Como foi te esquecer

Venho te contar como foi te esquecer pois te esquecer foi –sem dúvida nenhuma- me ressurgir.

Vocês já se perguntaram como foi esquecer alguém que a gente amou muito? Pois é, eu me perguntei e a resposta veio em forma desse textinho.

Eu achava que eu nunca iria te esquecer, e de certa forma, estava certa, nunca vou te esquecer, eu só mudei meu jeito de lembrar de ti. E isso é o mais importante.

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Vamos usar a palavra “esquecer” nesse texto como uma maneira mais leve de dizer que a gente conseguiu lembrar de alguém de uma forma diferente, esquecemos como aquela paixão nos machucava, e começamos a lembrar do nosso sofrimento de uma forma mais construtiva.

O que então seria “lembrar do nosso sofrimento de uma forma mais construtiva esquecendo de alguém que a gente amou muito?” É exatamente lembrar de alguém sem raiva, sem rancor e sem ressentimentos. Não, isso não vai acontecer em 2,3 meses. Isso vai acontecer quando você decidir fazer do seu término algo construtivo para o seu próximo relacionamento (ou só para você mesmo).

Muitas vezes nos conduzimos a lembrar, pelo menos no começo, de como vamos viver sem aquela pessoa, ou como vamos construir nosso futuro sendo que praticamente TODOS os planos incluía você e ela. Mas depois o tempo vai fazendo o trabalho de fazer a sua vida continuar e você simplesmente está vivendo, e sim, sem aquela pessoa, e quer saber mais? Você tem planos.. e acredite, aquela pessoa não está mais neles.

Te esquecer foi também a aceitação de que eu precisava me livrar de um ciclo que há muito tempo eu insistia em não fechar, colocando a culpa no colo de alguém que provavelmente já estava com esse ciclo fechado. Me lembro qual foi a sensação quando percebi que esse ciclo estava fechado, foi como se magicamente eu te desejasse tudo de mais lindo na vida, me recordo que me perguntaram se eu ainda estava afim de você e por um segundo me peguei pensando em como era difícil responder aquela pergunta, em como eu ainda não conseguia mentir para as pessoas, e então com a maior naturalidade do mundo, assenti com um “cara, tô bem, e espero que ela esteja também”.

Quando vocês começarem a perder a raiva, ou quando vocês reconhecerem o perdão, o esquecimento vem com naturalidade. Foi assim que te esqueci, como se cada ar que eu respirasse fosse tirando você de mim aos poucos e eu não percebia, até que novos ares apareceram.

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texto muito forte que só trás verdades

“Cada um tem três amores”. Era o que estava escrito na primeira página de um livro aleatório que encontrei nas minhas coisas. Três amores, aquele que gosta de você, aquele que você ama e aquele que vai ficar com você.

Eu tinha quatorze anos quando dei de cara com essa “teoria”, lembro que a achei tão estúpida que mal conseguia acreditar que alguém conseguiu colocar isso em um livro para milhares de pessoas ler. Eu estava no meio dessas milhares de pessoas que leram essa frase, eu não sei ao certo se esse livro mudou a vida de alguém, mas mudou a minha visão de ver muita coisa.

Hoje encontrei esse mesmo livro, que não sei por quais motivos estava na minha mala de viagem (na qual levo sempre comigo), abri por curiosidade, uma vez que já tinha esquecido a razão de mantê-lo.

“Cada um tem três amores”. Não era mais um choque. Três amores, aquele que gosta de você, aquele que você ama e aquele que vai ficar com você.

Dez anos depois tudo fazia sentido.

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A teoria mais dolorosa da vida estava correta. E é bom estar preparado para ler o que você vai ler agora: Nem todo mundo se casa com o amor da sua vida, porque o cálculo é simples, você pode não ser o amor de quem você ama. Outra razão que fortalece esse pensamento é que mesmo que o amor da sua vida seja alguém que corresponde com os seus sentimentos a vida pode te pregar algumas peças para provar isso, e muitas vezes as pessoas escolhem desistir de tentar, escolhem o caminho mais fácil, aquele que chamamos de abandono.

