Aceita que dói menos

O título desse texto parece frio e agressivo, mas é assim que a gente se sente muitas vezes, não é? Esse lance de ficar se remoendo, se culpando, e, na maioria das vezes, se humilhando, não é para a gente. 

É inevitável o desespero que nos encontramos quando o que julgávamos ser amor, acaba. A dor nos consome e tudo que pensamos em fazer é cumprir nosso papel de culpados e nos ajoelharmos pedindo perdão (por algo que nem cometemos). E então começamos a criar uma série de sentimentos turbulentos no peito que nos impedem de enxergarmos nossa própria essência. Nesse momento, nesse exato momento, esquecemos o orgulho, a dignidade, e até nos esquecemos, colocamos as lágrimas para fora dos olhos e chegamos a implorar para que tudo fique no seu devido lugar. É esse tipo de atitude que você deve evitar. Sua dignidade jogada no lixo não paga nenhum sentimento de amor.tumblr_m492m7i6c31rwur42o1_500

Aceita que dói menos e te poupa mais. A aceitação do término é a paz no coração que você tanto procura, é a parte vazia que te faltava, é o “eu estou bem” e você estar mesmo. Aceita. E não guarda rancor não. Afinal, em algum momento, tudo aquilo deu certo.

Aceita para poder se permitir e se permita aceitar. Agradeça, porque a gente nunca sabe o que a vida nos prepara. É difícil agradecer por ter acabado? Então experimente agradecer por ter acontecido.

Aceita que teu papel na vida daquela pessoa foi exercido e que você não teve culpa nenhuma dos caminhos terem se separado. Evite expor toda sua fraqueza: se sentir humilhado é, definitivamente, a pior sensação do mundo. Entenda que alguma coisa você ensinou a ela, seja a ser mais organizada, seja a gostar de filmes e músicas que só você via graça, seja a como fazer das pequenas coisas, momentos inesquecíveis. Aceita também que você se abasteceu de conhecimento e de felicidade, porque essa mesma pessoa te mostrou o mundo de outro ângulo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Do amor cristão ao Malafaia: o anticristo vive

Há alguns dias venho refletindo a respeito do famigerado comercial do Boticário e toda a repercussão negativa que isso tem causado. Honestamente, me espanta tanto fundamentalismo no Brasil, um país que tem, por tradição, ser acolhedor, aberto, receptivo, inclusivo. Vivemos em um mar de diversidade étnica, religiosa, moral e cultural, e, até onde sei, pessoas de bem se esforçam para conviver em harmonia.

Neste caso, aqui, não estou preocupado com a homofobia. Pessoas ignorantes sempre existiram em qualquer lugar, situação e sociedade. O que me preocupa, na verdade, é o crescente fundamentalismo evangélico. E eu não estou começando uma epopeia anticristã neste texto. Se você espera isso, pode passar para o próximo.

A minha percepção, na verdade, se encontra no anticristianismo. Exatamente: Malafaias, Felicianos, Bolsonaros, e todos os demais fundamentalistas agem na contramão dos princípios cristãos.

Em sua vinda à Terra, Cristo disse como seu maior mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus, 22:37-39.). Então como, em interpretação simples e direta deste trecho, uma campanha homérica de dislikes no vídeo da campanha, boicote à marca, e incitação ao ódio pode ser considerada uma prova de amor ao próximo?

O amor de Cristo

Malafaia e sua turma adoram dizer que não condenam os homossexuais, mas sim o pecado. Então vejamos, de acordo com a Bíblia, onde a homossexualidade é considerada um pecado. “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é” (Levítico 18:22). Este é o único trecho da Bíblia no qual tal condenação aparece. Levítico é um livro do antigo testamento, parte integrante do Torá (Livro Judaico), e que, qualquer cristão em sã consciência da palavra de Deus e do evangelho, não deveria mais levar em consideração, visto que Jesus deu por encerradas as antigas escrituras.

Uma leitura superficial de alguns versículos apresenta uma dificuldade, até dando a impressão de uma contradição nas Escrituras. Alguns religiosos aproveitam esta suposta contradição para negar claras afirmações sobre o anulamento da Lei dada aos israelitas no monte Sinai.  

