Nunca imaginei que voltar fosse doer tanto

E dói como aquela dor imaginária de como você queria que tudo fosse, mas não é. A dor da expectativa que não sangra e nem precisa de atendimento médico, mas que parece não ter cura.

Voltar dói porque a vida já não é mais como era, e a gente finge acreditar que tudo ia ser como era antes. E tem doença que machuca mais do que não ter o que você tinha?

A casa já não é mais seu lar, os antigos bares já não têm mais graça, porque acima de tudo, nada vai ser como era antes.

O problema de aprender a voar é que voltar para casa dói e a gente se sente culpado por não querer mais estar em casa, no fundo a gente sabe que o mundo é tão vasto para oferecer apenas um lar.

Aqui tem amor e eu nunca duvidei disso.

Mas as minhas asas querem mais, mais brisa e vento forte, mais dias de sol e tempestade.

Voltar me trouxe a maior guerra civil dentro da cabeça de um ser humano, o maior desencontro de desejos. Logo eu, que quis tanto voltar, já não quero mais ficar aqui.

Será que cresci demais pra não querer desfrutar do que um dia foi a minha maior felicidade? Ou será que sou aquele tipinho que não se contenta com nada?

Por aqui não tem muito o que fazer a não ser continuar remando no barco dos outros, lá ao menos, eu tinha meu próprio barco.

Sair daqui me fez dançar mais leve e aprender a seguir sem música também, me fez reinventar a inspiração que faltava na vida, e me abriu os olhos para a sensação mais incrível do mundo, a liberdade.

Então porque voltar era tão importante? Talvez para ter a certeza que ir não é abandonar, mas sim, continuar voando.

E de todas as dores de voltar, a maior delas é ter que te ver pela tela do celular, ouvir tua voz através de áudios, ter que encarar a volta sem cafuné e sem carinho, não me perder mais nos teus olhos e consequentemente não me achar mais aqui, onde você não está.

 

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Aos meus amigos mais próximos e aos nem tão próximos, a vida adulta chegou

O porque eu só inclui meus amigos e colegas nesse título é simples: Quando a vida adulta chega pra gente, acabamos nem nos dando conta de pensarmos que já estamos pagando conta, indo ao supermercado uma vez por semana, trocando lâmpada e indo comprar ração para o gato.

Escrevo este texto especificamente aos meus amigos que há dois anos atrás estavam comigo na mesa do bar falando sobre date e pegação, contando o fiasco que foi o último encontro com o boy, escrevo aos meus amigos que faziam festa até as seis da manhã, aos que bebiam e faziam merda, aos amigos que todo final de semana estavam procurando um novo rolê.

Hoje os vejo crescendo e isso é tão lindo.

Uns planejando casamento, outros já casados, alguns com filhos, outros construindo carreira profissional, têm os que saíram da casa dos pais e os que saíram do país.

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Se essa fase de transição do ciclo da nossa vida não é a mais estranha, eu não sei qual é. Até pensei que fosse a puberdade, onde nos tornamos um pouco mais independentes e confiantes de nós mesmos, fase essa que começamos a mostrar nossa identidade e identificar com nossos ideais. Mas caramba, ver uma amiga sendo mãe é ainda mais louco.

Nosso grupo do whatsapp que antes era usado para jogar conversa fora virou um meio de discussão sobre cuidados com bebês, fotos fofinhas, planejamento de quem vai dar tal roupinha ou brinquedo, chá revelação, chá de bebe, chá de cozinha, chá chá chá…

Agora as visitas semanais são para saber como o bebê está, e para conversar sobre coisas de bebê, a gente fica mesmo interessado e curioso com todas essas informações novas que antes era tão longe do nosso circulo e agora está tão perto. Nem dá para imaginar que poucos anis atrás a gente estava jurando que jamais engravidaríamos ou casaríamos tão cedo.

E talvez nem seja tão cedo assim.