Outra razão comum que enaltece o mesmo pensamento é que em alguns casos o amor da nossa vida não vale a pena, não valoriza o status, sabe? Não quer criar responsabilidade que um amor para toda vida carrega. Aceitar esse fato foi uma das coisas que mais apertou meu coração e foi também um dos momentos mais libertadores.

Entender e respeitar as leis do universo acalma o coração. Crescemos com a concepção que vamos ser felizes com aquele que a gente ama, mas quando a vida real bate na porta da nossa casa de ilusões começamos a compreender as diretrizes que nos levam a lugares que devemos chegar, e olha, alguns caminhos são até melhores do que aqueles que julgamos só flores e frescor, afinal, o que vai te fazer mais feliz, a estrada que te leva para a felicidade compartilhada ou aquela que se desvia ?

Obrigada a você que me ensinou a não jogar

Vocês devem estar cansados de ler textos sobre como os “joguinhos” entre casais são cansativos e chatos. Então eu resolvi vir contar a minha própria experiência. Eu era esse tipo de pessoa, que conhecia uma garota legal e por puro orgulho bobo escondia isso dela.

Na real, eu sempre fui aquele tipo de pessoa que gostava de ficar por cima de qualquer situação, se uma pessoa me machucou eu armava um jeito de decepcionar ela ainda mais, só para no final dizer: Tá vendo? Tu tá pior que eu. Era um jogo tão ridículo que eu acabei perdendo as contas de quantas pessoas eu machuquei, tudo por que eu não podia me sentir frágil ou sensível quando uma garota quebrava meu coração.

Então como eu poderia deixar meu orgulhoso de lado e dizer para uma garota que ela é bacana e que seria legal se a gente pudesse se encontrar um dia, tomar um café e falar sobre nossas vidas.. Parecia impossível deixar claro meus sentimentos e eu sempre preferia demorar para responder ou deixar as coisas indiferentes. E quer saber? Na maioria das vezes funcionava, quanto mais eu fingia desinteresse mais parecia que algumas garotas iriam me querer, aconteceu algumas vezes.

Já que o plano de jogar com as pessoas estava dando certo eu continuava escondendo os meus verdadeiros desejos, porque vai que se eu falo a verdade a pessoa se assusta, não é? E ai vai que ela não me quer mais…

Não tive ninguém para dar uns tapas na minha cara e dizer o quão babaca eu estava sendo por fazer um jogo tão desnecessário que no final o único perdedor era eu mesma.

Então eu conheci você.

Não veio em forma de tapa na cara, mas veio em forma de “eu realmente gostei de você, deveríamos sair mais vezes”. Assustador, né? Alguém falando claramente que gostou de você.

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No começo a gente até acha que não é verdade ou que é alguma pegadinha dessas bem sem graça que faz a gente colocar todas as nossas expectativas e energias em alguém que no final só estava lá para melhorar o ego. (Ah eu costumava ser essa pessoa também ¬¬)

Mas com você foi verdade e sem jogo nenhum. Não sei que tipo de relacionamento você teve antes da gente, mas você chegou com clareza e leveza, você estava gostando de mim e falou, ponto, o que tem de errado nisso? NADA. Você me deixava com vergonha quando eu tentava demorar para te responder (eu tentava, mas não conseguia), fiquei com vergonha até de pensar em esconder que você também era alguém legal na qual eu gostaria de sair mais vezes e te conhecer melhor.

Fizemos isso. Sem joguinhos de quem demora mais pra responder ou quem vai falar primeiro eu te amo, apesar que fui eu. Opa, logo eu que costumava ficar por cima de qualquer situação. E desde então eu percebi que não tinha nada de errado eu te mostrar o quanto incrível você era e que na verdade eu perdi muito tempo não dizendo isso para outras pessoas.

E se por um acaso alguém ficar assustado pelo simples fato de você estar sendo claro e honesto com seus próprios sentimentos é hora de rever por quem você está se entregando ou vai se entregar. Muitas vezes as pessoas não entendem ainda como é bom a sensação de liberdade em poder se expressar quando você quiser. Se quiser falar que ama, fala, se quiser falar que está com saudade, fala, só fala…

Eu tive sorte em encontrar alguém que me ensinou da melhor forma a amar alguém e fazer com que esse amor fosse leve e limpo. Triste é você se poupar de abrir seu coração para alguém que tanto espera por isso, perca de tempo é você achar que “estar por cima” é ocultar sentimentos ou brincar de quem é o mais frágil e sensível.

