Não, nem todo mundo vai viver com o amor da sua vida

O título dói mais que bater o dedinho na quina da cômoda do quarto, dói mais que estar com fome e morder a língua sem querer, dói, e como dói. Parece inaceitável a ideia de que o nosso “felizes para sempre” pode não ser com a pessoa que imaginamos, mas isso nunca significou infelicidade. Pare bem para refletir, quantas histórias ouvidos de amores apaixonados e recíprocos que seguiram caminhos diferentes, mas que por desventura do destino tivemos que seguir em frente e encontrar uma saída de emergência, procurando o ponto certo e equilibrado para amar.

Sabe, não é todo mundo que tem o destino traçado para se casar com o amor da nossa vida, as vezes casamos, as vezes ficamos sozinhos e as vezes casamos com o nosso amor, que pode não ser o de nossa vida, mas é um baita amor. Quando você começa a enxergar as pessoas que dão valor ao seu eu, você começa a perceber que a demonstração de afeto e carinho são também formas lindas de amar alguém.

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Lembro que a hipótese de não viver com o amor da minha vida era algo que me deixava triste, com a percepção de que meu final feliz, seria na verdade, apenas um final. Não me sentia uma pessoa de sorte, afinal, via tantos outros casais se intitulando como “amor da minha vida”, que parecia que aquela verdade nunca chegaria em mim. Até que chegou, experimentei lindos momentos com o amor da minha vida, compartilhei planos, musicas, filmes, senso crítico e conhecimento. Mas os acasos da vida fez com que nosso final não fosse tão feliz assim.

Mas ai eu te pergunto, qual é o fucking problema se o meu final feliz ser com outro alguém que pode me amar na medida certa, que venha me amar a cada amanhecer de uma segunda-feira chata, que mesmo com todo meu senso crítico, ainda queira estar ao meu lado. Ou se não, qual é o problema se no final, a felicidade esteja dentro de nós mesmos, porque acima de tudo, felicidade só depende da gente.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.
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Se não te vejo por fora, porque vive aqui dentro?

Se já não vive fora, porque me atormenta por dentro? É bobagem pensar que quem não cruza mais com teu caminho, ainda cruza com seu coração?

Eu já não te vejo fora, mas o importante é não te ver mais aqui dentro.

A gente não se conhece mais, e não fazemos mais questão de nos conhecermos, a nossa soma não acrescenta mais. Conseguimos deixar o nosso um mais um no negativo. E é isso e ponto. Não precisamos mais das tardes nos descobrindo, explorando nosso universo, não tem mais lugar para isso, – e mesmo que tenha, quem poderia ocupa-lo melhor que você?

O tempo passou e nem se quer restou palavras para a despedida, simples como escrever uma história e aí quando ela ficasse chata, passasse a borracha, ou inventasse um desfecho mais rápido. Não teve diálogo nem sinal de fumaça, foi oito ou oitenta, foi você lá fora e você aqui dentro.

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Quanto mais temos certeza de que o fim foi o certo e que a vida está repleta de coisas maravilhosa para experimentarmos sem a presença do outro, mais ficamos enganados por puro ego de que vamos conseguir sem o outro. Obviamente a gente consegue, mas é porque ele está fora, fora dos nossos planos futuros, fora das nossas viagens espaciais por universos distantes, fora de cogitação.

Mas e quando o apego do “estar lá fora” se confronta com a dura e difícil realidade de que quem está lá fora, também está dentro da gente.

A nossa ilusão tem os pés amarrados na falsa ideia de que o que realmente importa é sobreviver sem o outro, é sair para encontrar os amigos e não sentir falta, é se jogar na pista de dançar e beijar quem der na telha. Mas e quando resolvermos tirar quem está fora, de dentro da gente?

A ideia parece absurda, mas tem gente querendo – e muito – ter um lugar para dormir no nosso sofázinho interno.  Então, como é que a gente tira alguém de dentro da gente sem que essa pessoa nos leve também?

