Um eu sem você #21 – 25 de Outubro

É absolutamente incrível o que doze horas de sono podem fazer na vida de uma pessoa. Fico na cama o sábado inteiro, apenas curtindo o prazer em poder não fazer nada. Entre o nada e o tédio, abro constantemente o Whatsapp só pra ver sua última visualização.

Ainda é difícil não falar com você. Vez ou outra me pergunto se você também pensa em mim tanto quanto eu penso em você. Será que você também abre minha janela só pra ver minha visualização? Será que você acompanha minhas curtidas no Instagram? Será que você pensa em me procurar, mas luta contra esse instinto e não o faz? Bom, se sim… Você tem feito bem melhor que eu.

A noite chega e vou pra uma festa com os bons amigos que tenho. Meu único plano pra noite? Me embriagar e ficar o tempo que eu puder sem pensar em você.

Seu nome, o que sinto e o que vivi com você torna-se assunto proibido nas rodas de conversas e na minha vida. Antes, era o motivo das coisas ficarem mais leves e felizes. Hoje, me forço a seguir em frente e ignorar que nossas almas se conectaram.

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Em uma tentativa de te esquecer, me dou uma vida de excessos. Sei que não é a alternativa mais sensata, mas eu perdi a linha do raciocínio lógico no segundo em que você desistiu da gente antes mesmo de tentarmos.

Se você consegue ignorar nossa história e me apagar, como se eu nunca tivesse existido, como se nossos corpos nunca tivessem se confundido na sua cama, acredito que eu não esteja assim tão errada em me afogar em alguns copos a mais de cerveja.

Você fez sua escolha, eu faço a minha – mesmo não deixando de te amar.

Aproveito a noite, a bebida, os amigos e ainda no final da noite acabo em lágrimas alcoolizadas imersas num amor que não teve lugar nesse teu mundo para viver.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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Um eu sem você #20 – 24 de Outubro

Pode soar repetitivo, mas a cada dia que passa está mais difícil acordar e abrir os olhos. A cada dia que passa, a dor aumenta e fica ainda mais cansativo empurrar o peso em cima do meu peito para conseguir me levantar. Mas a gente levanta. A gente precisa trabalhar, ganhar dinheiro e “viver” – mesmo sem conseguir encontrar um porquê.

Quem um dia disse que o tempo cura tudo, com certeza não havia sentido saudades. A saudade não passa de um dia pro outro, pelo contrário: aumenta a cada amanhecer. A única forma de fazer ela desaparecer é substituir o seu sufoco pelo alívio e felicidade em ter a pessoa distante dentro dos seus braços e abraços.

Mas, ainda, a pior das saudades é aquela do não vivido. Essa não tem como ser desafogada nem com mil beijos e abraços. Saudade da viagem que ficou pra ser feita, saudade daquele filme que ficou pra ser assistido, saudade daquele show que íamos comprar os ingressos… Como matar algo que ficou no passado antes mesmo de ser presente?

Torço pra que você fuja desses sentimentos em outros cheiros e gostos… Mas só pra perceber que, em você, também tem um pouco de saudade de mim. E, assim, volte correndo pra escrever e colorir as páginas da nossa história. Recíproco ou não, iludida ou não, esperança ou não: eu ainda não consigo acreditar que esse é o fim e nunca mais iremos nos cruzar.

Foram quase dois meses, é pouco tempo, eu sei. Mas só nós sabemos o quanto esses dois meses significaram mais do que dois anos. Vivi com você duas vidas dentro de dois meses e, agora, meu corpo e meu coração querem você por todas as minhas outras vidas. A começar por essa.

Você mesma dizia que nunca tinha sido tão você com alguém. Lembra? Que no seu último namoro você demorou um ano pra ficar sem maquiagem… E eu justamente te amava ainda mais quando estava limpa e inteira pra mim e comigo.

Inclusive sem maquiagem. Eu amo a cicatriz no seu rosto que você tanto esconde entre camadas de base e pó. E acho que eu nunca tive tempo de te dizer isso, né? Então que você saiba agora: eu amo sua pele cor de leite, eu amo sua cicatriz, amo seu sorriso, amo seu olhar, amo o jeito que você costumava me beijar e deixava claro que sentia o mesmo prazer e amor que eu quando nossas línguas se tocavam.

