Nós somos infinitos

Poucas vezes na vida a gente se sente infinito. Lembro que a primeira vez que ouvi a palavra “infinito” foi em uma música e que me fez pensar o quão pequenos somos diante do todo, mas quando interpretei o “sentir-se infinito” no livro “As Vantagens de Ser Invisível” compreendi corretamente o termo. Era eu e o resto de tudo, só.

Parece impossível chegar nesse estado tão sobrenatural, mas não é. No livro, o momento em que o protagonista Charlie se sente infinito é quando ele escuta uma música na picape do seu melhor amigo e fica na parte traseira do veículo para se posicionar em pé e sentir o vento, a música e a sensação de estar com as pessoas que ele mais amava. Ali, naquele momento, Charlie considerou sentir-se infinito.

E eu, particularmente, sei muito bem que essa teoria dá certo mesmo. O vento batendo contra seu corpo, contra seu cabelo, contra seus olhos, deixando a boca seca e o som alto da música entrando pelos seus ouvidos, tudo isso acompanhado pela sensação mais extraordinária do mundo: a de estar presente com pessoas que gostam de verdade de você. É um momento simples, mas que na imensidão do planeta te faz infinito.

Lembro de estar em poucos lugares, entre poucas pessoas, e ter a mesma sensação que o Charlie teve. Encontrei essa sensação em dois momentos diferentes da minha vida, mas que tinham algo em comum – eu estava entre amigos. Não precisei comentar com nenhum deles o que estava sentindo, simplesmente fechei os olhos e deixei o vento percorrer o meu corpo, eu sabia que naquele momento ninguém poderia destruir o meu infinito.

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Quando começamos entender o sentido das coisas em nossas vidas é que começamos a enxergar o sentido de tudo ter acontecido da forma que aconteceu. O meu sentir-se infinito é a sensação que encontrei para dizer aos meus amigos o quanto eles me preenchem e o quanto eu quero que todas as vibrações que meu ser recebe deles não tenha fim.

Eu sei que muita gente não vai acreditar no estado de plenitude e de poder que o infinito pode te dar, ou vai achar que ser sentir-se o dono do mundo por alguns segundos é algo totalmente fora da realidade, e acabo me perguntando o quanto essas pessoas acreditam na vida e por qual motivo estão vivendo – se é que estão vivendo.

Eu busco pelo desconhecido em cada esquina para provar que eu estou viva e vivendo cada momento como se fosse o último. Vejo que se eu caminhar para o desconhecido vou ter pelo menos três amigos me acompanhando porque, porra, eles estão vivendo. Então eu não me importo se um dia tudo isso só vai virar história: hoje nós somos infinitos.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.
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A Summer, de 500 Days Of Summer, estava certa

Se você já assistiu a esse filme e ficou morrendo de raiva da Summer por trazer tanto sofrimento ao Tom, está na hora de rever seus conceitos e começar a agradecer muito por tudo que ela fez.

500 dias com ela, filme intitulado nacionalmente, é um longa que exibe o amor como ele é, sem facetas, sem finais felizes e estampa na nossa cara que nem tudo que chamamos de felicidade é o que planejamos.

Sou totalmente a favor de tudo que a Summer foi para o Tom, e, ao contrário de muita gente que acha ela fria e sem coração, eu escrevo aqui meus argumentos de defesa. Espero convencer vocês de que ela, com toda sua experiência, estava certa.

É de se admirar qualquer pessoa que, quando começa a se envolver, escancara todas suas verdades. Falar que não acredita no amor, ou que o amor não é tudo, foi uma das atitudes mais impressionantes que ela teve durante o filme, tirando totalmente as esperanças de que algo poderia dar certo entre o Tom e a Summer. Ela começou falando a verdade e isso é nobre.

Pode parecer que não, mas a ilusão de algo que você quer muito te faz pensar em planos para o futuro sem nem perceber se o presente está certo. Tom foi intenso e aprendeu a ser equilibrado com suas emoções, tudo porque Summer deu a ele bons momentos, que para ela era natural, e para ele excepcional. Tom percebeu que ter o equilíbrio sentimental era necessário para continuar a vida, até mesmo sem ela.

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Tom soube ganhar, mas foi Summer quem ensinou ele a perder, o que fez dele alguém que enxergue a vida com novos recomeços.

Summer estava certa porque amou Tom no seu tempo e entregou a ele tudo que estava ao seu alcance. Mas os amores passam e as verdades não param no tempo, elas viram memórias. Summer foi fundamental para a compreensão do amor na cabeça de Tom. Ele precisou passar pela dor e pela felicidade plena e, então, quando seu coração estivesse tranquilo, ele iria abrir um novo ciclo.

Dessa vez, mais preparado.

*Meus agradecimentos a Summer, por me dar assas, e, depois, me deixar voar para qualquer céu.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.