Pequenas pessoas sonham alto, e eu sou uma delas

Quem me conhece sabe que eu não passo dos 1,65 de altura, mas meus sonhos sempre foram maiores que meu próprio tamanho. Eu não sou a maior pessoa do mundo, mas hoje sinto que posso alcançar qualquer coisa na vida.

Quando a gente duvida da nossa capacidade em realizarmos nossos sonhos, estamos duvidando também de uma coisa que mora dentro da gente chamada: essência. É, essa mesma, essa essência que construímos desde que o médico nos tirou da barriga da nossa mãe. Fomos construindo personalidade, caráter, qualidades, defeitos, criamos laços e referências que fazem parte das pequenas partículas que quando juntas, formam nosso pequeno eu.

O meu eu era formado de partículas que se auto criticam em cada frustração, o meu eu exigia de mim o meu melhor sempre, em todas as ocasiões. O meu eu não dava espaço para o erro, o que para muitas pessoas é ótimo, afinal, quem não quer viver de acertos, não é mesmo?

Mas a vida se engrandece quando nossa expectativa é frustrada e as partículas que encobrem nosso tecido desmoronam pelos olhos. A vida se engrandece quando aprendemos a lidar com a frustração de planos não realizados, que em um futuro, devem se realizar, quando sonhos não alcançados, um dia serão atingidos.

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A vida nunca me deu muitas condições de sonhar alto, mas eu sou uma das pequenas pessoas que sonham. E não é fácil batalhar por um sonho quando todas as tentativas que você fez foram por água abaixo, quando por inúmeras vezes você deu o seu melhor e mesmo assim, não chegou lá, quando tudo que você tinha para oferecer, ainda não era o bastante. Essas rasteiras que a vida nos dá, essa voizinha que ela faz questão de pronunciar: “vai, desiste que isso não é para você não” faz com que sua pequenez seja sinônimo de incapacidade.

É o seu eu falando para você mesmo que todos os seus esforços não significaram nada, porque sonhos são feitos para gente que gosta de dormir.

Acreditar em cada minúsculo centímetro do seu pequeno corpo é acreditar que a sua essência não mede limites para alcançar o inalcançável.

“Sem sonhos, a vida é uma manhã sem orvalhos, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventura, uma existência sem sentido”. – Augusto Cury

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Se não te vejo por fora, porque vive aqui dentro?

Se já não vive fora, porque me atormenta por dentro? É bobagem pensar que quem não cruza mais com teu caminho, ainda cruza com seu coração?

Eu já não te vejo fora, mas o importante é não te ver mais aqui dentro.

A gente não se conhece mais, e não fazemos mais questão de nos conhecermos, a nossa soma não acrescenta mais. Conseguimos deixar o nosso um mais um no negativo. E é isso e ponto. Não precisamos mais das tardes nos descobrindo, explorando nosso universo, não tem mais lugar para isso, – e mesmo que tenha, quem poderia ocupa-lo melhor que você?

O tempo passou e nem se quer restou palavras para a despedida, simples como escrever uma história e aí quando ela ficasse chata, passasse a borracha, ou inventasse um desfecho mais rápido. Não teve diálogo nem sinal de fumaça, foi oito ou oitenta, foi você lá fora e você aqui dentro.

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Quanto mais temos certeza de que o fim foi o certo e que a vida está repleta de coisas maravilhosa para experimentarmos sem a presença do outro, mais ficamos enganados por puro ego de que vamos conseguir sem o outro. Obviamente a gente consegue, mas é porque ele está fora, fora dos nossos planos futuros, fora das nossas viagens espaciais por universos distantes, fora de cogitação.

Mas e quando o apego do “estar lá fora” se confronta com a dura e difícil realidade de que quem está lá fora, também está dentro da gente.

A nossa ilusão tem os pés amarrados na falsa ideia de que o que realmente importa é sobreviver sem o outro, é sair para encontrar os amigos e não sentir falta, é se jogar na pista de dançar e beijar quem der na telha. Mas e quando resolvermos tirar quem está fora, de dentro da gente?

A ideia parece absurda, mas tem gente querendo – e muito – ter um lugar para dormir no nosso sofázinho interno.  Então, como é que a gente tira alguém de dentro da gente sem que essa pessoa nos leve também?

