Nunca imaginei que voltar fosse doer tanto

E dói como aquela dor imaginária de como você queria que tudo fosse, mas não é. A dor da expectativa que não sangra e nem precisa de atendimento médico, mas que parece não ter cura.

Voltar dói porque a vida já não é mais como era, e a gente finge acreditar que tudo ia ser como era antes. E tem doença que machuca mais do que não ter o que você tinha?

A casa já não é mais seu lar, os antigos bares já não têm mais graça, porque acima de tudo, nada vai ser como era antes.

O problema de aprender a voar é que voltar para casa dói e a gente se sente culpado por não querer mais estar em casa, no fundo a gente sabe que o mundo é tão vasto para oferecer apenas um lar.

Aqui tem amor e eu nunca duvidei disso.

Mas as minhas asas querem mais, mais brisa e vento forte, mais dias de sol e tempestade.

Voltar me trouxe a maior guerra civil dentro da cabeça de um ser humano, o maior desencontro de desejos. Logo eu, que quis tanto voltar, já não quero mais ficar aqui.

Será que cresci demais pra não querer desfrutar do que um dia foi a minha maior felicidade? Ou será que sou aquele tipinho que não se contenta com nada?

Por aqui não tem muito o que fazer a não ser continuar remando no barco dos outros, lá ao menos, eu tinha meu próprio barco.

Sair daqui me fez dançar mais leve e aprender a seguir sem música também, me fez reinventar a inspiração que faltava na vida, e me abriu os olhos para a sensação mais incrível do mundo, a liberdade.

Então porque voltar era tão importante? Talvez para ter a certeza que ir não é abandonar, mas sim, continuar voando.

E de todas as dores de voltar, a maior delas é ter que te ver pela tela do celular, ouvir tua voz através de áudios, ter que encarar a volta sem cafuné e sem carinho, não me perder mais nos teus olhos e consequentemente não me achar mais aqui, onde você não está.

 

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Escrevo porque és minha vontade de escrever. 

Demorei para te escrever, mas acho que essa é a hora perfeita para te dizer que te quero para mim. Não como posse ou como algum tipo de poder sobre você, te quero para mim te cuidar e te amar, te quero para dividir minhas mágoas, minhas vitórias e todas as pequenas conquistas, te quero para ouvir suas crises, para aguentar seus dramas, para te ouvir cantar, te quero para lhe apresentar todas as coisas boas que o universo te reserva.

O que posso querer depois de ter você ? Talvez um pouco mais de tempo para te querer mais, ser melhor amiga do relógio e pedir para tornar os minutos horas, parar o final de semana e essa rotina louca que a gente leva.

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Quero mais eu e você, mais nós, mais a gente, mais você nas manhãs de domingo e nas noites de sábado, mais eu na sua sexta a noite e no meio da sua semana. Quero mais jantares ao seu lado, dividir a taça de açaí e o mesmo copo de coca cola.

És tu, como se não houvesse mais nenhuma dúvida, como se não houvesse nem mesmo o amanhã, és tu que me acolhe a alma, conforta meu corpo e me preenche de amor. Tu que transborda meu coração, tu que me inspira a ser melhor, tu que me salvou.

Hoje te escrevo porque tu me deu inspiração. Escrevo porque és minha vontade de escrever.

 

 

Eu só permito um amor maior que o meu, se esse amor for de você para você mesma.

Essa carta é para você, porque eu precisava te escrever isso, porque você precisa ouvir isso. Essa carta é para você, amor, que se boicota todo dia, que se coloca para baixo, que não enxerga o real sentido de ser belo.

Vida, essa carta é para você, porque eu adoro te escrever, porque eu sou essa mulher de sorte em ter você. Mas quero que o mundo também te pertença, seria muito injusto com o mundo, se ele não te conhecer. Então assim, sei lá, se mostre para o mundo.

Mor, escrevo essa carta para você, que se engana sem saber o quão incrível é cada pedacinho do seu corpo, e está tudo bem se você ainda não aprendeu a se amar do jeito que eu te amo, a gente tem uma vida toda para trabalhar nisso, até você se olhar com os mesmos olhos que eu te vejo.

