Não, nem todo mundo vai viver com o amor da sua vida

O título dói mais que bater o dedinho na quina da cômoda do quarto, dói mais que estar com fome e morder a língua sem querer, dói, e como dói. Parece inaceitável a ideia de que o nosso “felizes para sempre” pode não ser com a pessoa que imaginamos, mas isso nunca significou infelicidade. Pare bem para refletir, quantas histórias ouvidos de amores apaixonados e recíprocos que seguiram caminhos diferentes, mas que por desventura do destino tivemos que seguir em frente e encontrar uma saída de emergência, procurando o ponto certo e equilibrado para amar.

Sabe, não é todo mundo que tem o destino traçado para se casar com o amor da nossa vida, as vezes casamos, as vezes ficamos sozinhos e as vezes casamos com o nosso amor, que pode não ser o de nossa vida, mas é um baita amor. Quando você começa a enxergar as pessoas que dão valor ao seu eu, você começa a perceber que a demonstração de afeto e carinho são também formas lindas de amar alguém.

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Lembro que a hipótese de não viver com o amor da minha vida era algo que me deixava triste, com a percepção de que meu final feliz, seria na verdade, apenas um final. Não me sentia uma pessoa de sorte, afinal, via tantos outros casais se intitulando como “amor da minha vida”, que parecia que aquela verdade nunca chegaria em mim. Até que chegou, experimentei lindos momentos com o amor da minha vida, compartilhei planos, musicas, filmes, senso crítico e conhecimento. Mas os acasos da vida fez com que nosso final não fosse tão feliz assim.

Mas ai eu te pergunto, qual é o fucking problema se o meu final feliz ser com outro alguém que pode me amar na medida certa, que venha me amar a cada amanhecer de uma segunda-feira chata, que mesmo com todo meu senso crítico, ainda queira estar ao meu lado. Ou se não, qual é o problema se no final, a felicidade esteja dentro de nós mesmos, porque acima de tudo, felicidade só depende da gente.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

No seu momento

Muitas das vezes nas quais me perguntaram os motivos de eu nunca ter namorado, eu sempre dei a resposta padrão do “ah, nunca apareceu ninguém”.

Mentira. Já apareceram diversas pessoas. Muitas, inclusive, maravilhosas e que, caso me dessem nova oportunidade hoje, eu certamente consideraria bastante me aventurar na relação. Mas o fato é que, dadas as proporções de minha mentira ao explicar o motivo, torna-se necessária a luz da verdade sobre os acontecimentos. E a verdade é que: eu não estava pronto.

Eu não estou pronto. Sou daquele ingrediente que deve cozinhar sozinho, para depois se juntar à receita. Os motivos disso? Não sei. E, por mais que tenha tentado encontrar diversas explicações, deparei-me sempre com um “espere, não é a hora”.

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No seu tempo

E, agora, você pode me culpar pela covardia, ou entender com admiração que as coisas simplesmente acontecem no tempo certo. Na hora certa, com a pessoa certa.

Sou daqueles românticos bobos que acreditam em alma gêmea, que se apaixonam fácil, que se entregam. E é justamente isso que eu precisava mudar. Eu achei a resposta.

Antes, eu seria capaz de doar a minha vida pelo bem amado. De fazer tudo e me sacrificar em prol da felicidade dele. Eu me anularia completamente para satisfazer as necessidades de meu amor. E isso seria a minha morte, mesmo que em vida.

Viver pelo o outro é morrer. Lenta e dolorosamente. Eu descobri que, antes de amar alguém, eu deveria me amar. Enxergar em mim qualidades que ninguém veria se eu não as visse primeiro. Minha dignidade precisava nascer, aflorar. Dedicar-se tanto a outra pessoa é indigno, é injusto. Comigo e com ele.

O amor não é caridade, não é doação. O amor não é anulação. O amor não é entrega. O amor é a soma de dois amores. E por mais clichê que isso pareça, e por mais vezes que isso já tenha sido dito, parece nunca ser suficiente. Insistimos no erro. Insistimos sempre em acreditar que, para ter alguém do lado, é necessário um calvário de sacrifícios em prol do outro.

Ontem, eu não estava pronto. Hoje também não estou. Talvez eu nunca esteja, e isso não é problema. Não é, porque problemas podem ser resolvidos. O amor, não. Ele só aparece quando você já aprendeu a resolver, sozinho, as dificuldades que a vida te traz.