Em Mateus 5:17-18, Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas, não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo, até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.” Alguns citam esta afirmação para tentar obrigar as pessoas de hoje a guardarem o sábado e outros mandamentos da Antiga Aliança.  

Para compreender este comentário de Jesus, precisamos prestar atenção especial a três palavras que ele usou. A palavra revogar vem de uma palavra grega que significa derrubar, subverter ou destruir. Jesus não veio para subverter a Lei, ele veio para cumprir. A palavra traduzida cumprir significa completar, levar até o fim, realizar ou obedecer. Jesus não pretendia subverter a lei, ele pretendia cumpri-la, assim a levando até o seu determinado fim. A terceira palavra importante é a preposição até. Os céus e a terra poderiam passar, mas a lei não passaria até ser cumprida. Esta palavra (traduzida até, até que, ou enquanto) significa algo que chega até um certo ponto e termina. Deus falou para José ficar no Egito até que ele fosse avisado (Mateus 2:13). José não “conheceu” Maria “enquanto ela não deu à luz um filho” (Mateus 1:25). Na morte de Jesus, houve trevas até à hora nona (Lucas 23:44). A Lei não perdeu sua força até ser cumprida por Jesus.  

O autor de Hebreus usou uma palavra diferente, embora traduzida em algumas Bíblias pela mesma palavra portuguesa, quando disse: “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” (Hebreus 7:18-19). Revogar, neste trecho, significa anular, abolir, ou remover. No mesmo capítulo, ele falou da mudança (ou remoção) da lei (Hebreus 7:12).  

Os cristãos não estão “subordinados” à Lei (Gálatas 3:24-25). Mesmo os cristãos judeus, que estavam sujeitos à lei, foram libertados dela (Romanos 7:6). O escrito da dívida foi removido inteiramente na cruz, pois Jesus cumpriu aquela Lei (Colossenses 2:14). Após a morte do Testador, a Nova Aliança tomou seu lugar (Hebreus 8:6-13; 9:15-17). 

Jesus não subverteu a Lei do Antigo Testamento; ele cumpriu e removeu aquela e nos deu a Nova Aliança.

Então como, amigos cristãos, podemos levar o antigo testamento como base de julgamento e apedrejamento do amor? Àquela época, não me restam dúvidas, de que estes evangélicos que hoje se levantam contra os homossexuais, não hesitariam em apedrejar Maria Madalena, tampouco a crucificar Jesus. Eles são exemplos de intolerância, de inconsciência coletiva, de burrice histérica, seguindo “mestres” que lucram com a disseminação do ódio, do medo e do próprio demônio.

Antes de encerrarmos, queridos leitores, se ainda restam dúvidas quanto ao comportamento execrável destes “cristãos, segue mais um trecho do evangelho: “Não julgueis, para que não sejais julgados. 2 Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós…” (Matheus 7:1).

Não me restam dúvidas que, nos dias de hoje, o anticristo vive em forma de fundamentalismo burro e cego, e as bestas são todos aqueles que pregam contra o amor.

Fonte: http://www.estudosdabiblia.net/bd13_07.htm

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Quando o nó aperta e sufoca

Sabe aqueles dias em que você acorda com um aperto no coração, sem explicação? O aperto simplesmente chega, assim como nasce um fio de cabelo branco: inesperadamente e sem convite prévio.

Alguns acreditam que esses apertos podem ser gases. E podem mesmo, sabia? Mas não é o meu caso. Assim como também não é derrame. Estou muito nova pra isso – se é que existe idade para esse tipo de coisa.

Costumo sempre ter o coração esmagado por intuições. Elas nunca falharam e essa mania certeira do meu “terceiro olho” sempre me tira um pouco do chão, porque vira e mexe é você quem me aparece dentro da cabeça me instigando que algo pode estar errado. Se estiver, você me procura? Espero que sim, mesmo sabendo que não.

Um nó sufoca. Dois nós vira a gente em um abraço apertado.

