Não, nem todo mundo vai viver com o amor da sua vida

O título dói mais que bater o dedinho na quina da cômoda do quarto, dói mais que estar com fome e morder a língua sem querer, dói, e como dói. Parece inaceitável a ideia de que o nosso “felizes para sempre” pode não ser com a pessoa que imaginamos, mas isso nunca significou infelicidade. Pare bem para refletir, quantas histórias ouvidos de amores apaixonados e recíprocos que seguiram caminhos diferentes, mas que por desventura do destino tivemos que seguir em frente e encontrar uma saída de emergência, procurando o ponto certo e equilibrado para amar.

Sabe, não é todo mundo que tem o destino traçado para se casar com o amor da nossa vida, as vezes casamos, as vezes ficamos sozinhos e as vezes casamos com o nosso amor, que pode não ser o de nossa vida, mas é um baita amor. Quando você começa a enxergar as pessoas que dão valor ao seu eu, você começa a perceber que a demonstração de afeto e carinho são também formas lindas de amar alguém.

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Lembro que a hipótese de não viver com o amor da minha vida era algo que me deixava triste, com a percepção de que meu final feliz, seria na verdade, apenas um final. Não me sentia uma pessoa de sorte, afinal, via tantos outros casais se intitulando como “amor da minha vida”, que parecia que aquela verdade nunca chegaria em mim. Até que chegou, experimentei lindos momentos com o amor da minha vida, compartilhei planos, musicas, filmes, senso crítico e conhecimento. Mas os acasos da vida fez com que nosso final não fosse tão feliz assim.

Mas ai eu te pergunto, qual é o fucking problema se o meu final feliz ser com outro alguém que pode me amar na medida certa, que venha me amar a cada amanhecer de uma segunda-feira chata, que mesmo com todo meu senso crítico, ainda queira estar ao meu lado. Ou se não, qual é o problema se no final, a felicidade esteja dentro de nós mesmos, porque acima de tudo, felicidade só depende da gente.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.
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Pequenas pessoas sonham alto, e eu sou uma delas

Quem me conhece sabe que eu não passo dos 1,65 de altura, mas meus sonhos sempre foram maiores que meu próprio tamanho. Eu não sou a maior pessoa do mundo, mas hoje sinto que posso alcançar qualquer coisa na vida.

Quando a gente duvida da nossa capacidade em realizarmos nossos sonhos, estamos duvidando também de uma coisa que mora dentro da gente chamada: essência. É, essa mesma, essa essência que construímos desde que o médico nos tirou da barriga da nossa mãe. Fomos construindo personalidade, caráter, qualidades, defeitos, criamos laços e referências que fazem parte das pequenas partículas que quando juntas, formam nosso pequeno eu.

O meu eu era formado de partículas que se auto criticam em cada frustração, o meu eu exigia de mim o meu melhor sempre, em todas as ocasiões. O meu eu não dava espaço para o erro, o que para muitas pessoas é ótimo, afinal, quem não quer viver de acertos, não é mesmo?

Mas a vida se engrandece quando nossa expectativa é frustrada e as partículas que encobrem nosso tecido desmoronam pelos olhos. A vida se engrandece quando aprendemos a lidar com a frustração de planos não realizados, que em um futuro, devem se realizar, quando sonhos não alcançados, um dia serão atingidos.

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A vida nunca me deu muitas condições de sonhar alto, mas eu sou uma das pequenas pessoas que sonham. E não é fácil batalhar por um sonho quando todas as tentativas que você fez foram por água abaixo, quando por inúmeras vezes você deu o seu melhor e mesmo assim, não chegou lá, quando tudo que você tinha para oferecer, ainda não era o bastante. Essas rasteiras que a vida nos dá, essa voizinha que ela faz questão de pronunciar: “vai, desiste que isso não é para você não” faz com que sua pequenez seja sinônimo de incapacidade.

É o seu eu falando para você mesmo que todos os seus esforços não significaram nada, porque sonhos são feitos para gente que gosta de dormir.

Acreditar em cada minúsculo centímetro do seu pequeno corpo é acreditar que a sua essência não mede limites para alcançar o inalcançável.

“Sem sonhos, a vida é uma manhã sem orvalhos, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventura, uma existência sem sentido”. – Augusto Cury

Se não te vejo por fora, porque vive aqui dentro?

