Dedicatória

Em todos esses anos, todas as histórias felizes que tentei escrever com alguém não deram certo. Atirei inúmeras folhas de papel amassado no lixo, manchei meu tapete com tintas de caneta que estouraram quando, por incontáveis vezes, a outra mão resolvia jogá-la no chão, comprovando a desistência de criar um livro cheio de risadas, sonhos e amor. Até um calo no dedo de tanto insistir em escrever sozinha também tive no meu dedo anular.

Mas como quem desaprende a escrever, chegou um dia em que eu desisti, joguei e rasguei todos os meus papéis em branco pelo quarto, atirei todas minhas canetas coloridas pela janela e não conseguia sequer segurar um lápis ou ler uma folha cheia de palavras.

E aí você chegou como uma feiticeira que sabia identificar quando alguém estava derrotado e exausto de sonhar com contos que nunca sairiam sequer da imaginação. E com todo o seu brilho, você se empenhou e conseguiu arrumar toda a minha bagunça romântica literária e começou a escrever este novo livro sozinha.

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Quando me deparei, eu é quem estava jogando a caneta no chão dessa vez, manchando toda a história que você projetava. Foi nessa hora que eu levantei e te mostrei que eu ainda guardava comigo uma caneta bic de quatro cores e perguntei se você se importaria em dividir comigo as páginas em branco para escrever esse romance a duas mãos e com um pouco mais de cor além do azul que você estava usando.

Você sorriu e o branco dos teus dentes iluminaram o túnel dentro do meu coração e suas palavras não precisaram sair da boca para me dizer que não se importava nenhum pouco em escrevermos essa história juntas.

Eu, que já estava acostumada a voltar para o chão logo depois de começar a flutuar em sonhos e pensamentos para transcrever durante a vida, ainda estranho, vez ou outra, esse voo constante que é dividir a escrita do mais lindo livro da minha vida contigo, que além de me levar para longe do chão, trouxe também a mágica dos contos de fada para a minha vida.

E é por isso que lhe dedico este texto: por dividir a caneta, as páginas em branco, a mesa e misturar a tua caligrafia com a minha.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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Um eu sem você #23 – 27 de Outubro

As segundas-feiras são os dias mais difíceis, em todas as semanas que têm passado depois de você. A segunda-feira é o dia oficial do “hoje eu começo”. Com certeza hoje algumas pessoas estão começando um emprego novo, uma nova dieta, uma nova rotina… Pequenas metas de vida que cada um coloca na cabeça para tentar ficar melhor. A minha era te esquecer e acordar com o coração um pouco mais leve. E falhei antes mesmo de sair da cama.

Minha semana começa e ao abrir os olhos me dou conta que é mais uma semana sem você. Mais uma semana a passar sem você voltar. Meu coração é tão teu, meu amor é tão nosso que a cada fim de semana eu espero o seu retorno.

Quando éramos plural, as segundas eram mais felizes porque tinha você nela. Meu sorriso abria em sincronia com os olhos, pois seus sinais no meu celular já haviam chego enquanto eu ainda sonhava.

Agora, minha luta diária é pra tentar não ir atrás das suas notificações e atualizações em todas as redes sociais. O amor que antes era meu maior aliado e amigo, hoje é meu maior adversário e inimigo. E, ainda sim, não consigo entender como algo lindo pode tornar-se, em um piscar de olhos, a maior tristeza e dor.

Meu desejo é te mandar: eu te amo. Sem esperar resposta nem reciprocidade, apenas para não correr o risco de você esquecer. Sei lá, dá um medo pensar que você possa achar que te esqueci, mesmo esse sendo meu objetivo de vida no momento.

O amor que sinto não cabe em mim e eu preciso esvaziar o coração para que outros sentimentos possam me preencher. Quanto mais o tempo sem falar com você passa, mais lotado fica meu baú de emoções. E ele está cada vez mais pesado.

Me desculpa se eu ainda não consegui passar mais do que alguns dias sem te procurar, é que é muito difícil carregar esse amor sozinha e não ter como deixá-lo mais leve pra que eu caminhe sozinha. Você ainda é a única solução pra diminuir a gravidade e o peso desse amor mal acabado.

