Um eu sem você #29 – 02 de Novembro

Acordo com as costas doendo e a lembrança que invade minha mente é daquele dia que fiquei travada e você ria de mim. Lembra? Logo depois, suas pequenas mãos percorreram cada centímetro do meu dorso e, em cada toque, minha cura.

Acho que você gostaria de saber que comecei a tomar vitaminas. Você sempre tentava me persuadir a tomar remédios e eu, com meu estilo “não tomo remédios”, sempre indo contra você, a não ser em casos extremos.

Acho que, agora, estou constantemente no meu extremo enfermo e semana sim, semana não, me encontro tomando remédios para combater as dores de garganta. Mantenho diariamente a promessa de que me cuidaria e usaria as blusas de frio para evitar adoecer, mas meu corpo não tem como evitar o que me padece a alma.

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Essa saudade nunca vai passar. Vivo em uma confusão constante e a estabilidade me abandonou. Mesmo de olhos abertos, não consigo distinguir a realidade dos meus sonhos. Tudo que dividimos parece agora tão distante que penso ter sido apenas um doce sonho ou agora, sem você, estou dormindo constantemente e vivendo um pesadelo no qual seu voo de retorno sempre se atrasa.

No meio de tudo isso, você continua sendo, e sempre continuará a ser, minha referência de amor. Os beijos da TV me deixam com seu gosto na boca e as cenas mais intensas só me recordam o quanto nossos corpos nunca encontrarão outro encaixe tão perfeito.

Era tudo tão natural e recíproco desde a primeira troca de olhares que é impossível pensar que você nunca voltará.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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Querido breve amor,

Era uma tarde de segunda-feira, um dia rodeado de expectativas. Não sabia o que esperar daquela nossa conversa, assim como nunca soube o que esperar de você. Você nunca me deixou entrar a fundo no seu coração, nunca me deixou saber quais eram seus reais sentimentos.

Você me disse que tudo tinha acabado, que as coisas esfriaram na mesma velocidade com que eu entrei na sua vida. Foi difícil me segurar para não chorar naquele momento, mas eu não podia demonstrar tamanha fraqueza. “Não fique magoada comigo”, você disse depois de vomitar tudo aquilo. A gente andava tão distante, que eu não sabia como pedir pra você ficar. Então eu deixei você ir. Eu, com um sorriso amarelo e os olhos marejados; você, parecendo não muito certo da sua decisão, mas ciente que era o melhor a se fazer naquele momento.

Eu sei que erramos muito um com o outro. Você entrou na minha vida no pior momento dela.  Eu estava perdida, relutando contra tudo o que estava acontecendo, nem um pouco convencida de estar no caminho certo. E nesse momento, no meio de um mar turbulento, você apareceu, pura calma. Eram mundos opostos demais para um momento tão tenso. E eu me perdi de você em meio a tanta confusão. Mas graças a isso, eu me encontrei.

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Tenho certeza que a sua passagem na minha vida foi proposital. Você veio até mim para cumprir uma missão: mostrar que eu precisava de um ponto de paz interior. Nada de continuar buscando isso nos outros. Eu iniciei um processo de autoconhecimento que despertou sentimentos lindos em mim. A partir disso eu pude curar feridas que estavam abertas por anos e me restabelecer. Eu sou tão grata a você por isso. Seu papel foi cumprido e você seguiu adiante.

Hoje eu lembro com muita saudade dos nossos momentos. Uma saudade tão grande que às vezes me engole. Mas maior que essa saudade que não vai embora nunca, existe o carinho e o desejo que você seja imensamente feliz. Nunca poderia desejar coisas ruins àquele que me ensinou tanto em tão pouco tempo. Te mando coisas boas, sempre.

  • Carta do leitor

Esqueça essa história de amar

É estranho não é, te encontrar na rua e fingir não te conhecer, quando você era a pessoa que mais me conhecia em toda a face da terra. Estranho checar as mensagens do celular e não ver nome entre elas, estranho não ter o que falar quando algum amigo me pergunta sobre você, sendo que antes eu sabia como você estava. Estranho não poder compartilhar meus sonhos, se antes era você quem ouvia as mais loucas aventuras que eu planejava para nossa vida.

Que atalho errado pegamos? Qual foi a porta errada que abrimos? Para onde você foi?

