Se não te vejo por fora, porque vive aqui dentro?

Se já não vive fora, porque me atormenta por dentro? É bobagem pensar que quem não cruza mais com teu caminho, ainda cruza com seu coração?

Eu já não te vejo fora, mas o importante é não te ver mais aqui dentro.

A gente não se conhece mais, e não fazemos mais questão de nos conhecermos, a nossa soma não acrescenta mais. Conseguimos deixar o nosso um mais um no negativo. E é isso e ponto. Não precisamos mais das tardes nos descobrindo, explorando nosso universo, não tem mais lugar para isso, – e mesmo que tenha, quem poderia ocupa-lo melhor que você?

O tempo passou e nem se quer restou palavras para a despedida, simples como escrever uma história e aí quando ela ficasse chata, passasse a borracha, ou inventasse um desfecho mais rápido. Não teve diálogo nem sinal de fumaça, foi oito ou oitenta, foi você lá fora e você aqui dentro.

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Quanto mais temos certeza de que o fim foi o certo e que a vida está repleta de coisas maravilhosa para experimentarmos sem a presença do outro, mais ficamos enganados por puro ego de que vamos conseguir sem o outro. Obviamente a gente consegue, mas é porque ele está fora, fora dos nossos planos futuros, fora das nossas viagens espaciais por universos distantes, fora de cogitação.

Mas e quando o apego do “estar lá fora” se confronta com a dura e difícil realidade de que quem está lá fora, também está dentro da gente.

A nossa ilusão tem os pés amarrados na falsa ideia de que o que realmente importa é sobreviver sem o outro, é sair para encontrar os amigos e não sentir falta, é se jogar na pista de dançar e beijar quem der na telha. Mas e quando resolvermos tirar quem está fora, de dentro da gente?

A ideia parece absurda, mas tem gente querendo – e muito – ter um lugar para dormir no nosso sofázinho interno.  Então, como é que a gente tira alguém de dentro da gente sem que essa pessoa nos leve também?

Todo o sentido do ciclo da vida é deixar ir para que, em algum momento, algo de bom possa vir. E para algo bom vir, ele precisa de um sofázinho aconchegante e espaçoso para fazer sua morada, se não, ninguém vai conseguir deitar nele para dormir bem.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.
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Um eu sem você #24 – 28 de Outubro

Fingir estar triste é impossível, ou você está ou não está. Assim como amar, embora muitas pessoas consigam fingir sentir algo por anos. Mas a felicidade? Ah, essa é uma máscara fácil de se encontrar no rosto das pessoas. Ao caminhar pela rua, quase nunca cruzamos com alguém em lágrimas. Afinal, é muito mais fácil tampar aquilo que nos perturba para não darmos maiores explicações ao mundo.

Mas a verdade é que sempre percebemos quando uma felicidade é plena e verdadeira. Ela se difere das máscaras: ela é real! A gente não consegue passar por ela e não percebê-la: os olhos brilham, os cantos da boca se movimentam sozinhos e, quem não entende, até os julgam loucos por sorrirem sozinhos.

Eu costumava ser assim quando tinha você. Até nos dias cinzas, que sempre me deixavam um pouco deprimida, você conseguia encher de cores e transformar as tristezas em alegria. Eu pensei que você havia chego para transformar minha vida por toda a eternidade, sabe?

No final é muito mais fácil fingir não sentir quando se sente tudo do que fingir sentir tudo quando não se sente nada. Pelo menos comigo, sempre foi assim. Nunca consegui fingir afetos e esconder os que tenho sempre foi um desafio.

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Mas quem em sã consciência trocaria estar em paz para fingir ter um buraco no peito que não pode ser preenchido? Eu não. Por isso tento, diariamente, fingir não ter um buraco no peito.

Antes, eu precisei me desculpar com você. Precisei dizer o quanto eu sentia muito pelas coisas que eu te disse, pelas dúvidas e ofensas que joguei em você em meio ao caos que eu não consigo arrumar. Sei que te machuquei e essa era a última das minhas intenções.

Sei que o que passou foi verdadeiro e que o fato de não poder ser não anula o que foi. Não podemos julgar o passado pelo presente, por mais difícil que seja aceitar isso na prática. Você merece ficar bem e ser feliz. E eu vou te deixar ir e viver o que quiser e sentir.

E eu vou continuar. Vou continuar a te ver nos textos de amor e a te escutar nas músicas que falam sobre saudades. E você vai seguir sendo a melhor pessoa que conheci e o caminho que se perdeu do meu, mas que um dia há de cruzar.