Espero que um dia você me entenda e que se o seu amor por mim resolver ser mais forte que os medos e o mundo incompreensivo, eu estou aqui. Não conseguiria deixar de estar cada vez mais pronta pra te amar por todas as minhas vidas.

Hoje eu lembrei daquela noite em que te pedi em namoro e você recusou por ainda não estar preparada. Eu entendi, mas há tanto tempo que eu não pensava em ser só de uma pessoa que foi inevitável ter as lágrimas no meu rosto.

Nessa mesma noite, dormi embriagada e nem vi quando você encaixou o seu corpo no meu pra sonharmos juntas. Na manhã seguinte, acordei com você nos meus braços e uma dor por te ter ali a noite toda, em uma conchinha que nos protegia de tudo contrário à felicidade.

Eu preferia voltar a não conseguir mexer o braço do que continuar a conviver com essa saudade sem fim do cheiro do seu cabelo no travesseiro.

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A saudade é o pior sentimento do mundo, e vai ver é por isso que só existe em português e é impossível traduzir para outros idiomas, muito menos com adjetivos que quantifiquem sua intensidade. Tudo parece pequeno demais diante da sua ausência.

Eu sou mesmo otária, né? Ainda te procuro pra me declarar e dizer que nesse coração ainda tem um amor imenso por você e a resposta que você me dá? “Para com isso, pelo amor de Deus, me deixa seguir com a minha vida. Tudo isso já me machucou demaaaais, você não tem noção! Não faz isso comigo”.

Não fazer isso com você? E o que você está fazendo a cada dia que age como se eu nunca tivesse nem existido? Nesse instante, meu coração que já se acostumou a sangrar tenta se desafogar e despeja em você toda a tristeza que vem se acumulando em mim.

Não que eu me orgulhe do dito, mas foi com sentimento em cada sílaba. Eu sinto mesmo que você age como se nunca tivesse sequer me conhecido. Eu realmente penso nos meses anteriores e sabia que isso aconteceria. Afinal, por que com você haveria de ser diferente de todas as outras vezes que eu dei com a cara na parede após entrar em um labirinto amoroso, mas na hora de sair todas as portas estavam trancadas?

Eu realmente sinto muito por ter entrado e aparecido na sua vida, não sabia que tinha sido tão doloroso assim todas as noites de amor que tivemos. Eu profundamente não quero mais deixar o que sinto me levar até você. Vou aceitar que fui apenas um experimento na sua vida e nada além disso.

Eu realmente sinto que em um dia eu tinha alguém diante de mim que não conseguia conter o amor que sentia por mim e, no dia seguinte, não tinha nada além de uma parede de gelo e a indiferença.

Eu realmente espero e desejo que fique e esteja bem, que seja feliz, que o sucesso em todos âmbitos da sua vida te acompanhem. Eu realmente sinto muito ter sido tão ruim assim o cruzamento de nossas vidas.

E, mais do que tudo, eu realmente não queria que você, justamente você, tivesse que ir embora. Assistir você se afastar e “torcer” para que o mundo, o tempo ou a vida queira que nos reencontremos. O encontro só acontece com quem está disposto, assim como você esteve há dois meses atrás. Agora, não há mais disposição além da de você me apagar.

Então eu também tenho que apagar, deletar as lembranças e fingir ser feliz. Se eu vou conseguir? Espero que sim. Se você ainda vai pensar em mim daqui um ou dois anos, jamais saberei. E esse não saber é que eu não queria. Mas não tenho mais nada em minhas mãos. Apenas o meu coração que hoje eu jogo no chão e piso em cima. Assim, ele desaparecerá. Junto com o sentimento que costumava fazer dele moradia.

Preciso te deixar ir e parar de te machucar com minhas palavras e sentimentos, como o fiz há pouco. Explodi e você, mesmo sem estar perto, foi quem se machucou com essa explosão. Justamente a pessoa que eu não queria ver sangrar.

Te deletei do meu Facebook, justamente da maneira a qual eu sempre julguei errada. Mas meu impulso nervoso me guiou a isso e agora não posso mais voltar atrás. No momento, tudo que eu posso fazer é te deixar seguir em frente e torcer para que eu consiga seguir também.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Eu deveria partir

Deveria ir embora, correr sem rumo e não olhar para trás. Deveria deixar você em algum lugar distante do passado, apagado, esquecido e moribundo.