Se já não vive fora, porque me atormenta por dentro? É bobagem pensar que quem não cruza mais com teu caminho, ainda cruza com seu coração?

Eu já não te vejo fora, mas o importante é não te ver mais aqui dentro.

A gente não se conhece mais, e não fazemos mais questão de nos conhecermos, a nossa soma não acrescenta mais. Conseguimos deixar o nosso um mais um no negativo. E é isso e ponto. Não precisamos mais das tardes nos descobrindo, explorando nosso universo, não tem mais lugar para isso, – e mesmo que tenha, quem poderia ocupa-lo melhor que você?

O tempo passou e nem se quer restou palavras para a despedida, simples como escrever uma história e aí quando ela ficasse chata, passasse a borracha, ou inventasse um desfecho mais rápido. Não teve diálogo nem sinal de fumaça, foi oito ou oitenta, foi você lá fora e você aqui dentro.

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Quanto mais temos certeza de que o fim foi o certo e que a vida está repleta de coisas maravilhosa para experimentarmos sem a presença do outro, mais ficamos enganados por puro ego de que vamos conseguir sem o outro. Obviamente a gente consegue, mas é porque ele está fora, fora dos nossos planos futuros, fora das nossas viagens espaciais por universos distantes, fora de cogitação.

Mas e quando o apego do “estar lá fora” se confronta com a dura e difícil realidade de que quem está lá fora, também está dentro da gente.

A nossa ilusão tem os pés amarrados na falsa ideia de que o que realmente importa é sobreviver sem o outro, é sair para encontrar os amigos e não sentir falta, é se jogar na pista de dançar e beijar quem der na telha. Mas e quando resolvermos tirar quem está fora, de dentro da gente?

A ideia parece absurda, mas tem gente querendo – e muito – ter um lugar para dormir no nosso sofázinho interno.  Então, como é que a gente tira alguém de dentro da gente sem que essa pessoa nos leve também?

Todo o sentido do ciclo da vida é deixar ir para que, em algum momento, algo de bom possa vir. E para algo bom vir, ele precisa de um sofázinho aconchegante e espaçoso para fazer sua morada, se não, ninguém vai conseguir deitar nele para dormir bem.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Qual é o problema?

A gente não está pronto para amar, para ter essa entrega incrível, a gente não está pronto para ouvir um eu te amo acoplado com um olhar apaixonado.

E quer saber qual é o problema disso? Nenhum.

A gente passa finais de semanas enfiados em baladas, festas e música boa. Uma vez ou outra a gente encontra alguém interessante, mas não o bastante para essa coisa toda, sabe?

Não tem problema nenhum em não estar pronto. Tem muita gente que acha que está, mas não está. A gente só evita mentir para nossos corações.

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Não estamos prontos e é isso, é essa a nossa condição. Beijos descompromissados, carinhos delicados no meio das nossas aventuras amorosas, mas é só. É o que podemos oferecer.

Somos taxados de frios e de sem sentimentos, mas só não estamos prontos. Nosso momento não é agora, e pode não ter sido com você. Mas a nossa consciência sabe que está limpa por não criar uma entrega falsa a alguém que não merece.

Beijamos bocas desconhecidas, sorrimos para pessoas que nunca mais vamos ver na vida, dançamos ao som de músicas viajantes com gente que só quer viver o momento, e nós também queremos. Sem essa de para sempre ou de “me liga amanhã”.

Não estamos prontos para café da manhã na cama, nem mensagens fofas de bom dia. (mesmo que no fundo isso faça um bem danado).  Não queremos ter que esperar resposta no whatsapp, nem visualizar e não responder para começar uma guerra de quem está mais “nem aí”.

Queremos o espaço de um instante para nos descobrirmos sozinhos. E tem gente que ainda não sabe como isso é bom para o coração.

Queremos nos acabar em festas, dançar até o chão com gente que a gente ama em volta. Queremos histórias para contar e novas cantadas para praticar.