O mais encantador desses novos ciclos que se iniciam é que agora somos os titios babões, os que vibram com cada evoluçãozinha daquele nenê, quais vão ser os passeios e como nós vamos amar o filho de um amigo como se fosse a coisinha mais preciosa desse mundo.

Fica fácil descrever essa conexão nossa, né? Tudo começou na faculdade, quando nem sonhávamos que estaríamos onde estamos hoje, e que ainda assim somos um por todos e todos por um.

Bom, enquanto a mim, que vejo de longe a evolução de vocês, fico cada dia mais feliz pela vida ter sido generosa com as pessoas que mais amo, assim como minha vida têm sido generosa comigo.

Que em cada ciclo podemos contar um com o outro na nossa evolução.

Logo tô chegando para conhecer essa criança linda chamada Elena.

A perda é seu maior crescimento

Aos leitores que estão neste exato momento se questionando mentalmente como uma coisa tão ruim pode te fazer crescer, eu lhes respondo com esse texto.

A vida é responsável por nos trazer alguns dos momentos mais difíceis de se encarar, situações que por um momento achamos que não vamos aguentar.

A perda pode acontecer de inúmeras maneiras, já quando criança começando a entender o sentido de perder algo, como por exemplo um brinquedo que foi retirado das mãos de uma criança enquanto ela brincava, ou quando o amiguinho de classe se muda para outra escola. É importante conhecermos o sentimento de perda desde criança, para que crescemos mais preparados para situações frustrantes, como por exemplo a não aceitação na faculdade.

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Já na adolescência descobrimos –talvez- uma das perdas mais intensas, a do amor não correspondido, ou pior, aquele que corresponde e depois te deixa.

Na sua fase adulta você tem que encarar a perda de tempo, coisas que você se arrependeu de fazer ou se arrependeu de não fazer, a perda de alguém que se foi, ou a perda de você mesmo, que muitas vezes acontece quando você esquece quem você é.

A gente se perde na quantidade de perdas que tivemos e acabamos nos esquecendo de que cada situação em que sentimentos a falta de algo é também a nossa evolução espiritual e pessoal.

Quem você era antes de namorar tal pessoal? Quem você era antes de perder alguém que você amava muito, quem você é depois de perder aquela vaga na faculdade, quem você é depois de perder tempo com gente negativa…

Qual foi a perda que mais te fez entender que você precisava mudar seu jeito, mudar seus hábitos ou até mesmo mudar suas atitudes com você mesmo.

É preciso entender o processo da perda também, é preciso dar-se um tempo para sofrer, para se reerguer e para continuar, tudo dentro do limite do seu psicológico. É preciso saber sair do luto e recomeçar com as novas lições aprendidas.

Você não vai entender de primeira o porque a perda é tão fundamental para seu processo de crescimento, então, faça um favor para você mesmo, não tente entender. As pessoas cometem muito o erro de sempre perguntarem o “porquê” das coisas ao invés de se perguntarem o “pra quê”.

Não se preocupem, destino se encarrega das respostas.

Escrevo porque és minha vontade de escrever. 

Demorei para te escrever, mas acho que essa é a hora perfeita para te dizer que te quero para mim. Não como posse ou como algum tipo de poder sobre você, te quero para mim te cuidar e te amar, te quero para dividir minhas mágoas, minhas vitórias e todas as pequenas conquistas, te quero para ouvir suas crises, para aguentar seus dramas, para te ouvir cantar, te quero para lhe apresentar todas as coisas boas que o universo te reserva.

O que posso querer depois de ter você ? Talvez um pouco mais de tempo para te querer mais, ser melhor amiga do relógio e pedir para tornar os minutos horas, parar o final de semana e essa rotina louca que a gente leva.

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Quero mais eu e você, mais nós, mais a gente, mais você nas manhãs de domingo e nas noites de sábado, mais eu na sua sexta a noite e no meio da sua semana. Quero mais jantares ao seu lado, dividir a taça de açaí e o mesmo copo de coca cola.