E eu vou continuar: a amar você.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #23 – 27 de Outubro

As segundas-feiras são os dias mais difíceis, em todas as semanas que têm passado depois de você. A segunda-feira é o dia oficial do “hoje eu começo”. Com certeza hoje algumas pessoas estão começando um emprego novo, uma nova dieta, uma nova rotina… Pequenas metas de vida que cada um coloca na cabeça para tentar ficar melhor. A minha era te esquecer e acordar com o coração um pouco mais leve. E falhei antes mesmo de sair da cama.

Minha semana começa e ao abrir os olhos me dou conta que é mais uma semana sem você. Mais uma semana a passar sem você voltar. Meu coração é tão teu, meu amor é tão nosso que a cada fim de semana eu espero o seu retorno.

Quando éramos plural, as segundas eram mais felizes porque tinha você nela. Meu sorriso abria em sincronia com os olhos, pois seus sinais no meu celular já haviam chego enquanto eu ainda sonhava.

Agora, minha luta diária é pra tentar não ir atrás das suas notificações e atualizações em todas as redes sociais. O amor que antes era meu maior aliado e amigo, hoje é meu maior adversário e inimigo. E, ainda sim, não consigo entender como algo lindo pode tornar-se, em um piscar de olhos, a maior tristeza e dor.

Meu desejo é te mandar: eu te amo. Sem esperar resposta nem reciprocidade, apenas para não correr o risco de você esquecer. Sei lá, dá um medo pensar que você possa achar que te esqueci, mesmo esse sendo meu objetivo de vida no momento.

O amor que sinto não cabe em mim e eu preciso esvaziar o coração para que outros sentimentos possam me preencher. Quanto mais o tempo sem falar com você passa, mais lotado fica meu baú de emoções. E ele está cada vez mais pesado.

Me desculpa se eu ainda não consegui passar mais do que alguns dias sem te procurar, é que é muito difícil carregar esse amor sozinha e não ter como deixá-lo mais leve pra que eu caminhe sozinha. Você ainda é a única solução pra diminuir a gravidade e o peso desse amor mal acabado.

Espero que um dia você me entenda e que se o seu amor por mim resolver ser mais forte que os medos e o mundo incompreensivo, eu estou aqui. Não conseguiria deixar de estar cada vez mais pronta pra te amar por todas as minhas vidas.

Hoje eu lembrei daquela noite em que te pedi em namoro e você recusou por ainda não estar preparada. Eu entendi, mas há tanto tempo que eu não pensava em ser só de uma pessoa que foi inevitável ter as lágrimas no meu rosto.

Nessa mesma noite, dormi embriagada e nem vi quando você encaixou o seu corpo no meu pra sonharmos juntas. Na manhã seguinte, acordei com você nos meus braços e uma dor por te ter ali a noite toda, em uma conchinha que nos protegia de tudo contrário à felicidade.

Eu preferia voltar a não conseguir mexer o braço do que continuar a conviver com essa saudade sem fim do cheiro do seu cabelo no travesseiro.

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A saudade é o pior sentimento do mundo, e vai ver é por isso que só existe em português e é impossível traduzir para outros idiomas, muito menos com adjetivos que quantifiquem sua intensidade. Tudo parece pequeno demais diante da sua ausência.

Eu sou mesmo otária, né? Ainda te procuro pra me declarar e dizer que nesse coração ainda tem um amor imenso por você e a resposta que você me dá? “Para com isso, pelo amor de Deus, me deixa seguir com a minha vida. Tudo isso já me machucou demaaaais, você não tem noção! Não faz isso comigo”.

Não fazer isso com você? E o que você está fazendo a cada dia que age como se eu nunca tivesse nem existido? Nesse instante, meu coração que já se acostumou a sangrar tenta se desafogar e despeja em você toda a tristeza que vem se acumulando em mim.

Não que eu me orgulhe do dito, mas foi com sentimento em cada sílaba. Eu sinto mesmo que você age como se nunca tivesse sequer me conhecido. Eu realmente penso nos meses anteriores e sabia que isso aconteceria. Afinal, por que com você haveria de ser diferente de todas as outras vezes que eu dei com a cara na parede após entrar em um labirinto amoroso, mas na hora de sair todas as portas estavam trancadas?

Eu realmente sinto muito por ter entrado e aparecido na sua vida, não sabia que tinha sido tão doloroso assim todas as noites de amor que tivemos. Eu profundamente não quero mais deixar o que sinto me levar até você. Vou aceitar que fui apenas um experimento na sua vida e nada além disso.