Somos do mundo e o mundo é nosso também. Mas quando estivermos prontos, a gente sabe que o mundo pode ser bem melhor quando compartilhado.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

O destino nada mais é do que a conspiração do universo ao que a gente entrega pra ele

Existem incontáveis formas de começar esse texto. Eu poderia começar detalhando a primeira vez que te vi, ou descrevendo nossa primeira troca de energia, eu poderia começar com um diálogo, com os detalhes de um beijo nada sutil. Eu poderia passar horas elaborando frases que se encaixariam no contexto de abertura desse texto, mas eu escolhi começar por essa.

O destino nada mais é do que a conspiração do universo ao que a gente entrega pra ele.

Por milhares de vezes eu entreguei dor, raiva e tristeza ao universo, e a lei é clara, o universo devolve tudo que você entrega a ele. Eu entreguei solidão, e ele me devolveu, eu entreguei aflição, e ele me devolveu, eu entreguei rancor, e ele, mais uma vez, me devolveu.

Eu me prendi ao meu mundo particular onde as minhas idealizações eram ilusórias. Meu universo conspirava sobre algo que não me pertencia mais e eu por si só não enxergava. Passei em frente a inúmeros sinais de que aquela vida que vivia não era a minha. Não enxerguei nenhum deles, preferia fazer com que as minhas fantasias fossem criadas para me manter viva.

Que tolice a minha, mal sabia eu que viver era me conectar com a tua energia.

O mundo me devolveu tanta coisa que juntei experiências, conhecimento e humildade para fazer desse punhado uma nova vida, dessa vez, concreta e real.

Expandi meus horizontes, conquistei objetivos, visitei lugares, me redescobri no meio daquela bagunça toda, e então meu coração jogava amor e felicidade ao universo, e agora ele me devolvia com conspirações a favor dos meus planos. Eu oferecia coragem, ele me devolvia, eu oferecia pureza, e ele me devolvia, eu oferecia respeito, e ele me devolvia, eu oferecia gratidão e ele me dava mais motivos para agradecer.

Essa é a minha história com o universo.  E ele também te trouxe para mim. Porque eu ofereci amor, e ele me entregou você.

Acredito que o universo também atendeu aos seus chamados e me colocou no meio do seu caminho, e talvez eu esteja aqui agora só de passagem, talvez eu esteja aqui para te mostrar o quão lindo são seus olhos, ou o quanto autocrítica você tem que deixar de ser, posso estar aqui para te ensinar a se amar mais, a amar seu corpo, seu trabalho, amar a cima de tudo, a pessoa que você se tornou.

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Não sei quanto tempo tenho para mostrar as coisas maravilhosas do mundo, mas espero que dê tempo suficiente para você compartilhar seus momentos infinitos comigo.

Quero dançar com você na chuva, quero pegar uma estrada ouvindo a música mais gostosa do mundo com você, quero deitar no seu colo em dias difíceis, quero te ligar para contar que as coisas estão dando certo, quero ser sua imensidão para as coisas que você desconhece.

Quero que você se descubra olhando no espelho, quero que você se sinta a vontade com a roupa que escolheu para sair, quero que você use lápis para realçar seus olhos, mas se você não quiser, tudo bem também. Quero que saia com seus amigos, quero que saia com sua família, quero que você viva. Quero que viaje, conheça pessoas novas, quero que sua inspiração seja plena e contínua. Ninguém merece ideias adormecidas e sonhos apagados.

E eu estarei aqui te dando asas quando precisar voar, e estendendo a mão quando a queda for precisa. Eu estarei aqui para lembrar todos os dias  que você precisa se vestir de confiança, estarei no começo e no final do teu dia para não deixa-lo cair numa rotina.

Eu vou cozinhar, vou te ensinar palavras do meu próprio vocabulário, vou te pedir para ficar mesmo quando você precisar ir. Mas o mais importante, é saber que você é livre para se encaixar em qualquer outro abraço, e mesmo assim, escolheu se encaixar no meu.

Um eu sem você #25 – 29 de Outubro

São nesses buracos, entre espaços de tempo e trajetos, como da cama pro banheiro, do banheiro pro quarto, da casa pro ponto de ônibus e do ônibus pro trabalho que o pensamento torna-se indomável.

Hoje comecei a pensar antes mesmo de abrir os olhos. Quando meu corpo despertou, todas as lembranças de você estavam na minha visão, mesmo que os meus olhos ainda estivessem fechados. Seu corpo, seu beijo, seu gosto e seu cheiro. Tudo tão vivo que quase me iludi e acreditei que finalmente estivesse acordando desse pesadelo que é não ter você pra mim.

