Eu deveria partir

Deveria ir embora, correr sem rumo e não olhar para trás. Deveria deixar você em algum lugar distante do passado, apagado, esquecido e moribundo.

Deveria deixar você ir sem a menor chance de voltar. Eu deveria.

Sua presença me mata a cada segundo e toda hora me pego pensando no porque de não ter te deixado. Me pergunto se todas aquelas noites acordado por você não fizeram de mim uma pessoa pior.

Eu queria mesmo comprar uma passagem pra longe, só de ida. Me perder em qualquer lugar no qual você não estivesse.

Eu deveria existir por mim, não por você. Deveria não sentir ciúmes e nem querer mais do que eu posso ter.

A realidade em que vivo, há muito, já deveria ter acabado com a ilusão de que um dia, daqui muito tempo, ou no instante seguinte, você percebesse que eu sou aquele que pode te fazer feliz.

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Deveria deixar essa insanidade em prol da minha estabilidade mental. Da minha paz, do meu amor. Abandonar o Prozac e, junto dele, abandonar todas as nossas lembranças boas, nossos risos fáceis, nossos amigos.

Mas ao contrário de tudo isso, eu me abandonei. Eu me deixei por você. Me entreguei por completo e aqui estou, preso, entre quatro paredes pensando em todas as coisas que eu deveria ter feito e não fiz. Por medo. Medo de te deixar e a realidade lá fora ser ainda pior. Medo de descobrir que o meu errado era o meu certo. Medo de não achar aquilo que eu procurava.

Talvez a felicidade só apareça quando eu partir. Ou talvez ela esteja aqui. Existindo enquanto eu me preocupo com aquilo que eu deveria, mas não fiz.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.
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Você não precisa curar a carência

Porque carência não é doença, é sintoma!

Assim como eu, acredito que muitos passam fases de extrema carência. Estive um período longe do blog, e pude tomar esse tempo para me observar, me conhecer, e tentar entender a origem desse mal que muito me aflige.

Como todo ser humano, tenho minhas limitações e necessidades. E o tempo me fez perceber que boa parte das respostas que eu preciso estão disponíveis no Universo. Basta que eu vá buscá-las.

Em minhas investigações pude compreender que a carência não é um mal em si, mas sim o sintoma de um muito maior que vem acometendo cada vez mais pessoas: a falta do amor próprio.

Com essa falta, é natural que nosso ego vá tentar encontrar o que precisamos nos outros. E por isso estamos sempre precisando de mais amor, mais atenção, mais carinho, mais abraços, e daí sentimos mais ciúmes, nos sentimos mais frustrados, mais tristes, mais incompletos e é óbvio! Não importa o quanto recebamos dos outros, pois, para nós, sempre será insuficiente. Não há como encher nossa alma com outro combustível que não o nosso. E nesse processo nosso ego vai ficando cada vez mais e mais viciado nas “massagens” que recebe. Vai esperando cada vez mais atenção, cada vez mais exclusividade, cada vez cria mais necessidade e a nossa frustração só aumenta.

Para combater a carência você precisa buscar meios de entender e aceitar que você é um ser suficiente em si, e que nada no mundo pode te dar aquilo que você já possui. Só o amor próprio cura. E quando ele cura, os sintomas desaparecem. A falta de auto-estima é a doença que deve ser tratada.

Para isso, os passos são simples mas requerem total determinação. Seu EGO está viciado, e você precisa desintoxicá-lo para começar o processo. Tente começar entendendo que ninguém no mundo lhe deve nada. Não existe sequer uma pessoa que tenha obrigações para com você. As pessoas são livres, assim como você também é. O que nós damos e recebemos deve partir – SEMPRE – de nosso livre arbítrio. Espere menos delas, e espere mais de você.

Procure em seu interior características que você ame. Sua inteligência, seu humor, seu companheirismo, seu carisma… Eu tenho certeza que aí dentro mora um ser humano muito iluminado, dotado de todas as coisas boas do universo. Depois que descobrir, reforce essas características. Quando você perceber as suas qualidades, vai entender que aquele namorado de quem você tanto espera não é alguém melhor que você, que não existe perfeição em ninguém, e que você não precisa dele, você está com ele porque quer!

Cuide de você. Se você não amar o reflexo que vê no espelho, como pode amar aquilo que você não vê? Malhe, se alimente bem, perca peso, mude o cabelo, radicalize. Comece se amando cada dia mais, de fora para dentro.

