Como foi te esquecer

Venho te contar como foi te esquecer pois te esquecer foi –sem dúvida nenhuma- me ressurgir.

Vocês já se perguntaram como foi esquecer alguém que a gente amou muito? Pois é, eu me perguntei e a resposta veio em forma desse textinho.

Eu achava que eu nunca iria te esquecer, e de certa forma, estava certa, nunca vou te esquecer, eu só mudei meu jeito de lembrar de ti. E isso é o mais importante.

tumblr1490000710

Vamos usar a palavra “esquecer” nesse texto como uma maneira mais leve de dizer que a gente conseguiu lembrar de alguém de uma forma diferente, esquecemos como aquela paixão nos machucava, e começamos a lembrar do nosso sofrimento de uma forma mais construtiva.

O que então seria “lembrar do nosso sofrimento de uma forma mais construtiva esquecendo de alguém que a gente amou muito?” É exatamente lembrar de alguém sem raiva, sem rancor e sem ressentimentos. Não, isso não vai acontecer em 2,3 meses. Isso vai acontecer quando você decidir fazer do seu término algo construtivo para o seu próximo relacionamento (ou só para você mesmo).

Muitas vezes nos conduzimos a lembrar, pelo menos no começo, de como vamos viver sem aquela pessoa, ou como vamos construir nosso futuro sendo que praticamente TODOS os planos incluía você e ela. Mas depois o tempo vai fazendo o trabalho de fazer a sua vida continuar e você simplesmente está vivendo, e sim, sem aquela pessoa, e quer saber mais? Você tem planos.. e acredite, aquela pessoa não está mais neles.

Te esquecer foi também a aceitação de que eu precisava me livrar de um ciclo que há muito tempo eu insistia em não fechar, colocando a culpa no colo de alguém que provavelmente já estava com esse ciclo fechado. Me lembro qual foi a sensação quando percebi que esse ciclo estava fechado, foi como se magicamente eu te desejasse tudo de mais lindo na vida, me recordo que me perguntaram se eu ainda estava afim de você e por um segundo me peguei pensando em como era difícil responder aquela pergunta, em como eu ainda não conseguia mentir para as pessoas, e então com a maior naturalidade do mundo, assenti com um “cara, tô bem, e espero que ela esteja também”.

Quando vocês começarem a perder a raiva, ou quando vocês reconhecerem o perdão, o esquecimento vem com naturalidade. Foi assim que te esqueci, como se cada ar que eu respirasse fosse tirando você de mim aos poucos e eu não percebia, até que novos ares apareceram.

Anúncios

Não, ela não é o seu milagre

Se você assistiu Papers Towns (Cidades de Papel) e se decepcionou com o final ou pegou uma certa bronca da Margo, eu vim aqui para defendê-la e ensinar a lição principal que esse filme oferece.

Acreditar que todo mundo tem seu milagre não parece ser algo muito diferente de depositar as nossas esperanças em algo ou alguém em quem a gente acredita que vá transformar nossa vida. Quentin acreditava que seu milagre era uma menina que morava ao lado de sua casa, Margo Roth Spiegelman, e se concentrou na ideia de que ela mudaria sua vida.

As diferenças entre Margo e Quentin são notórias: Margo vive por aventuras e descobrimentos, enquanto Quentin é o cara que quase nunca sai da sua zona de conforto.  Até a chamada “noite da vingança”.  Uma noite que Margo aparece na janela do  seu quarto e o convida para uma noite inesquecível (pelo menos para ele).

Logo depois dessa noite, Margo some deixando algumas pistas. Pela esperança de que ela fosse seu milagre, Quentin resolveu ingressar na aventura de reencontrar a garota que amava e aí começa um ciclo maravilhoso de amizade entre Quentin e mais cinco amigos que fazem questão de  acompanhá-lo na jornada em busca de Margo.

paper-towns-trailer

Quando Quentin finalmente encontra Margo em uma cidade bem afastada do estado da Flórida, ela o decepciona dizendo que não ia voltar para casa, que estava se aventurando por outros caminhos e esse era o jeito dela de viver e não abriu mão disso por conta de um menino apaixonado.

Está com raiva dessa atitude? Vejamos, nem todo mundo acredita que os nossos milagres estão em outra pessoa, bastava olhar o filme com os olhos dela – viajar, se deparar com outras culturas e outras realidades era o que a fazia estar viva. Margo nunca acreditou que o milagre dela seria Quentin e nem achou que ela era o milagre de alguém.

É saber que tudo que podemos controlar está em nós mesmos e que as atitudes dos outros são responsabilidade deles. Quentin soube aceitar as consequências dessa longa jornada que, no fim, serviu para entender que o seu verdadeiro milagre se encontrava nele mesmo.

Margo o deixar partir e seguir o seu caminho não é nem de longe um final triste, muito menos sem sentimentos. É um dos finais mais realistas que encontrei em filmes produzidos para o público que sempre espera o casal vivendo felizes juntos. Eles continuarão vivendo felizes, mas cada um acreditando em seu próprio milagre, aquele que vem da gente mesmo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.