Deveria deixar você ir sem a menor chance de voltar. Eu deveria.

Sua presença me mata a cada segundo e toda hora me pego pensando no porque de não ter te deixado. Me pergunto se todas aquelas noites acordado por você não fizeram de mim uma pessoa pior.

Eu queria mesmo comprar uma passagem pra longe, só de ida. Me perder em qualquer lugar no qual você não estivesse.

Eu deveria existir por mim, não por você. Deveria não sentir ciúmes e nem querer mais do que eu posso ter.

A realidade em que vivo, há muito, já deveria ter acabado com a ilusão de que um dia, daqui muito tempo, ou no instante seguinte, você percebesse que eu sou aquele que pode te fazer feliz.

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Deveria deixar essa insanidade em prol da minha estabilidade mental. Da minha paz, do meu amor. Abandonar o Prozac e, junto dele, abandonar todas as nossas lembranças boas, nossos risos fáceis, nossos amigos.

Mas ao contrário de tudo isso, eu me abandonei. Eu me deixei por você. Me entreguei por completo e aqui estou, preso, entre quatro paredes pensando em todas as coisas que eu deveria ter feito e não fiz. Por medo. Medo de te deixar e a realidade lá fora ser ainda pior. Medo de descobrir que o meu errado era o meu certo. Medo de não achar aquilo que eu procurava.

Talvez a felicidade só apareça quando eu partir. Ou talvez ela esteja aqui. Existindo enquanto eu me preocupo com aquilo que eu deveria, mas não fiz.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Um eu sem você #22 – 26 de Outubro

Acordo ainda levemente alterada e saio às pressas para votar no segundo turno. O sol quente, o dia abafado, o gosto de álcool na boca e uma sensação de não me lembrar plenamente de tudo. Um almoço em família em Águas de São Pedro, o corpo cansado e os olhos desejando fechar… E o pensamento ainda em você. Saudades de participar do seu dia, da sua vida e saber das suas coisas.

Daquilo que fica, a saudade é o único vazio que não pode ser preenchido com nada que venha a aparecer. Beijos, carinhos, novas paixões… Nada disso consegue ocupar o espaço que oferecemos ao amor que vai embora.

A única capaz de mudar o sentido e o sentimento, é a presença de quem foi embora. E isso pode nunca mais acontecer. Por isso nossas máscaras têm que ser mantidas. É muito mais fácil fingir-se alegre do que explicar a falta que faz o sorriso tímido que ela te dava e poder ver no olhar dela todo o amor do mundo e, assim, sentir-se segura para nunca mais querer sair dali.

É mais fácil fingir não sentir nada do que tentar explicar o quanto era lindo deitar ao lado dela e vê-la dormindo tão perto de mim. O jeito que só ela tinha de acordar ainda mais linda que na noite anterior e o modo como nossos corpos se procuravam embaixo das cobertas.

É melhor fingir que eu não conseguia ler o seu olhar e que você não reconhecia algo de errado sem que eu precisasse abrir a boca do que tentar explicar para o mundo inteiro que o seu coração é o maior que eu já vi. Mas talvez ele estivesse preocupado demais em abraçar e cuidar do mundo inteiro que esqueceu de me acolher.

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É mais sensato fingir que passou do que tentar mostrar ao mundo que você não foi só o meu melhor sexo, mas que era você e continua sendo você, aquela que tem em si todas as qualidades e defeitos que eu buscava, mas nunca encontrava. Para falar a verdade, eu nem sabia o que eu queria antes de você chegar.

Agora, eu sei. Como se faz pra esquecer quando temos nosso maior pedido realizado mas quando começamos a ficar feliz em vivê-lo, ele é tirado com a mesma rapidez com que me foi presenteado?

Depois de conhecer o melhor de mim, em você, fica difícil me interessar por mais de uma noite por quem quer que apareça na minha porta. Sinto-me na obrigação de avisar a quem quer que apareça que no meu peito não bate mais um coração. Quem bate é a saudade.