Eu não te achei nos lugares que você mais ia comigo, não te achei no cinema, nos restaurantes, não te achei mais na minha vida, como se a porta errada tivesse te levado para o destino mais distante do meu.

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Foi então que eu esqueci essa bobagem toda de amar. Podem me julgar, um dia vocês vão entender.

Essa coisa de não esperar é a descoberta mais tranquilizadora que meu coração teve, a gente não espera, e se acontece vira surpresa, se não acontece, ué, a gente já não esperava mesmo, não é?

E aí as expectativas diminuem. E expectativas só servem para duas coisas: Deixar a gente ansioso ou totalmente desanimado.

Então o conselho é esse, esqueça essa história de amar. Uma hora vem, acontece, BOOM, explosão de sentimento que você jura saber lidar e ali, naquela hora, não sabe nada.

Você aprende tanto enquanto espera, aprende a reconhecer que tudo tem seu tempo, aprende a não atropelar as coisas e a não passar por cima de sentimentos, aprende a compreender o passado e aprende a organizar o presente.

Até que um dia a espera acaba e você começa a contagem de uma nova fase, talvez  agora mais preparada para essa nova jornada.

E aí, aquela porta errada que a gente tanto se perguntava já não faz mais diferença, porque aquele caminho que foi trilhado errado no passado, hoje se mostra certo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Um eu sem você #28 – 01 de Novembro

Você levou contigo tudo o que eu havia de bom. Meu sorriso, minha paz, meu sossego, meu riso, minha calma… Meu coração. Aqui, agora, bate apenas um órgão que me mantém sobrevivendo às cegas, trancos e barrancos.

Passo o sábado deitada, vendo seriados e tentando constantemente dormir para não pensar em você. Coloco o filme que ficou por assistir com você, Se Eu Ficar e, em uma cena, um dos personagens chama a pessoa amada de Lar. Assim como você costumava referir-se a mim.

Isso dói na minha alma e desato a chorar. Tenho andado com o coração menos apertado, mas a saudade ainda me visita diariamente. Ela gosta de se juntar a mim para jantar, que é o momento que mais penso em você.

Revejo nossas e suas fotos no celular e é impossível não notar que nós sorríamos com os olhos. Tudo que não podíamos gritar pro mundo inteiro ouvir, o brilho em nossos olhares nos entregavam.

Atente-se às fotografias: a alegria de dividirmos sorrisos, beijos e carinhos dilatavam nossas pupilas. A felicidade e o amor estavam além da leitura simples de sorrisos eternizados, eles estão fixados em nossos corações.

Talvez um dia você entenda. E quando cansar de fugir e fingir não sentir nada e se forçar a ler as pequenas linhas de nossa história da pior maneira, talvez você consiga realizar uma leitura mais sensata e real do amor que cresceu não só em nossos peitos, mas em cada expressão em nossos rostos.

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Em um segundo, penso que não a quero fora da minha vida por completo e te convido a ficar, mesmo que não possamos ser nós. Você não responde e deixa a conversa pra outra hora. As horas passam e eu decido voltar atrás.

Dessa vez, te deixo realmente livre para partir e viver o que achar que deve ser vivido. Acredito que sua não resposta tenha dado espaço para eu pensar melhor e aceitar que nunca conseguiria te tirar do lugar que coloquei em mim e em minha vida para algo menor e acabaríamos nos machucando ainda mais.

Então que você vá e viva sua vida, em paz e no sossego das companhias que decidir agregar pra ela. Enquanto isso, eu torço para que um dia você decida voltar e ficar, para nunca mais ir embora.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #27 – 31 de Outubro

Acordo e a primeira coisa que faço é rever a foto que me lembrou o quanto você foi, e continuará sendo até minha última respiração, o sonho bom da minha realidade. Com você, tudo era sempre bom, leve, gostoso e sem censuras.

Nossas brincadeiras, cumplicidade, amizade, companheirismo, confiança e amor estavam acima das coisas da Terra, e você sabe o que eu quero dizer com isso.

No nosso primeiro encontro, o assunto casamento já havia aparecido de forma desprentesiosa entre nós. Você falando sobre tons pastéis e eu simplesmente aceitando pra te fazer feliz. Afinal, essa era minha ambição: acordar todo dia só pra te fazer sorrir.

