Se atente aos sinais, isso faz toda a diferença

Tentei ao máximo procurar algum tema relevante para esse texto, fui em busca de algo que me desse alguma inspiração, uma luz, ou simplesmente um sinal do que eu deveria escrever depois de uma semana totalmente complicada.

Fechei os olhos na expectativa de que algum sonho viesse e me atingisse mas não tive sucesso. Foi então que um diálogo preencheu meus pensamentos. Um diálogo que eu evitava reviver a meses mas que já estava na hora de encará-lo. Lembro de olhar para o nada e deixar com que a voz que proferiu essas palavras entrasse nos meus ouvidos e chegasse ao meu consciente. Era a primeira vez que me permitia uma tortura dessa chegar até minha mente. A expectativa era de dor e sofrimento, mas foi algo suave e leve.

Depois de passar alguns minutos repetindo cada palavra, achando a entonação original da fala e recordando minha reação após toda aquela conversa, me revi naquela cena e percebi o quanto aquilo me doeu e o quanto, hoje, sou grata pelas mesmas palavras.

Eu havia passado um grande período realizando as atitudes mais puras que meu coração podia concretizar. Talvez alguns tropeços me impediram de ir ainda mais longe, mas quer mesmo saber? Eu estava dando o meu melhor e tudo que havia feito até então tinha saído do lugar mais sincero que conheço: o meu coração.

Agora continuo fazendo isso, mas direcionando as energias para alguém que se entregou a ponto de aceitar toda a tempestade que corria em minha volta. E olha que essa tempestade quase derrubou a gente.

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Estou agradecendo por aquele diálogo e devo a ele toda a vida que comecei a construir de uns messes para cá.

A gente passa tanto tempo se afogando nas nossas mágoas e imaginando como as coisas poderiam ser diferentes, ficamos tão cegos diante da realidade que não paramos (nem por um segundo) para pensar se aquela experiência e, no meu caso aquele diálogo, serviu de aprendizado.

Tanta coisa que passa na nossa frente e que só aprendemos a observar quando já é tarde demais, e a teoria do tudo tem seu tempo se desfaz completamente. Os sinais estão aí, em todo lugar, nas atitudes, nas palavras, basta você se atentar a eles.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.
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Um Eu Sem Você #5 – 8 de Outubro

Hoje eu acordei mais leve. Não leve o suficiente para achar que tudo está bem novamente, mas suficientemente leve para levantar da cama. Sem dúvidas, minha pequenina flor de Liz consegue trazer calma e paz pro meu coração tão bagunçado.

Antes de ir ao trabalho, passo na farmácia para comprar um remédio que alivie as emoções e palavras não ditas que ficam constantemente presas na garganta. Olho pra uma prateleira e vejo um pacote de Oreo, e meu único pensamento é da última vez que te visitei e você havia comprado várias bolachas e as devorou. Enquanto espero na fila do caixa, quase me esqueço do mundo ao meu redor pensando em você.

Durante a travessia de ruas, me perco em pensamentos escuros e começo a te imaginar com outros. Outros sentindo seu cheiro, seu gosto, seu beijo, seu toque, seu carinho… Outros sentindo tudo que um dia você me fez sentir. Tudo que, por pura inocência, pensei ter e poder passar o resto da vida tendo.

No segundo seguinte, me pego pensando nos pequenos planos que já estávamos montando: a festa de um amigo na minha cidade, o show da Banda do Mar na sua cidade, a HoliFest em São Paulo… E, como se meus pensamentos não fossem suficientemente esmagadores, constantemente recebo notificações no Facebook sobre todos eles.

Tantas coisas viraram passado antes mesmo de acontecerem que chego a conclusão de que deveria ser proibido relacionamentos terminarem até todos os planos se concretizarem. A ideia de nunca poder ter um terço do que sonhei é o que mais dói.

Há uns dias, assinei para receber notificações de uma página do Facebook (a Razões para Acreditar, sabe?). E em uma dessas notificações, recebi uma matéria sobre uma menina com autismo que tem como animal terapêutico um gato. Ao ler a reportagem toda, uma parte de mim se despedaça por não poder dividir isso com você.

No almoço, vou ao Shopping. Mesmo sem nunca ter pisado lá com você, eu te enxergo em todos os lugares. Compro um presente pra minha sobrinha com uma colega de trabalho e tudo o que eu sinto é a vontade de que fosse você ali, comigo. Ou, ao menos, nas mensagens. Passo de loja em loja e tudo o que eu consigo ver são calças. O seu vício entrou nas minhas retinas e onde quer que eu olhe, te vejo.