Você não precisa de outra metade, você já é inteiro. Só precisa descobrir isso. E então o amor chegará. Leve, doce e calmo. Sem cobranças, sem pressões, sem ciúmes, sem tortura. Tudo em paz. Tudo no SEU momento.

 

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24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Quanto você me olhou pela primeira vez

Nossos olhos se cruzaram e a única sensação que pude sentir foi um formigamento no pé. Uma dormência que foi subindo lentamente pela minha perna, e despertou as borboletas que moram em meu estômago e que há muito dormiam – elas estavam te esperando!

Quando você me olhou, um segundo se transformou, de repente, em todo o tempo que eu precisava para saber onde mora a felicidade. Eu pude notar, nesse piscar de olhos, que nossos laços se cruzavam de tempos atrás, quem sabe de outras vidas.

Eu pude sentir a sensação de estar em casa novamente, depois de um longo dia de trabalho, e de jogar minhas chaves sobre a mesa, e ainda vestido deitar no sofá enquanto você pergunta como foi o dia, dizendo que eu nunca estive tão lindo como estava naquele momento. Você gosta de elogiar, e eu te amo mais por isso – apesar de sempre ficar sem jeito.

Mesmo ainda sem te tocar, eu senti o seu calor e lembrei de você deitado no meu peito, fazendo os planos mais loucos para o futuro e me tornando cúmplice do que comecei a chamar de “nossas loucuras”, o nosso jeito louco e inocente de ver o mundo.

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Você sempre esteve aqui, eu sempre te senti. E nesse segundo que nossos olhos se cruzaram eu descobri que não era louco, era só um paciente esperando pelo remédio. Era a cura de uma doença que eu não tinha. Era a alegria do beijo doce pelo amanhecer. E você rindo do meu cabelo bagunçado, enquanto eu te enchia de beijos te dizendo que você é a coisa mais bonita que eu já vi.

Depois daquele olhar meus domingos nunca foram os mesmos, e eu pude admirar o entardecer com todo o meu coração, sem ter medo da segunda-feira, afinal, depois de um dia longo, você seria a minha recompensa, o meu desejo de voltar pra casa.

Devo confessar que, devido a esse olhar, ganhei até uns quilos. Nós amamos comer, não é mesmo? Adoro quando, mesmo sem ter todo o dom de um chef, você cozinha coisas que me lembram de casa. Adoro seu jeito de me confortar e me fazer sentir parte do mundo.

Talvez você não saiba e eu nunca tenha te dito, porque eu tenho um sério problema em expressar o que sinto, mas eu só cheguei tão longe porque você estava me olhando, me apoiando. Era de você que vinha minha força de virar madrugadas a fio no escritório pensando em um jeito de mudar o mundo. Seu compromisso com a verdade, sua integridade, sua fé nas pessoas, sua bondade… É de você que vem a minha humanidade. Teu calor não me deixou ser frio, mesmo depois de tantas pancadas.

Não foi fácil chegar até você. Mas foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Desculpe a demora.

Mas eu tenho certeza que você vai entender, quando os nossos olhos se cruzarem.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Entre sorrisos

Em certo filme que muita gente já viu e compartilhou pelos quatros cantos das redes sociais e da vida, aprendi que “happiness is only real when shared” (ou seja: a felicidade só é real quando compartilhada). E é sobre isso que eu queria compartilhar com vocês, mas mais especificamente nos relacionamentos – amorosos ou não.

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Quem nunca ficou tão feliz com alguém que, de tanto rir, a barriga doeu e, assim, só se sentiu ainda mais feliz? Aliás, quer felicidade mais louca do que essa que faz a barriga doer? Se me contassem dessa felicidade sem nunca a ter sentido, chamaria a todos de loucos. E quem nunca compartilhou momentos únicos com amigos, familiares ou namorado(a) que, só de lembrar, os cantos da boca se mexeram instantânea e involuntariamente, esboçando um sorriso em meio à seriedade da planilha do excel aberta na tela do computador?

Já li em algum lugar que você encontrará alguns amigos com facilidade quando estiver com problemas e dificuldades, mas que os amigos ou as companhias verdadeiras serão somente aquelas que conseguirem te acompanhar também durante os dias de Sol. Afinal de contas, quantas pessoas encontramos por aí que se deliciam simplesmente pelo prazer de nos verem por baixo? Inúmeras. Por isso eu aprendi desde cedo com a minha mãe que, por exemplo, depois de uma entrevista de trabalho, até ter o resultado final, não devemos fazer alarde. Muitos são os que nos querem longe do sucesso, poucos são os que nos acompanharão faça chuva, arco-íris ou um dia azul.