Antes de levantar da cama, de forma totalmente estúpida, beijo a tela do celular como se de alguma forma você fosse receber e sentir esse meu beijo. Será que você sentiu? Espero que sim.

Hoje acordei com uma sensação estranha. Uma mistura de coração menos pesado mas uma tristeza bem forte. Desde ontem me peguei ouvindo constante e repetidamente Arctic Monkeys. Sim, Do I Wanna Know.

Nunca havia reparado na letra. Você já? Se não, eu te conto aqui o quanto ela é nossa música muito mais do que nas danças que você fazia pra mim com seu corpete preto. No comecinho, ele canta que achou um tom que, de alguma forma, o faz pensar em alguém e mantém tocando-o repetidamente até cair no sono. Exatamente como Do I Wanna Know está sendo pra mim.

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Quanto a nós: será que eu quero saber se esse sentimento é recíproco? Triste em ver você ir, estava meio que esperando que você ficasse. Linda, nós duas sabemos que as noites foram feitas principalmente para dizer as coisas que você não pode dizer amanhã de manhã. (Vai ver é por isso que sempre que eu te procuro, é tarde da noite. Meu peito fica cansado de carregar o amor por você durante todo o dia e, à noite, ele fraqueja e te procura).

Te digo mais: estou me arrastando de volta pra você. Você já pensou em me ligar quando teve alguns… Porque eu sempre penso. Meu amor, estou ocupada demais sendo sua pra me apaixonar por alguém novo. E agora eu pensei melhor e estou me arrastando de volta pra você.

E tudo o que eu queria era te perguntar: Você criou coragem?! Tenho me perguntando se seu coração ainda está aberto, se ele estiver, que horas ele fecha? Acalme-se e feche seus lábios. Me desculpe interromper, é que eu estou constantemente tentando beijar você.

Minha maior dúvida: Não sei se você sente o mesmo que eu, mas nós poderíamos ficar juntas, se você quisesse.

Viu? É nossa música, desde a primeira dança, passando pelas longas noites de amor com essa trilha sonora, até hoje, que não tem mais você aqui. Espero que você nunca mais use essa música com ninguém. Por favor, não faz isso, tá? Ela é nossa. Mesmo que as melodias estejam desconexas sem o acompanhamento da sua dança ou da sua respiração… Ela continua sendo nossa.

Eu postei uma imagem dessa música no Instagram. Você viu? Espero que sim. Você sabe que foi pra você, né? Duvido que haja dúvidas na sua cabeça quanto a isso. É sempre sobre você, as músicas, as legendas, as palavras e o que quer que eu escreva.

Fico pensando no que você sente quando vê alguma coisa minha. Será que é o mesmo que eu sinto por você? Se for, você realmente consegue ser racional, porque não tem um dia que eu passe sem pensar em você.

Me pergunto também se eu ainda sou o seu pensamento quando lê e curte algo no Instagram que fale sobre amor. Espero que sim, porque você é o meu, e continuará sendo por um longo tempo. Na verdade, acredito que será pra sempre a minha referência quando a pauta for amar.

Ainda está por vir o dia em que eu consiga acordar sem imaginar como você está, se continua segurando colheres com o pé enquanto usa o notebook ou se continua colocando hormônios no shampoo pro cabelo crescer.

Ainda está pra nascer o Sol que me fará não pensar se você continua arriscando na cozinha, se aquele tênis novo ainda machuca os seus pés (agora quem é que vai te emprestar a meia quando a dor for insuportável?) ou se você tirou os meus recados e fotos do seu mural.

Acho que nunca chegará o dia em que eu não fique curiosa pra saber como estão as coisas no seu estágio, se conseguiu a nota máxima no TCC, se seus avó, sua família e sua irmã estão bens… E se sua vida está do jeito que você queria.

Eu gostava de ser parte de tudo teu. Nada me dava mais prazer do que te ouvir dividindo momentos dos seus dias e sentindo o seu prazer em fazer isso. De tudo que pode vir a acontecer, a ausência da saudade que eu sinto é a única certeza que carrego no peito de que nunca acontecerá.

Você é a certeza do amor que nasceu e veio pra ficar.