Eu realmente sinto que em um dia eu tinha alguém diante de mim que não conseguia conter o amor que sentia por mim e, no dia seguinte, não tinha nada além de uma parede de gelo e a indiferença.

Eu realmente espero e desejo que fique e esteja bem, que seja feliz, que o sucesso em todos âmbitos da sua vida te acompanhem. Eu realmente sinto muito ter sido tão ruim assim o cruzamento de nossas vidas.

E, mais do que tudo, eu realmente não queria que você, justamente você, tivesse que ir embora. Assistir você se afastar e “torcer” para que o mundo, o tempo ou a vida queira que nos reencontremos. O encontro só acontece com quem está disposto, assim como você esteve há dois meses atrás. Agora, não há mais disposição além da de você me apagar.

Então eu também tenho que apagar, deletar as lembranças e fingir ser feliz. Se eu vou conseguir? Espero que sim. Se você ainda vai pensar em mim daqui um ou dois anos, jamais saberei. E esse não saber é que eu não queria. Mas não tenho mais nada em minhas mãos. Apenas o meu coração que hoje eu jogo no chão e piso em cima. Assim, ele desaparecerá. Junto com o sentimento que costumava fazer dele moradia.

Preciso te deixar ir e parar de te machucar com minhas palavras e sentimentos, como o fiz há pouco. Explodi e você, mesmo sem estar perto, foi quem se machucou com essa explosão. Justamente a pessoa que eu não queria ver sangrar.

Te deletei do meu Facebook, justamente da maneira a qual eu sempre julguei errada. Mas meu impulso nervoso me guiou a isso e agora não posso mais voltar atrás. No momento, tudo que eu posso fazer é te deixar seguir em frente e torcer para que eu consiga seguir também.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #22 – 26 de Outubro

Acordo ainda levemente alterada e saio às pressas para votar no segundo turno. O sol quente, o dia abafado, o gosto de álcool na boca e uma sensação de não me lembrar plenamente de tudo. Um almoço em família em Águas de São Pedro, o corpo cansado e os olhos desejando fechar… E o pensamento ainda em você. Saudades de participar do seu dia, da sua vida e saber das suas coisas.

Daquilo que fica, a saudade é o único vazio que não pode ser preenchido com nada que venha a aparecer. Beijos, carinhos, novas paixões… Nada disso consegue ocupar o espaço que oferecemos ao amor que vai embora.

A única capaz de mudar o sentido e o sentimento, é a presença de quem foi embora. E isso pode nunca mais acontecer. Por isso nossas máscaras têm que ser mantidas. É muito mais fácil fingir-se alegre do que explicar a falta que faz o sorriso tímido que ela te dava e poder ver no olhar dela todo o amor do mundo e, assim, sentir-se segura para nunca mais querer sair dali.

É mais fácil fingir não sentir nada do que tentar explicar o quanto era lindo deitar ao lado dela e vê-la dormindo tão perto de mim. O jeito que só ela tinha de acordar ainda mais linda que na noite anterior e o modo como nossos corpos se procuravam embaixo das cobertas.

É melhor fingir que eu não conseguia ler o seu olhar e que você não reconhecia algo de errado sem que eu precisasse abrir a boca do que tentar explicar para o mundo inteiro que o seu coração é o maior que eu já vi. Mas talvez ele estivesse preocupado demais em abraçar e cuidar do mundo inteiro que esqueceu de me acolher.

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É mais sensato fingir que passou do que tentar mostrar ao mundo que você não foi só o meu melhor sexo, mas que era você e continua sendo você, aquela que tem em si todas as qualidades e defeitos que eu buscava, mas nunca encontrava. Para falar a verdade, eu nem sabia o que eu queria antes de você chegar.

Agora, eu sei. Como se faz pra esquecer quando temos nosso maior pedido realizado mas quando começamos a ficar feliz em vivê-lo, ele é tirado com a mesma rapidez com que me foi presenteado?

Depois de conhecer o melhor de mim, em você, fica difícil me interessar por mais de uma noite por quem quer que apareça na minha porta. Sinto-me na obrigação de avisar a quem quer que apareça que no meu peito não bate mais um coração. Quem bate é a saudade.

À noite vou ao cinema com um amigo e, no fundo, desejava que fosse você comigo num domingo à noite esperando a semana começar. No filme, um dos personagens era autista e me lembro de você e da sua paixão sempre que falava do seu curso e das vivências durante os estágios.