Mas, ainda mais alegre que todas as felicidades escritas e descritas pelos poetas mais inteligentes e românticos, quando o teu riso ecoa no meu sorriso, me sinto plenamente no paraíso.

Entre brincadeiras, conversas sérias e olhares enigmáticos, o teu riso é o som que eu poderia ouvir por todo o resto da minha vida. Ainda melhor do que compartilhar a felicidade, é dividir o motivo de todos meus sorrisos contigo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Quando existe amor, demonstre

Se um dia seu corpo todo foi tomado pelo amor e seus pensamentos inundados de felicidade plena, não deixe de dizer isso a quem tem pelo menos um terço da responsabilidade disso. Um “obrigada por me fazer feliz” é tão significativo quanto um “eu te amo” e faz uma baita de uma diferença.

Amar e não demonstrar é a mesma coisa que ter o mundo de palavras para soltar e se calar. É como se você quisesse conectar seu olhar com quem você ama e, quando pegar ar para dizer, se fechar e engolir garganta a baixo o sentimento.

As pessoas não conseguem prever o que seu coração quer transmitir, não dá para eu entrar em você e investigar o que te faz se esconder, não dá para eu achar o seu “eu te amo” sem você me dizer. E se o medo do tempo não existir, deixe eu saber que um dia você foi grata por abrir um sorriso e que a única culpa que devo carregar é por ter te feito muito melhor.
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Fico imaginando quantos sinais você deixou de me dar, quantas vezes você pensou em dizer que alguma foto minha estava incrivelmente linda. É justamente quando penso no tempo que temos aqui que me perco na tristeza de saber que você nunca me procurou, que na minha frente é a guria mais durona e fria do mundo mas quando se vira se enfraquece e desmorona, e eu, que não sei de nada, fico imaginando que você foi quem esqueceu primeiro, e olha que eu tentei ocupar a primeira posição nessa maratona do esquecimento.

A insegurança de olhar para dentro é tão grande que você faz questão de mentir sobre si mesmo para continuar ocupando o cargo de quem sobreviveu, nem por um segundo se quer soube sentir sua dor e analisa-la, afinal, é mais fácil viver se enganando do que pegar a merda de um carro e me encontrar para dizer o que seu coração tanto quer falar.

O mundo pode acabar amanhã e eu nunca vou saber se o meu calor pode aquecer as coisas por aí, o mundo pode acabar amanhã e você vai passar esse tempo se perguntando se ia ser diferente se você pegasse o celular, digitasse meu número e me surpreendesse com um: “Puta saudade de você”.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Permita que a tristeza te faça feliz

Sabe por que a tristeza é triste? Por causa de você – e de mim, também. Nós fugimos tanto dela, a transformamos tanto nesse monstro desprezível e errado de sentir dentro do coração que de maneira alguma ela poderia ser diferente.

Já a alegria não, ela é sempre exposta, gritada e declarada em cada foto no Instagram ou em cada status atualizado no Facebook. Vai ver é por isso também que nós ainda nos irritamos tanto com a felicidade alheia, né? Mas por que cargas d’água definiram um sentimento como bom e outro não? Cada um tem o seu papel dentro de nós e cada papel é essencial para sermos quem somos.

Desde criança, os meninos são instruídos a “engolirem o choro” porque isso é coisa de menina. E nós, mulheres, quando desaguamos pelos olhos logo ouvimos “está de TPM?” ou “para de mulherzice”. Mas, oras, quem foi que inventou que aceitar e demonstrar a tristeza é errado?

Da mesma maneira que a felicidade nos proporciona lembranças de ouro – a primeira vez que você sentiu um frio na barriga por alguém, ou a primeira vez que você viu um show da banda da sua vida, ou, então, aquele sábado à noite em que você não ia sair de casa e, em um piscar de olhos, se transformou no melhor dia da sua vida – e que carregaremos eternamente, a tristeza também é quem nos leva a sentir a felicidade mais intensamente e a fortalecer cada pedaço de quem realmente somos.