Mas eu escrevo porque você entende as minhas verdades aqui, elas ficam mais claras com palavras, eu escrevo porque é a coisa mais sincera que eu posso te oferecer.

Vai demorar um pouquinho para você acreditar nessa coisa toda de se amar, você vai se olhar no espelho e dizer coisas horríveis sobre cada curvinha do seu corpo, você vai desprezar seu cabelo e vai querer outro nariz, então como eu sei que é um trabalho que exige muita compreensão e paciência, você deveria saber o tamanho da minha sorte.

Então essa carta é para você, amor. Para você saber o quanto a vida me presenteou deixando você fazer parte dos meus planos, e o quanto você me ensinou em tão pouco tempo.

Se as pessoas soubessem o tamanho da tua beleza, elas iriam se apaixonar por você assim como eu me apaixonei, é por isso que eu sou uma pessoa de sorte, porque em meio a tanta gente querendo um amor tão sincero como o seu, o destino me escolheu para você. (e você escolheu ficar).

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Eu sou uma mulher de sorte porque esse sorriso que você dá para o atendente do Starbucks é todinho meu, e a minha sorte não acaba por aí não,  tenho sorte quando você passa na rua e as pessoas pensam: “Que garota linda”, ou quando um “psiu” na rua é direcionado para você, ou quando um homem pede para você colocar uma blusa, porque uma garota tão linda não deveria estar passando frio, eu tenho sorte quando você decide dançar… ah, é a coisa mais linda que eu já vi –e a balada toda pode sentir a energia que seu corpo transmite, acredite, você é linda demais para se esconder atrás de um boicote pessoal e autocritico-.

E por saber que essa sorte é toda minha que eu acho tão injusto não compartilha-la com ninguém, o mundo precisa conhecer o quão linda você é, e o quão linda você ainda pode ser assim que descobrir como se amar. E você tem todo o tempo do mundo para descobrir como é mágico a sensação de gostar da gente, afinal, teve tantas pessoas querendo te provar o contrário, né? Tanta gente que se realmente conhecesse você, assim do jeitinho que eu conheço, da cabeça aos pés, no coração à alma, se apaixonaria por você.

Amor, essa carta é para você saber que eu só permito um amor maior que meu, se esse amor for de você para você mesma.

Sua beleza me enriquece, me transcende e me apaixona

Hoje sou imensidão

Hoje eu olhei pra parede. Vi nela um retrato e a dor que ele carregava. Ao olhar para aquela moldura me deparei com meus reflexos. Naquela parede estava pendurada o passado. Milhares de fotografias tolas e juras de amor eterno foram deixadas. Ao olhar para aquela parede me lembrei do que éramos e como sofríamos. Me lembrei que já rimos solto e brigamos feio. Aquela fotografia emoldurada serviu de espelho para a minha alma. Eu me enxerguei. Pude ver que de eterno meus pensamentos já não se ocupam mais. Que de amores e dores o sabor da vida se faz. Dentro de ti estava eu e saíamos muitas vezes sem rumo. Eu me vi em você. Mesmo que tão distante, mesmo que sem sono eu dormi.

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Centelhas vívidas daquilo tudo que era, a amizade. Naquela parede pendurava-se seu pescoço enforcado. Seus medos e angústias. Naquela parede eu via em ti o que nunca havia visto antes. Ali estava sua morte e sua dor. Quem sabe agora pudesse eu dormir. Porém não quisera. O que queria mesmo era desfacelar a parece com seu rosto nela. Deixar estampada a paz que sinto e mostrar a você a culpa que carrega. Eu queria gritar, mas as paredes nunca ouvem. Eu queria chorar mas as paredes não consolam. Eu estou feliz mas as paredes não veem. Você era a parede que me impedia de ver. E por aquele quadro, aquela moldura eu vi. Hoje em mim já não existem mais paredes. Sou imensidão.