Eu amo sua risada, quando você cantava, quando você fazia bico para fazer charme ou quando chegava perto da hora de eu ir embora… E ah, amo seus seios. Mas isso você já estava cansada de saber, né? Mas você deveria saber: eles são os mais lindos. E sempre serão.

Em pouco tempo de reencontro – pois nós sabemos que esse amor não é só dessa vida –, consegui te amar mais do que eu jamais pensei. E é triste demais acordar todo dia com nada além da sua ausência.

Me desculpe agora a sinceridade, mas espero que você encontre alguém e esteja com esse alguém. Mas que toda vez que deitar com ele, lembre-se de mim. Que uma brisa traga o meu cheiro e você repense a escolha que fez e me deseje com você.

Que você largue tudo e decida viver o amor que um dia pensou ter colocado num baú e perdido a chave. Não se preocupe, eu guardei ela pra quando você quisesse transformar nossos singulares em plural.

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Que em um dia breve, você acorde e se arrependa. E venha correndo. Eu tô aqui, tá vendo? Tô te esperando se enganar, fingir que consegue esquecer, que nunca me viu… Eu espero. Eu não tenho pressa pra ter a vida inteira ao seu lado.

Só não demora muito porque a saudade machuca e eu não sei quanto tempo eu consigo fingir que está tudo bem e que não dói.

Penso que, talvez, você possa me entender e compreender o quão difícil as coisas estão pra mim e te peço para falar comigo sobre o que você sente, se eu fui só um caso e que nunca mais quer isso e acabou.

Ah, como sou tola. Você me ignora e quando peço a resposta, você simplesmente argumenta que já disse tudo que tinha pra dizer. Queria ser como você e conseguir esquecer o que trago no peito.

Maldito signo. Maldito câncer. Maldita mania de ser 8 ou 80 e me entregar por inteira. Maldita ilusão em acreditar que seria diferente e que eu teria um amor pra chamar de meu por mais de algumas noites.

Por enquanto, eu ainda sinto e sofro, mas eu tenho terríveis medos do que eu posso me tornar quando isso passar. Todos os baques que já tive foram pesados e difíceis de me levantar. Depois de tanto tempo – quatro ano , você sabe, eu te contei –, eu me abri pra você.

Eu me joguei sem olhar pra atrás e ver se você estava segurando a corda pra que eu não me afogasse. Por um tempo você amarrou a minha corda em uma pedra e se jogou comigo. Estávamos apenas começando a nos aventurar, mas você se soltou da corda e nem sequer me avisou.

E eu continuei ali pendurada, com as mãos ocupadas e preocupadas demais em te segurar, te abraçar e não deixar você cair e se machucar que quem caiu, no final, fui eu.

Não me arrependo. Mas me conheço de uma maneira que você não teve tempo de conhecer e sei que essas marcas não cicatrizarão de uma hora pra outra. Sei que comigo o processo é longo e demorado e eu não conseguirei ignorar o estrago que fizestes em mim.

A maioria das pessoas consegue acordar no dia seguinte e agir como se a outra vida nunca tivesse tocado nas delas, mas eu não. Eu me permiti ser tua, te dei tudo o que eu tinha e aceitei tudo o que você estava disposta a dar. Agora, eu tenho só esse peito rasgado e implorando por um cuidado que não chegará.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #19 – 23 de Outubro

Perdi a hora do trabalho e acordei assustada às 08h20. Tenho tentado voltar a sentir sono às 21h como quando você me trazia paz e eu não tinha nenhum pensamento ruim ao repousar a cabeça nos travesseiros.

Mas está cada noite mais difícil. Deito às 21h, o tempo não para, meu sono não chega e vou dormir depois das 23h. Todo dia. Se eu te contasse isso, acho que você nem acreditaria, né? Eu sempre lutava contra mim mesma pra me manter acordada e aproveitar sempre um pouco mais de você…

E agora meu inconsciente não me deixa fechar os olhos que é pra ver se você volta. Eles se cansam e acabam fechando as cortinas dos meus olhos, mas eu durmo, acordo e está tudo igual. Menos a saudade, que só aumenta com o tempo que se arrasta nos meus dias sem você.