À noite vou ao cinema com um amigo e, no fundo, desejava que fosse você comigo num domingo à noite esperando a semana começar. No filme, um dos personagens era autista e me lembro de você e da sua paixão sempre que falava do seu curso e das vivências durante os estágios.

A forma como você disparava a falar quando o assunto era Terapia Ocupacional sempre me encantava, mesmo sem entender muita coisa. E eu nem tive tempo de te contar que eu amava quando você tirava o freio das palavras e falava sem parar, principalmente sobre sua futura profissão.

Gostaria de ter uma forma de te mostrar e falar tudo que o tempo que não pude dividir contigo me impossibilitou. Um dia, quem sabe.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Entre sorrisos

Em certo filme que muita gente já viu e compartilhou pelos quatros cantos das redes sociais e da vida, aprendi que “happiness is only real when shared” (ou seja: a felicidade só é real quando compartilhada). E é sobre isso que eu queria compartilhar com vocês, mas mais especificamente nos relacionamentos – amorosos ou não.

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Quem nunca ficou tão feliz com alguém que, de tanto rir, a barriga doeu e, assim, só se sentiu ainda mais feliz? Aliás, quer felicidade mais louca do que essa que faz a barriga doer? Se me contassem dessa felicidade sem nunca a ter sentido, chamaria a todos de loucos. E quem nunca compartilhou momentos únicos com amigos, familiares ou namorado(a) que, só de lembrar, os cantos da boca se mexeram instantânea e involuntariamente, esboçando um sorriso em meio à seriedade da planilha do excel aberta na tela do computador?

Já li em algum lugar que você encontrará alguns amigos com facilidade quando estiver com problemas e dificuldades, mas que os amigos ou as companhias verdadeiras serão somente aquelas que conseguirem te acompanhar também durante os dias de Sol. Afinal de contas, quantas pessoas encontramos por aí que se deliciam simplesmente pelo prazer de nos verem por baixo? Inúmeras. Por isso eu aprendi desde cedo com a minha mãe que, por exemplo, depois de uma entrevista de trabalho, até ter o resultado final, não devemos fazer alarde. Muitos são os que nos querem longe do sucesso, poucos são os que nos acompanharão faça chuva, arco-íris ou um dia azul.

Mas, ainda mais alegre que todas as felicidades escritas e descritas pelos poetas mais inteligentes e românticos, quando o teu riso ecoa no meu sorriso, me sinto plenamente no paraíso.

Entre brincadeiras, conversas sérias e olhares enigmáticos, o teu riso é o som que eu poderia ouvir por todo o resto da minha vida. Ainda melhor do que compartilhar a felicidade, é dividir o motivo de todos meus sorrisos contigo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #19 – 23 de Outubro

Perdi a hora do trabalho e acordei assustada às 08h20. Tenho tentado voltar a sentir sono às 21h como quando você me trazia paz e eu não tinha nenhum pensamento ruim ao repousar a cabeça nos travesseiros.

Mas está cada noite mais difícil. Deito às 21h, o tempo não para, meu sono não chega e vou dormir depois das 23h. Todo dia. Se eu te contasse isso, acho que você nem acreditaria, né? Eu sempre lutava contra mim mesma pra me manter acordada e aproveitar sempre um pouco mais de você…

E agora meu inconsciente não me deixa fechar os olhos que é pra ver se você volta. Eles se cansam e acabam fechando as cortinas dos meus olhos, mas eu durmo, acordo e está tudo igual. Menos a saudade, que só aumenta com o tempo que se arrasta nos meus dias sem você.

Durante as longas horas do meu dia, tenho vontade de te procurar e dizer: volta! Se você sente alguma coisa ainda, volta. Por favor, volta. Mas volta depressa, que a cada segundo sem você eu me perco ainda mais de mim.

Volta. Eu já não conseguia acreditar em muita coisa quando você chegou e mudou todas minhas dúvidas para potenciais certezas. Volta. Agora tá difícil me apegar em qualquer ilusão ou realidade pra me manter em pé.

Volta. Eu prometo que vai valer a pena. Eu prometo que a coragem vai ser compensada. Eu prometo que nossa vida vai ser cheia de sorrisos e amor. Eu prometo que te faço cócegas só pra poder correr atrás de você pelo apartamento e, no final, te segurar em meu braços e te beijar.