A forma como você disparava a falar quando o assunto era Terapia Ocupacional sempre me encantava, mesmo sem entender muita coisa. E eu nem tive tempo de te contar que eu amava quando você tirava o freio das palavras e falava sem parar, principalmente sobre sua futura profissão.

Gostaria de ter uma forma de te mostrar e falar tudo que o tempo que não pude dividir contigo me impossibilitou. Um dia, quem sabe.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #21 – 25 de Outubro

É absolutamente incrível o que doze horas de sono podem fazer na vida de uma pessoa. Fico na cama o sábado inteiro, apenas curtindo o prazer em poder não fazer nada. Entre o nada e o tédio, abro constantemente o Whatsapp só pra ver sua última visualização.

Ainda é difícil não falar com você. Vez ou outra me pergunto se você também pensa em mim tanto quanto eu penso em você. Será que você também abre minha janela só pra ver minha visualização? Será que você acompanha minhas curtidas no Instagram? Será que você pensa em me procurar, mas luta contra esse instinto e não o faz? Bom, se sim… Você tem feito bem melhor que eu.

A noite chega e vou pra uma festa com os bons amigos que tenho. Meu único plano pra noite? Me embriagar e ficar o tempo que eu puder sem pensar em você.

Seu nome, o que sinto e o que vivi com você torna-se assunto proibido nas rodas de conversas e na minha vida. Antes, era o motivo das coisas ficarem mais leves e felizes. Hoje, me forço a seguir em frente e ignorar que nossas almas se conectaram.

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Em uma tentativa de te esquecer, me dou uma vida de excessos. Sei que não é a alternativa mais sensata, mas eu perdi a linha do raciocínio lógico no segundo em que você desistiu da gente antes mesmo de tentarmos.

Se você consegue ignorar nossa história e me apagar, como se eu nunca tivesse existido, como se nossos corpos nunca tivessem se confundido na sua cama, acredito que eu não esteja assim tão errada em me afogar em alguns copos a mais de cerveja.

Você fez sua escolha, eu faço a minha – mesmo não deixando de te amar.

Aproveito a noite, a bebida, os amigos e ainda no final da noite acabo em lágrimas alcoolizadas imersas num amor que não teve lugar nesse teu mundo para viver.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #20 – 24 de Outubro

Pode soar repetitivo, mas a cada dia que passa está mais difícil acordar e abrir os olhos. A cada dia que passa, a dor aumenta e fica ainda mais cansativo empurrar o peso em cima do meu peito para conseguir me levantar. Mas a gente levanta. A gente precisa trabalhar, ganhar dinheiro e “viver” – mesmo sem conseguir encontrar um porquê.

Quem um dia disse que o tempo cura tudo, com certeza não havia sentido saudades. A saudade não passa de um dia pro outro, pelo contrário: aumenta a cada amanhecer. A única forma de fazer ela desaparecer é substituir o seu sufoco pelo alívio e felicidade em ter a pessoa distante dentro dos seus braços e abraços.

Mas, ainda, a pior das saudades é aquela do não vivido. Essa não tem como ser desafogada nem com mil beijos e abraços. Saudade da viagem que ficou pra ser feita, saudade daquele filme que ficou pra ser assistido, saudade daquele show que íamos comprar os ingressos… Como matar algo que ficou no passado antes mesmo de ser presente?

Torço pra que você fuja desses sentimentos em outros cheiros e gostos… Mas só pra perceber que, em você, também tem um pouco de saudade de mim. E, assim, volte correndo pra escrever e colorir as páginas da nossa história. Recíproco ou não, iludida ou não, esperança ou não: eu ainda não consigo acreditar que esse é o fim e nunca mais iremos nos cruzar.

Foram quase dois meses, é pouco tempo, eu sei. Mas só nós sabemos o quanto esses dois meses significaram mais do que dois anos. Vivi com você duas vidas dentro de dois meses e, agora, meu corpo e meu coração querem você por todas as minhas outras vidas. A começar por essa.

Você mesma dizia que nunca tinha sido tão você com alguém. Lembra? Que no seu último namoro você demorou um ano pra ficar sem maquiagem… E eu justamente te amava ainda mais quando estava limpa e inteira pra mim e comigo.

Inclusive sem maquiagem. Eu amo a cicatriz no seu rosto que você tanto esconde entre camadas de base e pó. E acho que eu nunca tive tempo de te dizer isso, né? Então que você saiba agora: eu amo sua pele cor de leite, eu amo sua cicatriz, amo seu sorriso, amo seu olhar, amo o jeito que você costumava me beijar e deixava claro que sentia o mesmo prazer e amor que eu quando nossas línguas se tocavam.

