Cartas para a posteridade 

Há momentos tão intrinsecamente meus, tão grudados à parede da alma e tão pertos da saída da fala. 

Desesperados silêncios momentâneos que assolam os loucos e fracos. Desafiadoras verdades inaceitáveis e inaceitada. 

A solidão que é companheira. A amizade que se distancia. Pensei que era fogo, mas vento era… E soprou. 

Antes do hoje a existência do ser condenada ao eterno redemoinho dos pensamentos incertos. Das certezas erradas e errôneas e das falas mal ditas e malditas. 

Arranho a parede. Está escuro aqui hoje. Não fez sol. Éramos tanto e hoje somos tão pouco. Especialmente agora. 

Não pensei ser assim. Achava que meu destino era outro. Mas dos meus achares, não me acho. Não me achei. 

Estarei perdido em meio ao nada? Ou quem não sabe para onde ir já está no lugar certo? 

Escrevo para a posteridade. Escrevo para que não restem dúvidas: é possível caminhar sozinho. É possível estar sozinho. 

É possível se iludir. 

Achei que era tanto e não era nada. 

E agora? Morte cerebral? 

Sem drama. Vida que segue e banda que toca. 

E que, na posteridade, quando ler esta carta, saiba que fui muito pouco. Achei que não era nada. E estava, de novo, errado. 

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Amar é ser livre

É a primeira vez que estou escrevendo um texto mais voltado  para o autoconhecimento, apesar de sempre estar pesquisando e me envolvendo na temática, eu nunca me senti inspirada para colocar essas palavras em um conjunto de frases.

O que me inspirou a abrir o coração e a mente foi um livro chamado “Amar e Ser Livre” -eu também me perguntei como que as palavras Amar e Livre podem estar na mesma frase. Para você deve ser difícil compreender que é possível amar na liberdade, no começo foi difícil para mim também.

As teorias que encontrei nas palavras desse livro me levaram a estar aqui hoje escrevendo essa publicação. Eu percebi que muita gente precisa ler o que eu estava lendo, entender o que eu estava entendendo. Vocês precisam saber o porque milhares de relacionamentos não estão dando certo.

Para começar a enxergar essa nova visão dos relacionamentos precisamos compreender alguns fatores fundamentais que começam a ocorrer na nossa infância, pois é nessa fase que começamos a ter ligação com a nossa essência e com a nossa espontaneidade. Quando somos crianças e começamos a ter atitudes espontâneas, como chorar ou brincar, começamos um ciclo com nossa essência. Uma vez que essa espontaneidade é tirada da gente, começamos a nos distanciar da nossa própria essência, criando máscaras para sermos aceitos e continuarmos recebendo amor.

Um exemplo bem clássico disso é a criança que chora por um determinado motivo e os pais pedem para que ela interrompa o choro, alegando que é feio criança chorar. Nesse momento a criança entende que sentir tristeza é para os fracos, e no decorrer do tempo ela vai usando essa máscara para sentir-se acolhida e amada pelos pais.

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Essas pequenas ações resultam no seu comportamento em um relacionamento afetivo. Esses traumas estão presentes em seu corpo, mas não estão aflorados, pois você foi afastado da sua essência e a máscara que encobre seu verdadeiro eu está protagonizando sua vida.

Quando começamos a namorar alguém, nos entregamos ao outro completamente, nos entregamos de alma e de coração, achamos que a responsabilidade de ser feliz está nos braços do outro e quando não temos sucesso no relacionamento jogamos toda a culpa no outro, nos tornando vítimas constantes das nossas próprias escolhas.

Temos que entender que um relacionamento afetivo é uma universidade da vida, o amor que encontramos no nosso parceiro deve ser um espelho para nos conectarmos mais com nós mesmo e, ao invés de canalizarmos nossas energias para reencontrarmos nossa essência, transformamos todo esse amor em ciúmes, insegurança e ódio. Tudo porque não trabalhamos nossos traumas e estamos bem distantes da nossa essência.

Olhando diretamente para os fatos da minha vida e analisando todas essas teorias, tudo começou a fazer sentido. E antes mesmo de acabar de ler e estudar o livro comecei a reparar que muitas pessoas que estavam ao meu redor tinham medo da solidão, ficando presas a um relacionamento sem futuro, sem respeito e sem amor. Elas se perderam no meio do processo e não conseguem mais se reencontrar, enxergam o outro como fonte de companhia para nunca se sentirem sós.

Outro ponto que reparei é a culpa que as pessoas jogam em seus parceiros, os culpam pelo término, os culpam por não estarem mais apaixonados, os culpam por não se doarem mais, por não se esforçarem, os culpam pela frase dita no último encontro: “Eu quero terminar”. E jogar essa culpa é mais uma forma clara de que não há autoconhecimento suficiente para compreender que uma relação não deu certo pelos dois. Além de que quem recebe essa culpa se sente condenado a reverter a situação de algo que nem foi cometido completamente por ele, o receptor dessa culpa se dói achando que o erro está nele, ele se destroça por achar que estar sozinho é culpa exclusivamente dele.