Durante as longas horas do meu dia, tenho vontade de te procurar e dizer: volta! Se você sente alguma coisa ainda, volta. Por favor, volta. Mas volta depressa, que a cada segundo sem você eu me perco ainda mais de mim.

Volta. Eu já não conseguia acreditar em muita coisa quando você chegou e mudou todas minhas dúvidas para potenciais certezas. Volta. Agora tá difícil me apegar em qualquer ilusão ou realidade pra me manter em pé.

Volta. Eu prometo que vai valer a pena. Eu prometo que a coragem vai ser compensada. Eu prometo que nossa vida vai ser cheia de sorrisos e amor. Eu prometo que te faço cócegas só pra poder correr atrás de você pelo apartamento e, no final, te segurar em meu braços e te beijar.

Volta. Esquece os problemas, as dificuldades, os obstáculos… Só volta.

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Saudade é um bicho que não dá pra adestrar e ensinar que não se deve bagunçar o coração da gente. Tenho tentado prendê-lo, mostrar que é errado revirar um sentimento que não tem como continuar vivo, mas quanto mais eu o prendo, mais forte ele fica e as grades que o prendiam já não conseguem mais conter a sua agitação. Ele exige ser notado. O problema é que só você pode acalmá-lo. E eu sei que você não vem.

Enquanto o seu silêncio e ausência deixam a entender que você está bem sem mim, eu encosto a minha cabeça na cadeira durante uma pausa no trabalho e monto cenas na minha cabeça.

Desejo chegar bem perto de você, colocar o seu cabelo atrás da orelha, me atentando aos detalhes da sua expressão pedindo pra que eu te beije. Em seguida, puxo sua cintura contra a minha, puxo seu cabelo e te beijo de forma que, entre nossos corpos, nem sequer o ar passe. Finjo que não é sua presença que me tira o fôlego.

Deitada, tudo o que me vem à cabeça é você e a vontade de falar contigo. Montando diálogos imaginários, meu coração dispara e o oxigênio não consegue circular em mim. É desesperador. Mesmo assim, eu te procuro.

– O que eu faço com essa saudade de você? – eu lhe pergunto.

E sua resposta me vem como um escudo: – Carla, não faz isso. – você diz.

– Eu sei. Só… Faz falta. Como você está? – digo implorando por uma palavra tua que me abrace e me acalme como costumava ser. Mais uma vez em vão.

– Tô bem. E você? – a resposta vem tão seca quanto o Cantareira.

– Uhum… Sucesso no TCC? – insisto mais uma vez.

– Uhum, tá caminhando bem. – e o tapa seco dói mais uma vez.

– Que bom… Bom… Desculpa te procurar. É só que você foi, ou ainda é – não sei mais conjugar os verbos no tempo correto quanto ao que costumava ser sempre presente –, muito especial. Se cuida. Beijos. – finalizo a conversa, mas não o meu pensamento.

– Você também foi muito especial, de verdade. Se cuida! Beijos! – você encerra sem nem mais uma sílaba.

Internamente eu continuo a conversa: – Queria ter vivido mais.

E, assim, acaba uma tentativa de diálogo. Não sei se encaro sua maciez nas palavras como algo bom, se encaro com conjugar o nós no passado ou se fico pensando se um dia esse “especial” será tão especial a ponto de voltar a ter um lugar em nossas vidas novamente.

Com o peito dilacerado, eu durmo. Só assim para não te procurar e fugir de mim.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #18 – 22 de Outubro

Acho que a TPM está chegando e isso não está me ajudando muito a ficar bem. Tenho vontade de chorar de minuto em minuto. Você não sai da minha cabeça e em tudo que eu olho vejo você.

É como se minha retina tivesse gravado cada detalhe seu e tudo que vivemos, de modo que para que onde quer que eu olhe, vejo você… Nós. Mas, agora, com o nó desatado.

Lembro de tudo como se eu tivesse acabado de acordar de um sonho bom e quisesse me agarrar às lembranças para ter um bom dia. Quando percebo que o sonho acabou, tenho que conter meus olhos para que não criem um mar sob eles para que eu navegue até você.