Obrigada a você que de mil maneiras diferentes mudou a minha cabeça, o meu ser e me mostrou como o amor pode ser incrivelmente melhor.

Se não te vejo por fora, porque vive aqui dentro?

Se já não vive fora, porque me atormenta por dentro? É bobagem pensar que quem não cruza mais com teu caminho, ainda cruza com seu coração?

Eu já não te vejo fora, mas o importante é não te ver mais aqui dentro.

A gente não se conhece mais, e não fazemos mais questão de nos conhecermos, a nossa soma não acrescenta mais. Conseguimos deixar o nosso um mais um no negativo. E é isso e ponto. Não precisamos mais das tardes nos descobrindo, explorando nosso universo, não tem mais lugar para isso, – e mesmo que tenha, quem poderia ocupa-lo melhor que você?

O tempo passou e nem se quer restou palavras para a despedida, simples como escrever uma história e aí quando ela ficasse chata, passasse a borracha, ou inventasse um desfecho mais rápido. Não teve diálogo nem sinal de fumaça, foi oito ou oitenta, foi você lá fora e você aqui dentro.

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Quanto mais temos certeza de que o fim foi o certo e que a vida está repleta de coisas maravilhosa para experimentarmos sem a presença do outro, mais ficamos enganados por puro ego de que vamos conseguir sem o outro. Obviamente a gente consegue, mas é porque ele está fora, fora dos nossos planos futuros, fora das nossas viagens espaciais por universos distantes, fora de cogitação.

Mas e quando o apego do “estar lá fora” se confronta com a dura e difícil realidade de que quem está lá fora, também está dentro da gente.

A nossa ilusão tem os pés amarrados na falsa ideia de que o que realmente importa é sobreviver sem o outro, é sair para encontrar os amigos e não sentir falta, é se jogar na pista de dançar e beijar quem der na telha. Mas e quando resolvermos tirar quem está fora, de dentro da gente?

A ideia parece absurda, mas tem gente querendo – e muito – ter um lugar para dormir no nosso sofázinho interno.  Então, como é que a gente tira alguém de dentro da gente sem que essa pessoa nos leve também?

Todo o sentido do ciclo da vida é deixar ir para que, em algum momento, algo de bom possa vir. E para algo bom vir, ele precisa de um sofázinho aconchegante e espaçoso para fazer sua morada, se não, ninguém vai conseguir deitar nele para dormir bem.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Seja nada para ser tudo

A vida é tão difícil com a gente, que quando a realidade te dá uns tapinhas nas costas e você se vira para ficar de cara com ela, pronto, lá está a vida sendo dura com você.

Eu particularmente nunca entendi essa coisa de estar preparada para tudo que vem pela frente. Uma hora você é tudo, outra você é nada.

E das vezes que fui tudo, simplesmente não estava pronta para ser, porque precisava ser nada. Precisava que a vida fosse dura comigo, que a realidade batesse na minha porta, eu precisava sentir que nada me pertencia, e o nada é aceitar que outras vidas continuam mesmo sem você.

Quando a gente é nada fica mais fácil perceber que sorrisos têm outros motivos além das suas piadas, os olhos brilham vendo outras pessoas além de você, a pele se arrepia sentindo frio na barriga quando encontram outras pessoas, e essas pessoas não são você.

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Fica claro entender que romances antigos recheados de juras de amor eterno, não são mais amor, eles simplesmente não doem mais, e quer saber ? As pessoas podem seguir suas vidas sem você.  Aceite.

Fica fácil dizer que a sua dor de amor é maior que as dos outros porque você passou dois anos na merda, mas a verdade é simples: cada um supera sua dor da sua própria maneira. Tem gente que passa anos aprendendo com o antigo relacionamento até se entregar à outra pessoa, e tem gente que simplesmente não se importa mais com o que passou, elas entendem que o que era para ser, não foi e ponto.

Quando a gente vê que o mundo ainda continua, mesmo o nosso estando parado, a gente acaba acordando para vida tentando recuperar o que já foi perdido, e o nada volta a te preencher, porque tudo que você tem agora é o: tarde demais.