 

[Carta do leitor – 13/12/16]

Não, nem todo mundo vai viver com o amor da sua vida

O título dói mais que bater o dedinho na quina da cômoda do quarto, dói mais que estar com fome e morder a língua sem querer, dói, e como dói. Parece inaceitável a ideia de que o nosso “felizes para sempre” pode não ser com a pessoa que imaginamos, mas isso nunca significou infelicidade. Pare bem para refletir, quantas histórias ouvidos de amores apaixonados e recíprocos que seguiram caminhos diferentes, mas que por desventura do destino tivemos que seguir em frente e encontrar uma saída de emergência, procurando o ponto certo e equilibrado para amar.

Sabe, não é todo mundo que tem o destino traçado para se casar com o amor da nossa vida, as vezes casamos, as vezes ficamos sozinhos e as vezes casamos com o nosso amor, que pode não ser o de nossa vida, mas é um baita amor. Quando você começa a enxergar as pessoas que dão valor ao seu eu, você começa a perceber que a demonstração de afeto e carinho são também formas lindas de amar alguém.

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Lembro que a hipótese de não viver com o amor da minha vida era algo que me deixava triste, com a percepção de que meu final feliz, seria na verdade, apenas um final. Não me sentia uma pessoa de sorte, afinal, via tantos outros casais se intitulando como “amor da minha vida”, que parecia que aquela verdade nunca chegaria em mim. Até que chegou, experimentei lindos momentos com o amor da minha vida, compartilhei planos, musicas, filmes, senso crítico e conhecimento. Mas os acasos da vida fez com que nosso final não fosse tão feliz assim.

Mas ai eu te pergunto, qual é o fucking problema se o meu final feliz ser com outro alguém que pode me amar na medida certa, que venha me amar a cada amanhecer de uma segunda-feira chata, que mesmo com todo meu senso crítico, ainda queira estar ao meu lado. Ou se não, qual é o problema se no final, a felicidade esteja dentro de nós mesmos, porque acima de tudo, felicidade só depende da gente.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Se não te vejo por fora, porque vive aqui dentro?

Se já não vive fora, porque me atormenta por dentro? É bobagem pensar que quem não cruza mais com teu caminho, ainda cruza com seu coração?

Eu já não te vejo fora, mas o importante é não te ver mais aqui dentro.

A gente não se conhece mais, e não fazemos mais questão de nos conhecermos, a nossa soma não acrescenta mais. Conseguimos deixar o nosso um mais um no negativo. E é isso e ponto. Não precisamos mais das tardes nos descobrindo, explorando nosso universo, não tem mais lugar para isso, – e mesmo que tenha, quem poderia ocupa-lo melhor que você?

O tempo passou e nem se quer restou palavras para a despedida, simples como escrever uma história e aí quando ela ficasse chata, passasse a borracha, ou inventasse um desfecho mais rápido. Não teve diálogo nem sinal de fumaça, foi oito ou oitenta, foi você lá fora e você aqui dentro.

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Quanto mais temos certeza de que o fim foi o certo e que a vida está repleta de coisas maravilhosa para experimentarmos sem a presença do outro, mais ficamos enganados por puro ego de que vamos conseguir sem o outro. Obviamente a gente consegue, mas é porque ele está fora, fora dos nossos planos futuros, fora das nossas viagens espaciais por universos distantes, fora de cogitação.

Mas e quando o apego do “estar lá fora” se confronta com a dura e difícil realidade de que quem está lá fora, também está dentro da gente.

A nossa ilusão tem os pés amarrados na falsa ideia de que o que realmente importa é sobreviver sem o outro, é sair para encontrar os amigos e não sentir falta, é se jogar na pista de dançar e beijar quem der na telha. Mas e quando resolvermos tirar quem está fora, de dentro da gente?

A ideia parece absurda, mas tem gente querendo – e muito – ter um lugar para dormir no nosso sofázinho interno.  Então, como é que a gente tira alguém de dentro da gente sem que essa pessoa nos leve também?