És tu, como se não houvesse mais nenhuma dúvida, como se não houvesse nem mesmo o amanhã, és tu que me acolhe a alma, conforta meu corpo e me preenche de amor. Tu que transborda meu coração, tu que me inspira a ser melhor, tu que me salvou.

Hoje te escrevo porque tu me deu inspiração. Escrevo porque és minha vontade de escrever.

 

 

Te deixar ir é também te amar

Escrevo hoje porque meu coração não aguenta mais ficar calado.

As coisas estão difícies hoje, mais do que semana passada, mais do que mês pesado quando tivemos nossa ultima discussão frente a frente, as coisas estão complicadas porque todos os problemas se esvaiam quando mantínhamos nossos corações aquecidos. Hoje nossos corações estão em pedaços, parece até que nunca vão se juntar, mas no fundo a gente sabe que tudo ficará bem.

Deixar você ir talvez seja a coisa mais difícil que já fiz na vida, e olha que eu já estive no meio de muitos problemas. A questão é deixar você, a pessoa que depositou confiança, energia, amor e carinho em mim, a pessoa que se entregou, que mergulhou em mim, que se descobriu, que se encontrou em mim. Escrevo para aliviar a falta que tudo isso vai fazer, escrevo para continuar tomando coragem em manter a decisão de te deixar ir, porque te deixar ir é também te amar.

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Quer prova maior de amor do que saber que sua felicidade está te esperando em outro lugar e te deixar livre para busca-lá? Um dia seus olhos vão ler esse mesmo texto e tudo fará sentido, quando você estiver casada com seus filhos sentados no sofá da sua casa.

Falando em sonhos, quão egoísta eu seria em te pedir para ficar sem saber se eu poderia realizar seus sonhos, casamento, família, quão culpada eu seria por te limitar em sonhar? Uma pessoa sem sonhos, não é nada, e você é tudo.

Escrevo para dizer com palavras aquilo que minha boca jamais será capaz de pronunciar. Vá! Mas antes não esqueça do que te fez ficar por tanto tempo, vá com o coração tranquilo e aberto, vá mais confiante, mais segura de si, vá e aproveite, vá e seja capaz de realizar os desejos do seu coração.

Eu só permito um amor maior que o meu, se esse amor for de você para você mesma.

Essa carta é para você, porque eu precisava te escrever isso, porque você precisa ouvir isso. Essa carta é para você, amor, que se boicota todo dia, que se coloca para baixo, que não enxerga o real sentido de ser belo.

Vida, essa carta é para você, porque eu adoro te escrever, porque eu sou essa mulher de sorte em ter você. Mas quero que o mundo também te pertença, seria muito injusto com o mundo, se ele não te conhecer. Então assim, sei lá, se mostre para o mundo.

Mor, escrevo essa carta para você, que se engana sem saber o quão incrível é cada pedacinho do seu corpo, e está tudo bem se você ainda não aprendeu a se amar do jeito que eu te amo, a gente tem uma vida toda para trabalhar nisso, até você se olhar com os mesmos olhos que eu te vejo.

Mas eu escrevo porque você entende as minhas verdades aqui, elas ficam mais claras com palavras, eu escrevo porque é a coisa mais sincera que eu posso te oferecer.

Vai demorar um pouquinho para você acreditar nessa coisa toda de se amar, você vai se olhar no espelho e dizer coisas horríveis sobre cada curvinha do seu corpo, você vai desprezar seu cabelo e vai querer outro nariz, então como eu sei que é um trabalho que exige muita compreensão e paciência, você deveria saber o tamanho da minha sorte.

Então essa carta é para você, amor. Para você saber o quanto a vida me presenteou deixando você fazer parte dos meus planos, e o quanto você me ensinou em tão pouco tempo.

Se as pessoas soubessem o tamanho da tua beleza, elas iriam se apaixonar por você assim como eu me apaixonei, é por isso que eu sou uma pessoa de sorte, porque em meio a tanta gente querendo um amor tão sincero como o seu, o destino me escolheu para você. (e você escolheu ficar).