Invista em você. Estude, leia aquele livro, veja aquele filme, viaje, trabalhe. Acrescente, todo dia, um novo conteúdo em sua mente. Descubra e aprenda coisas novas. Seja diferente, queira ser melhor. Nunca é tarde para começar aquela pós, ou até mesmo outra faculdade…

Espere mais de você. Pois quando você espera de você, acaba, por consequência, esperando menos dos outros. Todo dia, pela manhã, diga para si mesma aonde quer chegar, que coisas quer fazer, que lugares quer conhecer, com quem quer conversar. Determine metas, prazos, objetivos. Seja um ser humano que faz sua existência valer a pena. Tenho certeza que você pode. Eu acredito em você.

Entenda que pessoas são só pessoas. E elas não podem te dar tudo aquilo que você quer. Você não muda ninguém, não melhora ninguém, não conserta ninguém. As pessoas mudam, evoluem e crescem apenas por vontade própria. Apenas por percepções particulares, nunca porque você quer que elas mudem.

Sei que não é tarefa fácil consertar a si mesmo. Mas sei, também, que sofrer de falta de amor próprio é muito pior. Sei que sentir ciúmes é muito pior. Sei que esperar algo que nunca chega é terrível. Aquela ligação, aquela mensagem, aquela atenção… Tudo isso é angustiante. Então espero que você consiga. Espero que você tente. Que se dê uma chance.

Há uma vida toda pela frente. E você merece ser feliz, sendo de si mesma.

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Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Aquele ciclo que chamamos de “fim de namoro”

Eu, você e mais da metade da população mundial já passou por isso. O que muita gente não sabe é que esse ciclo que chamamos de “fim de namoro” serve para alguma coisa. Em especial, serve para fazer você ser uma pessoa melhor, mas antes disso acontecer você vai ser o maior babaca do planeta Terra.

Eu não vou colocar aqui o fim de namoro como algo dramático e doentio, vamos tratá-lo como o título desse texto: um ciclo.

Você namora a pessoa há 1 mês, 3 meses, 9 meses, 4 anos, 10 anos e a única semelhança que todos esses períodos têm é que um dia a contagem vai voltar a estaca zero e você será aquele -1 da matemática. Mas calma, nada que uma soma de fatores não resolva.

O primeiro mês pós-término é quando o ciclo se inicia, é o momento em que você se perde em meio a tantos sentimentos que preenchem seu coração, você sente saudade, raiva, dor, fome, sono, depois perde a fome, fica com insônia, quer se matar, quer procurar a pessoa, quer mostrar que está triste e depois que está feliz – e TUDO isso no FACEBOOK. Quem nunca postou uma foto com os amigos em um rolê super bosta e colocou de legenda: “Que rolê épico, o melhor, manda mais”. Se o ex viu ou não, a gente nunca vai saber, mas o objetivo é claro: EU TO NA MERDA MAS SE VOCÊ ENTRAR NO MEU FACEBOOK VAI VER QUE TÔ MELHOR QUE VOCÊ. É nesse momento que você é o -1.

O segundo mês não se difere muito disso, mas você se sente um pouco mais organizado com suas emoções. A saudade chega a ser sufocante, você olha pro lado e lembra da pessoa, olha pra frente e lembra, você olha para a barraquinha de cachorro quente da esquina e adivinha? Você lembra dela. Mas não dê muita importância, depois dos 6 meses essa coisa de lembrar vai ser bem rara.

No terceiro mês tudo que você precisa é fazer com que tudo que você faz chegue aos ouvidos do ex, e, aí, você continua sendo o -1, mas agora você é um -1 babaca. Eu vejo tanta gente nesse estágio que não sei ao certo quanto tempo essa de “olha aqui, veja como eu tô bem sem você” vai passar.

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A partir do quarto mês MUITA coisa muda, você quer fugir dos seus sentimentos e aí você bloqueia tudo, cada vez que a pessoa vem em sua mente você troca seus pensamentos, você para de passar na frente de lugares que eram tão seus, não veste mais a blusa, a camiseta, ou o colar que ganhou de presente, você evita ouvir músicas que faziam parte da sua história e sua cartilha de filmes se limita em ação e suspense.

É nesse estágio que você começa aceitar melhor a ideia de que não tem mais volta. E aí volta a doer um pouco como nos dois primeiros meses, mas você passa por mais essa numa boa, porque agora você se deu conta que o mundo dos solteiros também tem um lugarzinho para você.