Todo o sentido do ciclo da vida é deixar ir para que, em algum momento, algo de bom possa vir. E para algo bom vir, ele precisa de um sofázinho aconchegante e espaçoso para fazer sua morada, se não, ninguém vai conseguir deitar nele para dormir bem.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Seja nada para ser tudo

A vida é tão difícil com a gente, que quando a realidade te dá uns tapinhas nas costas e você se vira para ficar de cara com ela, pronto, lá está a vida sendo dura com você.

Eu particularmente nunca entendi essa coisa de estar preparada para tudo que vem pela frente. Uma hora você é tudo, outra você é nada.

E das vezes que fui tudo, simplesmente não estava pronta para ser, porque precisava ser nada. Precisava que a vida fosse dura comigo, que a realidade batesse na minha porta, eu precisava sentir que nada me pertencia, e o nada é aceitar que outras vidas continuam mesmo sem você.

Quando a gente é nada fica mais fácil perceber que sorrisos têm outros motivos além das suas piadas, os olhos brilham vendo outras pessoas além de você, a pele se arrepia sentindo frio na barriga quando encontram outras pessoas, e essas pessoas não são você.

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Fica claro entender que romances antigos recheados de juras de amor eterno, não são mais amor, eles simplesmente não doem mais, e quer saber ? As pessoas podem seguir suas vidas sem você.  Aceite.

Fica fácil dizer que a sua dor de amor é maior que as dos outros porque você passou dois anos na merda, mas a verdade é simples: cada um supera sua dor da sua própria maneira. Tem gente que passa anos aprendendo com o antigo relacionamento até se entregar à outra pessoa, e tem gente que simplesmente não se importa mais com o que passou, elas entendem que o que era para ser, não foi e ponto.

Quando a gente vê que o mundo ainda continua, mesmo o nosso estando parado, a gente acaba acordando para vida tentando recuperar o que já foi perdido, e o nada volta a te preencher, porque tudo que você tem agora é o: tarde demais.

Então se for para ser, seja nada. Tem gente que nunca vai ser tudo porque nunca soube ser nada.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Qual é o problema?

A gente não está pronto para amar, para ter essa entrega incrível, a gente não está pronto para ouvir um eu te amo acoplado com um olhar apaixonado.

E quer saber qual é o problema disso? Nenhum.

A gente passa finais de semanas enfiados em baladas, festas e música boa. Uma vez ou outra a gente encontra alguém interessante, mas não o bastante para essa coisa toda, sabe?

Não tem problema nenhum em não estar pronto. Tem muita gente que acha que está, mas não está. A gente só evita mentir para nossos corações.

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Não estamos prontos e é isso, é essa a nossa condição. Beijos descompromissados, carinhos delicados no meio das nossas aventuras amorosas, mas é só. É o que podemos oferecer.

Somos taxados de frios e de sem sentimentos, mas só não estamos prontos. Nosso momento não é agora, e pode não ter sido com você. Mas a nossa consciência sabe que está limpa por não criar uma entrega falsa a alguém que não merece.

Beijamos bocas desconhecidas, sorrimos para pessoas que nunca mais vamos ver na vida, dançamos ao som de músicas viajantes com gente que só quer viver o momento, e nós também queremos. Sem essa de para sempre ou de “me liga amanhã”.

Não estamos prontos para café da manhã na cama, nem mensagens fofas de bom dia. (mesmo que no fundo isso faça um bem danado).  Não queremos ter que esperar resposta no whatsapp, nem visualizar e não responder para começar uma guerra de quem está mais “nem aí”.

Queremos o espaço de um instante para nos descobrirmos sozinhos. E tem gente que ainda não sabe como isso é bom para o coração.

Queremos nos acabar em festas, dançar até o chão com gente que a gente ama em volta. Queremos histórias para contar e novas cantadas para praticar.

Somos do mundo e o mundo é nosso também. Mas quando estivermos prontos, a gente sabe que o mundo pode ser bem melhor quando compartilhado.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

O destino nada mais é do que a conspiração do universo ao que a gente entrega pra ele

Existem incontáveis formas de começar esse texto. Eu poderia começar detalhando a primeira vez que te vi, ou descrevendo nossa primeira troca de energia, eu poderia começar com um diálogo, com os detalhes de um beijo nada sutil. Eu poderia passar horas elaborando frases que se encaixariam no contexto de abertura desse texto, mas eu escolhi começar por essa.