E ficou, mesmo você tendo que partir.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Não banalize o meu amor

Das inúmeras babaquices que você pode fazer com meu coração, eu te peço para que você apenas não o banalize.

Eu te amei sim, por muito tempo e não me envergonho de dizer isso. Talvez seja a prova mais sincera de que o amor que senti não foi banal.

Certa vez ouvi um amigo dizer algo sobre a ingratidão que as pessoas carregam. Você deve estar se perguntando o porque encaixei esse diálogo nesse texto sobre banalização do amor. Mas é que ficou um pouco fácil identificar um amor se tornando banal com ingratidão.

Quantos dos seus amigos sentam na mesa de um bar após um término e cospem palavras horríveis sobre a(o) ex, e quantos dos seus amigos sentam e agradecem o aprendizado que aquele relacionamento trouxe? A ingratidão atinge os que banalizam o amor, porque quem ama, sabe agradecer o amor que recebeu.

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Entender isso não é fácil, eu demorei muito para conseguir agradecer e parar de ficar pensando como as atitudes passadas foram ridículas.  Foram incontáveis atitudes ridículas, e foram tantas atitudes, que por pouco não transformei meu ex relacionamento em pedaços de lixo que eu esqueceria no porão da alma.

Olha, dá para resgatar algo bom da nossa jornada, mesmo que hoje essa jornada seja dupla, antes foi via de uma mão só.

Exerça a gratidão  pelo amor que recebeu, limpo e puro do meu peito, agradeça pelas boas energias transferidas do meu corpo para o seu. Não banalize o que foi exclusivamente seu.

De todas as baboseiras ditas, será que fica tão difícil assim agradecer pelo tempo em que nossas mentes se mantiveram conectadas e por tantas mensagens de carinho que desejávamos uma para a outra. Gratidão por ser tão amável e tão cuidadosa com meu coração quando achou que deveria ser, obrigada por revelar seu lado sentimental e mostrar a doçura de um olhar apaixonado.

Que os dias possam mostrar ao seu coração a beleza da gratidão ao amor vivido e que o porão da sua alma não tenha acúmulo de amor ingrato.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Um eu sem você #26 – 30 de Outubro

Quando você decidiu sair da minha vida, e o fez com tanta facilidade, eu me perdi no tempo. Hoje, acordo sempre atordoada, com a cabeça pesada e nunca acerto em que dia da semana estamos. Só consigo acertar quando estou sentada na cadeira do trabalho e o computador me informa precisamente. É que eu não tenho mais grandes motivos para ansiar o fim de semana ou o começo do mês, sabe?

Antes, eu vivia esperando o fim de semana para estar mais perto de você mesmo em cidades diferentes. Antes, eu contava os dias até o quinto dia útil só pra poder comprar a passagem e te ver. Agora, não tenho mais o que ansiar.

Ontem à noite eu te procurei, pela milésima vez após falar que não o faria. Vi que, talvez, você estivesse voltando a flertar com seu “ex primeiro amor”, mesmo você negando e falando que eu estava confundindo as pessoas.

Constatar que, de repente, você nunca tenha o esquecido, ou que talvez com ele você possa viver tudo que eu sonho viver com você, doeu bem fundo no coração que já não consegue cicatrizar.

Eu conheço os seus passos apaixonados, seu comportamento quando está envolvida. Eu te vi e senti assim comigo, agora não é tão difícil conseguir enxergar esses hábitos, mesmo que seja com outros.

Quem nunca foi fuçar as coisas do passado da pessoa pela qual se tem sentimento? E eu fui atrás de tudo dele, só pra não me achar tão louca assim. Ele, canceriano como eu, deve ter se apaixonado tanto quanto eu estou por você. E, aparentemente, antes de mim você também sentia algo por ele. Ou eu estou louca e realmente preciso parar. Mas com todas suas curtidas nas coisas dele e os comentários dele nas suas coisas… Fiquei fora de mim.

E eu te procurei, com sensatez nenhuma. E te pedi desculpas e justifiquei meus atos falhos como respostas de estar tentando… E tentar não significa sucesso. Mas eu estou tentando, mais do que você jamais um dia saberá.