Volta. Esquece os problemas, as dificuldades, os obstáculos… Só volta.

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Saudade é um bicho que não dá pra adestrar e ensinar que não se deve bagunçar o coração da gente. Tenho tentado prendê-lo, mostrar que é errado revirar um sentimento que não tem como continuar vivo, mas quanto mais eu o prendo, mais forte ele fica e as grades que o prendiam já não conseguem mais conter a sua agitação. Ele exige ser notado. O problema é que só você pode acalmá-lo. E eu sei que você não vem.

Enquanto o seu silêncio e ausência deixam a entender que você está bem sem mim, eu encosto a minha cabeça na cadeira durante uma pausa no trabalho e monto cenas na minha cabeça.

Desejo chegar bem perto de você, colocar o seu cabelo atrás da orelha, me atentando aos detalhes da sua expressão pedindo pra que eu te beije. Em seguida, puxo sua cintura contra a minha, puxo seu cabelo e te beijo de forma que, entre nossos corpos, nem sequer o ar passe. Finjo que não é sua presença que me tira o fôlego.

Deitada, tudo o que me vem à cabeça é você e a vontade de falar contigo. Montando diálogos imaginários, meu coração dispara e o oxigênio não consegue circular em mim. É desesperador. Mesmo assim, eu te procuro.

– O que eu faço com essa saudade de você? – eu lhe pergunto.

E sua resposta me vem como um escudo: – Carla, não faz isso. – você diz.

– Eu sei. Só… Faz falta. Como você está? – digo implorando por uma palavra tua que me abrace e me acalme como costumava ser. Mais uma vez em vão.

– Tô bem. E você? – a resposta vem tão seca quanto o Cantareira.

– Uhum… Sucesso no TCC? – insisto mais uma vez.

– Uhum, tá caminhando bem. – e o tapa seco dói mais uma vez.

– Que bom… Bom… Desculpa te procurar. É só que você foi, ou ainda é – não sei mais conjugar os verbos no tempo correto quanto ao que costumava ser sempre presente –, muito especial. Se cuida. Beijos. – finalizo a conversa, mas não o meu pensamento.

– Você também foi muito especial, de verdade. Se cuida! Beijos! – você encerra sem nem mais uma sílaba.

Internamente eu continuo a conversa: – Queria ter vivido mais.

E, assim, acaba uma tentativa de diálogo. Não sei se encaro sua maciez nas palavras como algo bom, se encaro com conjugar o nós no passado ou se fico pensando se um dia esse “especial” será tão especial a ponto de voltar a ter um lugar em nossas vidas novamente.

Com o peito dilacerado, eu durmo. Só assim para não te procurar e fugir de mim.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #18 – 22 de Outubro

Acho que a TPM está chegando e isso não está me ajudando muito a ficar bem. Tenho vontade de chorar de minuto em minuto. Você não sai da minha cabeça e em tudo que eu olho vejo você.

É como se minha retina tivesse gravado cada detalhe seu e tudo que vivemos, de modo que para que onde quer que eu olhe, vejo você… Nós. Mas, agora, com o nó desatado.

Lembro de tudo como se eu tivesse acabado de acordar de um sonho bom e quisesse me agarrar às lembranças para ter um bom dia. Quando percebo que o sonho acabou, tenho que conter meus olhos para que não criem um mar sob eles para que eu navegue até você.

Sabe aquela playlist que eu fiz pras nossas noites ficarem ainda melhores? Não que naturalmente já não soltássemos faíscas, mas poder eternizar nossos suspiros com as melodias pareceu sempre tão nosso.

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Hoje passei a tarde ouvindo todas as músicas e parecia que estavam faltando notas entre um refrão e outro. É como se sua respiração tivesse se tornado parte da melodia e não tê-la no meu ouvido simplesmente não parece certo. Você transformou grandes músicas em uma banda de garagem que está aprendendo a tocar.

Revejo postagens no Facebook de épocas em que minhas declarações virtuais eram respondidas com as suas e sinto saudades do tempo em que a certeza de sermos duas me mantinha firme, com os pés fincados no chão para caminhar até te encontrar.