Todo o sentido do ciclo da vida é deixar ir para que, em algum momento, algo de bom possa vir. E para algo bom vir, ele precisa de um sofázinho aconchegante e espaçoso para fazer sua morada, se não, ninguém vai conseguir deitar nele para dormir bem.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Qual é o problema?

A gente não está pronto para amar, para ter essa entrega incrível, a gente não está pronto para ouvir um eu te amo acoplado com um olhar apaixonado.

E quer saber qual é o problema disso? Nenhum.

A gente passa finais de semanas enfiados em baladas, festas e música boa. Uma vez ou outra a gente encontra alguém interessante, mas não o bastante para essa coisa toda, sabe?

Não tem problema nenhum em não estar pronto. Tem muita gente que acha que está, mas não está. A gente só evita mentir para nossos corações.

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Não estamos prontos e é isso, é essa a nossa condição. Beijos descompromissados, carinhos delicados no meio das nossas aventuras amorosas, mas é só. É o que podemos oferecer.

Somos taxados de frios e de sem sentimentos, mas só não estamos prontos. Nosso momento não é agora, e pode não ter sido com você. Mas a nossa consciência sabe que está limpa por não criar uma entrega falsa a alguém que não merece.

Beijamos bocas desconhecidas, sorrimos para pessoas que nunca mais vamos ver na vida, dançamos ao som de músicas viajantes com gente que só quer viver o momento, e nós também queremos. Sem essa de para sempre ou de “me liga amanhã”.

Não estamos prontos para café da manhã na cama, nem mensagens fofas de bom dia. (mesmo que no fundo isso faça um bem danado).  Não queremos ter que esperar resposta no whatsapp, nem visualizar e não responder para começar uma guerra de quem está mais “nem aí”.

Queremos o espaço de um instante para nos descobrirmos sozinhos. E tem gente que ainda não sabe como isso é bom para o coração.

Queremos nos acabar em festas, dançar até o chão com gente que a gente ama em volta. Queremos histórias para contar e novas cantadas para praticar.

Somos do mundo e o mundo é nosso também. Mas quando estivermos prontos, a gente sabe que o mundo pode ser bem melhor quando compartilhado.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Senta aqui e vamos conversar: qual o mundo que você quer para sua filha?

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Você já parou para pensar no quanto as coisas – e valores – estão invertidos mesmo que já estejamos em 2016 à espera das transformações futurísticas previstas antes do ano 2000 chegar?

Para não especificar sobre o caso de estupro da menina de 16 anos por 33 homens, vamos simplesmente sentar e conversar sobre a sociedade, pode ser? Até porque muitos de vocês vão querer argumentar dizendo que ela: procurou, estava em um baile funk, na favela, a roupa era curta, onde já se viu?.

“Se estivesse em casa, isso não teria acontecido”, não é mesmo? Mas, afinal, quem é que quer crescer para ter que ficar dentro de casa para nada acontecer? Eu não. E também não quero isso para minha sobrinha, para minha mãe, para minha avó, tia, prima ou você, mulher, que nem sequer conheço.

Você que vê o feminismo como um “privilégio” ou uma luta para sermos superiores aos homens, ou que, ainda, acredita que é coisa dos anos 60, isso não existe mais, afinal as mulheres podem votar e tem seus direitos iguais aos homens… Não! Nós não temos o direito de quase nada.

Sabe quando você sai à noite com seus amigos e se sente confortável para andar por ruas escuras, desacompanhado, às 4 da manhã? Nós não sabemos o que é isso. Nem mesmo durante o dia. Nós até nos arriscamos porque, porra, não vamos deixar de nos divertir porque uma grande parcela da sociedade ainda acha que pode vir nos assediar por simplesmente estarmos ali, existindo.

Basicamente é isso: nós somos punidas por simplesmente existir. E existimos, mesmo que a insegurança esteja ali, sempre. Seja em um baile de favela, um cinema ou um show de rock.

E nós mesmos somos os culpados por isso. Sim, você enquanto mãe, avó, tia, pai, irmão ou amigo. Você que tem suas crenças de que é tudo bem um homem ser assim, porque ele é homem. Tudo bem ele desrespeitar a mulher porque a mulher é quem tem culpa, sempre. Tudo bem assoviar para ela na rua, tudo bem encoxar ela no ônibus lotado, tudo bem ficar secando as mulheres com corpos esculturais na praia… Mas não está tudo bem.