Eu amo sua risada, quando você cantava, quando você fazia bico para fazer charme ou quando chegava perto da hora de eu ir embora… E ah, amo seus seios. Mas isso você já estava cansada de saber, né? Mas você deveria saber: eles são os mais lindos. E sempre serão.

Em pouco tempo de reencontro – pois nós sabemos que esse amor não é só dessa vida –, consegui te amar mais do que eu jamais pensei. E é triste demais acordar todo dia com nada além da sua ausência.

Me desculpe agora a sinceridade, mas espero que você encontre alguém e esteja com esse alguém. Mas que toda vez que deitar com ele, lembre-se de mim. Que uma brisa traga o meu cheiro e você repense a escolha que fez e me deseje com você.

Que você largue tudo e decida viver o amor que um dia pensou ter colocado num baú e perdido a chave. Não se preocupe, eu guardei ela pra quando você quisesse transformar nossos singulares em plural.

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Que em um dia breve, você acorde e se arrependa. E venha correndo. Eu tô aqui, tá vendo? Tô te esperando se enganar, fingir que consegue esquecer, que nunca me viu… Eu espero. Eu não tenho pressa pra ter a vida inteira ao seu lado.

Só não demora muito porque a saudade machuca e eu não sei quanto tempo eu consigo fingir que está tudo bem e que não dói.

Penso que, talvez, você possa me entender e compreender o quão difícil as coisas estão pra mim e te peço para falar comigo sobre o que você sente, se eu fui só um caso e que nunca mais quer isso e acabou.

Ah, como sou tola. Você me ignora e quando peço a resposta, você simplesmente argumenta que já disse tudo que tinha pra dizer. Queria ser como você e conseguir esquecer o que trago no peito.

Maldito signo. Maldito câncer. Maldita mania de ser 8 ou 80 e me entregar por inteira. Maldita ilusão em acreditar que seria diferente e que eu teria um amor pra chamar de meu por mais de algumas noites.

Por enquanto, eu ainda sinto e sofro, mas eu tenho terríveis medos do que eu posso me tornar quando isso passar. Todos os baques que já tive foram pesados e difíceis de me levantar. Depois de tanto tempo – quatro ano , você sabe, eu te contei –, eu me abri pra você.

Eu me joguei sem olhar pra atrás e ver se você estava segurando a corda pra que eu não me afogasse. Por um tempo você amarrou a minha corda em uma pedra e se jogou comigo. Estávamos apenas começando a nos aventurar, mas você se soltou da corda e nem sequer me avisou.

E eu continuei ali pendurada, com as mãos ocupadas e preocupadas demais em te segurar, te abraçar e não deixar você cair e se machucar que quem caiu, no final, fui eu.

Não me arrependo. Mas me conheço de uma maneira que você não teve tempo de conhecer e sei que essas marcas não cicatrizarão de uma hora pra outra. Sei que comigo o processo é longo e demorado e eu não conseguirei ignorar o estrago que fizestes em mim.

A maioria das pessoas consegue acordar no dia seguinte e agir como se a outra vida nunca tivesse tocado nas delas, mas eu não. Eu me permiti ser tua, te dei tudo o que eu tinha e aceitei tudo o que você estava disposta a dar. Agora, eu tenho só esse peito rasgado e implorando por um cuidado que não chegará.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #19 – 23 de Outubro

Perdi a hora do trabalho e acordei assustada às 08h20. Tenho tentado voltar a sentir sono às 21h como quando você me trazia paz e eu não tinha nenhum pensamento ruim ao repousar a cabeça nos travesseiros.

Mas está cada noite mais difícil. Deito às 21h, o tempo não para, meu sono não chega e vou dormir depois das 23h. Todo dia. Se eu te contasse isso, acho que você nem acreditaria, né? Eu sempre lutava contra mim mesma pra me manter acordada e aproveitar sempre um pouco mais de você…

E agora meu inconsciente não me deixa fechar os olhos que é pra ver se você volta. Eles se cansam e acabam fechando as cortinas dos meus olhos, mas eu durmo, acordo e está tudo igual. Menos a saudade, que só aumenta com o tempo que se arrasta nos meus dias sem você.

Durante as longas horas do meu dia, tenho vontade de te procurar e dizer: volta! Se você sente alguma coisa ainda, volta. Por favor, volta. Mas volta depressa, que a cada segundo sem você eu me perco ainda mais de mim.