Durante minha rotina de trabalho, acabo sempre entrando no seu perfil do Facebook. A saudade já está gigante e eu preciso te ver. Olho suas fotos e sinto vontade de sorrir. Acho incrível a capacidade de, mesmo com todo o caos no nosso mundo, você conseguir mexer com os cantos dos meus lábios assim, sem pretensão alguma e nenhum esforço. Meus olhos ficaram viciados em você e toda vez que os fecho, é você bem perto de mim que eu enxergo.

Fico pateticamente seguindo seus passos em todas as redes sociais e aplicativos que posso. É como se eu precisasse saber de você, seja da forma que for. Vez ou outra, acabo sempre presenciando algo que mexe com minhas estruturas e aumenta o medo de te perder. Mas o que eu posso fazer? Eu prefiro imaginar, “paranoiar” ou saber do que simplesmente agir como se eu nunca tivesse te encontrado.

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Sua vida ainda é a pauta principal da minha. Como jornalista, eu vou em busca das informações necessárias para poder continuar escrevendo essa história.

Hoje à noite, por exemplo, tem eclipse e me pergunto se você sabe disso. Na pista para Limeira, olho a Lua com sua beleza natural e avermelhada e tudo o que eu queria era poder tentar fotografá-la e mandar pra você. E mais: queria te pedir que olhasse-a comigo, onde você estivesse.

Na casa da minha vó, acabo assistindo à novela e, mais uma vez, penso em você, dquele sábado no sofá da sua casa, vendo TV ao teu lado. Algo que era tão simples no momento, mas que hoje eu daria o mundo para poder reviver. Nós humanos somos assim, né? Deixamos os pequenos – e grandes – momentos passarem despercebidos e só nos damos conta da sua imensidão depois que eles se perdem conforme as folhas do calendário são viradas ou jogadas no lixo.

Bato meu recorde e passo mais de 24 sem te procurar. Não que nesse tempo todo eu não esteja morrendo por dentro e agindo como louca olhando para o celular de minuto em minuto para ver seus likes em fotos do Instagram ou se está online no WhatsApp.

Falar isso em voz alta me faz parecer ainda mais estúpida. Mas o que eu posso fazer? O amor não é racional e talvez ele realmente seja a droga mais pesada e todos esses anos que passei consciente da minha resistência às drogas ilícitas ou lícitas tenha caído por terra quando me viciei em você, no seu cheiro e no gosto do teu beijo.

Hoje, me arrependi de ter entrado no ônibus para voltar para casa da última vez. Me arrependi dos segundos que perdi sem te curtir sendo minha. Me arrependi dos beijos que não dei, das vezes que não me permiti ser louca e pegar o primeiro ônibus só para te abraçar. Hoje, mais do que nunca, me arrependi de todos os segundos que perdi brigando e deixando os hormônios da TPM nos afastarem.

Se eu soubesse que três semanas atrás seriam meus últimos beijos, abraços e carinhos, eu jamais teria te soltado. Eu jamais teria saído do seu lado. Eu teria dormido menos só pra poder te olhar mais. Eu teria te amado mais.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um Eu Sem Você #4 – 7 de Outubro

“O tempo torna tudo mais lento e pesado”. Essa é a frase que ficou na minha cabeça após lê-la no livro que comprei pouco antes da última vez que te vi. Assim como no livro, o segundo dia torna tudo ainda mais pesado para um coração que já está cansado de lutar.

Mais um dia e tudo o que eu queria era ficar aqui, nessa cama. Eu sei que o Chico discordaria e diria que é inútil dormir que a dor não passa, mas ela parece bem mais fraca enquanto vivo no mundo dos sonhos.

Enrolo durante todos os minutos que posso e não posso para evitar mais um dia de realidade. Cumpro as mesmas tarefas matutinas antes de partir para mais uma jornada de trabalho: o trabalho que me garante o rendimento financeiro todos os meses e o trabalho de não deixar isso – a sua falta – me afetar ainda mais.

Sentada no banco do ônibus, minha cabeça voa instintivamente para a noite em que conheci seu beijo. Você estava com uma camiseta de oncinha. Era a mais linda de todo o bar. Como eu poderia esquecer isso?