Então se for para ser, seja nada. Tem gente que nunca vai ser tudo porque nunca soube ser nada.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Qual é o problema?

A gente não está pronto para amar, para ter essa entrega incrível, a gente não está pronto para ouvir um eu te amo acoplado com um olhar apaixonado.

E quer saber qual é o problema disso? Nenhum.

A gente passa finais de semanas enfiados em baladas, festas e música boa. Uma vez ou outra a gente encontra alguém interessante, mas não o bastante para essa coisa toda, sabe?

Não tem problema nenhum em não estar pronto. Tem muita gente que acha que está, mas não está. A gente só evita mentir para nossos corações.

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Não estamos prontos e é isso, é essa a nossa condição. Beijos descompromissados, carinhos delicados no meio das nossas aventuras amorosas, mas é só. É o que podemos oferecer.

Somos taxados de frios e de sem sentimentos, mas só não estamos prontos. Nosso momento não é agora, e pode não ter sido com você. Mas a nossa consciência sabe que está limpa por não criar uma entrega falsa a alguém que não merece.

Beijamos bocas desconhecidas, sorrimos para pessoas que nunca mais vamos ver na vida, dançamos ao som de músicas viajantes com gente que só quer viver o momento, e nós também queremos. Sem essa de para sempre ou de “me liga amanhã”.

Não estamos prontos para café da manhã na cama, nem mensagens fofas de bom dia. (mesmo que no fundo isso faça um bem danado).  Não queremos ter que esperar resposta no whatsapp, nem visualizar e não responder para começar uma guerra de quem está mais “nem aí”.

Queremos o espaço de um instante para nos descobrirmos sozinhos. E tem gente que ainda não sabe como isso é bom para o coração.

Queremos nos acabar em festas, dançar até o chão com gente que a gente ama em volta. Queremos histórias para contar e novas cantadas para praticar.

Somos do mundo e o mundo é nosso também. Mas quando estivermos prontos, a gente sabe que o mundo pode ser bem melhor quando compartilhado.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

O destino nada mais é do que a conspiração do universo ao que a gente entrega pra ele

Existem incontáveis formas de começar esse texto. Eu poderia começar detalhando a primeira vez que te vi, ou descrevendo nossa primeira troca de energia, eu poderia começar com um diálogo, com os detalhes de um beijo nada sutil. Eu poderia passar horas elaborando frases que se encaixariam no contexto de abertura desse texto, mas eu escolhi começar por essa.

O destino nada mais é do que a conspiração do universo ao que a gente entrega pra ele.

Por milhares de vezes eu entreguei dor, raiva e tristeza ao universo, e a lei é clara, o universo devolve tudo que você entrega a ele. Eu entreguei solidão, e ele me devolveu, eu entreguei aflição, e ele me devolveu, eu entreguei rancor, e ele, mais uma vez, me devolveu.

Eu me prendi ao meu mundo particular onde as minhas idealizações eram ilusórias. Meu universo conspirava sobre algo que não me pertencia mais e eu por si só não enxergava. Passei em frente a inúmeros sinais de que aquela vida que vivia não era a minha. Não enxerguei nenhum deles, preferia fazer com que as minhas fantasias fossem criadas para me manter viva.

Que tolice a minha, mal sabia eu que viver era me conectar com a tua energia.

O mundo me devolveu tanta coisa que juntei experiências, conhecimento e humildade para fazer desse punhado uma nova vida, dessa vez, concreta e real.

Expandi meus horizontes, conquistei objetivos, visitei lugares, me redescobri no meio daquela bagunça toda, e então meu coração jogava amor e felicidade ao universo, e agora ele me devolvia com conspirações a favor dos meus planos. Eu oferecia coragem, ele me devolvia, eu oferecia pureza, e ele me devolvia, eu oferecia respeito, e ele me devolvia, eu oferecia gratidão e ele me dava mais motivos para agradecer.

Essa é a minha história com o universo.  E ele também te trouxe para mim. Porque eu ofereci amor, e ele me entregou você.

Acredito que o universo também atendeu aos seus chamados e me colocou no meio do seu caminho, e talvez eu esteja aqui agora só de passagem, talvez eu esteja aqui para te mostrar o quão lindo são seus olhos, ou o quanto autocrítica você tem que deixar de ser, posso estar aqui para te ensinar a se amar mais, a amar seu corpo, seu trabalho, amar a cima de tudo, a pessoa que você se tornou.