E qual é o problema de estar só? Afinal, é só estando só que podemos nos conectar com o Iceberg que somos. É estando só que nos aprofundamos na nossa essência que nunca deveria ter sido afastada da gente. É estando só que aprendemos o exercício da gratidão, aprendemos a aceitar que as universidades nos ensinam e depois nos preparam para o mercado, assim como os nossos relacionamentos afetivos.

O amor é a cura para todas as formas de ódio. É com amor que se cura o ciúmes, a falta de respeito, a ignorância e a insegurança.

Temos uma longa jornada em busca da nossa essência, temos um árduo trabalho para retirarmos as máscaras que encobrem nossas verdadeiras faces, para então estarmos plenamente engajados no amor ao outro, sem cobranças de felicidades e culpas, sem sermos vítimas das nossas próprias escolhas, amando e sendo livres, amando e sendo nós mesmos.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Mutação

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Paro e repenso. Analiso e percebo migalhas tortas transformadas em banquetes. Aquele pouco fel, que de tão amargo embriaga, na ilusão do amor perdido transformado em doce.

Pura mágica realizadora, idealizadora, que faz do nada o tudo e enche de esperanças um coração cansado. Triste de ver, todo dia, a luz do sol mais longe. O calor mais frio. A praia mais deserta.

Saber que, por um instante, fagulhas acenderam uma chama morta. E o que era lenha se fez pó. A morte em instantes do resto da vida. A incompreensão.

A descoberta torpe, o beijo doce e o sonho lúdico, lúcido. Sonhar de olhos abertos não seria, então, a melhor forma de se enganar? Pois se doce fora o pensamento, salgada a vida chega, em pedaços, aos prantos.

E suspiros se esvaem na poeira do tempo. Ele que nunca para e nunca dorme, hoje, controla a rotina incessante de meus passos. Eu não sei para onde vou, mas eu ando. Prefiro deixar rastros de mim por onde passo a ser inexistente na estrada.

O caminho, como sempre, não é claro. Não há como saber em qual ladeira eu fico e ao pó retorno. Mas o medo não me impede de enxergar um pouco além, a cada amanhecer.

Hoje as ilusões não são minhas. Elas eu deixei para trás. Trago comigo, apenas, a realidade. Objetiva, nua e crua. Completamente bela pela simplicidade irretocável do suspiro profundo.

Eu sei aonde chego. Eu sei por onde vou. Sou navegante do meu caminho. Sou Sol, sou Lua, sou a estrada. Eu me desfaço e me refaço a cada segundo.

Evolução. Eu sou um aprendiz de mim mesmo.

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24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Quanto você me olhou pela primeira vez

Nossos olhos se cruzaram e a única sensação que pude sentir foi um formigamento no pé. Uma dormência que foi subindo lentamente pela minha perna, e despertou as borboletas que moram em meu estômago e que há muito dormiam – elas estavam te esperando!

Quando você me olhou, um segundo se transformou, de repente, em todo o tempo que eu precisava para saber onde mora a felicidade. Eu pude notar, nesse piscar de olhos, que nossos laços se cruzavam de tempos atrás, quem sabe de outras vidas.

Eu pude sentir a sensação de estar em casa novamente, depois de um longo dia de trabalho, e de jogar minhas chaves sobre a mesa, e ainda vestido deitar no sofá enquanto você pergunta como foi o dia, dizendo que eu nunca estive tão lindo como estava naquele momento. Você gosta de elogiar, e eu te amo mais por isso – apesar de sempre ficar sem jeito.

Mesmo ainda sem te tocar, eu senti o seu calor e lembrei de você deitado no meu peito, fazendo os planos mais loucos para o futuro e me tornando cúmplice do que comecei a chamar de “nossas loucuras”, o nosso jeito louco e inocente de ver o mundo.

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Você sempre esteve aqui, eu sempre te senti. E nesse segundo que nossos olhos se cruzaram eu descobri que não era louco, era só um paciente esperando pelo remédio. Era a cura de uma doença que eu não tinha. Era a alegria do beijo doce pelo amanhecer. E você rindo do meu cabelo bagunçado, enquanto eu te enchia de beijos te dizendo que você é a coisa mais bonita que eu já vi.

Depois daquele olhar meus domingos nunca foram os mesmos, e eu pude admirar o entardecer com todo o meu coração, sem ter medo da segunda-feira, afinal, depois de um dia longo, você seria a minha recompensa, o meu desejo de voltar pra casa.

Devo confessar que, devido a esse olhar, ganhei até uns quilos. Nós amamos comer, não é mesmo? Adoro quando, mesmo sem ter todo o dom de um chef, você cozinha coisas que me lembram de casa. Adoro seu jeito de me confortar e me fazer sentir parte do mundo.

Talvez você não saiba e eu nunca tenha te dito, porque eu tenho um sério problema em expressar o que sinto, mas eu só cheguei tão longe porque você estava me olhando, me apoiando. Era de você que vinha minha força de virar madrugadas a fio no escritório pensando em um jeito de mudar o mundo. Seu compromisso com a verdade, sua integridade, sua fé nas pessoas, sua bondade… É de você que vem a minha humanidade. Teu calor não me deixou ser frio, mesmo depois de tantas pancadas.

Não foi fácil chegar até você. Mas foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Desculpe a demora.