Quando meus lábios tocaram os seus, eu tive certeza de que estava completamente perdida. Eu só esperava que dessa vez, com você, fosse diferente. Sabe? O seu toque, o seu carinho… Apenas a sua presença, pra mim, já era mais que suficiente. O ônibus passa em um buraco, volto um pouco à realidade e penso no quão difícil vai ser guardar toda essa saudade no meu baú imaginário repleto de afetos mal acabados.

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As horas se arrastam. Parece que nunca demoraram tanto para passar. Já não consigo mais produzir com tanta eficiência e atenção. Eu perdi a graça das piadas, as cores dos dias, o brilho nos olhos e, talvez, a esperança. Agora eu sinto tudo como se não tivesse mais volta. Olhar pra trás me soa como burrice.

Hoje eu li um texto e cheguei à conclusão de que acho que você é meu cigarro. E eu nem mesmo fumo.

No caminho de volta pra casa, me perco ainda mais em pensamentos, sonhos e planos que não se realizarão e quase perco o ponto para descer do ônibus. Em casa eu sei que terei um bom motivo para esquecer um pouco dessa pedra em cima do meu peito.

Minha sobrinha enche minha noite de alegria, de uma felicidade tão simples que eu não tenho como me permitir ficar triste. Mas eu peco e, vez ou outra, entre deixá-la de ponta cabeça ou brincar com o Poney, penso no meu desejo de querer dividir isso com você.

A minha florzinha, somada à sua companhia, era minha paz e felicidade plena. Ela adormece em meus braços e novamente meu pensamento era no quanto eu queria ter isso com você. Coloco-a na cama e me preparo para deitar também.

Durante o dia, guardei momentos que gostaria de dividir com você e que jamais irei. O estagiário-redator da agência me conta que vai pra outra agência, e eu penso em dividir com você. Meu chefe elogia meu trabalho, e eu queria que você soubesse. Fui jantar no meu pai, e eu acredito que você iria gostar de saber e participar disso, afinal, você é uma das poucas e únicas pessoas que sabem da minha história com ele. Minha sobrinha age da maneira mais linda, e eu queria gravar e mandar pra você.

Nos 45 minutos do segundo tempo eu perco mais uma vez essa luta e te procuro. Mas, dessa vez, é diferente. Você está mais distante do que jamais vi. Você mal responde, mal se importa. Parece que já esqueceu. Parece que todas as declarações, planos e sentimentos sequer existiram.

E eu sinto tudo que já senti por todas as outras milhares de vezes em que acreditei e dias, meses depois a vida me provou que eu não deveria ter acreditado.

Ao invés de aliviar o peito, ele incha mais. As lágrimas saem freneticamente, mas parece que quanto mais elas saem, mais a dor aumenta.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Tempo certo

Era sexta-feira e o meu coração estava com uma vontade exagerada de mandar sinais para o cérebro deixar meu corpo ficar o dia todo na cama. Ao olhar pela janela, não havia sequer uma fresta colorida de azul no céu que estava nublado. Aos poucos pude perceber que a cidade era uma espécie de capital cinza e colorida, ao mesmo tempo.

Coloco um pé no chão e, similar a colocar o dedo na tomada e sentir a corrente elétrica correndo da cabeça aos pés, senti uma onda de ansiedade percorrer todo o meu corpo. Era como se minha alma já soubesse que, naquele dia, minha vida inteira mudaria.

Sem pressa, me arrumo e realizo todas as minhas tarefas diárias. O tempo passa, mas a angústia não. E pior do que viver um dia de angústia, é não saber o motivo dessa agonia que parece ter duas mãos extremamente fortes posicionadas bem em cima do peito.

Enquanto espero o ônibus, faço uma lista mental de todas as razões que poderiam me levar a sentir esse medo e felicidade, tudo junto e misturado.

– Aniversário de alguém especial? Não. Entrega de um trabalho importante? Não. Algum event…

Até que o ônibus chega e, num susto de volta à realidade, interrompe minhas indagações. O transporte estava tão lotado que acabo esquecendo o quanto meu coração estava prestes a transbordar de algo que eu nem sequer conseguia descobrir o que.

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Mesmo entediada, conforme as horas passavam e meu dia era ocupado por obrigações, mais eu conseguia tirar do foco o que meu coração havia decidido gritar desde a hora em que acordei, mas eu, leiga na linguagem da saudade, não consegui decifrar.