Já pensou se sua filha vai à praia e um cara senta atrás dela e, enquanto a observa, começa a se masturbar simplesmente porque ela está ali existindo? Já pensou que esse cara pode ser o seu filho também?

Talvez para começar a mudar esses pensamentos a gente deva projetar naqueles que mais amamos e protegemos para exigir a mudança na cabeça daqueles que ainda não o fizeram. E a mudança não está em trancar as mulheres dentro de casa – até porque o assédio pode acontecer mesmo dentro de quatro paredes – nem tampouco exigir que elas usem burcas para “não provocar” – até porque nesses países também têm assédios! –, mas sim educar. Educar aos meninos e meninas – afinal, se nós mesmas culpamos a vítima às vezes, o problema não está só no homem –, desde pequenos, que o respeito deve servir igualitariamente para a mulher e para o homem.

A didática é muito simples: qual o mundo que você quer que sua suposta futura filha viva? A partir daí, se teu filho for um menino, você o educará seguindo os mesmos preceitos que você faria pela sua filha e pelo mundo de todas as mulheres que ainda vão nascer.

Talvez seja realmente difícil mudar a cabeça dos mais velhos, mas nunca vai ser tarde demais para parar e pensar: e se fosse a sua filha a estuprada? E se fosse o seu filho um dos 33 homens? Sabemos que muitas coisas vão além de educação, mas mudar essa cultura do estupro com certeza será um pequeno grande passo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Eu sou o caos que habita seu coração

Não adianta fugir, eu sou o caos que habita seu coração. Você vai se esconder, negar, mas eu estou lá, revirando tudo, pensamentos, lógica e estômago.

Esse sou eu, seu caos. Você me escolheu e eu só quis ficar.

Vão discordar da gente, mas quem é que nos entende, não é mesmo? Eu te faço confusa, mas no fundo a gente quer a mesma coisa, você é quem complica.

Eu sou tudo que você desvia, tudo que você não se orgulha. Como é que pode uma garota ainda sentir amor por quem a magoou. Eu sou as respostas para suas perguntas noturnas, eu sou a resposta que você não quer ouvir, e quando ouve, desacredita.

Sou seu companheiro diário, mas é quando estamos a sós que você briga comigo, chora e se descabela. Eu jogo com a verdade e você me diz que é jogo baixo, eu te mostro o caminho e você procura um novo, maior e mais difícil. Eu te mostro a luz mas você só quer ver a escuridão.

Eu sou seu caos.

Te faço forte na frente dos sorrisos que cruzam seu caminho, te faço confiante na frente de bocas que você sente vontade de beijar, te faço corajosa para dividir a cama com alguém que você não ama. Mas é só estarmos a sós que os nossos paralelos se formam um.

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Eu sou seu caos, baby. E há momentos que você quer me ouvir, quer seguir minha voz.

Os olhos se fecham, e eu percorro todo o seu corpo, passo pela sua barriga, pelo seu pescoço, chego a sua mente e faço você lembrar de tudo que prometeu esquecer, mas eu sei que você não quer, então te dou doses de pequenas e suaves memórias que fazem sua boca abrir um singelo sorriso. Você está amando, e eu estou te convencendo.

Agora eu vou mais fundo, uso os 5 sentidos para não haver mais argumentos contra mim. Eu faço você sentir o gosto do beijo, o calor do toque, o cheiro da pele. Agora você começa a chorar e eu finalmente paro. Espero você se recompor, mas você não corresponde. Te vejo completamente sem máscaras, nua de conceitos e rótulos, eu te vejo como você é.

Eu sou seus caos, e eu te vejo de fora agora.

E então eu posso te ouvir dizer, com todas as palavras, que seu amor é único, e que tua confusão te levou para o caminho errado. Que o caos que te habitava estava certo o-tempo-todo.

Tantos desvios e caminhos alternativos para chegarmos finalmente no mesmo lugar. Naqueles olhos que você deixou para trás, naquele beijo que ficou para outra hora, naquele amor que foi abandonado. Enfim, às vezes o caos vem para revirar tudo, às vezes, vem para alinhar tudo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Um eu sem você #31 – 4 de novembro

1 mês. 31 dias. São 744 horas sem você aqui. São 44640 minutos sem saber quando ou se você vai voltar.