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Ou vai me dizer que os meses de luto após o término de um namoro que você costumava considerar como o amor da sua vida, ou a cada vez que a vida te derrubou só pra te deixar mais forte e mostrar que, talvez, outro caminho foi feito pra você, não te trouxe ensinamentos mais valiosos do que aqueles que aprendemos enquanto sorrimos?

É lindo ser feliz e não carregar um sentimento de que falta algo na sua vida, mas é mais lindo ainda você se aceitar tanto, aceitar todos os seus sentimentos, a ponto de molhar o seu travesseiro à noite e mostrar ao mundo seus olhos inchados de uma noite mal dormida.

Então o meu conselho para todos aqueles que fogem diariamente das batalhas travadas com as suas infelicidades interiores é uma só: aceite, deixe os olhos transbordarem até inundar o seu coração e, acredite, serão esses dias escuros e cinzas que farão você chegar aos pores-do-Sol alaranjados em frente ao mar.

Sabe por quê? Porque um sentimento só vai embora depois de transbordar. Enquanto você engolir o choro e acreditar que você tem que ser feliz todos os dias da sua vida, você vai ser tudo, menos feliz.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

A economia do sorriso

Você já ouviu falar do sorriso? E da felicidade? O sorriso é a mais pura manifestação da felicidade. E é de graça. Não economize.

Vivemos tempos difíceis para sorrir. E eu sei que neste momento você deve estar se questionando do porque deixei de lado a política e a economia para falar do sorriso. Bom, eu não deixei: sorriso é universal, cabe em qualquer lugar.

Todos os dias, ao acompanharmos o noticiário, nos deparamos com fatos tão terríveis que saímos de casa levando um peso que não nos pertence em nossos ombros: o da culpa pela humanidade. Carregamos os assassinatos, carregamos a inflação, carregamos a recessão… Saímos de casa mais pesados do que acordamos. O dia já começa tenso e você começa a economizar os seus sorrisos.

Não precisa ser místico para saber que energia boa atrai energia boa. Que opostos só se atraem nos átomos. Somos regidos pela força universal, e aqui é bem assim: os dispostos se atraem. Sobreviva sem saber dos problemas dos outros. Se economize.

O sorriso

Viver momentos bons de verdade, sem dinheiro, pode ser um verdadeiro fardo. Você talvez esteja ou provavelmente conhece alguém que está desempregado, devendo. E você já ouviu ou falou: “sem grana tá foda, não dá pra ser feliz”. E eu entendo perfeitamente a importância do dinheiro na composição da felicidade. Sonhos, passeios, idas e vindas dependem de dinheiro. Mas entenda: sentir a felicidade, gostar de alguém ou entender que em algum lugar do mundo tem alguém que gosta e cuida de você é de graça. Sua saúde vem de graça. Você cria doenças com sua negatividade. Lembranças, sonhos e projetos são de graça. A força que você precisa para começar a mudar sua vida vem de graça.

Não se economize. Não economize seus sorrisos. O seu sorriso é combustível da sua felicidade. Com ele você cria forças para mudar toda a realidade da qual você está cansado. Eu aprendi isso da melhor maneira: de graça e NA graça. Amigos maravilhosos me mostraram que eu tenho o poder de decidir o que quero sentir e o que quero fazer com esse sentimento.

E eu escolhi sorrir. E esperar. E confiar. E sorrir. Sorrir porque chorar não resolve. E quando você emana um sorriso para o universo, o universo devolverá sorrisos para você. É simples assim que a vida é.

E hoje o textinho é curto mesmo. Economizei no texto para deixar você gastar o que sobra restando.

Aproveita, é de graça. E força na peruca que amanhã é segunda. Sorria pra ela. 😁😃

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Sobre essa tal amizade

Dia desses estava lendo um artigo que falava sobre amizade e há algum tempo tenho ficado de deixar claro e explícito a minha gratidão ao universo por todas as pessoas que apareceram – e ficaram – na minha vida. Pois bem.

Durante nossos caminhos a gente cruza com tanta gente, mas são tão poucas as que realmente nos tocam, né? Pode ser professor, colega de classe ou trabalho, amigos de balada… Se a gente parasse algum dia pra tentar contar com quantas pessoas já trocamos ao menos um breve diálogo, com certeza ultrapassaria o limite de amizades imposto pelo facebook. Mas poucos conhecidos realmente se dispõem a construir uma amizade sincera e verdadeira.