No caminho de volta pra casa, enquanto navegava pelas redes sociais em busca de qualquer distração até chegar ao meu destino final – minha cama –, me dei conta que era dia dos namorados. Nessa hora, todos os casais e o excesso da dosagem adocicada em cada um – fosse pelas ruas ou pelas postagens – fez sentido. Mesmo que, pra mim, não passasse de mais uma sexta-feira como outra qualquer.

Isso até o momento em que, em casa, abri a caixa do correio e me deparei com uma correspondência sem remetente. Eu andava tão esquecida que até olhei no calendário para confirmar que não estava esquecendo nada. E realmente não estava.

Sentada no meu quarto, abro o envelope branco e, nele, encontro nada além do que um papel dobrado com tanto cuidado que parecia ter sido feito milimetricamente planejado para que suportasse as mãos suadas, geladas e rápidas dos correios.

Quando o abri, puder notar que não reconhecia a letra. Conforme realizava a leitura, as lágrimas começaram a escorrer tão naturalmente quanto as minhas mãos buscavam pelas tuas quando dividíamos a cama – e a vida.

Na carta, você tentava ser breve ao me atualizar com tudo que eu já sabia sobre você, mesmo que eu não tivesse ouvido nada de você durante todo esse tempo. Ao final, você me pedia desculpas por, na época em que terminamos, não ter tido coragem para estar comigo, me tirava a dúvida e me enchia com a certeza de que também esteve pensado em mim… E, mais do que isso, me dava o aviso que naquela noite iria chegar na cidade que eu escolhi como lar. Você finaliza a carta com seu novo número e dizia que se eu quisesse poderia te ligar para nos encontrarmos.

Eu esperei tanto tempo por isso que todo esse tempo de espera me faz hesitar se te procurava ou não. É que eu não conseguiria te ver indo embora mais uma vez, sabe? Eu demorei tanto tempo para conseguir me reerguer que, talvez, eu não estivesse pronta ainda para me permitir fragilizar o coração por alguém novamente. Principalmente se esse alguém fosse você.

Tomo uma, duas, três cervejas e todo o amor que eu sentia no dia em que decidiu seguir sem mim me toma as mãos e te ligo. Quando você atende, quase me lembro de que quase tinha esquecido a sua voz e tenho que me concentrar para não mostrar meu nervosismo e gaguejar.

Marcamos de nos encontrarmos em uma pizzaria que não era tão boa quanto àquela que comíamos quando eu te visitava, mas engoli tanto as palavras nos últimos meses que até mesmo o gosto de algumas comidas acabou mudando.

Em meio aos risos, sorrisos e a vontade constante de te pegar pelos braços e puxar para dentro do meu abraço, você acaba confessando que, assim como eu, tem acompanhado minha “vida” por algumas redes sociais e que cansou de lutar contra nós. Antes que você terminasse a frase, eu já não conseguia pensar me nada.

Quando vi, estava com as mãos no seu pescoço e preparada para encostar os meus lábios nos teus. Nesse segundo, com você bem à minha frente me mostrando mais uma vez todos os motivos pelos quais me apaixonei por você, eu não queria saber de nada. Não queria explicativas, justificativas, e nem mesmo declarações. Eu só queria você.

Naquele segundo, eu não pensava em nada. Nada além de que, realmente, as coisas – e até mesmo o amor – têm seu tempo certo. E, talvez, naquele dia fosse a nossa hora de começarmos a ser felizes.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #3 – 6 de Outubro

De volta à rotina que as segundas-feiras oferecem, abro os olhos, mal tenho tempo de pensar e a minha ficha cai com um atraso de 48 horas. Meu peito está apertado. Parece que fizeram um boneco com a minha imagem e começaram a alfinetá-lo exatamente no peito.

Como toda pessoa que se forma, cresce e tem um emprego, eu preciso me levantar, eu preciso escovar os dentes, eu preciso trocar de roupa. Eu preciso abrir a porta e sair pelo estacionamento do Condomínio e me dirigir até o ponto de ônibus. Eu preciso mostrar meu rosto para o mundo, mesmo querendo enterrá-lo no travesseiro e dormir pelo resto da minha vida. Mais do que precisar, eu sou obrigada a cumprir meus deveres e obrigações.

E eu cumpro. Com esse incômodo instalado bem do lado esquerdo do meu peito, eu executo minhas tarefas diárias assim como deveriam ser feitas, mas 90% de mim não está mais aqui. Eu luto contra mim mesma a cada segundo que passa, mas essa guerra já está vencida por mim mesma.