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Não sei quanto tempo tenho para mostrar as coisas maravilhosas do mundo, mas espero que dê tempo suficiente para você compartilhar seus momentos infinitos comigo.

Quero dançar com você na chuva, quero pegar uma estrada ouvindo a música mais gostosa do mundo com você, quero deitar no seu colo em dias difíceis, quero te ligar para contar que as coisas estão dando certo, quero ser sua imensidão para as coisas que você desconhece.

Quero que você se descubra olhando no espelho, quero que você se sinta a vontade com a roupa que escolheu para sair, quero que você use lápis para realçar seus olhos, mas se você não quiser, tudo bem também. Quero que saia com seus amigos, quero que saia com sua família, quero que você viva. Quero que viaje, conheça pessoas novas, quero que sua inspiração seja plena e contínua. Ninguém merece ideias adormecidas e sonhos apagados.

E eu estarei aqui te dando asas quando precisar voar, e estendendo a mão quando a queda for precisa. Eu estarei aqui para lembrar todos os dias  que você precisa se vestir de confiança, estarei no começo e no final do teu dia para não deixa-lo cair numa rotina.

Eu vou cozinhar, vou te ensinar palavras do meu próprio vocabulário, vou te pedir para ficar mesmo quando você precisar ir. Mas o mais importante, é saber que você é livre para se encaixar em qualquer outro abraço, e mesmo assim, escolheu se encaixar no meu.

Um eu sem você #31 – 4 de novembro

1 mês. 31 dias. São 744 horas sem você aqui. São 44640 minutos sem saber quando ou se você vai voltar.

O dia está cinza e a previsão do tempo indica que o nublado se manterá até domingo. Dentro de mim, meu coração ainda está de luto e não aprendeu a pulsar feliz sem a emoção de ter rastros de felicidade por você estar junto de mim.

Esqueci os óculos na cabeceira da cama e não voltei pra pegar. Como de costume nesse tempo sem você, perdi a hora e se ficasse mais um segundo em casa talvez me recusasse a sair. Talvez seja mais fácil enxergando tudo meio embaçado hoje, talvez me dê uma falsa ilusão de que não é a sua falta que borrou todo o cenário da minha vida.

O contrário da data de hoje é que, ainda nessa semana, também faria 3 meses desde que meu coração encontrou um lugar melhor para pulsar do que dentro de mim. Seu corpo se transformou em moradia para os meus sonhos e o meu amor. Ainda o tenho como destino final, continuo seguindo o mapa da vida e acredito que o x marcado nele me levará até você, mais cedo ou mais tarde.

Na hora do almoço vou ao mercado em busca de doces para liberar um pouco de endorfina no meu dia e deixá-lo menos triste. No caixa, quem coloca meus bombons na sacola é uma moça com Síndrome de Down.

Lembro na hora de você e no tamanho do amor incondicional e lindo que você carrega no seu corpo inteiro e demonstra na dedicação no trabalho que você ainda está começando a trilhar. Sinto uma vontade absurda de compartilhar com você, mas me contenho.

Não o bastante, à tarde também vejo uma matéria de um rapaz com autismo que não podia falar e aos 20 anos descobre que pode cantar. Imagino o quanto você iria gostar de ver o vídeo, até mesmo pelo seu TCC. E me contenho mais uma vez.

Um pouco depois de me conter, vejo você entrando no Skype e você fica ali, online, por algum tempo. Fazia tempo que eu não a via tanto tempo online. Meu pensamento viaja entre coisas boas e ruins: você está ali pelo mesmo motivo que eu penso ou é simplesmente uma coincidência com o dia de hoje? Será que está em uma videoconferência com outro alguém? Começo a interpretar sua presença online de modo que eu jamais saberei qual é a certa. Minha única certeza é das saudades das noites com você na webcam.

Ouço ininterruptamente Adam Levine e a trilha sonora de Begin Again. É minha forma de te ter comigo em um dia tão triste e que só me lembra que ele, na verdade, é o marco de um tempo fechado sem você.