De qualquer forma, não é isso também. Acho que é saudade sabe? Tanto tempo se passou no meu calendário desde nossa última conversa, mas continuo sonhando contigo. Ao menos uma vez por mês tu me encontras pelas nuvens que se cruzam nessa viagem intergalática dos sonhos e é sempre tão semelhante. Não os sonhos, mas os significados dentro deles. Eu te conto sobre todos eles, se um dia quiseres. É só me falar.

Por mais contraditório que possa soar, parece que minha alma, quando está livre para ir onde quiser e fazer o que bem entender, ainda não aprendeu a viajar em direções opostas a você.

E como todo sonho bom, ao mesmo tempo em que é prazeroso te ter bem perto de mim por alguns minutos nesse mundo onde o céu é o limite (ou será que o tempo do mundo dos sonhos corre em anos? Deve correr, visto que acaba tão depressa), também é angustiante abrir os olhos e não te enxergar nessa minha realidade tão colorida, mas que não tem suas mãos para me mostrar que a palheta de cores é ainda maior do que as que tenho usado no quadro da vida.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na minha pele. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #2 – 5 de Outubro

Eleições. Esse deveria ser meu primeiro pensamento no dia, mas não foi. Assim como em todas as manhãs desde o segundo que me apaixonei por você, meu primeiro pensamento é teu.

No celular, mensagens as quais, pela primeira vez, eu não esperava nenhuma sua. Sempre contrária às minhas intuições, lá estava você querendo saber de mim. Respondi com todo carinho – e uma pontinha de felicidade por você não conseguir manter-se distante – e, com a mesma naturalidade em que te conheci naquele bar quando nossas almas se conectaram, o papo fluiu durante todo o dia e noite.

Engraçado, mas eu ainda não me permiti sentir esse término do que só ameaçou começar.

 ↓

Um eu com você #1 – 11 de Julho

“Conhecer você foi como encontrar o prêmio mais valioso de uma competição que eu nem sabia que estava participando. Numa tradução aproximada, vi que “serendipidade” é como chamamos as descobertas felizes que fazemos, aparentemente, por sorte ou acaso. No meu caso, você”.

Era uma semana antes do meu aniversário, e, como de costume, me bateu aquela sensação de poupar as energias para que o novo ano pudesse chegar ainda mais com disposição para que eu pudesse ganhar o mundo. Então, nesse dia – que além de tudo estava gelado, pedindo um edredom, um misto quente e o Netflix ligado –, eu não ia sair de casa.

Fazia algum tempo que não via um amigo e entre minhas oscilações cancerianas de humor e vontades, aceitei ir com ele e outros amigos em um bar de uma cidade próxima a que eu morava. Eu não tinha expectativas nenhuma quanto ao lugar ou ao passeio. Tudo o que eu queria era uma cerveja, uma porção de batatas fritas e uma conversa agradável com aqueles que me cercavam.

Foi quando, antes mesmo de entrar no bar, te vi entre os espaços dos toldos. De imediato, me senti como se estivesse na pista de um show internacional, rodeada de pessoas, mas só conseguisse enxergar um rosto à frente: o seu.

Isso eu nunca te contei, mas na disposição das mesas livres, persuadi meus amigos a escolherem um lugar onde eu pudesse estar ao mesmo tempo mais próxima de ti e, também, que me permitisse te observar. Antes mesmo do primeiro diálogo, eu já te estudava e tentava entender aqui dentro de mim o que é que havia em você para se destacar tanto assim na minha retina.

Passei todos os instantes em que estava no bar te olhando de tempos em tempos, como quem está perto de um ídolo e não consegue tirar os olhos dele. A cada ida sua ao banheiro, um desejo insano de ir até você me seguia e ainda me lembro de quando cruzei contigo na fila do banheiro e, sem explicativa alguma, me estremeci por inteira só de perguntar se iria usá-lo.

Quase no final da noite, um amigo meu arriscou falar contigo e voltou com a notícia de que nunca tinhas ficado com alguma menina, mas que talvez eu pudesse ir falar contigo. Depois disso, sua mesa lotou de companhias masculinas e a minha coragem de ir até você voltou à estaca zero.