Na luta pra não te procurar, eu falho em menos de 12 horas. Mas é a sua fala – seja ela audível ou legível – que me acalma. Loucura, né? A única pessoa que pode te salvar é a mesma que te destrói.

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Passo a manhã conversando com você, sabendo de você… E apenas a ciência da sua vida já me é suficiente. Eu falho em te procurar, mas, em um segundo, por um instante, tudo pareceu ser bom como era há duas semanas atrás. Como se nada tivesse acontecido.

Dentre as conversas, planos de onde moraremos, de um futuro conjunto e próspero. Da família que eu pensava em construir com você.

Eu sei que não pode ser assim. A escolha foi feita: os caminhos devem ser distintos. Então eu te deixo em paz durante a tarde. Percebo que tirou o last seen do Whatsapp (será que foi por “minha” culpa?) e ainda pior que ver que esteve online há um minuto atrás é não saber quando esteve.

Com o passar das horas, a dor de garganta também decide juntar-se a mim e me enfraquecer ainda mais para continuar essa luta sem você. Minha garganta não aguenta mais guardar tantas emoções, meu corpo não sabe mais ser triste sem adoecer.

Junto com a noite vem o esquadrão mais forte e bem armado. Deitada na minha cama, a falta do que fazer só me lembra do quanto era bom chegar em casa e ter você. Volto a lutar contra eles e, mais uma vez, sou derrotada. Dessa vez eu não deixo a briga ir muito longe e brevemente te desejo mentalmente uma boa noite.

Eu, que costumava ter sono às 21h, agora não consigo me deitar antes das 23h.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Eu já não te vejo mais

Logo eu que costumava te ver no café da manhã, no almoço e no jantar. Eu que costumava ver você fora e dentro da minha vida, te via no espelho, nos planos, no passado e no futuro. Eu que reclamava que te via demais, agora, reclamo porque não te vejo.

Será que você passa aqui essa noite? Porque eu já separei os sentimentos e quero te ver em mim. Quero te ver antes de fechar os olhos. E se eu acordar, quero te ver também. Mas eu não vejo.

A vontade é tanta que chego a me questionar se você também quer me ver, ou se me vê nas pequenas coisa. Será que me vê no teu reflexo?

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Eu que te via em cada passo dado, em cada meta alcançada, em cada desafio vencido, hoje já não te vejo mais.

Vê se aparece no jantar, quem sabe sua estadia pode se estender e você talvez volte a me ver. E se não der tempo, aparece para dar um oi, dizer que não se perdeu quando não me encontrou mais, só pra saber que quem precisa se encontrar, sou eu.

Logo eu que te via nas músicas, nos livros e até mesmo nos filmes, agora não vejo mais. Por onde você anda que não me vê por aí?

Dá pra passar aqui hoje que eu não te vejo mais, quero te conhecer, menina, porque já não reconheço mais.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Aceita que dói menos

O título desse texto parece frio e agressivo, mas é assim que a gente se sente muitas vezes, não é? Esse lance de ficar se remoendo, se culpando, e, na maioria das vezes, se humilhando, não é para a gente. 

É inevitável o desespero que nos encontramos quando o que julgávamos ser amor, acaba. A dor nos consome e tudo que pensamos em fazer é cumprir nosso papel de culpados e nos ajoelharmos pedindo perdão (por algo que nem cometemos). E então começamos a criar uma série de sentimentos turbulentos no peito que nos impedem de enxergarmos nossa própria essência. Nesse momento, nesse exato momento, esquecemos o orgulho, a dignidade, e até nos esquecemos, colocamos as lágrimas para fora dos olhos e chegamos a implorar para que tudo fique no seu devido lugar. É esse tipo de atitude que você deve evitar. Sua dignidade jogada no lixo não paga nenhum sentimento de amor.tumblr_m492m7i6c31rwur42o1_500

Aceita que dói menos e te poupa mais. A aceitação do término é a paz no coração que você tanto procura, é a parte vazia que te faltava, é o “eu estou bem” e você estar mesmo. Aceita. E não guarda rancor não. Afinal, em algum momento, tudo aquilo deu certo.

Aceita para poder se permitir e se permita aceitar. Agradeça, porque a gente nunca sabe o que a vida nos prepara. É difícil agradecer por ter acabado? Então experimente agradecer por ter acontecido.