Nunca lutei tanto contra mim mesma para não procurar alguém. É que é difícil demais ouvir todos os barulhos no meu peito e na minha cabeça e não conseguir silenciá-los. É difícil demais lembrar que nós não terminamos porque nos fizemos mal, porque não dava certo ou porque não era recíproco.

É difícil seguir em frente quando a minha cabeça insiste em me lembrar de todos os detalhes que vivi com você e reforçar o quanto você era exatamente tudo que eu queria pra minha vida.

Como eu posso mudar de pensamento sendo que quando eu estou ali sentada no ônibus, não tem mais nada que venha na cabeça? É só você, seu sorriso, seu olhar, seu toque, seu cheiro, o jeito que você costumava me olhar e a forma como nossos corpos pareciam sempre ter pertencido uma à outra que me vem como cenas de um filme dentro de mim.

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O problema é que mesmo eu sendo a roteirista dessa produção, eu não consigo controlar o enredo e te fazer voltar. Éramos ótimas parceiras e nossa vida teria sido linda. Como se faz para lutar para esquecer isso? Para esquecer que encontramos a melhor pessoa pra gente e que, simplesmente, não pode ser?

Eu não consigo esquecer você e desocupar a casa do meu coração, te expulsar daqui e abrir o peito pra outra morar. E talvez eu nunca consiga. Talvez eu não queira que ninguém ocupe o seu lugar. Talvez eu não tenha mais forças pra te despejar e muito menos pra deixar o futuro trazer um novo inquilino.

Eu não perdi somente a minha melhor amante e o amor mais doce que já senti, mas perdi também uma amiga, uma companheira e uma confidente. Abri minha vida pra você, te contei coisas que nem meus amigos de dez anos sabem. Fui inteiramente sua e amava sentir que você também era inteiramente minha.

Eu te confiei meu amor, meu passado e meu futuro e te via confiando o teu em mim também. Agora, talvez ninguém mais saiba do que contei pra você. E você deveria saber: eu confiei instantânea e cegamente em você.

Tudo que era nosso, ia além do corpo, do material. Acho que você sabe do que estou falando. E acho que só você poderia entender isso.

Hoje eu vesti aquela minha camiseta que tem um buraco do lado, porque eu cortei muito a etiqueta, sabe? E me lembrei que você havia ficado de costurá-la pra mim. Espero que também tenha anotado na sua agenda de voltar para costurar os buracos do meu coração.

Agora já são 23h30 e me pergunto: onde está meu sono? Voltei à semana em que a garganta começa a doer… É que são muitas palavras guardadas, muito amor que eu não posso extravasar que tudo fica aqui, preso entre minha boca e meu coração.

Me distraio pelo Instagram até o sono me pegar e o que me pega é a sua foto fantasiada para uma festa de Hallowen. Como pode alguém nesse mundo ser tão linda assim? É covardia isso, sabia? Reunir em si tanta beleza, o amor mais leve, o sexo mais sensacional e o carinho mais afável. Tudo isso em uma só pessoa. Meu coração não aguenta.

Dou um print na tela com a sua foto e me obrigo a dormir, ainda pensando em como alguém pode não se apaixonar por você? Ou te magoar? Ou te trair? Ou não dar valor a tudo que você é? Pra mim, és um sonho bom o qual eu não queria jamais acordar. Por isso, durmo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #25 – 29 de Outubro

São nesses buracos, entre espaços de tempo e trajetos, como da cama pro banheiro, do banheiro pro quarto, da casa pro ponto de ônibus e do ônibus pro trabalho que o pensamento torna-se indomável.

Hoje comecei a pensar antes mesmo de abrir os olhos. Quando meu corpo despertou, todas as lembranças de você estavam na minha visão, mesmo que os meus olhos ainda estivessem fechados. Seu corpo, seu beijo, seu gosto e seu cheiro. Tudo tão vivo que quase me iludi e acreditei que finalmente estivesse acordando desse pesadelo que é não ter você pra mim.

Entre as lembranças, revivi o dia em que te conheci. Era como se todo o resto do bar estivesse borrado e eu só conseguisse olhar pra você. Te vi antes mesmo de adentrar na casa, entre toldos, feições e paredes.