Seus olhares direcionados pra mim, acompanhados pelo brilho do teu sorriso, me faziam movimentar os lábios e sorrir pra ti de uma forma tão natural que há tempos eu não sabia como era. Eu já havia desistido dessa história de envolvimentos emocionais há bastante tempo, então descobrir que uma alma conseguia tocar a minha sem nem uma palavra trocada era, ao mesmo tempo, assustador e excitante.

Normalmente, eu não me importaria tanto em descobrir um nome para manter contato com alguém que nem sequer havia “experimentado” o que eu tinha para oferecer, mas com você nada nunca fez muito sentido além do sentir. E foi nos 45 minutos do segundo tempo, na fila do caixa, enquanto você estava atrás mim, que eu tive um segundo de coragem insana, virei para você e perguntei o seu nome.

Mal pisei na calçada do bar e já busquei por você nas redes sociais para tentar te conhecer e entender o que é que tanto tinha em você. O que eu mal sabia, na verdade, era que você já estava abrindo a porta do meu coração e garantindo o seu lugar aqui dentro.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na sua pele. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

A pedra no meio do caminho

“Mas vocês vão prender crianças?
– Não. Vamos prender infratores. A inocência e a pureza da criança foram deixadas para trás no momento em que um crime foi cometido”. 

Estamos vivendo tempos de transformação em nossa sociedade. Tempos obscuros, eu diria. De reformas, de conceitos, de conservadorismo, de socialismo, de polarizações radicais e sedentas pela morte da outra parte. É uma batalha que parece estar bem longe do fim. Um caminho e um rumo de sociedade bem longe do ideal.

E no meio do caminho temos uma pedra. Reduzir ou não a maioridade penal? Se você diz que sim, você é coxinha, reacionário, fascista, dazelite-branca-paulistana, opressor, neo-ultra-liberal, neoconservador (?). Se você diz que não, você é petralha, protetor de bandido, leva-pra-casa, esquerdinha de merda, tá-com-dó-porque-nunca-aconteceu-com-você. 

Transformaram isso na batalha do século, para tirar a nossa atenção do que realmente importa: as mudanças políticas que precisamos fazer urgentemente em nosso país. Mas já que aqui estamos, vamos falar sobre a maioridade penal.

Mãos para o alto, novinha.

Mãos para o alto, novinha.

O fato primordial que devemos nos atentar ao falarmos de justiça no Brasil é que: ELA NÃO FUNCIONA. Não adianta. Juristas, advogados, promotores, policiais e toda a Santa Sé reunidas são incapazes de me convencer do contrário. Temos um judiciário todo aparelhado, precário, obsoleto. O código penal é fraco, feito para privilegiar bandidos. E não venha com o papo de que ele é um dos mais avançados do mundo pois não vou ouvir. Ele é avançado se você é um advogado criminalista. Nesse caso ele realmente te poupa um bom trabalho.

Então a principal reforma deveria ser no Código Penal. Na verdade, não proponho uma reforma. Proponho uma reescrita completa e irrestrita dele. Mas, só pra lembrar, estamos no Brasil… O país que deixou de pagar 20% de impostos como colônia para pagar 50% como república. Aqui as coisas não fazem sentido.

Dito isso, como defender a redução da maioridade penal? É simples e para entender bastam alguns passos:

  1. A redução da maioridade penal para 16 anos não é a solução definitiva de violência endêmica no Brasil. Ela nem se propõe a isso. É apenas parte de uma série de medidas que devem ser tomadas. É um começo.
  2. O argumento de que um adolescente de 16 anos é uma criança é completamente inválido. Com 16 anos o jovem já é capaz de discernir plenamente entre o certo e o errado. Os valores éticos já foram absorvidos. Eles sabem que matar, roubar e estuprar é errado. Não é uma vítima da sociedade, é uma vítima das próprias escolhas.
  3. Não vamos prender crianças e acabar com a infância. Nenhum argumento é mais preconceituoso que esse. Em nenhum momento ser criança é condição sine qua non para ser bandido. Vamos prender infratores, pessoas violentas que precisam estar longe da sociedade.

A maioria dos países que consideramos desenvolvidos já fizeram isso há muito tempo. Ao todo, 54 países já adotaram a medida.