Mas eu tenho certeza que você vai entender, quando os nossos olhos se cruzarem.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Eu esqueci o amor da minha vida

Caro leitor, talvez este seja o primeiro texto em que começo me desculpando. Desculpo-me, antecipadamente, pois talvez este texto seja repleto de melancolia. Talvez ele seja longo demais – provavelmente o maior que já escrevi – ou, talvez, seu conteúdo em nada lhe interesse.

Usarei estas palavras como forma de desabafo. Como forma de contar ao mundo e a mim mesmo como esqueci aquele que sonhei ser o amor da minha vida. E não falo de romances baratos, não. Falo de conexão de alma, de semelhança, de empatia. Falo daquilo que achei que fosse para sempre – depois que existisse, e que hoje não é mais.

Poderia, claro, estar em alguma mesa de boteco falando sobre isso com minhas amigas. Elas são as pessoas mais doces, amáveis e companheiras que conheço. Mas o incômodo que isso me causaria seria gigantesco. Primeiro porque elas provavelmente já se cansaram de me ouvir a respeito disso. E mesmo que não tenham, eu me cansei de falar. Cansei porque, há anos, pareço um cão correndo atrás do próprio rabo.

Ou parecia.

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Eu nunca fui daqueles que acreditou em amor à primeira vista. Quando vi esse fulano (e é assim que o trataremos daqui em diante), me interessei, primeiramente, por seu corpo que causava inveja em muito marmanjo cria de academia. A princípio, jamais imaginei que algo pudesse existir – ainda mais naquela época: minha autoestima era menor que a torcida do XV de Piracicaba.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas. E, como sempre, me surpreendeu. Aos poucos, aquele menino lindo – e arrogante – que outrora eu conheci, desmanchava-se em pedaços na minha frente. Era como se a pele de leão caísse e, em seu lugar, surgisse a mais bela lã. A fera da qual eu tinha medo, tornara-se um carneiro. E nos aproximamos.

Logo de cara a intimidade foi grande. Parecíamos amigos de longa data. Primeiro as caronas que eu dava, depois o apoio nos momentos difíceis, as risadas e cumplicidades… E, como se eu caísse dentro de um novelo, eu me enrolei.

Aos poucos enxergava aquela amizade demasiadamente crua. Eu queria mais.

Percebi que, de tudo o que me faltava na vida, ali estava o que eu mais precisava. Era um menino problemático, eu confesso, mas era isso que eu queria. Cuidar é algo intrínseco a mim. Não sei não ser mãe. A que conste para as notas do leitor, bebo Malzebier – tem algo mais maternal que isso?

E bem na hora que eu desprendia todo o meu cuidado, mais coisas aconteciam para que eu precisasse desprender ainda mais. Eu me sentia feliz na presença dele e ele havia se tornado meu ópio.

E toda droga, caro leitor – como bem adverte o Ministério da Saúde – causa efeitos colaterais. Eu usava da presença dele. Sentia cada minuto passando, como se os segundos fossem a batida tensa, insegura e esperançosa do meu coração. É fato que eu sempre fui um apaixonado pelos amores platônicos, mas agora era diferente. Agora era ele. Tinha que ser.

Eu fui me tornando dependente. Imagine que um viciado rouba, mata e se prostitui tudo pelo prazer de satisfazer o vício. À minha maneira, fazia o mesmo. Eu o via sofrendo nos braços de uma menina que jamais lhe dera o valor que merecia. Todas as noites, quando me deitava, a minha abstinência era o sofrimento pelo sofrimento dele. Se pudesse, teria arrancado com unhas e dentes tudo o que ele sentia de ruim, teria trazido pra mim, teria feito meu. Tudo para fazê-lo feliz.

Acompanhei noites e noites a fio, e o meu vício aumentava à medida em que eu acreditava que era ele. Tinha que ser. Tudo o que eu sempre procurei em minha vida estava ali. Eu não sabia explicar, mas era ele.

Meu vício foi se solidificando. Agora, vê-lo todos os dias era condição sine qua non para meus sorrisos. Terrível era o dia que eu passava sem poder olhá-lo nos olhos. Sentia que o Sol não havia nascido, o mundo não girava, o tempo não passava. Eu precisava daquilo. Eu precisava dele.

Imagine que, mesmo para sentir a dor dele, eu queria estar ali. Eu queria estar perto, eu queria pegar nas mãos dele e dizer “venha comigo, eu posso te fazer feliz.” E como o firmamento que existe, eu afirmo categoricamente: eu poderia mesmo.

Mas a vida, como bem sei, é cheia de suas peculiaridades. Não sei como não demonstrava abertamente tudo aquilo que sentia. Apesar do cuidado, do ombro, do ouvir chorar, do consolar, do alegrar, do acompanhar, do viver do lado, eu era simplesmente um amigo. Me imagino, hoje, como uma represa. Uma barragem gigantesca que acumulou, ao longo de anos, todos esses sentimentos tristes, alegres, nostálgicos, esperançosos… Condensei tudo dentro de mim. Preenchi meu vazio com as ilusões que aquele amor me trazia.

Pode parecer besteira ou encanação minha, mas fulano não me abraçava direito. Nunca abraçou, na verdade. Talvez eu demonstrasse só um pouco mais do que gostaria.