Todo o sentido do ciclo da vida é deixar ir para que, em algum momento, algo de bom possa vir. E para algo bom vir, ele precisa de um sofázinho aconchegante e espaçoso para fazer sua morada, se não, ninguém vai conseguir deitar nele para dormir bem.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Seja nada para ser tudo

A vida é tão difícil com a gente, que quando a realidade te dá uns tapinhas nas costas e você se vira para ficar de cara com ela, pronto, lá está a vida sendo dura com você.

Eu particularmente nunca entendi essa coisa de estar preparada para tudo que vem pela frente. Uma hora você é tudo, outra você é nada.

E das vezes que fui tudo, simplesmente não estava pronta para ser, porque precisava ser nada. Precisava que a vida fosse dura comigo, que a realidade batesse na minha porta, eu precisava sentir que nada me pertencia, e o nada é aceitar que outras vidas continuam mesmo sem você.

Quando a gente é nada fica mais fácil perceber que sorrisos têm outros motivos além das suas piadas, os olhos brilham vendo outras pessoas além de você, a pele se arrepia sentindo frio na barriga quando encontram outras pessoas, e essas pessoas não são você.

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Fica claro entender que romances antigos recheados de juras de amor eterno, não são mais amor, eles simplesmente não doem mais, e quer saber ? As pessoas podem seguir suas vidas sem você.  Aceite.

Fica fácil dizer que a sua dor de amor é maior que as dos outros porque você passou dois anos na merda, mas a verdade é simples: cada um supera sua dor da sua própria maneira. Tem gente que passa anos aprendendo com o antigo relacionamento até se entregar à outra pessoa, e tem gente que simplesmente não se importa mais com o que passou, elas entendem que o que era para ser, não foi e ponto.

Quando a gente vê que o mundo ainda continua, mesmo o nosso estando parado, a gente acaba acordando para vida tentando recuperar o que já foi perdido, e o nada volta a te preencher, porque tudo que você tem agora é o: tarde demais.

Então se for para ser, seja nada. Tem gente que nunca vai ser tudo porque nunca soube ser nada.
Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Eu sou o caos que habita seu coração

Não adianta fugir, eu sou o caos que habita seu coração. Você vai se esconder, negar, mas eu estou lá, revirando tudo, pensamentos, lógica e estômago.

Esse sou eu, seu caos. Você me escolheu e eu só quis ficar.

Vão discordar da gente, mas quem é que nos entende, não é mesmo? Eu te faço confusa, mas no fundo a gente quer a mesma coisa, você é quem complica.

Eu sou tudo que você desvia, tudo que você não se orgulha. Como é que pode uma garota ainda sentir amor por quem a magoou. Eu sou as respostas para suas perguntas noturnas, eu sou a resposta que você não quer ouvir, e quando ouve, desacredita.

Sou seu companheiro diário, mas é quando estamos a sós que você briga comigo, chora e se descabela. Eu jogo com a verdade e você me diz que é jogo baixo, eu te mostro o caminho e você procura um novo, maior e mais difícil. Eu te mostro a luz mas você só quer ver a escuridão.

Eu sou seu caos.

Te faço forte na frente dos sorrisos que cruzam seu caminho, te faço confiante na frente de bocas que você sente vontade de beijar, te faço corajosa para dividir a cama com alguém que você não ama. Mas é só estarmos a sós que os nossos paralelos se formam um.

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Eu sou seu caos, baby. E há momentos que você quer me ouvir, quer seguir minha voz.

Os olhos se fecham, e eu percorro todo o seu corpo, passo pela sua barriga, pelo seu pescoço, chego a sua mente e faço você lembrar de tudo que prometeu esquecer, mas eu sei que você não quer, então te dou doses de pequenas e suaves memórias que fazem sua boca abrir um singelo sorriso. Você está amando, e eu estou te convencendo.

Agora eu vou mais fundo, uso os 5 sentidos para não haver mais argumentos contra mim. Eu faço você sentir o gosto do beijo, o calor do toque, o cheiro da pele. Agora você começa a chorar e eu finalmente paro. Espero você se recompor, mas você não corresponde. Te vejo completamente sem máscaras, nua de conceitos e rótulos, eu te vejo como você é.

Eu sou seus caos, e eu te vejo de fora agora.

E então eu posso te ouvir dizer, com todas as palavras, que seu amor é único, e que tua confusão te levou para o caminho errado. Que o caos que te habitava estava certo o-tempo-todo.