É hora de conhecer gente nova, lugares novos. Enfim, é hora de conhecer o poder da sua autoestima. Conforme você vai saindo e fazendo aquelas loucuras de quem se sente na liberdade, existem pessoas que começam a se interessar por você e a te querer. Agora que você já passou do -1 e está no 0,25 você até se dá a permissão de beijar outras bocas, de cair em outros braços e de trocar ideia com alguém bacana no final da balada, mas ainda assim, meu chapa, a noite vem e quando você deitar sua cabeça no travesseiro seus pensamentos vão se direcionar a apenas uma boca, e, te garanto, não é a mesma boca da balada.

Vai chegar o mês que completará 1 ano que você tirou o status de “relacionamento sério” do facebook e da sua vida. Mas quando esse dia chegar você terá outras preocupações, tais como: trabalho, jantar, qual série assistir, terminar de ler aquele livro do criado mudo, jogar vídeo game, ou sei lá, ficar no whatsapp.

Eu sempre acreditei que você esquece uma pessoa quando simplesmente não lembra mais de datas especiais, não se incomoda mais em usar o presente que ganhou, passa na frente dos lugares que eram tão seus e tudo isso fica um pouco indiferente para você. Seu catálogo de filmes volta a ser os seus romances e suas músicas começam a ter outros sentidos.

Não sou especialista em términos de namoro, mas sei que você passa de um babaca para alguém que cresceu muito emocionalmente. Ultrapassou os dramas, as fotos positivas com objetivo secreto de atingir o ex, você deixou de se sentir pequeno e começou a sentir-se grande.

Você provavelmente descobriu que dormir sozinho nem é tão ruim assim (excetos em domingos chuvosos), que o cinema pode ter graça com um litro de coca e muita pipoca. Você também deve ter dado mais valor aos seus amigos e à sua família, que provavelmente ficaram do seu lado nesse ciclo todo.

Espero que existam muitos ciclos em suas vidas e que vocês possam aprender e a evoluir muito com eles.

Que o cronômetro recomece.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

A difícil tarefa de dizer “é tarde demais”

Há um certo momento na vida que a gente consegue refletir com maior clareza quantas pessoas bacanas passam por nossas vidas e a gente nem nota e quando nota não se permite dar o devido valor que o outro merece. Eu já fui assim, descartei sem noção algumas pessoas que poderiam mudar a minha realidade, e hoje, quando me dei conta, era tarde demais.

Eu nunca fiquei do outro lado, nunca fui a pessoa que tinha a difícil tarefa de pronunciar o “é tarde demais”, na verdade, eu nunca quis que fosse tarde demais. Só que as pessoas jogam fora, como lixo mesmo, algo tão puro e verdadeiro. E o “me desculpe, é tarde demais” é só a famosa confirmação do pensamento mais poderoso que sua mente carrega: Eu não mereço isso.

Quando a gente se dispõe a se doar para alguém, a gente se dispõe a esquecer o passado, aprende a lidar com as diferenças do outro, sente a imensa vontade de ir atrás dos sonhos do outro porque a maior satisfação é aquele sorriso que vez ou outra depende de você. Quando a gente se dispõe a ser do outro esperamos que no mínimo o outro seja da gente também.

A partir desse momento uma palavrinha chave domina seu corpo, vamos chama-la de: expectativa. E vamos culpa-la por 80% das nossas frustações. Nossa cabeça adora nos confundir, começamos a criar um novo sistema de pensamento positivo que vai levantando nossos pés do chão, e você até assusta porque não esperava que outra pessoa pudesse transformar aquele passado merda em um presente cheio de novas etapas.

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O mundo tá cheio de gente babaca desperdiçando gente bacana. Aconteceu comigo também, e provavelmente vai acontecer com você.

É aquele ciclo, você dá a cara a tapa jurando que vai receber carinho, mas no final, o tapa vem, no meu caso, o tapa veio de um cara fortão todo tatuado e barbudo. Doeu. Foi Nocaute.

Agora eu entendi o sentido do “É tarde demais”, quando alguém fere todas aquelas coisas que você se dispôs a fazer, todas aquelas intenções puras, quando alguém te destroça você se dá conta de que tem pessoas que não são para você. Simples assim, elas não são capazes de merecer o teu coração. E é só.