Entre as lembranças, revivi o dia em que te conheci. Era como se todo o resto do bar estivesse borrado e eu só conseguisse olhar pra você. Te vi antes mesmo de adentrar na casa, entre toldos, feições e paredes.

Você não sabe, mas troquei de lugar só para te enxergar melhor. Meus olhos estavam viciados em você desde o instante que te reencontrei. Era como se, de alguma forma, eu já tivesse te visto antes, sabe? Era como se eu te conhecesse de algum lugar que, ao nascer de novo, foi apagado das minhas lembranças.

O estalo que eu tive na fila do caixa de perguntar seu nome foi os cinco segundos de coragem que eu mais me orgulho. Foi depois de ouvir sua voz e um mês depois de conversas, quando minha boca se juntou à tua e nossos corpos se aproximaram de forma a parecerem só um, que eu caí em mim e vi o amor de todas as minhas vidas novamente comigo.

Acho que nessa vida não demos sorte, né? Afinal, pro amor dar certo, precisamos tirar a sorte grande de encontrar a pessoa certa no tempo exato e somar tudo isso com uma pitada de vontade recíproca de ser dois. Sentir, por si só, não é suficiente.

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No nosso caso, o azar ficou por conta dos sexos iguais. Um obstáculo que não deveria ser empecilho pro amor, certo? Certo. Mas não pro mundo que vivemos. Espero que o tempo passe e esse cenário mude. Quem sabe, assim, ainda dê tempo de terminarmos essa vida juntas.

Na rua, o Sol põe-se alto para iluminar o dia. O moletom que uso, mesmo em dias quentes, é pra aquecer as emoções que foram congeladas desde que você se foi. Sem você, todo dia faz frio. Até mesmo quando lá fora o Sol está escaldante e a temperatura acima dos 30ºC.

Mas basta olhar para a janela do Skype me avisando que você está online que todo meu gelo se derrete. Antes você só entrava à noite, quando nos encontrávamos para dividir a rotina e nosso amor. Penso se você ainda entra só pra ver meu status online. Se for, saiba que também me faz bem quando vejo você ali. É como se você estivesse um pouco mais perto de mim. Abro e fecho sua janela um milhão de vezes, até você ficar offline. Depois de você, o Skype ficou tão sem graça, e você nem imagina.

Durante a manhã, me pego num ato falho de ver todas as suas postagens no Facebook. Quer dizer, todas as desbloqueadas. A cada foto sua, meus olhos marejam águas salgadas da saudade de você. Eu havia encontrado a minha paz no teu olhar, e você costumava chamar meu abraço de lar. Onde nos perdemos?

Eu nem tive tempo de ver você fazendo as malas e calçando seu tênis para viajar. Talvez se eu percebesse antes, teria colocado um cadeado em nossos corações e jogado a chave fora. Será que adiantaria?

Espero que, assim como toda viagem exige retorno para o aconchego do nosso ninho, você volte para o meu carinho. Que o tempo a passar nos faça melhor uma para a outra.

Por hora, se alguém me pedisse para desenhar a saudade, eu tentaria tirar do lápis e colocar no papel um dia cinza de inverno com uma brisa carregada com teu cheiro. E as nuvens que descolorem o azul do céu se fazem tão triste que, assim como eu, seguram as suas chuvas para não desaguarem a todo instante e em cima de quem não tem na a ver com essa história toda.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

No seu momento

Muitas das vezes nas quais me perguntaram os motivos de eu nunca ter namorado, eu sempre dei a resposta padrão do “ah, nunca apareceu ninguém”.

Mentira. Já apareceram diversas pessoas. Muitas, inclusive, maravilhosas e que, caso me dessem nova oportunidade hoje, eu certamente consideraria bastante me aventurar na relação. Mas o fato é que, dadas as proporções de minha mentira ao explicar o motivo, torna-se necessária a luz da verdade sobre os acontecimentos. E a verdade é que: eu não estava pronto.

Eu não estou pronto. Sou daquele ingrediente que deve cozinhar sozinho, para depois se juntar à receita. Os motivos disso? Não sei. E, por mais que tenha tentado encontrar diversas explicações, deparei-me sempre com um “espere, não é a hora”.