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Eu sou uma mulher de sorte porque esse sorriso que você dá para o atendente do Starbucks é todinho meu, e a minha sorte não acaba por aí não,  tenho sorte quando você passa na rua e as pessoas pensam: “Que garota linda”, ou quando um “psiu” na rua é direcionado para você, ou quando um homem pede para você colocar uma blusa, porque uma garota tão linda não deveria estar passando frio, eu tenho sorte quando você decide dançar… ah, é a coisa mais linda que eu já vi –e a balada toda pode sentir a energia que seu corpo transmite, acredite, você é linda demais para se esconder atrás de um boicote pessoal e autocritico-.

E por saber que essa sorte é toda minha que eu acho tão injusto não compartilha-la com ninguém, o mundo precisa conhecer o quão linda você é, e o quão linda você ainda pode ser assim que descobrir como se amar. E você tem todo o tempo do mundo para descobrir como é mágico a sensação de gostar da gente, afinal, teve tantas pessoas querendo te provar o contrário, né? Tanta gente que se realmente conhecesse você, assim do jeitinho que eu conheço, da cabeça aos pés, no coração à alma, se apaixonaria por você.

Amor, essa carta é para você saber que eu só permito um amor maior que meu, se esse amor for de você para você mesma.

Sua beleza me enriquece, me transcende e me apaixona

Eu sou o caos que habita seu coração

Não adianta fugir, eu sou o caos que habita seu coração. Você vai se esconder, negar, mas eu estou lá, revirando tudo, pensamentos, lógica e estômago.

Esse sou eu, seu caos. Você me escolheu e eu só quis ficar.

Vão discordar da gente, mas quem é que nos entende, não é mesmo? Eu te faço confusa, mas no fundo a gente quer a mesma coisa, você é quem complica.

Eu sou tudo que você desvia, tudo que você não se orgulha. Como é que pode uma garota ainda sentir amor por quem a magoou. Eu sou as respostas para suas perguntas noturnas, eu sou a resposta que você não quer ouvir, e quando ouve, desacredita.

Sou seu companheiro diário, mas é quando estamos a sós que você briga comigo, chora e se descabela. Eu jogo com a verdade e você me diz que é jogo baixo, eu te mostro o caminho e você procura um novo, maior e mais difícil. Eu te mostro a luz mas você só quer ver a escuridão.

Eu sou seu caos.

Te faço forte na frente dos sorrisos que cruzam seu caminho, te faço confiante na frente de bocas que você sente vontade de beijar, te faço corajosa para dividir a cama com alguém que você não ama. Mas é só estarmos a sós que os nossos paralelos se formam um.

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Eu sou seu caos, baby. E há momentos que você quer me ouvir, quer seguir minha voz.

Os olhos se fecham, e eu percorro todo o seu corpo, passo pela sua barriga, pelo seu pescoço, chego a sua mente e faço você lembrar de tudo que prometeu esquecer, mas eu sei que você não quer, então te dou doses de pequenas e suaves memórias que fazem sua boca abrir um singelo sorriso. Você está amando, e eu estou te convencendo.

Agora eu vou mais fundo, uso os 5 sentidos para não haver mais argumentos contra mim. Eu faço você sentir o gosto do beijo, o calor do toque, o cheiro da pele. Agora você começa a chorar e eu finalmente paro. Espero você se recompor, mas você não corresponde. Te vejo completamente sem máscaras, nua de conceitos e rótulos, eu te vejo como você é.

Eu sou seus caos, e eu te vejo de fora agora.

E então eu posso te ouvir dizer, com todas as palavras, que seu amor é único, e que tua confusão te levou para o caminho errado. Que o caos que te habitava estava certo o-tempo-todo.