E fomos crescendo. Tanto eu quanto ele, em ritmos diferentes – mas sempre juntos – aprendíamos todo-santo-dia uma nova lição que levaríamos para contar aos nossos netos. Nossa vida era uma aventura pitorescamente monótona, dotada das mais simples alegrias e cumplicidades que eu jamais imaginei merecer. Aqueles momentos ao lado dele me faziam esquecer dos ciúmes que eu sentia da namorada nova. Da peguete nova. Daquela que ele estava comendo. Me fazia esquecer que, ao fim do dia, eu ainda estava sozinho. Que minha alma acreditava na completude daquele amor mais do que a realidade me dava. A minha represa, agora, era preenchida, também, por solidão.

Desenvolvi por fulano, em todo esse tempo, um amor tão grande que jamais pensei ser capaz de carregar. Longe de ser um romance shakespeariano, eu entraria na frente de uma arma por ele. Sem nem duvidar. Entre a minha vida e a dele, escolheria mil vezes a dele. Para que ele pudesse ser feliz, plenamente feliz, mesmo que isso não me incluísse.

O gosto da droga agora era amargo. A satisfação de estar perto tinha se misturado com a amargura de não estar tão perto como eu gostaria. Havia um abismo entre nós – que só eu enxergava. Vale notar, neste ponto, que fulano sempre (sempre mesmo!) deixou claro o quanto minha amizade importava, o quanto eu importava, o quanto era bom estar comigo como amigo.

Aos poucos eu percebi que eu jamais chegaria a possuir fulano. A minha vontade, verdade seja dita, era rasgar inescrupulosamente toda a roupa numa noite quente e aos beijos mais demorados fazer amor que daria inveja aos maiores amantes. De viver uma entrega tão grande e pura que nossa luz iluminaria o universo e nossas almas juntas viajariam por milênios, brincando, correndo, amando, dançando… Nós viveríamos a completude da entrega. Eu sentia. Eu queria.

Mas, diferente do sonho, a vida me levava por outro caminho. Eu me tornei um dependente do pior tipo: aquele que não quer aceitar a dependência. Homem atrás de homem, eu buscava freneticamente encontrar fulano, provocar fulano, mostrar que eu estava ali e era desejado. Por que ELE não me queria? Onde eu havia errado?

Fiz coisas das quais não me orgulho. Estive com pessoas – muitas pessoas – com quem não gostaria de estar em sã consciência. Mas eu estava sob o efeito daquela droga inebriante e minha sede por aquela boca se tornava maior, maior e maior.

Eu carregava em meu peito uma mistura heterogênea de amor e ódio. Ódio porque eu via fulano sofrendo, fazendo escolhas erradas, buscando a felicidade onde eu sabia que ela não encontraria. E como eu sabia! Não errava uma. Meu amor protetor também era intuitivo.

Só que agora eu estava cheio. Minha represa suja, poluída, cheia daquele lodo de amor rancoroso e não realizado transbordava incontrolavelmente dentro de mim. Agora eu era dor. Dor por não poder amar, dor por ver meu amor sofrendo. Dor e dor e mais dor. Era nisso que minha vida se resumia.

Eu decidi me afastar. Mas antes, é claro, deixei fulano ciente – e bem ciente! – de tudo aquilo que eu sentia. Tudo que 4 anos sempre escondi. Agora era hora da verdade. Confesso que foi um dos momentos mais difíceis em minha vida. Olhar nos olhos dele, com os meus já marejados, e dizer que eu não estaria mais ali, que eu não o procuraria mais, que eu PRECISAVA estar longe daquela droga para poder me limpar, foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida. Eu estava disposto a esquecer o amor da minha vida. E – uau! – isso doeu mais que tudo.

Nos primeiros dias a dor da abstinência era excruciante. Eu podia ouvir a respiração dele ao meu lado. Podia sentir o calor da pele que eu sempre senti, mesmo tendo tocado poucas vezes. Meu coração ainda estava nele. E ele ainda estava em mim.

Como bom filho resignado que sou, deixei o tempo passar e seguir seu fluxo. Nesse período sabático – acredite, fulano mesmo que o batizou assim, alegando que eu voltaria e, para ele, a amizade seria a mesma – eu me arrisquei em algumas tentativas bem fracassadas de novos relacionamentos. Que pela primeira vez não pareciam tão fracassadas assim.

Até para a minha família apresentei um cara, coisa que nunca tinha feito. E eu realmente acreditava que aquilo pudesse dar certo. Que a maneira mais fácil de esquecer uma pessoa seria colocando outra em seu lugar. Não é.

Meu período sabático durou aproximadamente 4 meses. Num belo dia, resolvi ligar para fulano e passar na casa dele. Era um sábado à noite. Prontamente fulano me disse que estava jogando vídeo-game e que eu deveria passar sim. Ao chegar lá, não subimos. Eu estranhei a recepção na garagem – quase me senti um carro – até que a verdade veio: fulano estava com uma garota upstairs e eu não poderia subir pois a mesma não queria receber os amigos dele.

Imagine uma faca. Pegue essa faca e cometa haraquiri. Era essa a dor que eu sentia. Meu amor havia se transformado num gigantesco ódio. Ódio por aquilo, ódio por ela, ódio por ele, ódio de mim por ter tentado me reaproximar. Intrepidamente mórbido. Era assim que eu me sentia.