Sabe aquela playlist que eu fiz pras nossas noites ficarem ainda melhores? Não que naturalmente já não soltássemos faíscas, mas poder eternizar nossos suspiros com as melodias pareceu sempre tão nosso.

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Hoje passei a tarde ouvindo todas as músicas e parecia que estavam faltando notas entre um refrão e outro. É como se sua respiração tivesse se tornado parte da melodia e não tê-la no meu ouvido simplesmente não parece certo. Você transformou grandes músicas em uma banda de garagem que está aprendendo a tocar.

Revejo postagens no Facebook de épocas em que minhas declarações virtuais eram respondidas com as suas e sinto saudades do tempo em que a certeza de sermos duas me mantinha firme, com os pés fincados no chão para caminhar até te encontrar.

Mas parece que, no meio do caminho, o seu cadarço desamarrou e você parou sem me avisar que eu estava indo sem você.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #17 – 20 e 21 de Outubro

Estou cansada, com dores musculares e sem ânimo para ir trabalhar. Acordo no horário certo, mas não consigo sair da cama. Mando uma mensagem e invento uma desculpa que me faça ficar na cama. E fico.

Acordo de verdade apenas às 15h e logo vejo rastros teu pelo Instagram. Tento pensar que nas curtidas em frases que poderiam se encaixar em nós, você ainda pense em mim.

Baixo o Tinder novamente, a título de curiosidade sobre você. Quando vejo as combinações, você não está mais lá. Tenho vontade de te procurar e te explicar o porquê eu havia baixado ele novamente. Só a ideia de que pense o que não é, me deixa louca. Não te procuro mas durmo pensando em você.

No outro dia, acordo e uma hora depois o dia já está extremamente difícil. A saudade hoje está insuportável. Estou sem ar, meu peito está apertado e tudo o que eu queria era te abraçar e sentir que tudo vai ficar bem.

A cada dia que passa fica mais difícil sair da cama e ter vontade de trabalhar. É como se eu tivesse perdido o objetivo e o caminho a seguir, afinal, minha bússola apontava para a direção dos nossos sonhos.

Penso em enviar uma mensagem só pra dizer que acordei com saudades e estou pensando em você. Sei lá, acho que saber que alguém, em algum lugar do mundo, pensa e sente um amor imenso pela gente deveria sempre ser algo bom, né?

Tenho vontade de saber de você, do seu dia, do seu coração e da sua vida. Mas não posso. E deixo o dia passar sobre mim.

Desde que tudo isso está acontecendo, eu não tenho sonhado mais. Justo eu, que sempre me lembrei de 90% dos sonhos. Penso que você deve estar em todos eles e meu inconsciente decide me acordar sem memórias do que vivi à noite para não tornar-se tão pesado.

Todo dia é uma luta diária para que eu não te procure. Depois de alguns dias sem procurá-la, eu sigo meu coração e te deixo saber e sentir que ainda penso em você. Que, no meu coração, só tem lugar pra você morar. E te peço que nem sequer responda, às vezes o seu silêncio dói menos do que sentir a frieza em sua fala.

Me sinto mais leve. Acredito que o sufoco pela sua falta é, também, o amor acumulado. Guardar tanto carinho e afeto e não ter onde e como extravasá-lo é complicado, uma hora ou outra a gente explode. E minha explosão sempre vai ser pra você, afinal de contas, sou apaixonada por você. Me permiti ser completa e plenamente sua, mesmo você não sendo mais minha.

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Quando recebo no meu feed de notícias alguma foto recente sua, o chão sob meus pés somem, meu corpo inteiro esquenta e, por um segundo, parece que estou te vendo bem na minha frente.

Involuntariamente, te olho por minutos ininterruptos. O mundo à minha volta sumiu. Tudo o que vejo e vivo é você. Seu sorriso, seus olhos. Me atento em cada detalhe teu registrado nas fotografias. Eu não quero ousar perder nada mais além do que já estou perdendo.

Eu daria tudo para estar com você. Daria tudo para te encontrar na cozinha, com uma regata um pouco maior que você que te servia como um vestido de ficar em casa, preparando um jantar pra gente e eu te beijar a nuca e te desconcentrar.