O destino nada mais é do que a conspiração do universo ao que a gente entrega pra ele.

Por milhares de vezes eu entreguei dor, raiva e tristeza ao universo, e a lei é clara, o universo devolve tudo que você entrega a ele. Eu entreguei solidão, e ele me devolveu, eu entreguei aflição, e ele me devolveu, eu entreguei rancor, e ele, mais uma vez, me devolveu.

Eu me prendi ao meu mundo particular onde as minhas idealizações eram ilusórias. Meu universo conspirava sobre algo que não me pertencia mais e eu por si só não enxergava. Passei em frente a inúmeros sinais de que aquela vida que vivia não era a minha. Não enxerguei nenhum deles, preferia fazer com que as minhas fantasias fossem criadas para me manter viva.

Que tolice a minha, mal sabia eu que viver era me conectar com a tua energia.

O mundo me devolveu tanta coisa que juntei experiências, conhecimento e humildade para fazer desse punhado uma nova vida, dessa vez, concreta e real.

Expandi meus horizontes, conquistei objetivos, visitei lugares, me redescobri no meio daquela bagunça toda, e então meu coração jogava amor e felicidade ao universo, e agora ele me devolvia com conspirações a favor dos meus planos. Eu oferecia coragem, ele me devolvia, eu oferecia pureza, e ele me devolvia, eu oferecia respeito, e ele me devolvia, eu oferecia gratidão e ele me dava mais motivos para agradecer.

Essa é a minha história com o universo.  E ele também te trouxe para mim. Porque eu ofereci amor, e ele me entregou você.

Acredito que o universo também atendeu aos seus chamados e me colocou no meio do seu caminho, e talvez eu esteja aqui agora só de passagem, talvez eu esteja aqui para te mostrar o quão lindo são seus olhos, ou o quanto autocrítica você tem que deixar de ser, posso estar aqui para te ensinar a se amar mais, a amar seu corpo, seu trabalho, amar a cima de tudo, a pessoa que você se tornou.

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Não sei quanto tempo tenho para mostrar as coisas maravilhosas do mundo, mas espero que dê tempo suficiente para você compartilhar seus momentos infinitos comigo.

Quero dançar com você na chuva, quero pegar uma estrada ouvindo a música mais gostosa do mundo com você, quero deitar no seu colo em dias difíceis, quero te ligar para contar que as coisas estão dando certo, quero ser sua imensidão para as coisas que você desconhece.

Quero que você se descubra olhando no espelho, quero que você se sinta a vontade com a roupa que escolheu para sair, quero que você use lápis para realçar seus olhos, mas se você não quiser, tudo bem também. Quero que saia com seus amigos, quero que saia com sua família, quero que você viva. Quero que viaje, conheça pessoas novas, quero que sua inspiração seja plena e contínua. Ninguém merece ideias adormecidas e sonhos apagados.

E eu estarei aqui te dando asas quando precisar voar, e estendendo a mão quando a queda for precisa. Eu estarei aqui para lembrar todos os dias  que você precisa se vestir de confiança, estarei no começo e no final do teu dia para não deixa-lo cair numa rotina.

Eu vou cozinhar, vou te ensinar palavras do meu próprio vocabulário, vou te pedir para ficar mesmo quando você precisar ir. Mas o mais importante, é saber que você é livre para se encaixar em qualquer outro abraço, e mesmo assim, escolheu se encaixar no meu.

Amar é ser livre

É a primeira vez que estou escrevendo um texto mais voltado  para o autoconhecimento, apesar de sempre estar pesquisando e me envolvendo na temática, eu nunca me senti inspirada para colocar essas palavras em um conjunto de frases.

O que me inspirou a abrir o coração e a mente foi um livro chamado “Amar e Ser Livre” -eu também me perguntei como que as palavras Amar e Livre podem estar na mesma frase. Para você deve ser difícil compreender que é possível amar na liberdade, no começo foi difícil para mim também.