Volta. Eu já não conseguia acreditar em muita coisa quando você chegou e mudou todas minhas dúvidas para potenciais certezas. Volta. Agora tá difícil me apegar em qualquer ilusão ou realidade pra me manter em pé.

Volta. Eu prometo que vai valer a pena. Eu prometo que a coragem vai ser compensada. Eu prometo que nossa vida vai ser cheia de sorrisos e amor. Eu prometo que te faço cócegas só pra poder correr atrás de você pelo apartamento e, no final, te segurar em meu braços e te beijar.

Volta. Esquece os problemas, as dificuldades, os obstáculos… Só volta.

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Saudade é um bicho que não dá pra adestrar e ensinar que não se deve bagunçar o coração da gente. Tenho tentado prendê-lo, mostrar que é errado revirar um sentimento que não tem como continuar vivo, mas quanto mais eu o prendo, mais forte ele fica e as grades que o prendiam já não conseguem mais conter a sua agitação. Ele exige ser notado. O problema é que só você pode acalmá-lo. E eu sei que você não vem.

Enquanto o seu silêncio e ausência deixam a entender que você está bem sem mim, eu encosto a minha cabeça na cadeira durante uma pausa no trabalho e monto cenas na minha cabeça.

Desejo chegar bem perto de você, colocar o seu cabelo atrás da orelha, me atentando aos detalhes da sua expressão pedindo pra que eu te beije. Em seguida, puxo sua cintura contra a minha, puxo seu cabelo e te beijo de forma que, entre nossos corpos, nem sequer o ar passe. Finjo que não é sua presença que me tira o fôlego.

Deitada, tudo o que me vem à cabeça é você e a vontade de falar contigo. Montando diálogos imaginários, meu coração dispara e o oxigênio não consegue circular em mim. É desesperador. Mesmo assim, eu te procuro.

– O que eu faço com essa saudade de você? – eu lhe pergunto.

E sua resposta me vem como um escudo: – Carla, não faz isso. – você diz.

– Eu sei. Só… Faz falta. Como você está? – digo implorando por uma palavra tua que me abrace e me acalme como costumava ser. Mais uma vez em vão.

– Tô bem. E você? – a resposta vem tão seca quanto o Cantareira.

– Uhum… Sucesso no TCC? – insisto mais uma vez.

– Uhum, tá caminhando bem. – e o tapa seco dói mais uma vez.

– Que bom… Bom… Desculpa te procurar. É só que você foi, ou ainda é – não sei mais conjugar os verbos no tempo correto quanto ao que costumava ser sempre presente –, muito especial. Se cuida. Beijos. – finalizo a conversa, mas não o meu pensamento.

– Você também foi muito especial, de verdade. Se cuida! Beijos! – você encerra sem nem mais uma sílaba.

Internamente eu continuo a conversa: – Queria ter vivido mais.

E, assim, acaba uma tentativa de diálogo. Não sei se encaro sua maciez nas palavras como algo bom, se encaro com conjugar o nós no passado ou se fico pensando se um dia esse “especial” será tão especial a ponto de voltar a ter um lugar em nossas vidas novamente.

Com o peito dilacerado, eu durmo. Só assim para não te procurar e fugir de mim.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #18 – 22 de Outubro

Acho que a TPM está chegando e isso não está me ajudando muito a ficar bem. Tenho vontade de chorar de minuto em minuto. Você não sai da minha cabeça e em tudo que eu olho vejo você.

É como se minha retina tivesse gravado cada detalhe seu e tudo que vivemos, de modo que para que onde quer que eu olhe, vejo você… Nós. Mas, agora, com o nó desatado.

Lembro de tudo como se eu tivesse acabado de acordar de um sonho bom e quisesse me agarrar às lembranças para ter um bom dia. Quando percebo que o sonho acabou, tenho que conter meus olhos para que não criem um mar sob eles para que eu navegue até você.

Sabe aquela playlist que eu fiz pras nossas noites ficarem ainda melhores? Não que naturalmente já não soltássemos faíscas, mas poder eternizar nossos suspiros com as melodias pareceu sempre tão nosso.

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Hoje passei a tarde ouvindo todas as músicas e parecia que estavam faltando notas entre um refrão e outro. É como se sua respiração tivesse se tornado parte da melodia e não tê-la no meu ouvido simplesmente não parece certo. Você transformou grandes músicas em uma banda de garagem que está aprendendo a tocar.