Eu daria tudo pra voltar no tempo e te agarrar em pé na cozinha do seu apartamento, derrubando o interfone da parede e te segurando pela cintura para você não cair.

Eu daria o resto da minha vida só pra poder viver tudo isso só mais uma vez. Porque se eu soubesse que aquela seria a última vez, eu não teria te largado tão cedo. Eu ligaria no trabalho e inventaria uma gripe só pra poder acordar mais uma manhã olhando você.

Se eu soubesse antes que aquela seria minha última viagem, eu teria derramado menos lágrimas – minhas e suas –, eu teria ignorado meus hormônios na TPM e teria respondido o Eu Te Amo desde a primeira vez.

Ao contrário dos que se decepcionam e desejam nunca ter conhecido a pessoa, eu me arrependo apenas de não ter sido plenamente sua desde o segundo que meu olhar cruzou com o seu.

E, enquanto eu me lembro dos detalhes que dividi com você, as lágrimas brotam sem que eu permita que elas saiam dos meus olhos. A cicatriz que você esconde com maquiagem, sua pele tão branca quanto à paz que me trouxe, o jeito de você me amar e a forma como nossos corpos pareciam ter esperado ansiosamente pelo nosso encontro – tudo que não me sai da cabeça nem do coração.

Em pouco menos de dois meses, você acrescentou tanto em mim e na minha vida. Meus planos se somaram aos seus sonhos e, graças a você, hoje eu olho pra frente e consigo ver coisas que nunca ninguém me fez ver.

Eu quero ter uma família. Quero crianças pela casa, brinquedos pelo chão e o seu amor por elas. Quero ser teu lar e transformar qualquer lugar onde passarmos em felicidade.

As noites não são mais as mesmas. Minha alegria ficou no tempo em que eu chegava às 18h30 e, uma hora depois, tinha você. Eu me perdi na hora de voltar e ser sozinha mais uma vez. Pensei que você tinha chego pra ficar… Mas você foi embora, como todas as outras.

Tudo o que eu quero é preencher meus dias com sonos longos para não acordar em busca de sinais que eu não vou mais encontrar.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #16 – 19 de Outubro

O dia está lindo, o Sol está potente e eu quero aproveitar o máximo desse domingo. Acordo com o calor insuportável dentro da barraca. De ressaca, esse calor me deixa com a pressão baixa.

Preciso comer. Na padaria, a fila está gigante e o tempo abafado. Me concentro pra me manter em pé e não deixar a pressão me derrubar. Não consigo e preciso sair dali. Me sento e peço a um amigo pra comprar por mim.

Me refresco, melhoro, como um misto quente e bebo bastante água, mas só com o passar do dia é que consigo ficar 100%.

Aqui, não tem sinal de celular e se torna uma boa maneira de eu não te procurar e não saber nada teu.

Aproveito o mar, a vista, o Sol, a areia. Mas sempre penso em você. Vejo casais e penso em você. Vejo demonstrações e penso em você. Tudo que eu vivo, vivo querendo dividir com você.

Às 16h uma ventania começa e faz guarda-sóis voarem, só não voa o amor que eu sinto por você. Saio do mar e começamos a arrumar as coisas para voltar para casa. Às 18h estamos em Bertioga e pegando a estrada de volta.

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Assim que o sinal do meu celular volta, busco informações sobre você. Ao observar seus passos virtuais, chego à conclusão de que você está pelo menos paquerando três caras diferentes.

De certa forma, saber desse número me deixa melhor. Prefiro que se encha de superficialidade do que encontre alguém pra ocupar o amor que um dia pensei ser meu.

Descubro que você virá pra Americana no fim de semana e minha vontade é ficar plantada no bar em que conhecemos e que suas amigas sempre vão só pra ver se eu consigo te ver. Fico imaginando como seria se nossos olhos se cruzassem. Talvez os meus não aguentassem e começariam a agitar esse mar que venho carregando dia após dia.

Durmo quase a viagem toda e quando chego em casa tudo o que eu quero é dormir. Mas não consigo.