No final da noite, saio conversar e beber com um amigo e, ao chegar em casa, a chuva lava a minha alma e, em cada gota que toca o meu corpo, sinto como se fosse um beijo teu. E te mando, por sintonia telepática, outros milhares de beijos de boa noite.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #30 – 03 de Novembro

O despertador toca e me tira da cama, me lembrando que mais uma semana está começando. Por pura ilusão ou falsa esperança, eu ainda abro o Whatsapp pra ver se tem algo seu. Como sou tola, você sequer responde quando a procuro, o que dirá me mandar uma mensagem por livre e espontânea vontade, né?

No segundo seguinte, me levanto e quase caio com a intensidade da cólica. Por incrível que pareça, desde que você se foi eu perdi todo o equilíbrio não só da vida, mas do meu corpo. As dores são mais fortes e estou adoecendo constantemente.

No Terminal de ônibus, me atento aos adolescentes em seus rituais de paquera. O pensamento que assola minha cabeça é um só: quando somos mais novos, as decepções parecem ser menores, ou a capacidade de regeneração do coração é mais veloz. Com o amadurecimento e o acúmulo de desilusões, as feridas tornam-se incicatrizáveis. Ficamos imunes às drogas que nos permitiam acreditar mais uma vez e nada mais faz efeito.

Sem contar quando conseguimos, por sorte ou azar, fazer o coração cicatrizar com a condição de sempre carregarmos uma marca gigante e impossível de esquecer. Se jogar no labirinto de outro ser, sem sequer pensar se vai doer, é utópico.

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De repente, o que podia ser curado torna-se irremediável. Nós só temos que aprender a viver com as ausências e as dores, especialmente nos dias gelados que as acentuam. Principalmente eu, amante do frio. O único calor que me agrada é o do teu corpo.

Abro meu e-mail no trabalho e o primeiro que leio é que você não retirou a almofada que eu havia comprado pra você. Controlo meu impulso de procurá-la e só o faço quando estou mais sã.

Você, com poucas palavras, apenas confirma que não a retirou e julga não ser saudável ter nada meu no momento. Pela primeira vez, tento não demonstrar muitas emoções mas também não sei ser totalmente fria. Te desejo uma boa tarde e você nem consegue me responder o mesmo. Espero que, dentro de você, ainda exista algo de bom disso tudo e que em um dia breve tenhamos todos os pingos nos is.

Meu amor é teu e a espera, ainda que inconsciente, é inevitável. Meus pés amaram acompanhar os teus e, agora, tentam constantemente encontrar rastros de onde tens andado.

Um amigo me pergunta como anda meu coração. Sei que, no fundo, é uma investigação em nome de alguém. Ainda não estou pronta pra declarar ao mundo que encontrei o amor mais lindo do mundo e que não posso vivê-lo.

A verdade é que eu queria poder falar que estou indisponível, que meu coração não bate mais no meu peito pois o entreguei pra sempre nas mãos de alguém sensacional: você. Mas respondo apenas superficialmente que estou solteira. Sem mais palavras. Sem mais detalhes.

O tempo passa e aprendemos que é muito mais fácil fingir não sentir nada, camuflar o amor e só deixá-lo transparecer quando nos deitamos na cama à noite do que tentar explicar ao mundo nossos sentimentos.

Espero que você, ao menos você, saiba sempre da verdade que tento ocultar do resto do mundo. Espero, também, que dentro das suas verdades ocultas ainda tenha um pedacinho de amor e carinho por mim.  A nossa reciprocidade era uma das partes mais espetaculares da nossa história.

Que ela dure pra sempre, mesmo que em silêncio.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #27 – 31 de Outubro

Acordo e a primeira coisa que faço é rever a foto que me lembrou o quanto você foi, e continuará sendo até minha última respiração, o sonho bom da minha realidade. Com você, tudo era sempre bom, leve, gostoso e sem censuras.

Nossas brincadeiras, cumplicidade, amizade, companheirismo, confiança e amor estavam acima das coisas da Terra, e você sabe o que eu quero dizer com isso.

No nosso primeiro encontro, o assunto casamento já havia aparecido de forma desprentesiosa entre nós. Você falando sobre tons pastéis e eu simplesmente aceitando pra te fazer feliz. Afinal, essa era minha ambição: acordar todo dia só pra te fazer sorrir.