Em resumo ao texto que estou usando como referência e lembrete pra, finalmente, tirar essa declaração apenas da teoria, o autor falava que sem afinidade não existe amizade*. E tem frase mais verdadeira do que essa?

Eu nunca pertenci a um grupo específico (tipo as patricinhas/mauricinhos, sabe?). Na verdade, pertenci sim. Ao grupo dos inadequados pra qualquer outro grupo e, assim, sempre tive amigos muito diferentes. Mas todos sempre me complementavam em ao menos um aspecto.

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Tenho amigos que, se eu ligar às duas da manhã chorando, me encontram sem nem perguntar o porque – e se não estiverem na mesma cidade que eu, vão ficar me ouvindo até às quatro sem nem pensar que dali duas horas já é a hora de levantar e ir trabalhar. Eu tenho companhias lindas pra falar sobre seriados, ir ao cinema, discutir gostos musicais e cantar sertanejo na pista, pra falar sobre mulheres e homens, dividir as experiências e até mesmo falar sobre cocô (porque, sim, esse é o auge que atingimos de intimidade depois de um tempo de amizade) e depilação… Ou simplesmente companhias que, por serem tão afins da minha alma, uma mesa de bar ou uma roda de violão é suficiente pra encher meu pote imaginário com risos e sorrisos pro resto do mês.

Dizem que precisamos ter alguém na nossa vida pra sermos plenamente felizes (afinal, “a felicidade só é real quando compartilhada”, né?), mas todo o mundo foca tanto em encontrar UMA pessoa – o futuro marido ou a futura esposa – para dividir a vida até o fim dos dias que se esquece de ver o brilho nas múltiplas pessoas que nos cercam diariamente. Mas eu não.

Eu não quero um amor pra vida toda se eu não tiver, ao meu lado, meus amigos pra vida toda. Eu poderia passar um século da minha vida sem ter alguém pra chamar de amor, mas seria imensamente infeliz se não tivesse ao menos uma alma pra chamar de amigo.

Recentemente mudei minha vida radicalmente (saí de casa, aos 23 anos, pra morar com pessoas que mal conhecia, em outro estado e há mais de 700 quilômetros de distância) e foi nessa reviravolta do mundo que eu pude reconhecer aqueles que realmente estão comigo, mesmo eu não estando mais fisicamente ao lado deles.

E são eles, as pessoas que ficaram do meu lado em cada segundo, que usaram as palavras mais lindas antes, durante e depois, e que continuam me apoiando e dividindo as novidades da vida mesmo longes, que eu quero por toda a minha vida.

Afinal, são eles, meus amigos lindos e tão imperfeitos quanto eu, que me conhecem da cabeça aos pés, com todos meus sonhos, sentimentos, conselhos, loucuras cancerianas e bizarrices que só a convivência proporciona e me aceitam assim, mesmo jogando a verdade na cara de cada um de vocês. (Aceitem mais essa verdade recheada de sentimento e amor <3).

Dizem que se puderes contar e encher uma mão com todos os amigos – AMIGOS MESMO –, podes se considerar uma pessoa rica. Eu, meus caros, já ultrapassei uma mão. E nada tem me feito mais feliz e grata do que saber que tenho as melhores pessoas correndo ao meu lado.

*É bom lembrar que os anos passam e tendemos a crescer e a evoluir. Por isso não estranhe se algumas amizades não durarem sua vida inteira – afinidade não é tudo, mas duas – ou mais – almas precisam estar em sintonia para seguirem juntas.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #1 – 4 de Outubro

Sempre gostei de sábados. Pra mim, é o dia oficial da semana em que posso dormir tarde e acordar ainda mais tarde, com uma eterna sensação de dever cumprido.

Neste dia, ele deveria ter sido como qualquer outro sábado: eu deitaria tarde na sexta-feira, fosse por ter saído com meus amigos, ou por ter ficado até altas horas falando com você ou simplesmente vendo um filme. Mas não, tive que desligar o celular para dormir (coisa que fiz contáveis vezes em toda a minha vida). Ou melhor, tive que me desligar dele.

Se não fizesse assim, continuaria observando seu last seen no Whatsapp e sua foto de perfil enquanto escrevia e apagava frases desconexas que só faziam sentido dentro da minha cabeça e do meu coração.

Era véspera das eleições e, meu Deus, quem em sã consciência pensa tanto em amor quando o foco do fim de semana é a política brasileira? Ou ao contrário: quem consegue pensar em política quando o amor está latente?