Amigo leitor, se você chegou até aqui, meus parabéns. Eu realmente preciso do seu apoio nessa parte.

Depois desse episódio, perdoá-lo foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida – de novo! Mas eu perdoei. Ele não tinha culpa, pois eu havia criado demasiada expectativa. Esperava que fulano me recebesse com tapete vermelho e alegorias, mas pra ele eu sempre estive ali. Eu tinha saído para ir ao supermercado e voltado. Era isso que ele imaginava. O que, para mim, tinha sido a eternidade, para fulano foi só “um tempo”.

E aos poucos fomos nos reaproximando. Sabe aquele cachorro traumatizado de tanto apanhar, que tem medo de chegar perto de você, mas que, ainda assim, quer seu carinho? Eu estava assim. Pisando em ovos.

Eu fui me envolvendo de novo – mais fortalecido, dessa vez. E para minha surpresa, o menino que eu havia deixado há 4 meses tornara-se um homem. Cheio de atitudes, responsabilidades e desejos. Meu menino havia crescido. Tudo tão rápido.

Agora já falamos de momentos atuais. E de mais surpresas. De um modo que eu nunca esperava, fulano me surpreendeu e me estendeu a mão de uma maneira que eu não imaginava que ele seria capaz. Eu precisava de ajuda e ele estava ali por mim. De um modo quase cármico, tudo o que outrora eu fizera por ele, ele estava fazendo por mim. Sem perceber, eu já estava viciado novamente.

Já sofria novamente, já esperava novamente, já queria novamente. Mas caramba! Tinha que ser ele. As pessoas falavam que era ele. “Léo, eu tenho certeza que vocês ainda vão ficar juntos”, eu ouvia. Me alegrava na hora, mas logo em seguida a melancolia me dominava.

De novo eu sentia o mesmo ciúme da nova menina idiota que não dava a ele o devido valor. Ao ouvi-lo contar de suas desventuras amorosas, meu silêncio enciumado ao telefone disfarçava-se de má qualidade no sinal da operadora. Eu era um cão correndo atrás do próprio rabo. Tinha que ser ele.

Mas, de repente, de um modo tão engraçado e surpreendente como a vida é, em uma ligação, em uma nova história de amor de fulano, eu enxerguei.

Foi como se a represa tivesse rompido, e todo aquele lodo de sentimentos agora vertiginosamente corresse para fora de mim. A venda havia caído, a ilusão acabado e a esperança morrido.

Não era ele. Assim. Simples. Que foi embora como veio. Não era ele. E, de repente, aquele preenchimento falso que me habitara por tanto tempo agora era só vazio. Eu estou vazio. Como se dentro do meu peito coubesse o infinito. Como se esse buraco fosse sem fim, sem chão.

Não era ele, e eu estava sozinho. Eu estou sozinho. O amor da minha vida não era o amor da minha vida. Fulano virou uma lembrança – ou o que eu sentia por ele.

Agora estou aqui, imensamente incompleto, perdido, vago. Agora caminho só pelo meu deserto de sal.

E quem sabe um dia esse vazio que existe em mim possa ser preenchido da maneira mais pura e bela pelo verdadeiro amor da minha vida.

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

A difícil missão de ser um ariano

Sol, lua e ascendente em Áries. Esse sou eu. Você pode até não acreditar em signos, astros etc., mas que é legal admirar as belas coincidências, isso é. O terror de alguns e o paraíso de outros, o ariano é, por natureza, quente e fervoroso. Nesse relato, conto como eu sou e o comportamento geral de um ariano. Acreditando ou não, leia. É divertido rir da minha cara de besta.

O elemento de Áries é fogo. O ariano é intenso, verdadeiro, honesto, mas é teimoso, turrão, geralmente só ouve a ele mesmo e, no fundo, finge ser leão, mas é um belo cordeirinho. Como fogo, o ariano explode, incendeia, tem um acesso de fúria incontrolável que dura eternos… 30 segundos. Depois disso, a raiva passa, o mar vira calmaria e é como se nada tivesse acontecido. Ele até pode remoer aquele sentimento por alguns dias, mas logo ele supera e deixa pra lá.

Eles são bons de coração, viu? Apesar que, no ápice de sua revolta, o ariano pode ser bem vingativo. O grau da vingança ou a existência dela varia conforme a evolução espiritual do ser em si. No meu caso, já não perco mais tempo com isso.

Eu e todo bom ariano morremos de amor. Sempre. Diferente do leão raivoso, o ariano apaixonado é como um cachorro: fiel, apaixonado, intenso e capaz de tirar a roupa do corpo para dar ao seu amor. Ele defende com unhas e dentes aquilo que acredita, quem ama e é capaz de comprar uma briga com Deus e o mundo pela paixão. Mas olha, da mesma maneira em que se dedica, o ariano também cobra. Ele é ciumento sim, ele cobra atenção e presença sim, e geralmente ele também é bem inseguro. O ariano nunca confia plenamente no seu taco quando o assunto é amor.