Muito além da cadeia, o “menor” infrator precisa entender que seus atos não passam impunes. As medidas socioeducativas do Estatuto da Criança e do Adolescente são tão brandas, que, ao tirar uma vida, o adolescente passa 45 dias em reabilitação, aguarda julgamento em liberdade, e depois corre o sério risco de ficar 3 anos preso. Três anos por tirar uma vida, por matar um pai de família para roubar um celular, um relógio… É justo para você?

A partir dos 16 anos, o jovem vota se quiser, seu testemunho é aceito em juízo e pode ser emancipado, inclusive sem consentimento dos pais, se tiver economia própria. O Direito brasileiro reconhece, assim, que a partir dos 16 anos o adolescente tem condições de assumir a responsabilidade pelos seus atos. – Senador Aloysio Nunes

Dadas as circunstâncias, entendam que não sou utópico de acreditar que esta medida, por si só, vai acabar com a violência no Brasil. Precisamos ir muito além.

Este é apenas um pequeno passo na longa caminhada rumo à paz.

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

A Summer, de 500 Days Of Summer, estava certa

Se você já assistiu a esse filme e ficou morrendo de raiva da Summer por trazer tanto sofrimento ao Tom, está na hora de rever seus conceitos e começar a agradecer muito por tudo que ela fez.

500 dias com ela, filme intitulado nacionalmente, é um longa que exibe o amor como ele é, sem facetas, sem finais felizes e estampa na nossa cara que nem tudo que chamamos de felicidade é o que planejamos.

Sou totalmente a favor de tudo que a Summer foi para o Tom, e, ao contrário de muita gente que acha ela fria e sem coração, eu escrevo aqui meus argumentos de defesa. Espero convencer vocês de que ela, com toda sua experiência, estava certa.

É de se admirar qualquer pessoa que, quando começa a se envolver, escancara todas suas verdades. Falar que não acredita no amor, ou que o amor não é tudo, foi uma das atitudes mais impressionantes que ela teve durante o filme, tirando totalmente as esperanças de que algo poderia dar certo entre o Tom e a Summer. Ela começou falando a verdade e isso é nobre.

Pode parecer que não, mas a ilusão de algo que você quer muito te faz pensar em planos para o futuro sem nem perceber se o presente está certo. Tom foi intenso e aprendeu a ser equilibrado com suas emoções, tudo porque Summer deu a ele bons momentos, que para ela era natural, e para ele excepcional. Tom percebeu que ter o equilíbrio sentimental era necessário para continuar a vida, até mesmo sem ela.

500 Days of Summer wallpaper

Tom soube ganhar, mas foi Summer quem ensinou ele a perder, o que fez dele alguém que enxergue a vida com novos recomeços.

Summer estava certa porque amou Tom no seu tempo e entregou a ele tudo que estava ao seu alcance. Mas os amores passam e as verdades não param no tempo, elas viram memórias. Summer foi fundamental para a compreensão do amor na cabeça de Tom. Ele precisou passar pela dor e pela felicidade plena e, então, quando seu coração estivesse tranquilo, ele iria abrir um novo ciclo.

Dessa vez, mais preparado.

*Meus agradecimentos a Summer, por me dar assas, e, depois, me deixar voar para qualquer céu.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Sobre essa tal amizade

Dia desses estava lendo um artigo que falava sobre amizade e há algum tempo tenho ficado de deixar claro e explícito a minha gratidão ao universo por todas as pessoas que apareceram – e ficaram – na minha vida. Pois bem.

Durante nossos caminhos a gente cruza com tanta gente, mas são tão poucas as que realmente nos tocam, né? Pode ser professor, colega de classe ou trabalho, amigos de balada… Se a gente parasse algum dia pra tentar contar com quantas pessoas já trocamos ao menos um breve diálogo, com certeza ultrapassaria o limite de amizades imposto pelo facebook. Mas poucos conhecidos realmente se dispõem a construir uma amizade sincera e verdadeira.