A vida segue com pessoas babacas desperdiçando pessoas bacanas, porque todo mundo tem que aprender essa lição e pelo menos uma vez estar nos dois lados do “É tarde demais”.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Você não está sozinho

Um dos sentimentos mais terríveis que um ser humano pode experimentar durante sua jornada é a solidão. Digo isso pois a solidão geralmente é vasta, ampla, e parece não ter fim no horizonte. Mesmo em companhia, muitas pessoas ainda experimentam a solidão. Ela é vertiginosa e sorrateira. Te pega quando você menos espera. É quase uma doença, na qual a cura está em você mesmo.

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Ao longo dos meus (curtos) 24 anos de existência, pude me deparar com diversos momentos de solidão. Estar só, na verdade, é a condição natural do ser humano. Somos seres autônomos, independentes e donos de nossas próprias vontades e escolhas. O convívio social, a interação entre os seres humanos é que é avessa à nossa condição natural. É a ruptura, a fuga do caos do individualismo que encontra ordem em outros seres.

Pode parecer piegas, mas todos nós, em algum momento de nossa vida, nos sentiremos sozinhos. É como aquele remédio ruim que você TEM que tomar. Ele tem o gosto amargo, mas faz de você uma pessoa melhor no fim de tudo. E estar sozinho não se trata de ter companhia. Eu mesmo já estive acompanhado diversas vezes e, ainda assim, estava só. Só, porque sonhos, vontades, idéias, conversas… as almas não eram compartilhadas. Compartilhar tempo não é o antídoto que você precisa. Às vezes, para deixar a solidão passar, você só precisa, simplesmente, vivê-la…

Há um ditado americano que eu gosto muito: “get your shit together” (algo como recomponha-se). Você precisa se recompor desse sentimento. Aceitar que ele existe e que uma hora ele passará. Encontre verdadeira companhia em si mesmo. É possível? Com certeza. É fácil? Não.

Aceitar que a sua solidão geralmente deriva de suas expectativas é uma das partes mais difíceis. As pessoas não vão te corresponder como você espera, não preencherão seu vazio e tampouco trarão algo de que você precise. A solidão é fruto da necessidade de ser aceito, amado, desejado. Entenda: todas essas vontades não lhe são naturais. A priori, você deve se aceitar, se amar, se desejar. É entender que você tem em suas mãos exatamente aquilo que você precisa.

E quando você descobrir isso, vai perceber que as coisas estão ali, há um passo de distância. Go get it! Hoje você pode estar sozinho, mas descobrirá a melhor companhia no exato momento em que se encontrar.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.

Martha Medeiros tinha razão quando finalizou “A Despedida do Amor” com essa frase. Na verdade, essa crônica vem me assombrando desde julho, quando comecei a sentir a segunda dor.  Você deve estar se perguntando quais são essas duas dores que sentimos quando o amor se despede da gente.

A primeira é a dor física, a saudade dos abraços, dos beijos, a dor que aperta o coração e ele mesmo assim continua batendo. E se você acha que a primeira é massacrante, experimente conhecer a segunda.

No segundo estágio da dor você vai entender que dói mais deixar que o amor saia de você do que a própria saudade do outro.

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Não é fácil esvaziar nosso coração, se livrar dos sentimentos, do apego ao que foi bonito e mágico. A gente se acostuma a esquecer do que não fez bem, mas se livrar do que te fez feliz dói também. E dói em dobro.

Mesmo que os tempos sejam outros e que o amor que você vê hoje não seja o qual se adeque a sua vida, o amor que um dia sentimos ainda faz doer, abandonar esse papel de “seremos felizes” parte em bilhões de pedaços o castelo de esperança que a gente cria para morarmos eternamente lá.

Eu me encontro nessa fase, meio perdida porque querer deixar esse amor ir é também abandonar uma parte de mim que eu realmente gostava. É sair daquele castelo sem direção, sem nada, mas é também nessa fase que vou me reencontrar, deixar as fantasias dos meus desejos para dar de cara com a realidade, que não pertence mais a sua.

Portanto, meus caros, despedir-se  de um amor é despedir-se de si mesmo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Mas se quer saber se quero outra vida…

Era hora de voltar para casa depois de um filme decepcionante. O final dele não era feliz e a gente sempre espera, com grandes expectativas, que o mocinho vá ficar com a mocinha. Não nesta noite.

Entrei no carro, liguei o som e a primeira música que inundou meus ouvidos foi Eu Te Devoro, do Djavan. Fazia séculos que ela estava na minha playlist mas eu nunca deixava ela tocar, ontem eu deixei.