As teorias que encontrei nas palavras desse livro me levaram a estar aqui hoje escrevendo essa publicação. Eu percebi que muita gente precisa ler o que eu estava lendo, entender o que eu estava entendendo. Vocês precisam saber o porque milhares de relacionamentos não estão dando certo.

Para começar a enxergar essa nova visão dos relacionamentos precisamos compreender alguns fatores fundamentais que começam a ocorrer na nossa infância, pois é nessa fase que começamos a ter ligação com a nossa essência e com a nossa espontaneidade. Quando somos crianças e começamos a ter atitudes espontâneas, como chorar ou brincar, começamos um ciclo com nossa essência. Uma vez que essa espontaneidade é tirada da gente, começamos a nos distanciar da nossa própria essência, criando máscaras para sermos aceitos e continuarmos recebendo amor.

Um exemplo bem clássico disso é a criança que chora por um determinado motivo e os pais pedem para que ela interrompa o choro, alegando que é feio criança chorar. Nesse momento a criança entende que sentir tristeza é para os fracos, e no decorrer do tempo ela vai usando essa máscara para sentir-se acolhida e amada pelos pais.

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Essas pequenas ações resultam no seu comportamento em um relacionamento afetivo. Esses traumas estão presentes em seu corpo, mas não estão aflorados, pois você foi afastado da sua essência e a máscara que encobre seu verdadeiro eu está protagonizando sua vida.

Quando começamos a namorar alguém, nos entregamos ao outro completamente, nos entregamos de alma e de coração, achamos que a responsabilidade de ser feliz está nos braços do outro e quando não temos sucesso no relacionamento jogamos toda a culpa no outro, nos tornando vítimas constantes das nossas próprias escolhas.

Temos que entender que um relacionamento afetivo é uma universidade da vida, o amor que encontramos no nosso parceiro deve ser um espelho para nos conectarmos mais com nós mesmo e, ao invés de canalizarmos nossas energias para reencontrarmos nossa essência, transformamos todo esse amor em ciúmes, insegurança e ódio. Tudo porque não trabalhamos nossos traumas e estamos bem distantes da nossa essência.

Olhando diretamente para os fatos da minha vida e analisando todas essas teorias, tudo começou a fazer sentido. E antes mesmo de acabar de ler e estudar o livro comecei a reparar que muitas pessoas que estavam ao meu redor tinham medo da solidão, ficando presas a um relacionamento sem futuro, sem respeito e sem amor. Elas se perderam no meio do processo e não conseguem mais se reencontrar, enxergam o outro como fonte de companhia para nunca se sentirem sós.

Outro ponto que reparei é a culpa que as pessoas jogam em seus parceiros, os culpam pelo término, os culpam por não estarem mais apaixonados, os culpam por não se doarem mais, por não se esforçarem, os culpam pela frase dita no último encontro: “Eu quero terminar”. E jogar essa culpa é mais uma forma clara de que não há autoconhecimento suficiente para compreender que uma relação não deu certo pelos dois. Além de que quem recebe essa culpa se sente condenado a reverter a situação de algo que nem foi cometido completamente por ele, o receptor dessa culpa se dói achando que o erro está nele, ele se destroça por achar que estar sozinho é culpa exclusivamente dele.

E qual é o problema de estar só? Afinal, é só estando só que podemos nos conectar com o Iceberg que somos. É estando só que nos aprofundamos na nossa essência que nunca deveria ter sido afastada da gente. É estando só que aprendemos o exercício da gratidão, aprendemos a aceitar que as universidades nos ensinam e depois nos preparam para o mercado, assim como os nossos relacionamentos afetivos.

O amor é a cura para todas as formas de ódio. É com amor que se cura o ciúmes, a falta de respeito, a ignorância e a insegurança.

Temos uma longa jornada em busca da nossa essência, temos um árduo trabalho para retirarmos as máscaras que encobrem nossas verdadeiras faces, para então estarmos plenamente engajados no amor ao outro, sem cobranças de felicidades e culpas, sem sermos vítimas das nossas próprias escolhas, amando e sendo livres, amando e sendo nós mesmos.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.