Outro bônus de se apaixonar por um ariano é a cama. Não, não só dormir. O ariano é uma máquina de desejo e sexo. É igual aquele touchscreen de última geração: tocou, tá funcionando. Insaciável, eu diria. Talvez perca só pra escorpião. Aliás, arianos e escorpianos geralmente só se dão bem na cama. De resto é uma tormenta só.

Fazer um ariano se apaixonar por você é muito fácil: dê atenção mas nem tanto, inclua o ariano na sua rotina, deixe ele achar que está no controle, que está te ajudando na sua vida… O ariano gosta de fazer o parceiro crescer e prosperar. E, para isso, ele é capaz de virar sua vida de cabeça para baixo.

Como excelentes comunicadores, o ariano vai se dar bem com sua família, com seus amigos, com seus bichos de estimação, com seus vizinhos… Honestamente, é fácil amar os arianos, já que eles são pouco convencidos. Ha ha 😛

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No campo profissional, o ariano é um excelente comunicador. Se dá bem em posições comerciais, de liderança ou que exijam criatividade. Manter um ariano na rotina é pedir para matá-lo pouco a pouco. Ele  não se acostuma com isso.

Em geral, arianos são detalhistas, observadores e cuidadosos… Até demais. Eles prestam atenção em tudo, em cada detalhe e, por serem muito criativos, vão pensar em 1200 possibilidades. Para o bem ou para o mal. Por isso, seja sempre o mais claro e objetivo possível com arianos. Nós detestamos rodeios. Gostamos mesmo é da verdade, por mais dura que seja.

Não espere que um legítimo ariano vá passar a mão na sua cabeça, eles são excelentes conselheiros por causa disso. Conseguem enxergar sua vida com a frieza e a distância necessária para lhe dar belíssimos conselhos. Se envolvem muito emocionalmente também, feito crianças choronas, mas são, em geral, excelentes conselheiros.

E o que temos de bom em dar conselhos, temos de ruim em tomar nossas próprias decisões. Arianos são, em geral, muito indecisos quando o assunto envolve a própria vida deles. Se você é amigo de um, tenha paciência. No fundo existe um bom coração pronto para lhe ajudar.

Alguns arianos também adoram se fazer de vítima. Puro teatro e cedo ou tarde você vai perceber isso. Coisa pra exercitar o charme. Entre na onda, dê um pouquinho de carinho e atenção e… Você acaba de arrebatar um coração… Se você for bonito.

É fato, arianos tem um apreço exagerado pela estética, pela beleza e pelo físico. Depois, é claro, preferem sempre a personalidade, mas o que vai chamar a atenção do gato de áries na balada é o corpitcho do paquera. No meu caso, o sorriso e a composição da face é que me agradam mais.

No resumo da ópera, não é nem o melhor nem o pior. Os arianos são únicos, são fofinhos e exageradamente simpáticos. Sorte sua se apaixonar por um, pois dificilmente ele fará algo para te magoar, mesmo que ele não retribua. Agora, se ele se apaixonar por você… Aí é sorte grande. Aproveite, pois dificilmente você encontrará alguém mais apaixonado.

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Mas livra-nos do mal. Amém!

Você pode ter religião. Pode não ter. Pode acreditar em destino ou pode viver do acaso. Pode achar que tudo é fruto das suas escolhas ou pode achar que o universo tem um plano pra você. Talvez você seja do tipo cético ou talvez seja do tipo místico. Independente de tudo aquilo que você acredita ou não, uma coisa essencialmente todos somos: humanos.

Seja pelo Kharma ou pelo acaso, a natureza humana é absolutamente focada no aprendizado. Nós estamos em constante aprendizado, dia após dia. Eu, como todos sabem, acredito piamente que as coisas estão todas conectadas, e que as minhas preces são atendias.

livrai-me-de-todo-mal

Não importa o tipo de lição que você pratica, o importante mesmo é aprender. A minha última lição – fresquinha, de ontem mesmo – foi baseada na expectativa aliada à doação. Dada a experiência que vivi ontem à noite (long story, caro leitor. Perdoe-me a deselegância), eu deveria estar escrevendo um texto cheio de melancolia, revolta, raiva e ódio. Eu deveria estar aqui disseminando todo o mal que senti percorrer o meu corpo nas últimas horas.

Mas não. Sentei, meditei, respirei, orei e decidi que carregar esses sentimentos é exatamente aquilo que eu não quero pra minha vida. Eu decidi que vou transformar toda essa negatividade em perdão, resignação, piedade e bondade. E olha, não é fácil. Me deitei às 03h e ainda não dormi. Agora são exatamente 09h19 e eu estou aqui, acordado, com a cabeça a milhão sentindo um mix de emoções que eu não pensei que pudessem coexistir.

Sempre que você sente algo por uma pessoa, cria uma expectativa e se decepciona, provavelmente você sentirá o mesmo que eu senti. Nós não controlamos os nossos sentimentos. No entanto, podemos aprender, pouco a pouco, a transformá-los. Você não precisa e não deve carregar nada de negativo com você. Sentir raiva, amargura e coisas do tipo é tomar veneno e esperar que o outro morra. Não se mate.

O primeiro passo para aceitar a decepção é entender o primeiro parágrafo do texto: somos humanos. Somos fracos, suscetíveis ao erro e ao impropério. Somos seres tão complexos em nossa originalidade que errar torna-se parte essencial de nossa existência. E é do erro que tiramos as lições.