Teus sinais
Me confundem da cabeça aos pés
Mas por dentro eu te devoro
Teu olhar
Não me diz exato quem tu és
Mesmo assim eu te devoro
Te devoraria a qualquer preço
Porque te ignoro ou te conheço
Quando chove ou quando faz frio

As ruas ficaram largas e eu me permiti ter uns segundos de desatenção no trânsito para pensar o que eu estava fazendo com a minha vida. Caçando olhares perdidos para preencher o meu, saindo sem direção alguma procurando algo que me abastecesse. Algo que me mostrasse o caminho certo, ou o caminho que te atingisse em cheio.

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Por quantas bocas a minha boca passou para entender que meu coração precisa caminhar sozinho? E então a música voltou a fazer um pouco mais de sentido.

Tudo o que Deus criou
Pensando em você
Fez a via-láctea
Fez os dinossauros
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu

Eu entendo quando o Djavan entona a música nessa parte, “fez a minha vida e te deu”, como se eu não tivesse escolha, como se fosse um presente sem devoluções. Essa é a minha vida sendo sua e eu a observo de longe querendo que Deus também me desse a sua.

Então me vejo reaprendendo tudo, reaprendendo a caminhar só e a reconquistar um mundo que, agora, só pertence a mim.

Sem contar os dias
Que me faz morrer sem saber de ti
Jogado à solidão
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida
Não, não

Quando a música chegou nessa parte, parei o carro e tentei de todas as formas discordar do cantor, afinal, eu quero outra vida. Não essa cheia de solidão, cheia do vazio de saber que nela não tem você. Então, se quer saber se quero outra vida? Sim, eu quero.

Mas a música não tinha terminado e o último estrofe calou meus pensamentos contraditórios. Vi que não dava para discordar mais de nada.

Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

A vida te surpreende, mas não espere

Certo dia me peguei pensando se alguém no meio de tanta gente já sentiu algo verdadeiro por mim. Acredito que essa pergunta, uma hora ou outra, atravessa os pensamentos de qualquer um que vive uma crise de emoções. Porque a gente sabe: está tudo ali, bem dentro da gente.

Parei e fixei meu olhar para o nada na tentativa de organizar tudo que estava vindo na minha cabeça. Passei horas e horas olhando o teto do meu quarto e a conclusão que tive era a que eu mais temia. EU PRECISAVA ESTAR SOZINHA.

A primeira pessoa que eu precisava afastar era a que estava mais próxima, mesmo sabendo que meu mundo estava uma bagunça. Todo mundo sabe que nada funciona sem organização, então me permiti sentir a solidão, afinal, ninguém merece sentir a maré turbulenta de sentimentos que eu vivia. Não parecia justo levar ninguém comigo quando o caminho era o fundo do poço.

Eu cheguei lá. Passei dias do trabalho para a cama, da cama para o trabalho, diminui a frequência que olhava as notificações do celular e acabei decorando a programação da TV. Meu conhecimento cresceu também, mergulhei nos livros e nos filmes, fiz de mim uma companhia agradável. Mas sempre te faltou ali, mesmo que seja por um simples momento dizendo que me amava, sem nem saber se o amor era mesmo tudo que queria sentir.

A ideia de me isolar tinha surtido efeito. Venci as recaídas, as decepções que frequentemente acontecem, venci também as expectativas, venci meu medo de ir ao cinema sozinha, ou de caminhar por lugares que, antes, eram importantes. Não procurei por ninguém, era eu e o mundo que eu criava em torno de mim.

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Precisamos de um tempo nosso para reorganizarmos a ideia de quem somos e de quem queremos ser para as pessoas que nos cercam. Eu tive sorte por ter alguém que esperou meu tempo e quando eu estava pronta para sair, me estendeu a mão e me abraçou.

Agora tudo parece estar voltando aos trilhos, a bagunça tá se organizando e eu acreditando mais no potencial que o amor tem.

Volto a me perguntar, será que alguém no meio de tanta gente já sentiu algo verdadeiro por mim? A resposta veio logo com uma lembrança.

– Não esquece que independe do que acontecer depois disso aqui, depois desse show, ou desse beijo, eu te amo. Porra, como eu te amo.

A gente sabe quando todo o sofrimento se transforma em paz, a maré tá calma e o coração também.Vê se fica agora, porque o fundo do poço me fez ser forte, mas você me faz ser melhor.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.