Em resumo ao texto que estou usando como referência e lembrete pra, finalmente, tirar essa declaração apenas da teoria, o autor falava que sem afinidade não existe amizade*. E tem frase mais verdadeira do que essa?

Eu nunca pertenci a um grupo específico (tipo as patricinhas/mauricinhos, sabe?). Na verdade, pertenci sim. Ao grupo dos inadequados pra qualquer outro grupo e, assim, sempre tive amigos muito diferentes. Mas todos sempre me complementavam em ao menos um aspecto.

21669-At-The-Beach-With-Friends
Tenho amigos que, se eu ligar às duas da manhã chorando, me encontram sem nem perguntar o porque – e se não estiverem na mesma cidade que eu, vão ficar me ouvindo até às quatro sem nem pensar que dali duas horas já é a hora de levantar e ir trabalhar. Eu tenho companhias lindas pra falar sobre seriados, ir ao cinema, discutir gostos musicais e cantar sertanejo na pista, pra falar sobre mulheres e homens, dividir as experiências e até mesmo falar sobre cocô (porque, sim, esse é o auge que atingimos de intimidade depois de um tempo de amizade) e depilação… Ou simplesmente companhias que, por serem tão afins da minha alma, uma mesa de bar ou uma roda de violão é suficiente pra encher meu pote imaginário com risos e sorrisos pro resto do mês.

Dizem que precisamos ter alguém na nossa vida pra sermos plenamente felizes (afinal, “a felicidade só é real quando compartilhada”, né?), mas todo o mundo foca tanto em encontrar UMA pessoa – o futuro marido ou a futura esposa – para dividir a vida até o fim dos dias que se esquece de ver o brilho nas múltiplas pessoas que nos cercam diariamente. Mas eu não.

Eu não quero um amor pra vida toda se eu não tiver, ao meu lado, meus amigos pra vida toda. Eu poderia passar um século da minha vida sem ter alguém pra chamar de amor, mas seria imensamente infeliz se não tivesse ao menos uma alma pra chamar de amigo.

Recentemente mudei minha vida radicalmente (saí de casa, aos 23 anos, pra morar com pessoas que mal conhecia, em outro estado e há mais de 700 quilômetros de distância) e foi nessa reviravolta do mundo que eu pude reconhecer aqueles que realmente estão comigo, mesmo eu não estando mais fisicamente ao lado deles.

E são eles, as pessoas que ficaram do meu lado em cada segundo, que usaram as palavras mais lindas antes, durante e depois, e que continuam me apoiando e dividindo as novidades da vida mesmo longes, que eu quero por toda a minha vida.

Afinal, são eles, meus amigos lindos e tão imperfeitos quanto eu, que me conhecem da cabeça aos pés, com todos meus sonhos, sentimentos, conselhos, loucuras cancerianas e bizarrices que só a convivência proporciona e me aceitam assim, mesmo jogando a verdade na cara de cada um de vocês. (Aceitem mais essa verdade recheada de sentimento e amor <3).

Dizem que se puderes contar e encher uma mão com todos os amigos – AMIGOS MESMO –, podes se considerar uma pessoa rica. Eu, meus caros, já ultrapassei uma mão. E nada tem me feito mais feliz e grata do que saber que tenho as melhores pessoas correndo ao meu lado.

*É bom lembrar que os anos passam e tendemos a crescer e a evoluir. Por isso não estranhe se algumas amizades não durarem sua vida inteira – afinidade não é tudo, mas duas – ou mais – almas precisam estar em sintonia para seguirem juntas.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Se encontre antes de encontrar alguém

É comum a gente se preencher de gente que não nos preenche, mesmo porque ninguém pode fazer por você o que você julga ser impossível fazer sozinho. Se completar.

É triste perceber que olhar para dentro de si, na maioria das vezes, só acontece quando nos sentimos sozinhos, ou quando a corda que nos segurava e que nos mantinha em pé, se solta. É nessa hora, do caminho da altura da corda até nosso corpo chegar ao chão que começamos a enxergar nosso eu interior.se encontre antes de encontrar alguem

É também na solidão da queda que você estabelece uma conexão consigo mesmo, talvez por isso a escuridão seja tão assustadora. É hora de você se encontrar no teu próprio olhar, descobrir os planos que eles carregam, olhe para sua boca, repare nos seus dentes e perceba o que pode te fazer mostra-los. Se olhe, vá mais fundo, defina suas qualidades, seus talentos, se organize para praticar o seu reencontro.