Veja: eu gostei, me entreguei, dei meu melhor, fui meu melhor, fui inteiro. E recebi metade, recebi o descaso, recebi aquilo que eu não desejaria para ninguém. Mas e daí? Culpar o outro por escolhas minhas não me lavará para um lugar melhor.

Sabe, esses tombos fazem com que nós nos olhemos por dentro, que vejamos quão belo é o nosso ser e quão maravilhosos nós somos. Às vezes nos esquecemos disso para viver em prol do outro, em prol de algo que não sabemos se é coisa sólida ou se é mole feito areia. E o tombo nos faz encontrar o perdido: a beleza e o amor que existe em nós, de fato. E se quem estava com você não quis enxergar isso, não quis viver isso, não quis aceitar esse presente maravilhoso que é você, qual o problema? Presente caro não pode ter dono barato.

O ponto que quero deixar registrado aqui é que tudo passa, e pode passar mais rápido se você compreender que tudo o que vai é porque não era para ficar. É “livrai-nos do mal, amém!” e agora você junta caquinho por caquinho desse coração e se refaz. Pois ao contrário do vidro, você não fica quebrado pra sempre.

Seja luz, fique na luz, espalhe a luz!

Namastê!

E eu queria deixar aqui registrado o meu agradecimento público às minhas amigas, aos meus guias e anjos, sem as quais eu viveria imensamente mais triste e incompleto. São nesses momentos que a amizade verdadeira se fortalece ainda mais, e as novas aparecem. Gratidão ao universo e aos anjos por tamanho presente. Não sei se sou merecedor de tanto. Amo vocês, amigas! ❤

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Você não tem nada a perder

Já pensou na consequência dos seus atos? Já pensou no medo de agir? Já pensou que você, de repente, pode perder tudo? Seria interessante se você descobrisse que não possui nada.

Somos matéria. Carne, osso, mente, espírito. Somos a integração do divino com o banal, do místico com o realístico. Somos animais que, inexplicavelmente, até hoje criamos coisas que ainda não somos capazes de entender.

Muitos séculos já se passaram e ao decorrer dos anos o conhecimento foi se acumulando e tomando diversas formas variadas. Aprendemos a matemática, aprendemos biologia, aprendemos a física, dominamos as línguas, aprendemos a tecnologia, descobrimos a mente, estamos conhecendo o universo… E provavelmente você já se perguntou seu lugar nisso tudo.

Você já se questionou do porque está aqui, o que veio fazer nesta terra, qual o sentido da vida. E talvez você ainda não tenha encontrado nenhuma resposta plausível para nenhuma destas perguntas. E os motivos são óbvios. Você está aqui porque deve estar. E tudo está exatamente onde deveria estar.

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Somos ensinados desde pequenos, que temos que ser “alguém na vida”. A difícil tarefa de pertencer a alguma profissão que lhe traga satisfação pessoal, material, familiar – tudo em equilíbrio. Tentam nos ensinar a sermos super-heróis e o sucesso, muitas vezes, está ligado à quantidade de dinheiro que você consegue fazer.

Veja: quando nascemos, não somos dotados de nada além de pura fragilidade. Não somos possuidores – talvez até sejamos herdeiros e mesmo assim não possuímos – de absolutamente nada. Chegamos a este mundo como um ser indefeso, que necessita de cuidados e atenção e daquele momento em diante somos agraciados com coisas que passam pela nossa vida, que nos ensinam algo ou que se deixam ser usufruídas e que nos levam algo… Naquele momento, a única certeza que possuímos é que nada nos pertence.

Tudo o que temos nesta vida é emprestado. Você não possui seu carro, você não possui uma esposa, você não possui uma casa. Você está com um carro, você está com sua esposa, você está com sua casa. Estas coisas são emprestadas a você. Por isso, nunca, jamais, se apegue a elas.

Vejam, pode parecer paradoxal um liberal defendendo a não existência da propriedade privada. Ora, não é isso que estou fazendo. Aqui neste texto falo do sentido espiritual do ter, não do material.

Por mais que exista a ilusão de posse sobre algo ou alguém, ela acaba, inevitavelmente, na morte. Quando você desencarna, parte dessa pra uma melhor, cachuleta, bate as botas, ou simplesmente morre, e todas aquelas coisas que um dia você usou, voltam para o universo. E ele direciona para outras pessoas que irão usar aquilo que, um dia, você achou possuir.

Em suma, o seu direito de propriedade existe sobre a sua vida, sobre as suas escolhas, suas atitudes e sua moral. São seus feitos que ecoarão pela eternidade, não seus bens.

Tudo isso para lhe mostrar, apenas, que o apego prejudica nossa missão, e é em vão. Nada, e absolutamente nada, é digno de nosso apego. E eu não falo isso com facilidade. Aprendo da maneira mais difícil a desapegar, sempre que necessário. E a cada dia a tarefa de deixar fluir vai ficando mais fácil, mais sucinta, mais rápida.