Antes de levantar da cama, de forma totalmente estúpida, beijo a tela do celular como se de alguma forma você fosse receber e sentir esse meu beijo. Será que você sentiu? Espero que sim.

Hoje acordei com uma sensação estranha. Uma mistura de coração menos pesado mas uma tristeza bem forte. Desde ontem me peguei ouvindo constante e repetidamente Arctic Monkeys. Sim, Do I Wanna Know.

Nunca havia reparado na letra. Você já? Se não, eu te conto aqui o quanto ela é nossa música muito mais do que nas danças que você fazia pra mim com seu corpete preto. No comecinho, ele canta que achou um tom que, de alguma forma, o faz pensar em alguém e mantém tocando-o repetidamente até cair no sono. Exatamente como Do I Wanna Know está sendo pra mim.

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Quanto a nós: será que eu quero saber se esse sentimento é recíproco? Triste em ver você ir, estava meio que esperando que você ficasse. Linda, nós duas sabemos que as noites foram feitas principalmente para dizer as coisas que você não pode dizer amanhã de manhã. (Vai ver é por isso que sempre que eu te procuro, é tarde da noite. Meu peito fica cansado de carregar o amor por você durante todo o dia e, à noite, ele fraqueja e te procura).

Te digo mais: estou me arrastando de volta pra você. Você já pensou em me ligar quando teve alguns… Porque eu sempre penso. Meu amor, estou ocupada demais sendo sua pra me apaixonar por alguém novo. E agora eu pensei melhor e estou me arrastando de volta pra você.

E tudo o que eu queria era te perguntar: Você criou coragem?! Tenho me perguntando se seu coração ainda está aberto, se ele estiver, que horas ele fecha? Acalme-se e feche seus lábios. Me desculpe interromper, é que eu estou constantemente tentando beijar você.

Minha maior dúvida: Não sei se você sente o mesmo que eu, mas nós poderíamos ficar juntas, se você quisesse.

Viu? É nossa música, desde a primeira dança, passando pelas longas noites de amor com essa trilha sonora, até hoje, que não tem mais você aqui. Espero que você nunca mais use essa música com ninguém. Por favor, não faz isso, tá? Ela é nossa. Mesmo que as melodias estejam desconexas sem o acompanhamento da sua dança ou da sua respiração… Ela continua sendo nossa.

Eu postei uma imagem dessa música no Instagram. Você viu? Espero que sim. Você sabe que foi pra você, né? Duvido que haja dúvidas na sua cabeça quanto a isso. É sempre sobre você, as músicas, as legendas, as palavras e o que quer que eu escreva.

Fico pensando no que você sente quando vê alguma coisa minha. Será que é o mesmo que eu sinto por você? Se for, você realmente consegue ser racional, porque não tem um dia que eu passe sem pensar em você.

Me pergunto também se eu ainda sou o seu pensamento quando lê e curte algo no Instagram que fale sobre amor. Espero que sim, porque você é o meu, e continuará sendo por um longo tempo. Na verdade, acredito que será pra sempre a minha referência quando a pauta for amar.

Ainda está por vir o dia em que eu consiga acordar sem imaginar como você está, se continua segurando colheres com o pé enquanto usa o notebook ou se continua colocando hormônios no shampoo pro cabelo crescer.

Ainda está pra nascer o Sol que me fará não pensar se você continua arriscando na cozinha, se aquele tênis novo ainda machuca os seus pés (agora quem é que vai te emprestar a meia quando a dor for insuportável?) ou se você tirou os meus recados e fotos do seu mural.

Acho que nunca chegará o dia em que eu não fique curiosa pra saber como estão as coisas no seu estágio, se conseguiu a nota máxima no TCC, se seus avó, sua família e sua irmã estão bens… E se sua vida está do jeito que você queria.

Eu gostava de ser parte de tudo teu. Nada me dava mais prazer do que te ouvir dividindo momentos dos seus dias e sentindo o seu prazer em fazer isso. De tudo que pode vir a acontecer, a ausência da saudade que eu sinto é a única certeza que carrego no peito de que nunca acontecerá.

Você é a certeza do amor que nasceu e veio pra ficar.

E ficou, mesmo você tendo que partir.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.