Demoro mais do que eu previa, mas antes das 01h eu adormeço.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #15 – 18 de Outubro

É bom estar longe, em contato com o mar, a areia e o Sol. Mas às 10h, quando estamos todos prontos para ir à Praia, o tempo fecha e meu humor instantaneamente muda. Eu não funciono muito bem em dias nublados.

Pouco depois das 11h30 nos sentamos para almoçar e, conversando com uma amiga sobre lembranças, sexo e sentimentos, meu olho começa a lacrimejar e choro na mesa da lanchonete.

Minhas amigas começam a cantar Parabéns pra mim, para mudar o ar e desafogar minhas emoções. No fim, fica tudo bem. O sol sai mais uma vez, a cerveja está gelada e o meu coração continua derretido por você.

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À noite, buscamos o que fazer e, no final, ficamos eu e um amigo bebendo em frente ao mar. Me atento aos casais sentados na areia em torno de luzes e violão e penso mais uma vez no quanto eu queria viver isso com você.

Com a luz do luar e das estrelas tudo fica sempre mais difícil e pesado. Sua ausência se acentua e eu queria o cheiro dos seus cabelos na minha roupa, na minha cama, no meu travesseiro. Na minha vida.

Embriagada, deito e durmo. Não tenho sequer tempo de pensar.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #14 – 17 de Outubro

Ao acordar, envio um e-mail para a minha mãe. Sei que se depender dela e esperá-la me procurar, isso demoraria dias. Ela lê e sai chorando, mas não me diz nada.

Hoje está tudo tão difícil e caótico, que tudo o que eu queria era você pra me acalmar e amar.

Vejo suas fotos e meu estômago dói. A saudade já não cabe mais no peito e está se espalhando por todos meus outros órgãos.

Volto às redes sociais e, com elas, volto também a seguir seus passos. Quando estamos com o coração todo machucado temos uma mania irremediável de procurar por mais socos e pontapés que nos façam sentir algo a mais, né? E em um dos seus passos virtuais, você curte algo sobre a “pessoa certa”, que irá te ver mesmo sem maquiagem. Eu te vi, mas não é suficiente. É?

Quando conto sobre a viagem que farei com minhas amigas para uma das mulheres da agência, ela diz: “que romântico”. Penso em voz alta e digo: antes fosse.

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Arrumo a mala e tenho a eterna sensação de estar faltando algo, de estar me esquecendo de algo. Confiro todos os itens mentalmente por mais de duas vezes até que percebo que o que está faltando não caberia na mala, mesmo você sendo tão pequena.

Minha mãe age como se a noite anterior não tivesse sequer existido e sai para uma festa. Ao entrar tomar banho, a água acaba quando estou com shampoo no cabelo. Quem me socorre é um amigo que me busca e me leva até sua casa para que eu possa me banhar.

Mais uma vez, agradeço aos céus pelos amigos que tenho.

Saio às 23h30 para viajar. Às 4h00 estamos em Bertioga. Às 4h30, estamos fazendo trilha. Às 5h30 o dia está nascendo e chegamos à Praia. Às 7h terminamos de arrumar tudo e dormimos até às 8h.

O fim de semana começa.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #13 – 16 de Outubro

Os dias estão passando, mas eu não sinto a sua falta passar. A cada dia que eu abro os olhos está mais difícil. Invento desculpas e doenças para chegar mais tarde ou faltar ao trabalho. Procuro remédio e ânimos para continuar, mas o meu remédio estava na dose diária de você.

Mando uma mensagem para avisá-la que precisará retirar a almofada no Correio. Você fica online algumas vezes após isso e nem sequer me responde. Eu me desespero, perco a fome e fico pensando incansavelmente na hipótese de você nem se dar ao trabalho de me responder. Será que já chegou a esse ponto?

Espero três horas passarem após ter enviado a mensagem e mando outra mensagem. Esta você responde rapidamente e, da mesma forma, fria. Distante. Seca. Monossilábica.

Essa sua frieza só me faz querer ainda mais conversar com você e tentar ter algo nosso de volta. Insisto e declaro sentir que parece que nunca nem existi na sua vida. Ao invés de me responder com carinho e proteção – que sempre esteve presente em tudo nosso –, simplesmente fica brava por eu ‘questionar’ o seu modo de lidar e diz que não tem como ser diferente, que não há nada a ser feito.