Tantos desvios e caminhos alternativos para chegarmos finalmente no mesmo lugar. Naqueles olhos que você deixou para trás, naquele beijo que ficou para outra hora, naquele amor que foi abandonado. Enfim, às vezes o caos vem para revirar tudo, às vezes, vem para alinhar tudo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Uma anedota

Essa é só uma anedota

Um pedaço velho de papel

Largado no balcão, não cobre mais o sanduiche

Rapaz bonito que comeu, bebeu

Saiu. 

Levou com ele meu coração

Essa é só mais uma anedota

Daqueles amores impossíveis de acontecer

Mas que nos meus sonhos são reais

  

  

Olá, Estranho. Tudo bem com você?

Me desculpe te chamar assim, é que já faz tanto tempo que para mim, hoje, não tenho mais o direito de achar que te conheço. De forma alguma. Passaram-se o que, quase dois anos? Eu te prometi que não ia esquecer o teu cheiro, o teu gosto e o teu toque… Mas eu esqueci. E isso é a melhor coisa que poderia ter me acontecido, sabia? Acho que eu não suportaria essas memórias vivas somadas às memórias que ficaram guardadas em mim. Apesar de todos os esquecimentos, de você jamais esqueço.

Desculpa te escrever depois de tanto tempo, mas é que eu ainda me lembro de você, todas as noites, quando deito minha cabeça no travesseiro e me pergunto incansavelmente se você também pensa em mim. Acho que você não deve pensar, e acabo pensando por nós dois – será que daqui mais 20 anos você terá um choque de realidade e pensará também? Sinceramente, espero que sim.

Soube que você realizou algumas das suas aspirações e que, inclusive, está bem e feliz com outra pessoa. Espero que ela te faça feliz e realize os teus sonhos que eu nem sequer tive tempo de ouvir ou tentar realizar, assim como também realize os que você decidiu que não era eu a pessoa a acompanha-lo pelo caminho.

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Sobre mim? Eu estou bem também, muito obrigada. Me casei, me mudei, troquei o corte de cabelo e um pouco do estilo também. Sim, me mudei. Estou bem mais longe de você, geograficamente. E foi aqui, do outro lado do estado que pude me levantar e seguir com a minha vida, sem você.

Não foi fácil, eu confesso. E continua não sendo fácil lutar contra esses pensamentos que me invadem em meio às manhãs internas cinzas ou aos finais de tarde particularmente chuvosos. Você decidiu, sozinho, que não íamos mais ser dois e simplesmente me deixou… Com o celular em uma mão e o coração em outra. Nunca mais te vi, nunca mais te ouvi, nunca mais te reconheci.

E são esses finais, cheios de interrogações e vácuos para a dúvida do que poderia ter sido, do que não foi e de que se algo ainda vive latente em você que me acompanha até hoje. Já me dizia um amigo que tudo que é inacabado fica solto pelo ar e, assim como a chuva, cedo ou tarde desagua na gente. Será que desagua em você também?

Se desaguar, saiba que nunca lhe virarei as costas, tá? Não que eu acredite ou ache que voltaremos daqui 50 anos e seremos felizes para sempre. Não. Mas gostaria de saber a sua versão da pós-história, dos sentimentos que foram e dos que ficaram, também, e, quem sabe, relembrar como é deitar no teu abraço e fazer a minha morada só mais uma vez aí.

Com amor,
aquela que ficou,
mesmo você tendo ido há tanto tempo.

• Carta do Leitor

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Amar é ser livre

É a primeira vez que estou escrevendo um texto mais voltado  para o autoconhecimento, apesar de sempre estar pesquisando e me envolvendo na temática, eu nunca me senti inspirada para colocar essas palavras em um conjunto de frases.

O que me inspirou a abrir o coração e a mente foi um livro chamado “Amar e Ser Livre” -eu também me perguntei como que as palavras Amar e Livre podem estar na mesma frase. Para você deve ser difícil compreender que é possível amar na liberdade, no começo foi difícil para mim também.

As teorias que encontrei nas palavras desse livro me levaram a estar aqui hoje escrevendo essa publicação. Eu percebi que muita gente precisa ler o que eu estava lendo, entender o que eu estava entendendo. Vocês precisam saber o porque milhares de relacionamentos não estão dando certo.