Mas parece que, no meio do caminho, o seu cadarço desamarrou e você parou sem me avisar que eu estava indo sem você.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #17 – 20 e 21 de Outubro

Estou cansada, com dores musculares e sem ânimo para ir trabalhar. Acordo no horário certo, mas não consigo sair da cama. Mando uma mensagem e invento uma desculpa que me faça ficar na cama. E fico.

Acordo de verdade apenas às 15h e logo vejo rastros teu pelo Instagram. Tento pensar que nas curtidas em frases que poderiam se encaixar em nós, você ainda pense em mim.

Baixo o Tinder novamente, a título de curiosidade sobre você. Quando vejo as combinações, você não está mais lá. Tenho vontade de te procurar e te explicar o porquê eu havia baixado ele novamente. Só a ideia de que pense o que não é, me deixa louca. Não te procuro mas durmo pensando em você.

No outro dia, acordo e uma hora depois o dia já está extremamente difícil. A saudade hoje está insuportável. Estou sem ar, meu peito está apertado e tudo o que eu queria era te abraçar e sentir que tudo vai ficar bem.

A cada dia que passa fica mais difícil sair da cama e ter vontade de trabalhar. É como se eu tivesse perdido o objetivo e o caminho a seguir, afinal, minha bússola apontava para a direção dos nossos sonhos.

Penso em enviar uma mensagem só pra dizer que acordei com saudades e estou pensando em você. Sei lá, acho que saber que alguém, em algum lugar do mundo, pensa e sente um amor imenso pela gente deveria sempre ser algo bom, né?

Tenho vontade de saber de você, do seu dia, do seu coração e da sua vida. Mas não posso. E deixo o dia passar sobre mim.

Desde que tudo isso está acontecendo, eu não tenho sonhado mais. Justo eu, que sempre me lembrei de 90% dos sonhos. Penso que você deve estar em todos eles e meu inconsciente decide me acordar sem memórias do que vivi à noite para não tornar-se tão pesado.

Todo dia é uma luta diária para que eu não te procure. Depois de alguns dias sem procurá-la, eu sigo meu coração e te deixo saber e sentir que ainda penso em você. Que, no meu coração, só tem lugar pra você morar. E te peço que nem sequer responda, às vezes o seu silêncio dói menos do que sentir a frieza em sua fala.

Me sinto mais leve. Acredito que o sufoco pela sua falta é, também, o amor acumulado. Guardar tanto carinho e afeto e não ter onde e como extravasá-lo é complicado, uma hora ou outra a gente explode. E minha explosão sempre vai ser pra você, afinal de contas, sou apaixonada por você. Me permiti ser completa e plenamente sua, mesmo você não sendo mais minha.

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Quando recebo no meu feed de notícias alguma foto recente sua, o chão sob meus pés somem, meu corpo inteiro esquenta e, por um segundo, parece que estou te vendo bem na minha frente.

Involuntariamente, te olho por minutos ininterruptos. O mundo à minha volta sumiu. Tudo o que vejo e vivo é você. Seu sorriso, seus olhos. Me atento em cada detalhe teu registrado nas fotografias. Eu não quero ousar perder nada mais além do que já estou perdendo.

Eu daria tudo para estar com você. Daria tudo para te encontrar na cozinha, com uma regata um pouco maior que você que te servia como um vestido de ficar em casa, preparando um jantar pra gente e eu te beijar a nuca e te desconcentrar.

Eu daria tudo pra voltar no tempo e te agarrar em pé na cozinha do seu apartamento, derrubando o interfone da parede e te segurando pela cintura para você não cair.

Eu daria o resto da minha vida só pra poder viver tudo isso só mais uma vez. Porque se eu soubesse que aquela seria a última vez, eu não teria te largado tão cedo. Eu ligaria no trabalho e inventaria uma gripe só pra poder acordar mais uma manhã olhando você.

Se eu soubesse antes que aquela seria minha última viagem, eu teria derramado menos lágrimas – minhas e suas –, eu teria ignorado meus hormônios na TPM e teria respondido o Eu Te Amo desde a primeira vez.