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No seu tempo

E, agora, você pode me culpar pela covardia, ou entender com admiração que as coisas simplesmente acontecem no tempo certo. Na hora certa, com a pessoa certa.

Sou daqueles românticos bobos que acreditam em alma gêmea, que se apaixonam fácil, que se entregam. E é justamente isso que eu precisava mudar. Eu achei a resposta.

Antes, eu seria capaz de doar a minha vida pelo bem amado. De fazer tudo e me sacrificar em prol da felicidade dele. Eu me anularia completamente para satisfazer as necessidades de meu amor. E isso seria a minha morte, mesmo que em vida.

Viver pelo o outro é morrer. Lenta e dolorosamente. Eu descobri que, antes de amar alguém, eu deveria me amar. Enxergar em mim qualidades que ninguém veria se eu não as visse primeiro. Minha dignidade precisava nascer, aflorar. Dedicar-se tanto a outra pessoa é indigno, é injusto. Comigo e com ele.

O amor não é caridade, não é doação. O amor não é anulação. O amor não é entrega. O amor é a soma de dois amores. E por mais clichê que isso pareça, e por mais vezes que isso já tenha sido dito, parece nunca ser suficiente. Insistimos no erro. Insistimos sempre em acreditar que, para ter alguém do lado, é necessário um calvário de sacrifícios em prol do outro.

Ontem, eu não estava pronto. Hoje também não estou. Talvez eu nunca esteja, e isso não é problema. Não é, porque problemas podem ser resolvidos. O amor, não. Ele só aparece quando você já aprendeu a resolver, sozinho, as dificuldades que a vida te traz.

Você não precisa de outra metade, você já é inteiro. Só precisa descobrir isso. E então o amor chegará. Leve, doce e calmo. Sem cobranças, sem pressões, sem ciúmes, sem tortura. Tudo em paz. Tudo no SEU momento.

 

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24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Carta de agradecimento a quem foi embora

É preciso agradecer a quem está ao seu lado, mas mais que isso, agradeça a quem foi embora. É isso mesmo, livre-se do ódio e da raiva para dizer ao menos um obrigada a quem preferiu seguir uma jornada longe da sua. Muitas vezes o universo agiu para o seu crescimento, e você, cego com as dores do coração, não enxergou.

É difícil agradecer por algo que a gente não quer que aconteça, é difícil agradecer quando você quer continuar e o outro decidiu parar. A caminhada fica desiquilibrada, mas veja só, quando um para, o outro continua. Que esse ser seja você.

Eu te agradeço por tudo que fez a mim nesse tempo que tivemos o privilégio de conhecermos um pouco mais da gente, dos nossos corpos, dos nossos paladares, dos nossos filmes preferidos. Obrigada por me ajudar naquele momento difícil aqui em casa, por me dar abrigo, segurança e amor. Eu te agradeço imensamente por acertar em todos os presentes, por me agradar sempre que podia, por me ensinar a ser mais humana e menos fria. Obrigada, enfim, por apresentar o seu melhor lado.

Mas meus agradecimentos nessa noite vão para tudo que você não fez por mim e permitiu que eu mesma fizesse.

Eu passei por alguns momentos complicados que com toda certeza você iria me ajudar, mas você não estava mais lá, então eu aprendi a me reerguer sozinha e visualizar na minha cabeça todos os motivos pelos quais eu ainda tinha que continuar minha jornada. Não é fácil não desistir, mas eu fiz isso. Eu não desisti de mim.

Quando eu te mandava uma foto minha, você delicadamente, me elogiava, me mantinha em um nível alto de beleza, agora, eu tive que me olhar no espelho e me sentir bonita pela minha própria concepção. Analisei alguns dos detalhes que você jurava ser a coisa mais linda que pertencia ao meu corpo, mas há muito mais em mim.

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Você me trouxe paz e companheirismo, mas sem você aprendi a descobrir o mundo com uma penca de gente totalmente diferente de mim. Eles me trouxeram novos motivos para sonhar, uma nova visão do mundo e da vida.

Depois da sua partida eu tive que me reencontrar porque você levou quase tudo, então eu me dei à liberdade de passar dias sozinha na incessante busca pelo meu eu que agora não era mais seu. Então comecei do zero, aprendi a fechar um ciclo para começar outro.