Aceita que teu papel na vida daquela pessoa foi exercido e que você não teve culpa nenhuma dos caminhos terem se separado. Evite expor toda sua fraqueza: se sentir humilhado é, definitivamente, a pior sensação do mundo. Entenda que alguma coisa você ensinou a ela, seja a ser mais organizada, seja a gostar de filmes e músicas que só você via graça, seja a como fazer das pequenas coisas, momentos inesquecíveis. Aceita também que você se abasteceu de conhecimento e de felicidade, porque essa mesma pessoa te mostrou o mundo de outro ângulo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Quando o nó aperta e sufoca

Sabe aqueles dias em que você acorda com um aperto no coração, sem explicação? O aperto simplesmente chega, assim como nasce um fio de cabelo branco: inesperadamente e sem convite prévio.

Alguns acreditam que esses apertos podem ser gases. E podem mesmo, sabia? Mas não é o meu caso. Assim como também não é derrame. Estou muito nova pra isso – se é que existe idade para esse tipo de coisa.

Costumo sempre ter o coração esmagado por intuições. Elas nunca falharam e essa mania certeira do meu “terceiro olho” sempre me tira um pouco do chão, porque vira e mexe é você quem me aparece dentro da cabeça me instigando que algo pode estar errado. Se estiver, você me procura? Espero que sim, mesmo sabendo que não.

Um nó sufoca. Dois nós vira a gente em um abraço apertado.

De qualquer forma, não é isso também. Acho que é saudade sabe? Tanto tempo se passou no meu calendário desde nossa última conversa, mas continuo sonhando contigo. Ao menos uma vez por mês tu me encontras pelas nuvens que se cruzam nessa viagem intergalática dos sonhos e é sempre tão semelhante. Não os sonhos, mas os significados dentro deles. Eu te conto sobre todos eles, se um dia quiseres. É só me falar.

Por mais contraditório que possa soar, parece que minha alma, quando está livre para ir onde quiser e fazer o que bem entender, ainda não aprendeu a viajar em direções opostas a você.

E como todo sonho bom, ao mesmo tempo em que é prazeroso te ter bem perto de mim por alguns minutos nesse mundo onde o céu é o limite (ou será que o tempo do mundo dos sonhos corre em anos? Deve correr, visto que acaba tão depressa), também é angustiante abrir os olhos e não te enxergar nessa minha realidade tão colorida, mas que não tem suas mãos para me mostrar que a palheta de cores é ainda maior do que as que tenho usado no quadro da vida.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na minha pele. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #2 – 5 de Outubro

Eleições. Esse deveria ser meu primeiro pensamento no dia, mas não foi. Assim como em todas as manhãs desde o segundo que me apaixonei por você, meu primeiro pensamento é teu.

No celular, mensagens as quais, pela primeira vez, eu não esperava nenhuma sua. Sempre contrária às minhas intuições, lá estava você querendo saber de mim. Respondi com todo carinho – e uma pontinha de felicidade por você não conseguir manter-se distante – e, com a mesma naturalidade em que te conheci naquele bar quando nossas almas se conectaram, o papo fluiu durante todo o dia e noite.

Engraçado, mas eu ainda não me permiti sentir esse término do que só ameaçou começar.

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Um eu com você #1 – 11 de Julho

“Conhecer você foi como encontrar o prêmio mais valioso de uma competição que eu nem sabia que estava participando. Numa tradução aproximada, vi que “serendipidade” é como chamamos as descobertas felizes que fazemos, aparentemente, por sorte ou acaso. No meu caso, você”.

Era uma semana antes do meu aniversário, e, como de costume, me bateu aquela sensação de poupar as energias para que o novo ano pudesse chegar ainda mais com disposição para que eu pudesse ganhar o mundo. Então, nesse dia – que além de tudo estava gelado, pedindo um edredom, um misto quente e o Netflix ligado –, eu não ia sair de casa.

Fazia algum tempo que não via um amigo e entre minhas oscilações cancerianas de humor e vontades, aceitei ir com ele e outros amigos em um bar de uma cidade próxima a que eu morava. Eu não tinha expectativas nenhuma quanto ao lugar ou ao passeio. Tudo o que eu queria era uma cerveja, uma porção de batatas fritas e uma conversa agradável com aqueles que me cercavam.

Foi quando, antes mesmo de entrar no bar, te vi entre os espaços dos toldos. De imediato, me senti como se estivesse na pista de um show internacional, rodeada de pessoas, mas só conseguisse enxergar um rosto à frente: o seu.