Revejo postagens no Facebook de épocas em que minhas declarações virtuais eram respondidas com as suas e sinto saudades do tempo em que a certeza de sermos duas me mantinha firme, com os pés fincados no chão para caminhar até te encontrar.

Mas parece que, no meio do caminho, o seu cadarço desamarrou e você parou sem me avisar que eu estava indo sem você.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #17 – 20 e 21 de Outubro

Estou cansada, com dores musculares e sem ânimo para ir trabalhar. Acordo no horário certo, mas não consigo sair da cama. Mando uma mensagem e invento uma desculpa que me faça ficar na cama. E fico.

Acordo de verdade apenas às 15h e logo vejo rastros teu pelo Instagram. Tento pensar que nas curtidas em frases que poderiam se encaixar em nós, você ainda pense em mim.

Baixo o Tinder novamente, a título de curiosidade sobre você. Quando vejo as combinações, você não está mais lá. Tenho vontade de te procurar e te explicar o porquê eu havia baixado ele novamente. Só a ideia de que pense o que não é, me deixa louca. Não te procuro mas durmo pensando em você.

No outro dia, acordo e uma hora depois o dia já está extremamente difícil. A saudade hoje está insuportável. Estou sem ar, meu peito está apertado e tudo o que eu queria era te abraçar e sentir que tudo vai ficar bem.

A cada dia que passa fica mais difícil sair da cama e ter vontade de trabalhar. É como se eu tivesse perdido o objetivo e o caminho a seguir, afinal, minha bússola apontava para a direção dos nossos sonhos.

Penso em enviar uma mensagem só pra dizer que acordei com saudades e estou pensando em você. Sei lá, acho que saber que alguém, em algum lugar do mundo, pensa e sente um amor imenso pela gente deveria sempre ser algo bom, né?

Tenho vontade de saber de você, do seu dia, do seu coração e da sua vida. Mas não posso. E deixo o dia passar sobre mim.

Desde que tudo isso está acontecendo, eu não tenho sonhado mais. Justo eu, que sempre me lembrei de 90% dos sonhos. Penso que você deve estar em todos eles e meu inconsciente decide me acordar sem memórias do que vivi à noite para não tornar-se tão pesado.

Todo dia é uma luta diária para que eu não te procure. Depois de alguns dias sem procurá-la, eu sigo meu coração e te deixo saber e sentir que ainda penso em você. Que, no meu coração, só tem lugar pra você morar. E te peço que nem sequer responda, às vezes o seu silêncio dói menos do que sentir a frieza em sua fala.

Me sinto mais leve. Acredito que o sufoco pela sua falta é, também, o amor acumulado. Guardar tanto carinho e afeto e não ter onde e como extravasá-lo é complicado, uma hora ou outra a gente explode. E minha explosão sempre vai ser pra você, afinal de contas, sou apaixonada por você. Me permiti ser completa e plenamente sua, mesmo você não sendo mais minha.

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Quando recebo no meu feed de notícias alguma foto recente sua, o chão sob meus pés somem, meu corpo inteiro esquenta e, por um segundo, parece que estou te vendo bem na minha frente.

Involuntariamente, te olho por minutos ininterruptos. O mundo à minha volta sumiu. Tudo o que vejo e vivo é você. Seu sorriso, seus olhos. Me atento em cada detalhe teu registrado nas fotografias. Eu não quero ousar perder nada mais além do que já estou perdendo.

Eu daria tudo para estar com você. Daria tudo para te encontrar na cozinha, com uma regata um pouco maior que você que te servia como um vestido de ficar em casa, preparando um jantar pra gente e eu te beijar a nuca e te desconcentrar.

Eu daria tudo pra voltar no tempo e te agarrar em pé na cozinha do seu apartamento, derrubando o interfone da parede e te segurando pela cintura para você não cair.

Eu daria o resto da minha vida só pra poder viver tudo isso só mais uma vez. Porque se eu soubesse que aquela seria a última vez, eu não teria te largado tão cedo. Eu ligaria no trabalho e inventaria uma gripe só pra poder acordar mais uma manhã olhando você.

Se eu soubesse antes que aquela seria minha última viagem, eu teria derramado menos lágrimas – minhas e suas –, eu teria ignorado meus hormônios na TPM e teria respondido o Eu Te Amo desde a primeira vez.

Ao contrário dos que se decepcionam e desejam nunca ter conhecido a pessoa, eu me arrependo apenas de não ter sido plenamente sua desde o segundo que meu olhar cruzou com o seu.