Quando abro os olhos, já sabia que sua ausência estaria gritante, mas minha esperança cega me faz religar o aparelho só para confirmar que não, não tem nada teu. Com o tempo e as frustações constantes eu estampei na minha cara e pra vida toda uma realidade que, hoje, aceito em paz: Quem nasceu pra ser passagem jamais será ponto de chegada.

Mas por que é que eu fui deixar você ser tão gigante dentro de mim a ponto de me invadir plenamente, roubando até mesmo o espaço que eu dava pra minha insegurança e me fazendo somente sua? Por que eu fui acreditar, mais uma vez, que seria diferente? Nunca é.

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Correndo contrária à minha vontade de saber de você, desligo novamente o celular mas você logo comenta em alguma atualização minha no Facebook e suponho que me procuraria. Assim, religo o aparelho e lá estavam suas mensagens desesperadoras pedindo pra que eu te atendesse.

Do outro lado da linha, você estava aos prantos, de uma forma que, do lado de cá, a única coisa que eu queria era poder correr para o seu lado e ser o seu porto para você desaguar todo esse mar dos olhos.

Após algum tempo o seu choro diminui e você consegue me explicar o motivo desse teu mar estar agitado: achar que eu seria capaz de seguir em frente, sem você, tão rapidamente e, ainda, sua mãe.

Foram três horas de conversa e ainda hoje, sete meses depois, sinto como se não tivesse falado tudo. Ou ao menos eu não falei. Afinal, era para eu passar uma vida inteira te ouvindo e falando com você.

Sua decisão torna-se inalterável: desistir dos sonhos que mal começamos a construir, dos sentimentos, dos planos, do carinho e desse amor. Você alega ser o melhor pra nós, mas eu sei que, na verdade, é o melhor pra você, não pra mim.

Em meio às ilusões de que tudo um dia ficará bem e de que nos reencontraremos pela vida, indiretamente não me permito aceitar essa realidade. Como quem foge de si mesmo durante a fase da negação, meu consciente não reage e poucas lágrimas caem.

É sábado à noite, o que mais eu poderia fazer para não te procurar além de tomar um banho e sair? Encontro-me com uma amiga e, dentro de mim, parecia como se nada tivesse acontecido, mesmo a maior pauta do encontro ser você. Ela me consola, me ouve e divide as suas experiências em meio às garrafas de cerveja em cima da mesa.

Prolongo a noite encontrando outro amigo e indo até uma festa com outros tantos rostos conhecidos – quando, na verdade, era o seu que eu queria encontrar – e estendo meu sábado para o domingo, até às cinco da manhã.

Eu, o álcool, a madrugada e a ilusão de que tudo ficará bem – com a gente.

Continua...

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele que gruda na sua pele. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Se encontre antes de encontrar alguém

É comum a gente se preencher de gente que não nos preenche, mesmo porque ninguém pode fazer por você o que você julga ser impossível fazer sozinho. Se completar.

É triste perceber que olhar para dentro de si, na maioria das vezes, só acontece quando nos sentimos sozinhos, ou quando a corda que nos segurava e que nos mantinha em pé, se solta. É nessa hora, do caminho da altura da corda até nosso corpo chegar ao chão que começamos a enxergar nosso eu interior.se encontre antes de encontrar alguem

É também na solidão da queda que você estabelece uma conexão consigo mesmo, talvez por isso a escuridão seja tão assustadora. É hora de você se encontrar no teu próprio olhar, descobrir os planos que eles carregam, olhe para sua boca, repare nos seus dentes e perceba o que pode te fazer mostra-los. Se olhe, vá mais fundo, defina suas qualidades, seus talentos, se organize para praticar o seu reencontro.

Não adianta se antecipar e tapar os buracos do coração com areia fofa, uma hora você vai pisar nesse monte e vai se afundar, pior, vai levar quem está por baixo junto. Saiba gostar da sua companhia, assista um filme e debata, discuta um livro, entenda que a tua felicidade consiste no amor que você tem por quem você é.

E então vai ser nessa hora – quando sentirmos que não somos tão ruins assim – que vamos conseguir mostrar nosso verdadeiro eu, e então encontraremos outra corda, que vai nos manter leve e nos equilibrar, porque dessa vez sabemos que se a corda vir a se soltar, teremos a nossa própria de reserva.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.