenda telefônica. Agora, vejo também seu last seen do Whatsapp.

A tarde termina pesada, acho que é o ambiente de trabalho me carregando. Em casa, eu não consigo ter um bom humor. Tenho sono, preguiça das pessoas e de dialogar… Desconto essa infelicidade em minha mãe. Eu sei que ela não tem culpa, mas é involuntário.

Minha vontade é trancar tudo o que eu sinto e jogar a chave fora, mas ao não conseguir fazer isso, me tranco em uma cara fechada e em um humor que não melhora, apenas oscila. Sua falta afeta até onde nunca teve você.

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WHY IS DAMM DIFFICULT NOT TALKING TO YOU?

Te vejo online no Facebook e tenho que me controlar muito para não abrir seu chat e falar: “ei, estou aqui! Você está me vendo? Te amo!” No mesmo instante em que penso ir falar contigo, vejo suas atividades na rede social, curtindo postagens antigas de caras que nem sei quem são. Prefiro sair dali para não fazer besteira.

Deitada, decido passar pelo Instagram. Lá, você acaba de curtir outras duas fotos antigas de um cara que eu já não ia muito com a cara durante minhas stalkeadas. Eu sinto a maior raiva que eu jamais pensei poder sentir por você. E decido: eu não posso ver isso. Deslogo do Instagram, deleto meu Facebook e tento me acalmar.

Sinto-me a maior otária do mundo. Eu estou aqui, sofrendo, não consigo nem pensar em outra pessoa se não você… E você? Você está bem, “focando no TCC”, curtindo postagens e fotos antigas de caras nas redes sociais. Porra, não faz nem duas semanas!

Sinto como se tivesse sido a maior tola em acreditar em você ou na gente. Você conseguiu estragar algo que nunca ninguém no mundo havia conseguido: você estragou minhas redes sociais. Você estragou duas das redes as quais eu mais gostava.

Eu até desisti dos meus jogos para não correr mais o risco de ver você andando por aí feliz e sedutora no campo virtual enquanto eu acordo cada dia mais com olheiras, cansada e com um coração cada vez mais aberto, rasgado e diminuído.

Uma amiga me diz que você está em negação, tentando provar pra si mesma que não gostou. Mas precisava ser assim? Agir como se eu nem existisse, como se eu tivesse sido só mais uma?

Com o perdão da palavra, você me fodeu. E, dessa vez, não foi gostoso.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #10 – 13 de Outubro

Meu anjo ouviu minhas preces e permitiu que eu acordasse um pouco melhor hoje, mas eu ainda lembro-me de você. Em todo segundo que minha cabeça para é em você que eu penso. No seu beijo, no seu cheiro.

Por falar em cheiro, hoje eu decidi voltar a usar meu perfume antigo… Dessa forma, lembro menos de você. É triste, né? Mas o meu próprio cheiro me faz lembrar de você.

Vejo um link com dicas para a monografia e me seguro para não compartilhar com você. Vejo sua foto no Instagram e minha vontade é de comentar nele. Não, é de estar com você, te abraçando por trás. De ser tua.

A falta de fome não me deixa perceber que já passou da hora do almoço e saio almoçar às 13h15. Como por obrigação, não por querer ou sentir fome. A correria do dia me faz esquecer o coração que carrego no peito, mesmo que por alguns minutos.

Planejo ir ao show da Banda do Mar, conforme havia combinado com você… De certa forma, uma mínima ponta de esperança que seja de cruzar com você me anima, mesmo tendo visto que vai a uma festa em Marília.

Em outro segundo, uma amiga me surpreende e planejo ir para a praia. Ah, a praia. Eu aceito. De forma infantil que não me orgulho, espero que veja e te toque ou incomode.

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Em um dos sites que entro diariamente, encontro uma matéria sobre um cara que criou infográficos com receitas. Se fosse há duas semanas, eu teria enviado o link para você, brincando com os seus dotes na cozinha e, no final, riríamos juntas.

Hoje é Dia do Terapeuta Ocupacional, e antes mesmo que você postasse algo sobre a data, eu já sabia dele e planejava te parabenizar. Mais uma vez, guardo tudo pra mim.

Após o expediente vou ao cinema com uma amiga da agência e a cada passo no Shopping, vejo coisas as quais gostaria de poder dividir com você. Penso que, se um dia voltarmos a ser quem éramos, juntas, terei tanto assunto com você. São tantas conversas mentais que já não consigo mais contá-los.

Estou mais leve, mas não o suficiente para que meu pensamento não me leve de encontro a você e às memórias que insistem em viver.

Por uma noite, sinto meu coração mais calmo.

Deito para dormir, mas não consigo. Dormir, pra que? O corpo quer descansar, mas a mente sente a cabeça repousar no travesseiro e quer voar pra bem longe, onde o rei é o Amor e a rainha é a Felicidade.

Bem melhor do que nos sonhos, no silêncio da noite, com os olhos bem abertos e sentindo seu coração pulsar, é que a poesia vem te visitar e te encher de vida.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #9 – 12 de Outubro

Na falsa tentativa de não sentir nada, acordo às 10h para tomar remédio e volto a dormir. Levanto apenas às 15h, era inevitável ter que me enfrentar. Com o abrir dos olhos, o coração apertado e as lágrimas sem fim, minha cabeça pira e as perguntas sem respostas vêm e não me deixam ficar em paz.

Por que é tão difícil? Por que eu fui pensar que com você seria diferente? Por que eu fui me permitir? Por que acreditar se é sempre a mesma coisa? POR QUE?

A dor está insuportável hoje, e eu preciso de você. Preciso conversar com você. E te procuro. Você disse que vai me ligar.

Quando me liga, estou aos prantos e me entrego: eu não estou conseguindo. E você, com seu iceberg no lugar do coração quente que conheci, apenas diz não saber o que me falar e diz ser melhor desligar.

Não é mais recíproco, eu sei – será que algum dia foi?. Te peço desculpas por ser fraca e te procurar e aviso que deletarei seu número, pois só assim pra eu não mais te procurar.

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Eu sempre cumpro minhas palavras e promessas. Carrego pra sempre comigo os planos que um dia conversamos e pensamos realizar juntas. Assim como Vinícius de Moraes, “se você está pensando que eu estou me importando, claro que eu estou. Eu não sou feito essa gente que ama e, de repente, tchau, e se acabou”.

Esse domingo está me matando por dentro e eu choro com tudo, até mesmo lavando a louça. Para jantar, peço um lanche pelo Papa Rango e mais uma vez lembro de você.

Um pouco mais calma e passeando pelo Tumblr, vejo fotos de mulheres bonitas… E lembro que seus seios eram os mais bonitos que já vi. Era só estar ao teu lado que faíscas saíam e tudo fazia sentido.

Nesse momento é difícil acreditar que vou viver algo assim com outra pessoa, se não você.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.