O dia está cinza e a previsão do tempo indica que o nublado se manterá até domingo. Dentro de mim, meu coração ainda está de luto e não aprendeu a pulsar feliz sem a emoção de ter rastros de felicidade por você estar junto de mim.

Esqueci os óculos na cabeceira da cama e não voltei pra pegar. Como de costume nesse tempo sem você, perdi a hora e se ficasse mais um segundo em casa talvez me recusasse a sair. Talvez seja mais fácil enxergando tudo meio embaçado hoje, talvez me dê uma falsa ilusão de que não é a sua falta que borrou todo o cenário da minha vida.

O contrário da data de hoje é que, ainda nessa semana, também faria 3 meses desde que meu coração encontrou um lugar melhor para pulsar do que dentro de mim. Seu corpo se transformou em moradia para os meus sonhos e o meu amor. Ainda o tenho como destino final, continuo seguindo o mapa da vida e acredito que o x marcado nele me levará até você, mais cedo ou mais tarde.

Na hora do almoço vou ao mercado em busca de doces para liberar um pouco de endorfina no meu dia e deixá-lo menos triste. No caixa, quem coloca meus bombons na sacola é uma moça com Síndrome de Down.

Lembro na hora de você e no tamanho do amor incondicional e lindo que você carrega no seu corpo inteiro e demonstra na dedicação no trabalho que você ainda está começando a trilhar. Sinto uma vontade absurda de compartilhar com você, mas me contenho.

Não o bastante, à tarde também vejo uma matéria de um rapaz com autismo que não podia falar e aos 20 anos descobre que pode cantar. Imagino o quanto você iria gostar de ver o vídeo, até mesmo pelo seu TCC. E me contenho mais uma vez.

Um pouco depois de me conter, vejo você entrando no Skype e você fica ali, online, por algum tempo. Fazia tempo que eu não a via tanto tempo online. Meu pensamento viaja entre coisas boas e ruins: você está ali pelo mesmo motivo que eu penso ou é simplesmente uma coincidência com o dia de hoje? Será que está em uma videoconferência com outro alguém? Começo a interpretar sua presença online de modo que eu jamais saberei qual é a certa. Minha única certeza é das saudades das noites com você na webcam.

Ouço ininterruptamente Adam Levine e a trilha sonora de Begin Again. É minha forma de te ter comigo em um dia tão triste e que só me lembra que ele, na verdade, é o marco de um tempo fechado sem você.

No final da noite, saio conversar e beber com um amigo e, ao chegar em casa, a chuva lava a minha alma e, em cada gota que toca o meu corpo, sinto como se fosse um beijo teu. E te mando, por sintonia telepática, outros milhares de beijos de boa noite.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #30 – 03 de Novembro

O despertador toca e me tira da cama, me lembrando que mais uma semana está começando. Por pura ilusão ou falsa esperança, eu ainda abro o Whatsapp pra ver se tem algo seu. Como sou tola, você sequer responde quando a procuro, o que dirá me mandar uma mensagem por livre e espontânea vontade, né?

No segundo seguinte, me levanto e quase caio com a intensidade da cólica. Por incrível que pareça, desde que você se foi eu perdi todo o equilíbrio não só da vida, mas do meu corpo. As dores são mais fortes e estou adoecendo constantemente.

No Terminal de ônibus, me atento aos adolescentes em seus rituais de paquera. O pensamento que assola minha cabeça é um só: quando somos mais novos, as decepções parecem ser menores, ou a capacidade de regeneração do coração é mais veloz. Com o amadurecimento e o acúmulo de desilusões, as feridas tornam-se incicatrizáveis. Ficamos imunes às drogas que nos permitiam acreditar mais uma vez e nada mais faz efeito.

Sem contar quando conseguimos, por sorte ou azar, fazer o coração cicatrizar com a condição de sempre carregarmos uma marca gigante e impossível de esquecer. Se jogar no labirinto de outro ser, sem sequer pensar se vai doer, é utópico.