Apegue-se, apenas, às suas realizações. Apegue-se ao bem. Apegue-se ao imaterial. É a única coisa que você levará contigo ao partir desta vida. Arrisque-se. Acredite nos seus sonhos, mude o mundo. Atreva-se. Agora você já sabe que não tem nada a perder.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

A intolerância religiosa e o radicalismo cristão

Lá vou eu falar disso novamente. Não, eu não gosto de falar sobre intolerância religiosa, preferiria mil vezes falar sobre amor, mas as pessoas parecem insistir no ódio.

Que semana difícil para todos aqueles que acreditam na liberdade. Primeiro tivemos o caso da menina candomblecista de 11 anos que levou uma pedrada na cabeça ao sair do terreiro. Depois um médium foi amarrado, amordaçado e morto. Tudo isso no Rio de Janeiro e na mesma semana.

Segundo entrevista concedida à Folha de São Paulo, os agressores da menina gritavam “Vá para o inferno […] Jesus está voltando”. Pois bem. Já falei em outro post sobre o amor cristão e como era exatamente isso que Cristo NÃO queria em sua vinda à Terra. Que Ele pregou o amor, o perdão, andava com prostitutas, bandidos e até mesmo ao lado do cara que o traiu.

Jesus sabia de tudo isso e ainda pregou o amor, o perdão e a humildade. Mas o fanatismo religioso está destruindo todo e qualquer resquício dos ensinamentos dEle. É inadmissível que tenhamos, em terras ocidentais, um radicalismo que se assemelha ao Estado Islâmico. Não em números de atos terroristas (ainda?), ou em requintes de crueldade.

O que se assemelha é o ódio crescente que pastores e outros líderes religiosos têm disseminado em seus seguidores. Ódio a homossexuais, ódio a ateus, candomblecistas e a todos aqueles que possam dizer ou viver qualquer coisa que vá contra o que eles (os extremistas) acham correto.

Candomblé

Candomblé

Eu, como Umbandista (e gay, vejam!), me sinto duplamente atingido por essa violência. Não estou aqui, também, pregando uma cruzada cristofóbica. Não precisamos de guerra, precisamos de informação e amor. Precisamos viver aquilo que Cristo (ou Oxalá), nos ensinou. Precisamos tratar todo esse ódio, pois a raiz dele está fincada na desinformação, na alienação, no medo.

Então assumam o compromisso com vocês e com o mundo: que sejamos luz. Que ao nos depararmos com essa violência, possamos agir com sabedoria, discernimento e didática. Que possamos ensinar o amor de Cristo da maneira que Ele ensinou, amando. Vamos acabar com esse ódio. Vamos viver em paz. Vamos nos esforçar.

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

A economia do sorriso

Você já ouviu falar do sorriso? E da felicidade? O sorriso é a mais pura manifestação da felicidade. E é de graça. Não economize.

Vivemos tempos difíceis para sorrir. E eu sei que neste momento você deve estar se questionando do porque deixei de lado a política e a economia para falar do sorriso. Bom, eu não deixei: sorriso é universal, cabe em qualquer lugar.

Todos os dias, ao acompanharmos o noticiário, nos deparamos com fatos tão terríveis que saímos de casa levando um peso que não nos pertence em nossos ombros: o da culpa pela humanidade. Carregamos os assassinatos, carregamos a inflação, carregamos a recessão… Saímos de casa mais pesados do que acordamos. O dia já começa tenso e você começa a economizar os seus sorrisos.

Não precisa ser místico para saber que energia boa atrai energia boa. Que opostos só se atraem nos átomos. Somos regidos pela força universal, e aqui é bem assim: os dispostos se atraem. Sobreviva sem saber dos problemas dos outros. Se economize.

O sorriso

Viver momentos bons de verdade, sem dinheiro, pode ser um verdadeiro fardo. Você talvez esteja ou provavelmente conhece alguém que está desempregado, devendo. E você já ouviu ou falou: “sem grana tá foda, não dá pra ser feliz”. E eu entendo perfeitamente a importância do dinheiro na composição da felicidade. Sonhos, passeios, idas e vindas dependem de dinheiro. Mas entenda: sentir a felicidade, gostar de alguém ou entender que em algum lugar do mundo tem alguém que gosta e cuida de você é de graça. Sua saúde vem de graça. Você cria doenças com sua negatividade. Lembranças, sonhos e projetos são de graça. A força que você precisa para começar a mudar sua vida vem de graça.

Não se economize. Não economize seus sorrisos. O seu sorriso é combustível da sua felicidade. Com ele você cria forças para mudar toda a realidade da qual você está cansado. Eu aprendi isso da melhor maneira: de graça e NA graça. Amigos maravilhosos me mostraram que eu tenho o poder de decidir o que quero sentir e o que quero fazer com esse sentimento.

E eu escolhi sorrir. E esperar. E confiar. E sorrir. Sorrir porque chorar não resolve. E quando você emana um sorriso para o universo, o universo devolverá sorrisos para você. É simples assim que a vida é.

E hoje o textinho é curto mesmo. Economizei no texto para deixar você gastar o que sobra restando.

Aproveita, é de graça. E força na peruca que amanhã é segunda. Sorria pra ela. 😁😃

Leonardo Lino

Leonardo Lino 24 anos, publicitário, trabalha com Marketing Imobiliário e é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um monarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.