Minha vontade é falar que isso não é verdade. Tem muito o que ser feito! Você poderia sair do guarda-roupas e me abraçar. Você poderia, inclusive, me puxar para dentro desse esconderijo com você. Eu não me importaria de viver parcialmente escondida se fosse em sua companhia.  Mas eu me calo e evito maiores dores. Me despeço antes que eu me despedace ainda mais pra e por você.

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Na cozinha, estavam conversando sobre fantasias sexuais para mulheres. Eu, quieta e comendo, apenas me lembro de você com aquele corpete preto, dançando pra mim ao som de Arctic Monkeys. Você dizia que eu havia virado seu mundo do avesso, mas você virou muito mais o meu. Afinal, eu ainda estou aqui.

Alguns me falam “você não tá legal ainda?”. Não, não estou. Eu perdi o que nem cheguei a ter. Por mais uma vez, eu estou ouvindo a mesma faixa do mesmo disco.

Hoje, mais uma vez, você me convenceu de que tudo foi mentira, ilusão e histórias que criei na minha cabeça. Ou onde é que tudo o que você sentia foi parar? Onde está a parte em que você dizia me ter como o maior amor, sua preciosidade e que a vida nos colocasse nos mesmos caminhos novamente?

Tenho uma entrevista marcada às 20h com um cara de uma agência em São Paulo. A entrevista é por Skype e flui tranquilamente. Penso nas possibilidades de mudar de vida e ir para São Paulo. O caos da metrópole talvez pudesse me ser uma boa companhia e me distrair do caos que carrego em mim mesma.

Tento conversar com minha mãe pra saber a opinião dela e em um segundo de conversa, tudo se transforma numa enorme briga. Uma a qual não tínhamos há anos. Após horas discutindo e de desentendimento, saio de casa para respirar e poder me acalmar.

Um amigo-irmão me busca e me salva de mais esse peso. Jantamos, conversamos e ele consegue, de uma maneira excepcional, me trazer paz.

Nesse segundo, agradeço pelo amigo que tenho e reconheço de que, de fato, “eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.”

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #12 – 15 de Outubro

Dormi cedo para evitar pensar e poluir mais ainda meu pensamento, mas, ao acordar, parece que um caminhão passou em cima de mim, dos meus sentimentos e certezas. Hoje, não acredito mais em nada. Nem no que passou e que você jurava ser verdadeiro, pra vida toda e único.

Os olhos e as olheiras entregam as noites mal dormidas … Eu só queria arrancar meu coração com a mão e parar de sentir. Cadê o Lacuna INC quando precisamos esquecer alguém? Por favor, apaguem minhas memórias antes que elas me sufoquem. Limpem meus sentimentos antes que eles me afoguem.

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Entro no Facebook por 5 minutos para fazer um post da Agência e mais um pouco só para jogar meus jogos no almoço. Aparentemente, você não fez nada lá hoje. Você conseguiu o que jamais ninguém conseguiu na minha vida. Você conseguiu me fazer sair de redes sociais e querer ficar longe de tudo seu na mesma proporção que eu queria ter perto há 1 mês atrás.

Almoço com uma amiga, conto tudo e todos os detalhes das histórias que eu contei pra você e pra poucas pessoas além de você.

Minha cabeça não me deixa te esquecer. Olhando para páginas e matérias na internet, me pego pensando e te vendo na minha memória. Seu toque, seu abraço, seus lábios. É tudo tão vivo que quase não acredito no que aconteceu e que hoje estamos assim.

No caminho do ponto de ônibus pra casa, começo a pensar as tantas coisas que você não teve tempo para conhecer sobre mim. Por exemplo, quando vejo formigas trabalhando na calçada, carregando folhas até 50% maiores que elas, eu desvio delas. Quando eu estou pra adoecer, sinto dor em uma parte específica das mãos. Você sabia? É, eu sei que não.

Meu corpo está exausto, mas eu deito e não consigo dormir com a mesma facilidade de antes. Você roubou minha paz e o meu sossego.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.