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De repente, o que podia ser curado torna-se irremediável. Nós só temos que aprender a viver com as ausências e as dores, especialmente nos dias gelados que as acentuam. Principalmente eu, amante do frio. O único calor que me agrada é o do teu corpo.

Abro meu e-mail no trabalho e o primeiro que leio é que você não retirou a almofada que eu havia comprado pra você. Controlo meu impulso de procurá-la e só o faço quando estou mais sã.

Você, com poucas palavras, apenas confirma que não a retirou e julga não ser saudável ter nada meu no momento. Pela primeira vez, tento não demonstrar muitas emoções mas também não sei ser totalmente fria. Te desejo uma boa tarde e você nem consegue me responder o mesmo. Espero que, dentro de você, ainda exista algo de bom disso tudo e que em um dia breve tenhamos todos os pingos nos is.

Meu amor é teu e a espera, ainda que inconsciente, é inevitável. Meus pés amaram acompanhar os teus e, agora, tentam constantemente encontrar rastros de onde tens andado.

Um amigo me pergunta como anda meu coração. Sei que, no fundo, é uma investigação em nome de alguém. Ainda não estou pronta pra declarar ao mundo que encontrei o amor mais lindo do mundo e que não posso vivê-lo.

A verdade é que eu queria poder falar que estou indisponível, que meu coração não bate mais no meu peito pois o entreguei pra sempre nas mãos de alguém sensacional: você. Mas respondo apenas superficialmente que estou solteira. Sem mais palavras. Sem mais detalhes.

O tempo passa e aprendemos que é muito mais fácil fingir não sentir nada, camuflar o amor e só deixá-lo transparecer quando nos deitamos na cama à noite do que tentar explicar ao mundo nossos sentimentos.

Espero que você, ao menos você, saiba sempre da verdade que tento ocultar do resto do mundo. Espero, também, que dentro das suas verdades ocultas ainda tenha um pedacinho de amor e carinho por mim.  A nossa reciprocidade era uma das partes mais espetaculares da nossa história.

Que ela dure pra sempre, mesmo que em silêncio.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Olá, Estranho. Tudo bem com você?

Me desculpe te chamar assim, é que já faz tanto tempo que para mim, hoje, não tenho mais o direito de achar que te conheço. De forma alguma. Passaram-se o que, quase dois anos? Eu te prometi que não ia esquecer o teu cheiro, o teu gosto e o teu toque… Mas eu esqueci. E isso é a melhor coisa que poderia ter me acontecido, sabia? Acho que eu não suportaria essas memórias vivas somadas às memórias que ficaram guardadas em mim. Apesar de todos os esquecimentos, de você jamais esqueço.

Desculpa te escrever depois de tanto tempo, mas é que eu ainda me lembro de você, todas as noites, quando deito minha cabeça no travesseiro e me pergunto incansavelmente se você também pensa em mim. Acho que você não deve pensar, e acabo pensando por nós dois – será que daqui mais 20 anos você terá um choque de realidade e pensará também? Sinceramente, espero que sim.

Soube que você realizou algumas das suas aspirações e que, inclusive, está bem e feliz com outra pessoa. Espero que ela te faça feliz e realize os teus sonhos que eu nem sequer tive tempo de ouvir ou tentar realizar, assim como também realize os que você decidiu que não era eu a pessoa a acompanha-lo pelo caminho.

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Sobre mim? Eu estou bem também, muito obrigada. Me casei, me mudei, troquei o corte de cabelo e um pouco do estilo também. Sim, me mudei. Estou bem mais longe de você, geograficamente. E foi aqui, do outro lado do estado que pude me levantar e seguir com a minha vida, sem você.

Não foi fácil, eu confesso. E continua não sendo fácil lutar contra esses pensamentos que me invadem em meio às manhãs internas cinzas ou aos finais de tarde particularmente chuvosos. Você decidiu, sozinho, que não íamos mais ser dois e simplesmente me deixou… Com o celular em uma mão e o coração em outra. Nunca mais te vi, nunca mais te ouvi, nunca mais te reconheci.

E são esses finais, cheios de interrogações e vácuos para a dúvida do que poderia ter sido, do que não foi e de que se algo ainda vive latente em você que me acompanha até hoje. Já me dizia um amigo que tudo que é inacabado fica solto pelo ar e, assim como a chuva, cedo ou tarde desagua na gente. Será que desagua em você também?