Você me encorajou (mesmo sem saber) a ir em busca dos meus sonhos. Me fez enxergar que mesmo sozinha eu podia continuar caminhando.

Obrigada pelo crescimento e por não ter voltado atrás, por ser forte e ter conseguido, assim como eu, um novo caminho a ser trilhado.

Se eu soubesse que eu iria ganhar tanto te perdendo, eu te perderia.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.

Martha Medeiros tinha razão quando finalizou “A Despedida do Amor” com essa frase. Na verdade, essa crônica vem me assombrando desde julho, quando comecei a sentir a segunda dor.  Você deve estar se perguntando quais são essas duas dores que sentimos quando o amor se despede da gente.

A primeira é a dor física, a saudade dos abraços, dos beijos, a dor que aperta o coração e ele mesmo assim continua batendo. E se você acha que a primeira é massacrante, experimente conhecer a segunda.

No segundo estágio da dor você vai entender que dói mais deixar que o amor saia de você do que a própria saudade do outro.

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Não é fácil esvaziar nosso coração, se livrar dos sentimentos, do apego ao que foi bonito e mágico. A gente se acostuma a esquecer do que não fez bem, mas se livrar do que te fez feliz dói também. E dói em dobro.

Mesmo que os tempos sejam outros e que o amor que você vê hoje não seja o qual se adeque a sua vida, o amor que um dia sentimos ainda faz doer, abandonar esse papel de “seremos felizes” parte em bilhões de pedaços o castelo de esperança que a gente cria para morarmos eternamente lá.

Eu me encontro nessa fase, meio perdida porque querer deixar esse amor ir é também abandonar uma parte de mim que eu realmente gostava. É sair daquele castelo sem direção, sem nada, mas é também nessa fase que vou me reencontrar, deixar as fantasias dos meus desejos para dar de cara com a realidade, que não pertence mais a sua.

Portanto, meus caros, despedir-se  de um amor é despedir-se de si mesmo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Mas se quer saber se quero outra vida…

Era hora de voltar para casa depois de um filme decepcionante. O final dele não era feliz e a gente sempre espera, com grandes expectativas, que o mocinho vá ficar com a mocinha. Não nesta noite.

Entrei no carro, liguei o som e a primeira música que inundou meus ouvidos foi Eu Te Devoro, do Djavan. Fazia séculos que ela estava na minha playlist mas eu nunca deixava ela tocar, ontem eu deixei.

Teus sinais
Me confundem da cabeça aos pés
Mas por dentro eu te devoro
Teu olhar
Não me diz exato quem tu és
Mesmo assim eu te devoro
Te devoraria a qualquer preço
Porque te ignoro ou te conheço
Quando chove ou quando faz frio

As ruas ficaram largas e eu me permiti ter uns segundos de desatenção no trânsito para pensar o que eu estava fazendo com a minha vida. Caçando olhares perdidos para preencher o meu, saindo sem direção alguma procurando algo que me abastecesse. Algo que me mostrasse o caminho certo, ou o caminho que te atingisse em cheio.

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Por quantas bocas a minha boca passou para entender que meu coração precisa caminhar sozinho? E então a música voltou a fazer um pouco mais de sentido.

Tudo o que Deus criou
Pensando em você
Fez a via-láctea
Fez os dinossauros
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu

Eu entendo quando o Djavan entona a música nessa parte, “fez a minha vida e te deu”, como se eu não tivesse escolha, como se fosse um presente sem devoluções. Essa é a minha vida sendo sua e eu a observo de longe querendo que Deus também me desse a sua.

Então me vejo reaprendendo tudo, reaprendendo a caminhar só e a reconquistar um mundo que, agora, só pertence a mim.

Sem contar os dias
Que me faz morrer sem saber de ti
Jogado à solidão
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida
Não, não

Quando a música chegou nessa parte, parei o carro e tentei de todas as formas discordar do cantor, afinal, eu quero outra vida. Não essa cheia de solidão, cheia do vazio de saber que nela não tem você. Então, se quer saber se quero outra vida? Sim, eu quero.

Mas a música não tinha terminado e o último estrofe calou meus pensamentos contraditórios. Vi que não dava para discordar mais de nada.

Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.