Para começar a enxergar essa nova visão dos relacionamentos precisamos compreender alguns fatores fundamentais que começam a ocorrer na nossa infância, pois é nessa fase que começamos a ter ligação com a nossa essência e com a nossa espontaneidade. Quando somos crianças e começamos a ter atitudes espontâneas, como chorar ou brincar, começamos um ciclo com nossa essência. Uma vez que essa espontaneidade é tirada da gente, começamos a nos distanciar da nossa própria essência, criando máscaras para sermos aceitos e continuarmos recebendo amor.

Um exemplo bem clássico disso é a criança que chora por um determinado motivo e os pais pedem para que ela interrompa o choro, alegando que é feio criança chorar. Nesse momento a criança entende que sentir tristeza é para os fracos, e no decorrer do tempo ela vai usando essa máscara para sentir-se acolhida e amada pelos pais.

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Essas pequenas ações resultam no seu comportamento em um relacionamento afetivo. Esses traumas estão presentes em seu corpo, mas não estão aflorados, pois você foi afastado da sua essência e a máscara que encobre seu verdadeiro eu está protagonizando sua vida.

Quando começamos a namorar alguém, nos entregamos ao outro completamente, nos entregamos de alma e de coração, achamos que a responsabilidade de ser feliz está nos braços do outro e quando não temos sucesso no relacionamento jogamos toda a culpa no outro, nos tornando vítimas constantes das nossas próprias escolhas.

Temos que entender que um relacionamento afetivo é uma universidade da vida, o amor que encontramos no nosso parceiro deve ser um espelho para nos conectarmos mais com nós mesmo e, ao invés de canalizarmos nossas energias para reencontrarmos nossa essência, transformamos todo esse amor em ciúmes, insegurança e ódio. Tudo porque não trabalhamos nossos traumas e estamos bem distantes da nossa essência.

Olhando diretamente para os fatos da minha vida e analisando todas essas teorias, tudo começou a fazer sentido. E antes mesmo de acabar de ler e estudar o livro comecei a reparar que muitas pessoas que estavam ao meu redor tinham medo da solidão, ficando presas a um relacionamento sem futuro, sem respeito e sem amor. Elas se perderam no meio do processo e não conseguem mais se reencontrar, enxergam o outro como fonte de companhia para nunca se sentirem sós.

Outro ponto que reparei é a culpa que as pessoas jogam em seus parceiros, os culpam pelo término, os culpam por não estarem mais apaixonados, os culpam por não se doarem mais, por não se esforçarem, os culpam pela frase dita no último encontro: “Eu quero terminar”. E jogar essa culpa é mais uma forma clara de que não há autoconhecimento suficiente para compreender que uma relação não deu certo pelos dois. Além de que quem recebe essa culpa se sente condenado a reverter a situação de algo que nem foi cometido completamente por ele, o receptor dessa culpa se dói achando que o erro está nele, ele se destroça por achar que estar sozinho é culpa exclusivamente dele.

E qual é o problema de estar só? Afinal, é só estando só que podemos nos conectar com o Iceberg que somos. É estando só que nos aprofundamos na nossa essência que nunca deveria ter sido afastada da gente. É estando só que aprendemos o exercício da gratidão, aprendemos a aceitar que as universidades nos ensinam e depois nos preparam para o mercado, assim como os nossos relacionamentos afetivos.

O amor é a cura para todas as formas de ódio. É com amor que se cura o ciúmes, a falta de respeito, a ignorância e a insegurança.

Temos uma longa jornada em busca da nossa essência, temos um árduo trabalho para retirarmos as máscaras que encobrem nossas verdadeiras faces, para então estarmos plenamente engajados no amor ao outro, sem cobranças de felicidades e culpas, sem sermos vítimas das nossas próprias escolhas, amando e sendo livres, amando e sendo nós mesmos.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.