E, enquanto eu me lembro dos detalhes que dividi com você, as lágrimas brotam sem que eu permita que elas saiam dos meus olhos. A cicatriz que você esconde com maquiagem, sua pele tão branca quanto à paz que me trouxe, o jeito de você me amar e a forma como nossos corpos pareciam ter esperado ansiosamente pelo nosso encontro – tudo que não me sai da cabeça nem do coração.

Em pouco menos de dois meses, você acrescentou tanto em mim e na minha vida. Meus planos se somaram aos seus sonhos e, graças a você, hoje eu olho pra frente e consigo ver coisas que nunca ninguém me fez ver.

Eu quero ter uma família. Quero crianças pela casa, brinquedos pelo chão e o seu amor por elas. Quero ser teu lar e transformar qualquer lugar onde passarmos em felicidade.

As noites não são mais as mesmas. Minha alegria ficou no tempo em que eu chegava às 18h30 e, uma hora depois, tinha você. Eu me perdi na hora de voltar e ser sozinha mais uma vez. Pensei que você tinha chego pra ficar… Mas você foi embora, como todas as outras.

Tudo o que eu quero é preencher meus dias com sonos longos para não acordar em busca de sinais que eu não vou mais encontrar.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #13 – 16 de Outubro

Os dias estão passando, mas eu não sinto a sua falta passar. A cada dia que eu abro os olhos está mais difícil. Invento desculpas e doenças para chegar mais tarde ou faltar ao trabalho. Procuro remédio e ânimos para continuar, mas o meu remédio estava na dose diária de você.

Mando uma mensagem para avisá-la que precisará retirar a almofada no Correio. Você fica online algumas vezes após isso e nem sequer me responde. Eu me desespero, perco a fome e fico pensando incansavelmente na hipótese de você nem se dar ao trabalho de me responder. Será que já chegou a esse ponto?

Espero três horas passarem após ter enviado a mensagem e mando outra mensagem. Esta você responde rapidamente e, da mesma forma, fria. Distante. Seca. Monossilábica.

Essa sua frieza só me faz querer ainda mais conversar com você e tentar ter algo nosso de volta. Insisto e declaro sentir que parece que nunca nem existi na sua vida. Ao invés de me responder com carinho e proteção – que sempre esteve presente em tudo nosso –, simplesmente fica brava por eu ‘questionar’ o seu modo de lidar e diz que não tem como ser diferente, que não há nada a ser feito.

Minha vontade é falar que isso não é verdade. Tem muito o que ser feito! Você poderia sair do guarda-roupas e me abraçar. Você poderia, inclusive, me puxar para dentro desse esconderijo com você. Eu não me importaria de viver parcialmente escondida se fosse em sua companhia.  Mas eu me calo e evito maiores dores. Me despeço antes que eu me despedace ainda mais pra e por você.

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Na cozinha, estavam conversando sobre fantasias sexuais para mulheres. Eu, quieta e comendo, apenas me lembro de você com aquele corpete preto, dançando pra mim ao som de Arctic Monkeys. Você dizia que eu havia virado seu mundo do avesso, mas você virou muito mais o meu. Afinal, eu ainda estou aqui.

Alguns me falam “você não tá legal ainda?”. Não, não estou. Eu perdi o que nem cheguei a ter. Por mais uma vez, eu estou ouvindo a mesma faixa do mesmo disco.

Hoje, mais uma vez, você me convenceu de que tudo foi mentira, ilusão e histórias que criei na minha cabeça. Ou onde é que tudo o que você sentia foi parar? Onde está a parte em que você dizia me ter como o maior amor, sua preciosidade e que a vida nos colocasse nos mesmos caminhos novamente?

Tenho uma entrevista marcada às 20h com um cara de uma agência em São Paulo. A entrevista é por Skype e flui tranquilamente. Penso nas possibilidades de mudar de vida e ir para São Paulo. O caos da metrópole talvez pudesse me ser uma boa companhia e me distrair do caos que carrego em mim mesma.

Tento conversar com minha mãe pra saber a opinião dela e em um segundo de conversa, tudo se transforma numa enorme briga. Uma a qual não tínhamos há anos. Após horas discutindo e de desentendimento, saio de casa para respirar e poder me acalmar.

Um amigo-irmão me busca e me salva de mais esse peso. Jantamos, conversamos e ele consegue, de uma maneira excepcional, me trazer paz.

Nesse segundo, agradeço pelo amigo que tenho e reconheço de que, de fato, “eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.”

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.