Não adianta se antecipar e tapar os buracos do coração com areia fofa, uma hora você vai pisar nesse monte e vai se afundar, pior, vai levar quem está por baixo junto. Saiba gostar da sua companhia, assista um filme e debata, discuta um livro, entenda que a tua felicidade consiste no amor que você tem por quem você é.

E então vai ser nessa hora – quando sentirmos que não somos tão ruins assim – que vamos conseguir mostrar nosso verdadeiro eu, e então encontraremos outra corda, que vai nos manter leve e nos equilibrar, porque dessa vez sabemos que se a corda vir a se soltar, teremos a nossa própria de reserva.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Se puder, tenha amigos mais velhos

Ninguém vai te ensinar tanto quanto seus amigos mais velhos. Acredite, eles fazem toda a diferença.

Conhecer pessoas vazias é o mesmo que não conhecer, é por isso que seus melhores amigos devem ser pessoas que te encham de sentimentos e de conhecimento. É fácil ir para balada, dançar até o chão e sorrir a tôa por que está bêbado, é fácil ir para uma festa e escolher o próximo beijo na boca, difícil é sentar na mesa de um bar e falar de amor, debater a crise do país, construir ideias novas sobre sexualidade, se abrir, falar a verdade, chorar. Seus amigos mais velhos vão saber lidar com as suas crises existências, com o término de relacionamento, vão ouvir o seu conceito sobre  redução da maioridade penal, vão discordar de você, e mais, eles vão mudar a forma com que tu vê a sua vida.

Parece banal dizer que pessoas mais velhas podem te mudar tanto, mas não é. A experiência que cada um adquiri é relativa, e talvez você tenha sorte em ter gente que já passou por muito perrengue na vida ao seu lado. Gente que te ensine que perdoar é preciso e te oferecem um mundo de possibilidades para um sábado a noite. Gente que te indica livros, bandas, filmes e séries porque aquele conceito cultural trouxe algo de bom, gente que gosta de transmitir energias positivas, aprenda com seus amigos mais velhos. Eles vão te puxar a orelha e dizer que você está fazendo tudo errado, e se for preciso vão assumir o papel de mãezona do role para te mostrar que naquele momento, você estava sendo um babaca.

Tenha amigos mais velhos

Seus amigos mais velhos vão te chamar para viajar, e vão provar para você que o mundo é bem mais do que você imaginou, serão eles que vão te “desvirginar” com uma serie de coisas que você nunca pensou em fazer na vida.

Absorva os conselhos amorosos, sugue as dicas de comportamento profissional, guarde as mensagens motivacionais, memorize os ditados filosóficos do domingo a noite. Pratique amigos mais velhos na sua vida.

 

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Olá, mundo!

Esta é a primeira publicação de um projeto enorme com muita gente brilhante envolvida.

Não é novidade que informação é algo que todo mundo tem que ter, principalmente os jovens, que estão começando a formar opinião e expressa-las com mais frequência, mas para botar toda opinião própria para fora é preciso conhecimento, mais que isso, experiência.

O Blog Um eu sem você vai discutir e transmitir muita experiência quando o assunto é a falta de alguém, como é que é lidar com a perda de tanta coisa que nos faz bem, será que é possível sobreviver em meio a tanta dor? Acredite meu caro, eu ainda estou aqui.

Nós, os escritores desse aglomerado lugar de conteúdos, vamos expressar toda nossa formação de experiência com vocês. Teremos alguém que já sofreu muito por amor, já foi muito feliz pela mesma doença e hoje, escreve aqui. Tem gente que adquiriu tanta experiência com a vida que quer compartilhar isso com o mundo todo, e tem gente que vai distribuir conhecimento através de temas jamais comentados em um blog para o público jovem: POLÍTICA E ECONOMIA.

Estejam preparados, aqui, a verdade é estampada na cara.