Se desaguar, saiba que nunca lhe virarei as costas, tá? Não que eu acredite ou ache que voltaremos daqui 50 anos e seremos felizes para sempre. Não. Mas gostaria de saber a sua versão da pós-história, dos sentimentos que foram e dos que ficaram, também, e, quem sabe, relembrar como é deitar no teu abraço e fazer a minha morada só mais uma vez aí.

Com amor,
aquela que ficou,
mesmo você tendo ido há tanto tempo.

• Carta do Leitor

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Amar é ser livre

É a primeira vez que estou escrevendo um texto mais voltado  para o autoconhecimento, apesar de sempre estar pesquisando e me envolvendo na temática, eu nunca me senti inspirada para colocar essas palavras em um conjunto de frases.

O que me inspirou a abrir o coração e a mente foi um livro chamado “Amar e Ser Livre” -eu também me perguntei como que as palavras Amar e Livre podem estar na mesma frase. Para você deve ser difícil compreender que é possível amar na liberdade, no começo foi difícil para mim também.

As teorias que encontrei nas palavras desse livro me levaram a estar aqui hoje escrevendo essa publicação. Eu percebi que muita gente precisa ler o que eu estava lendo, entender o que eu estava entendendo. Vocês precisam saber o porque milhares de relacionamentos não estão dando certo.

Para começar a enxergar essa nova visão dos relacionamentos precisamos compreender alguns fatores fundamentais que começam a ocorrer na nossa infância, pois é nessa fase que começamos a ter ligação com a nossa essência e com a nossa espontaneidade. Quando somos crianças e começamos a ter atitudes espontâneas, como chorar ou brincar, começamos um ciclo com nossa essência. Uma vez que essa espontaneidade é tirada da gente, começamos a nos distanciar da nossa própria essência, criando máscaras para sermos aceitos e continuarmos recebendo amor.

Um exemplo bem clássico disso é a criança que chora por um determinado motivo e os pais pedem para que ela interrompa o choro, alegando que é feio criança chorar. Nesse momento a criança entende que sentir tristeza é para os fracos, e no decorrer do tempo ela vai usando essa máscara para sentir-se acolhida e amada pelos pais.

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Essas pequenas ações resultam no seu comportamento em um relacionamento afetivo. Esses traumas estão presentes em seu corpo, mas não estão aflorados, pois você foi afastado da sua essência e a máscara que encobre seu verdadeiro eu está protagonizando sua vida.

Quando começamos a namorar alguém, nos entregamos ao outro completamente, nos entregamos de alma e de coração, achamos que a responsabilidade de ser feliz está nos braços do outro e quando não temos sucesso no relacionamento jogamos toda a culpa no outro, nos tornando vítimas constantes das nossas próprias escolhas.

Temos que entender que um relacionamento afetivo é uma universidade da vida, o amor que encontramos no nosso parceiro deve ser um espelho para nos conectarmos mais com nós mesmo e, ao invés de canalizarmos nossas energias para reencontrarmos nossa essência, transformamos todo esse amor em ciúmes, insegurança e ódio. Tudo porque não trabalhamos nossos traumas e estamos bem distantes da nossa essência.

Olhando diretamente para os fatos da minha vida e analisando todas essas teorias, tudo começou a fazer sentido. E antes mesmo de acabar de ler e estudar o livro comecei a reparar que muitas pessoas que estavam ao meu redor tinham medo da solidão, ficando presas a um relacionamento sem futuro, sem respeito e sem amor. Elas se perderam no meio do processo e não conseguem mais se reencontrar, enxergam o outro como fonte de companhia para nunca se sentirem sós.

Outro ponto que reparei é a culpa que as pessoas jogam em seus parceiros, os culpam pelo término, os culpam por não estarem mais apaixonados, os culpam por não se doarem mais, por não se esforçarem, os culpam pela frase dita no último encontro: “Eu quero terminar”. E jogar essa culpa é mais uma forma clara de que não há autoconhecimento suficiente para compreender que uma relação não deu certo pelos dois. Além de que quem recebe essa culpa se sente condenado a reverter a situação de algo que nem foi cometido completamente por ele, o receptor dessa culpa se dói achando que o erro está nele, ele se destroça por achar que estar sozinho é culpa exclusivamente dele.