Ao contrário dos que se decepcionam e desejam nunca ter conhecido a pessoa, eu me arrependo apenas de não ter sido plenamente sua desde o segundo que meu olhar cruzou com o seu.

E, enquanto eu me lembro dos detalhes que dividi com você, as lágrimas brotam sem que eu permita que elas saiam dos meus olhos. A cicatriz que você esconde com maquiagem, sua pele tão branca quanto à paz que me trouxe, o jeito de você me amar e a forma como nossos corpos pareciam ter esperado ansiosamente pelo nosso encontro – tudo que não me sai da cabeça nem do coração.

Em pouco menos de dois meses, você acrescentou tanto em mim e na minha vida. Meus planos se somaram aos seus sonhos e, graças a você, hoje eu olho pra frente e consigo ver coisas que nunca ninguém me fez ver.

Eu quero ter uma família. Quero crianças pela casa, brinquedos pelo chão e o seu amor por elas. Quero ser teu lar e transformar qualquer lugar onde passarmos em felicidade.

As noites não são mais as mesmas. Minha alegria ficou no tempo em que eu chegava às 18h30 e, uma hora depois, tinha você. Eu me perdi na hora de voltar e ser sozinha mais uma vez. Pensei que você tinha chego pra ficar… Mas você foi embora, como todas as outras.

Tudo o que eu quero é preencher meus dias com sonos longos para não acordar em busca de sinais que eu não vou mais encontrar.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Ser tia e espalhar felicidade

Quando eu soube que você iria chegar, confesso que não fui muito entusiástica, mas não pense que era porque eu não queria te conhecer… Eu apenas ansiava tanto a sua chegada que eu não sabia sequer como reagir instantaneamente. Eu meio que não acreditava que iria ser tia.

E então você chegou naquele dia 11 do primeiro mês do ano de 2011 e quando eu a conheci, eu não tinha intimidade para ousar te pegar no colo. Eu queria cuidar de você, mas não sabia se as minhas mãos iriam saber te cuidar da forma que merecia e sem te machucar, já que você era tão pequenina e frágil. Aos poucos, fui me soltando, você também, e em um carinho sincero na sua nuca, vi o seu primeiro sorriso e o meu coração se derreteu.

Os dias passavam e era comum ter a casa cheia de brinquedos pelo chão aos finais de semana e eu aprendia cada vez mais que o amor é bem mais puro e leve do que eu jamais havia suposto. Não é um amor de mãe ou pai que tem que se manter firme para educar, nem tampouco um amor de avó que só quer mimar… Esse amor de tia é um amor que mistura todos esses amores, proteções, mimos e um pouco mais.

Eu, acostumada com um sono rígido e longo, não me importava em acordar às seis horas da manhã para ser sua babá por algumas manhãs. Na verdade, era bem mais alegre do que dormir até às onze. Inventar brincadeiras se tornou rotina nos meus dias só para te fazer sorrir. Afinal, esse foi o papel que eu designei pra mim mesma: fazer-te sempre feliz – até mesmo às três da manhã, no meio do meu sono, quando a vovó não conseguia te fazer dormir.

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Aprendi que quando se é tia, não importa se você saiu ontem à noite e está de ressaca, você vai acordar cedo e vai encher um milhão de bexigas para o aniversário de um ano que sua sobrinha ou sobrinho sequer vai lembrar. Assim como também não tem importância fazer um papel de “ridícula” e tirar foto fazendo pose da Margarida ou sair com o cabelo bagunçado nela porque ela ou ele está nos seus ombros vendo o mundo do alto. O que importa, na verdade, é o sorriso dela ou dele.

Quando você aprendeu a andar, eu aprendi também que cada conquista sua me fazia sorrir e compartilhar isso com todo o resto do mundo. Confesso que devo, inclusive, ter cansado alguns ouvidos de tanto falar de ti, mas era inevitável.

Descobri que ser tia não importa se tens cinco ou cinquenta reais no bolso, mas o que tens será transformado em um pouquinho de demonstração de amor para que o seu sorriso vá de orelha a orelha (desde um sorvete, pescaria em Festa Junina, balões da Minnie, bonecos Little Poney ou seu primeiro patins).