Você não sabe, mas troquei de lugar só para te enxergar melhor. Meus olhos estavam viciados em você desde o instante que te reencontrei. Era como se, de alguma forma, eu já tivesse te visto antes, sabe? Era como se eu te conhecesse de algum lugar que, ao nascer de novo, foi apagado das minhas lembranças.

O estalo que eu tive na fila do caixa de perguntar seu nome foi os cinco segundos de coragem que eu mais me orgulho. Foi depois de ouvir sua voz e um mês depois de conversas, quando minha boca se juntou à tua e nossos corpos se aproximaram de forma a parecerem só um, que eu caí em mim e vi o amor de todas as minhas vidas novamente comigo.

Acho que nessa vida não demos sorte, né? Afinal, pro amor dar certo, precisamos tirar a sorte grande de encontrar a pessoa certa no tempo exato e somar tudo isso com uma pitada de vontade recíproca de ser dois. Sentir, por si só, não é suficiente.

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No nosso caso, o azar ficou por conta dos sexos iguais. Um obstáculo que não deveria ser empecilho pro amor, certo? Certo. Mas não pro mundo que vivemos. Espero que o tempo passe e esse cenário mude. Quem sabe, assim, ainda dê tempo de terminarmos essa vida juntas.

Na rua, o Sol põe-se alto para iluminar o dia. O moletom que uso, mesmo em dias quentes, é pra aquecer as emoções que foram congeladas desde que você se foi. Sem você, todo dia faz frio. Até mesmo quando lá fora o Sol está escaldante e a temperatura acima dos 30ºC.

Mas basta olhar para a janela do Skype me avisando que você está online que todo meu gelo se derrete. Antes você só entrava à noite, quando nos encontrávamos para dividir a rotina e nosso amor. Penso se você ainda entra só pra ver meu status online. Se for, saiba que também me faz bem quando vejo você ali. É como se você estivesse um pouco mais perto de mim. Abro e fecho sua janela um milhão de vezes, até você ficar offline. Depois de você, o Skype ficou tão sem graça, e você nem imagina.

Durante a manhã, me pego num ato falho de ver todas as suas postagens no Facebook. Quer dizer, todas as desbloqueadas. A cada foto sua, meus olhos marejam águas salgadas da saudade de você. Eu havia encontrado a minha paz no teu olhar, e você costumava chamar meu abraço de lar. Onde nos perdemos?

Eu nem tive tempo de ver você fazendo as malas e calçando seu tênis para viajar. Talvez se eu percebesse antes, teria colocado um cadeado em nossos corações e jogado a chave fora. Será que adiantaria?

Espero que, assim como toda viagem exige retorno para o aconchego do nosso ninho, você volte para o meu carinho. Que o tempo a passar nos faça melhor uma para a outra.

Por hora, se alguém me pedisse para desenhar a saudade, eu tentaria tirar do lápis e colocar no papel um dia cinza de inverno com uma brisa carregada com teu cheiro. E as nuvens que descolorem o azul do céu se fazem tão triste que, assim como eu, seguram as suas chuvas para não desaguarem a todo instante e em cima de quem não tem na a ver com essa história toda.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

No seu momento

Muitas das vezes nas quais me perguntaram os motivos de eu nunca ter namorado, eu sempre dei a resposta padrão do “ah, nunca apareceu ninguém”.

Mentira. Já apareceram diversas pessoas. Muitas, inclusive, maravilhosas e que, caso me dessem nova oportunidade hoje, eu certamente consideraria bastante me aventurar na relação. Mas o fato é que, dadas as proporções de minha mentira ao explicar o motivo, torna-se necessária a luz da verdade sobre os acontecimentos. E a verdade é que: eu não estava pronto.

Eu não estou pronto. Sou daquele ingrediente que deve cozinhar sozinho, para depois se juntar à receita. Os motivos disso? Não sei. E, por mais que tenha tentado encontrar diversas explicações, deparei-me sempre com um “espere, não é a hora”.

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No seu tempo

E, agora, você pode me culpar pela covardia, ou entender com admiração que as coisas simplesmente acontecem no tempo certo. Na hora certa, com a pessoa certa.

Sou daqueles românticos bobos que acreditam em alma gêmea, que se apaixonam fácil, que se entregam. E é justamente isso que eu precisava mudar. Eu achei a resposta.