E qual é o problema de estar só? Afinal, é só estando só que podemos nos conectar com o Iceberg que somos. É estando só que nos aprofundamos na nossa essência que nunca deveria ter sido afastada da gente. É estando só que aprendemos o exercício da gratidão, aprendemos a aceitar que as universidades nos ensinam e depois nos preparam para o mercado, assim como os nossos relacionamentos afetivos.

O amor é a cura para todas as formas de ódio. É com amor que se cura o ciúmes, a falta de respeito, a ignorância e a insegurança.

Temos uma longa jornada em busca da nossa essência, temos um árduo trabalho para retirarmos as máscaras que encobrem nossas verdadeiras faces, para então estarmos plenamente engajados no amor ao outro, sem cobranças de felicidades e culpas, sem sermos vítimas das nossas próprias escolhas, amando e sendo livres, amando e sendo nós mesmos.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Caminhos e escolhas

Desde que nos conhecemos por gente, aprendemos que a vida é feita de escolhas e caminhos. Alguns caminhos são mais fáceis que outros, mas não necessariamente mais felizes pela sua facilidade. Mas ainda mais importante que o caminho que escolhemos, são as pessoas que entram no meio do percurso e colorem um pouco mais o ambiente que costumava ser só pedra e terra.

Algumas companhias temos a felicidade de compartilhar desde o berço, como no caso da família. Mas não menos importante que ela, encontramos abrigo dentro do abraço de um ou outro que aparece, reaparece e vai ficando, ficando e ficando… Nas nossa vida e dentro de nós. A esses eu chamo de amigos.

Dentro das nossas escolhas, acabamos sempre indo um pouco mais longe do que os pés do outro podem nos acompanhar. Logo após o Ensino Médio a gente aprende a reconhecer novos amigos e círculos de amizade com a distância da faculdade, onde cada um decide ir pra um canto do Brasil – ou do país. Mas até aí tudo bem, sabe… Somos jovens e poucas são as amizades que crescem e se enraízam junto ao nosso amadurecimento.

Difícil mesmo é se afastar daqueles que se mostraram sempre sinceros e verdadeiros, para toda a hora e situação. Mas é inevitável. Você decide mudar de cidade, seu amigo decide ir pra outra cidade, um terceiro é promovido e também tem que se mudar e, quando nos deparamos, temos amigos espalhados por todos os cantos. Só não conseguimos mais encontra-los fisicamente. E essa é a parte doída e doida.

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Há quase um ano eu saí do meu mundo e vim descobrir outro mundo do outro lado do país, e posso dizer que, talvez, seja mais fácil ser a que vai embora. Você se enche com novidades, emprego, lugares e novas pessoas que, vez ou outra, você tira do foco o fato de estar sozinha do lado de cá. Mas aí chegam os aniversários, os feriados, as festas e comemorações… E realmente dói não estar lá. As crianças vão crescendo, os pais vão envelhecendo, você vai correndo contra o tempo e, a cada dia que passa, você se sente um pouco menos de lá e um pouco mais daqui.

Os dias trazem novas lembranças e sentimentos, sua vida vai acontecendo, você vai vivendo e os reencontros mostram o quanto você passou tempo demais fora para saber de todas as novidades, brigas, términos, conflitos e surpresas que acontecem na vida daqueles que, um dia, costumavam ser grande parte da sua vida. Mas não tem problema, porque você sabe que eles, do lado de lá, também estão fazendo o que podem para que a felicidade deles seja tão real quanto seus sonhos. E que realmente seja.

Se nós somos do tamanho de nossos sonhos, que todos vocês, amigos, sejam gigantes por toda a vida e com tudo o que fizerem. Exatamente igual ao tamanho do carinho e amor que sinto por vocês, mesmo que eu não demonstre ou não esteja mais tanto próxima quanto costumava estar com as saídas de segunda a segunda, de janeiro a dezembro.

Que todos nós possamos ir, mas que sempre saibamos que sempre poderemos voltar.

P.s.: Post dedicado àqueles que decidiram voar e o fizeram com excelência.
Vocês podem não saber, mas são o sinônimo de amizade
verdadeira, mesmo distantes.
I’ll always be here for you, brodás and sistá.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.