Graças a você, eu pude saber o quanto é divino ter uma criança adormecida em meus braços após um dia cheio de risos, brincadeiras, escorregadores e balanços. Mas, acima de tudo, eu aprendi que quem exerce o papel de tia nessa vida o recebe para espalhar felicidade sem fim a esses seres pequeninos.

E eu, como tia, queria declarar que o que eu puder fazer para te proporcionar os momentos mais felizes da sua infância, adolescência e até mesmo juventude, eu farei – até mesmo voltar à minha infância e brincar na piscina com você e suas amiguinhas, fantasiando que sou a mãe sereia de vocês. Afinal de contas, você é a princesa mais linda desse planeta.

Avisa o papai e a mamãe que eu ainda espero pelo dia em que te levarei para conhecer o mar de Florianópolis e passaremos o dia construindo castelos de areia que o mar levará e eternizará embaixo do oceano, junto com esse laço imensurável de amor que criei por ti, minha menina feLiz.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

O que tem de ser, será

Durante todos esses anos, nunca me convenci completamente que nossa vida fosse regida pelo Destino – Deus, acaso ou coisa parecida –, mesmo acreditando um pouco nessa verdade. Até você chegar.

Sempre acreditei, sim, que conhecemos determinadas pessoas por algum motivo – as especiais, principalmente – e que nem todas irão permanecer ao nosso lado até nosso último suspiro… Mas constantemente mudamos de opinião e ideias – sem contar a imensidão de escolhas erradas que fazemos durante o percurso também –, então quem garante que aquilo que escolhemos pra viver realmente foi destinado a nós?

Meu sonho sempre foi morar no sul no país, mas que essa aspiração me traria tantas outras realizações eu jamais poderia supor. Quando, desde 10 anos atrás de desejos de vir pra cá, que eu iria imaginar que acharia uma vaga exatamente naquilo que eu gosto e com um bom salário para quem acabou de se formar e tinha 23 anos e, dias antes desse processo seletivo, um conhecido me levaria até sua irmã – e amiga sua –, que viria a ser uma breve “housemate” e me traria você, que sempre esteve tão perto mas o Destino não conseguia nos apresentar? Nunca.

E eu, tão focada única e exclusivamente em exercer o papel que escolhi para mim de ser uma funcionária exemplar e agradecer todos os dias ao Universo por ter me impulsionado a me arriscar e vir pra cá, coloquei uma venda para fingir que não via você. Eu não podia sair do caminho que tracei pra mim mesma. Eu não queria sair do que eu havia planejado pra mim mesma.

Mas como já diria um de meus escritores favoritos, “o que tem de ser tem muita força” (ABREU, Caio F.) e essa força invisível aos olhos e essencial ao coração me fez cair de amores diretamente nos seus braços.

E nunca uma queda me fez tão feliz.

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“As sete cartas do Tarô são suas e os dez destinos mais prováveis são meus… E se você pedisse para abrir um caminho, este iria dar na nossa casa, meu bem”

Embora as diferenças gritantes, o signo mais louco te regendo e a teimosia te seguindo mesmo você mandando ela embora, como um ímã, fui atraída para cada vez mais perto de ti, até morar dentro de você e construir sua moradia aqui dentro de mim também.

Eu sei que não sei e não consigo falar muito – foram muitos os traumas que me colocaram nessa minha concha canceriana que me mantém segura de tudo –, mas do pouco que falo, é um muito do tudo que carrego em mim por ti. Mas você não precisa ter medo dessa minha concha protetora… Já te coloquei embaixo dela, junto de mim.  Assim, nada nos atingirá, meu amor.

Você diz que eu posso ficar o tempo que eu quiser por aqui, sempre insistindo que também posso ir quando eu quiser… Mas deixa eu te contar um segredo: eu quero ficar o tempo todo ao teu lado até o tempo do mundo acabar. Pode ser?

Que o Destino continue a agir e tomara que aja para que continuemos assim… Tão perto que te sinto junto de mim mesmo longe.

Obs.: Espero que vocês todos deixem o Destino agir sobre a vida de vocês.
Desconstruam o que vocês julgam ser feito pra vocês e aceitem o que de fato é. ♥

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.