Antes, eu seria capaz de doar a minha vida pelo bem amado. De fazer tudo e me sacrificar em prol da felicidade dele. Eu me anularia completamente para satisfazer as necessidades de meu amor. E isso seria a minha morte, mesmo que em vida.

Viver pelo o outro é morrer. Lenta e dolorosamente. Eu descobri que, antes de amar alguém, eu deveria me amar. Enxergar em mim qualidades que ninguém veria se eu não as visse primeiro. Minha dignidade precisava nascer, aflorar. Dedicar-se tanto a outra pessoa é indigno, é injusto. Comigo e com ele.

O amor não é caridade, não é doação. O amor não é anulação. O amor não é entrega. O amor é a soma de dois amores. E por mais clichê que isso pareça, e por mais vezes que isso já tenha sido dito, parece nunca ser suficiente. Insistimos no erro. Insistimos sempre em acreditar que, para ter alguém do lado, é necessário um calvário de sacrifícios em prol do outro.

Ontem, eu não estava pronto. Hoje também não estou. Talvez eu nunca esteja, e isso não é problema. Não é, porque problemas podem ser resolvidos. O amor, não. Ele só aparece quando você já aprendeu a resolver, sozinho, as dificuldades que a vida te traz.

Você não precisa de outra metade, você já é inteiro. Só precisa descobrir isso. E então o amor chegará. Leve, doce e calmo. Sem cobranças, sem pressões, sem ciúmes, sem tortura. Tudo em paz. Tudo no SEU momento.

 

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24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Carta de agradecimento a quem foi embora

É preciso agradecer a quem está ao seu lado, mas mais que isso, agradeça a quem foi embora. É isso mesmo, livre-se do ódio e da raiva para dizer ao menos um obrigada a quem preferiu seguir uma jornada longe da sua. Muitas vezes o universo agiu para o seu crescimento, e você, cego com as dores do coração, não enxergou.

É difícil agradecer por algo que a gente não quer que aconteça, é difícil agradecer quando você quer continuar e o outro decidiu parar. A caminhada fica desiquilibrada, mas veja só, quando um para, o outro continua. Que esse ser seja você.

Eu te agradeço por tudo que fez a mim nesse tempo que tivemos o privilégio de conhecermos um pouco mais da gente, dos nossos corpos, dos nossos paladares, dos nossos filmes preferidos. Obrigada por me ajudar naquele momento difícil aqui em casa, por me dar abrigo, segurança e amor. Eu te agradeço imensamente por acertar em todos os presentes, por me agradar sempre que podia, por me ensinar a ser mais humana e menos fria. Obrigada, enfim, por apresentar o seu melhor lado.

Mas meus agradecimentos nessa noite vão para tudo que você não fez por mim e permitiu que eu mesma fizesse.

Eu passei por alguns momentos complicados que com toda certeza você iria me ajudar, mas você não estava mais lá, então eu aprendi a me reerguer sozinha e visualizar na minha cabeça todos os motivos pelos quais eu ainda tinha que continuar minha jornada. Não é fácil não desistir, mas eu fiz isso. Eu não desisti de mim.

Quando eu te mandava uma foto minha, você delicadamente, me elogiava, me mantinha em um nível alto de beleza, agora, eu tive que me olhar no espelho e me sentir bonita pela minha própria concepção. Analisei alguns dos detalhes que você jurava ser a coisa mais linda que pertencia ao meu corpo, mas há muito mais em mim.

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Você me trouxe paz e companheirismo, mas sem você aprendi a descobrir o mundo com uma penca de gente totalmente diferente de mim. Eles me trouxeram novos motivos para sonhar, uma nova visão do mundo e da vida.

Depois da sua partida eu tive que me reencontrar porque você levou quase tudo, então eu me dei à liberdade de passar dias sozinha na incessante busca pelo meu eu que agora não era mais seu. Então comecei do zero, aprendi a fechar um ciclo para começar outro.

Você me encorajou (mesmo sem saber) a ir em busca dos meus sonhos. Me fez enxergar que mesmo sozinha eu podia continuar caminhando.

Obrigada pelo crescimento e por não ter voltado atrás, por ser forte e ter conseguido, assim como eu, um novo caminho a ser trilhado.

Se eu soubesse que eu iria ganhar tanto te perdendo, eu te perderia.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.