Isso eu nunca te contei, mas na disposição das mesas livres, persuadi meus amigos a escolherem um lugar onde eu pudesse estar ao mesmo tempo mais próxima de ti e, também, que me permitisse te observar. Antes mesmo do primeiro diálogo, eu já te estudava e tentava entender aqui dentro de mim o que é que havia em você para se destacar tanto assim na minha retina.

Passei todos os instantes em que estava no bar te olhando de tempos em tempos, como quem está perto de um ídolo e não consegue tirar os olhos dele. A cada ida sua ao banheiro, um desejo insano de ir até você me seguia e ainda me lembro de quando cruzei contigo na fila do banheiro e, sem explicativa alguma, me estremeci por inteira só de perguntar se iria usá-lo.

Quase no final da noite, um amigo meu arriscou falar contigo e voltou com a notícia de que nunca tinhas ficado com alguma menina, mas que talvez eu pudesse ir falar contigo. Depois disso, sua mesa lotou de companhias masculinas e a minha coragem de ir até você voltou à estaca zero.

Seus olhares direcionados pra mim, acompanhados pelo brilho do teu sorriso, me faziam movimentar os lábios e sorrir pra ti de uma forma tão natural que há tempos eu não sabia como era. Eu já havia desistido dessa história de envolvimentos emocionais há bastante tempo, então descobrir que uma alma conseguia tocar a minha sem nem uma palavra trocada era, ao mesmo tempo, assustador e excitante.

Normalmente, eu não me importaria tanto em descobrir um nome para manter contato com alguém que nem sequer havia “experimentado” o que eu tinha para oferecer, mas com você nada nunca fez muito sentido além do sentir. E foi nos 45 minutos do segundo tempo, na fila do caixa, enquanto você estava atrás mim, que eu tive um segundo de coragem insana, virei para você e perguntei o seu nome.

Mal pisei na calçada do bar e já busquei por você nas redes sociais para tentar te conhecer e entender o que é que tanto tinha em você. O que eu mal sabia, na verdade, era que você já estava abrindo a porta do meu coração e garantindo o seu lugar aqui dentro.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na sua pele. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

A Summer, de 500 Days Of Summer, estava certa

Se você já assistiu a esse filme e ficou morrendo de raiva da Summer por trazer tanto sofrimento ao Tom, está na hora de rever seus conceitos e começar a agradecer muito por tudo que ela fez.

500 dias com ela, filme intitulado nacionalmente, é um longa que exibe o amor como ele é, sem facetas, sem finais felizes e estampa na nossa cara que nem tudo que chamamos de felicidade é o que planejamos.

Sou totalmente a favor de tudo que a Summer foi para o Tom, e, ao contrário de muita gente que acha ela fria e sem coração, eu escrevo aqui meus argumentos de defesa. Espero convencer vocês de que ela, com toda sua experiência, estava certa.

É de se admirar qualquer pessoa que, quando começa a se envolver, escancara todas suas verdades. Falar que não acredita no amor, ou que o amor não é tudo, foi uma das atitudes mais impressionantes que ela teve durante o filme, tirando totalmente as esperanças de que algo poderia dar certo entre o Tom e a Summer. Ela começou falando a verdade e isso é nobre.

Pode parecer que não, mas a ilusão de algo que você quer muito te faz pensar em planos para o futuro sem nem perceber se o presente está certo. Tom foi intenso e aprendeu a ser equilibrado com suas emoções, tudo porque Summer deu a ele bons momentos, que para ela era natural, e para ele excepcional. Tom percebeu que ter o equilíbrio sentimental era necessário para continuar a vida, até mesmo sem ela.

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Tom soube ganhar, mas foi Summer quem ensinou ele a perder, o que fez dele alguém que enxergue a vida com novos recomeços.

Summer estava certa porque amou Tom no seu tempo e entregou a ele tudo que estava ao seu alcance. Mas os amores passam e as verdades não param no tempo, elas viram memórias. Summer foi fundamental para a compreensão do amor na cabeça de Tom. Ele precisou passar pela dor e pela felicidade plena e, então, quando seu coração estivesse tranquilo, ele iria abrir um novo ciclo.

Dessa vez, mais preparado.

*Meus agradecimentos a Summer, por me dar assas, e, depois, me deixar voar para qualquer céu.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.