Tantos desvios e caminhos alternativos para chegarmos finalmente no mesmo lugar. Naqueles olhos que você deixou para trás, naquele beijo que ficou para outra hora, naquele amor que foi abandonado. Enfim, às vezes o caos vem para revirar tudo, às vezes, vem para alinhar tudo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

O destino nada mais é do que a conspiração do universo ao que a gente entrega pra ele

Existem incontáveis formas de começar esse texto. Eu poderia começar detalhando a primeira vez que te vi, ou descrevendo nossa primeira troca de energia, eu poderia começar com um diálogo, com os detalhes de um beijo nada sutil. Eu poderia passar horas elaborando frases que se encaixariam no contexto de abertura desse texto, mas eu escolhi começar por essa.

O destino nada mais é do que a conspiração do universo ao que a gente entrega pra ele.

Por milhares de vezes eu entreguei dor, raiva e tristeza ao universo, e a lei é clara, o universo devolve tudo que você entrega a ele. Eu entreguei solidão, e ele me devolveu, eu entreguei aflição, e ele me devolveu, eu entreguei rancor, e ele, mais uma vez, me devolveu.

Eu me prendi ao meu mundo particular onde as minhas idealizações eram ilusórias. Meu universo conspirava sobre algo que não me pertencia mais e eu por si só não enxergava. Passei em frente a inúmeros sinais de que aquela vida que vivia não era a minha. Não enxerguei nenhum deles, preferia fazer com que as minhas fantasias fossem criadas para me manter viva.

Que tolice a minha, mal sabia eu que viver era me conectar com a tua energia.

O mundo me devolveu tanta coisa que juntei experiências, conhecimento e humildade para fazer desse punhado uma nova vida, dessa vez, concreta e real.

Expandi meus horizontes, conquistei objetivos, visitei lugares, me redescobri no meio daquela bagunça toda, e então meu coração jogava amor e felicidade ao universo, e agora ele me devolvia com conspirações a favor dos meus planos. Eu oferecia coragem, ele me devolvia, eu oferecia pureza, e ele me devolvia, eu oferecia respeito, e ele me devolvia, eu oferecia gratidão e ele me dava mais motivos para agradecer.

Essa é a minha história com o universo.  E ele também te trouxe para mim. Porque eu ofereci amor, e ele me entregou você.

Acredito que o universo também atendeu aos seus chamados e me colocou no meio do seu caminho, e talvez eu esteja aqui agora só de passagem, talvez eu esteja aqui para te mostrar o quão lindo são seus olhos, ou o quanto autocrítica você tem que deixar de ser, posso estar aqui para te ensinar a se amar mais, a amar seu corpo, seu trabalho, amar a cima de tudo, a pessoa que você se tornou.

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Não sei quanto tempo tenho para mostrar as coisas maravilhosas do mundo, mas espero que dê tempo suficiente para você compartilhar seus momentos infinitos comigo.

Quero dançar com você na chuva, quero pegar uma estrada ouvindo a música mais gostosa do mundo com você, quero deitar no seu colo em dias difíceis, quero te ligar para contar que as coisas estão dando certo, quero ser sua imensidão para as coisas que você desconhece.

Quero que você se descubra olhando no espelho, quero que você se sinta a vontade com a roupa que escolheu para sair, quero que você use lápis para realçar seus olhos, mas se você não quiser, tudo bem também. Quero que saia com seus amigos, quero que saia com sua família, quero que você viva. Quero que viaje, conheça pessoas novas, quero que sua inspiração seja plena e contínua. Ninguém merece ideias adormecidas e sonhos apagados.

E eu estarei aqui te dando asas quando precisar voar, e estendendo a mão quando a queda for precisa. Eu estarei aqui para lembrar todos os dias  que você precisa se vestir de confiança, estarei no começo e no final do teu dia para não deixa-lo cair numa rotina.

Eu vou cozinhar, vou te ensinar palavras do meu próprio vocabulário, vou te pedir para ficar mesmo quando você precisar ir. Mas o mais importante, é saber que você é livre para se encaixar em qualquer outro abraço, e mesmo assim, escolheu se encaixar no meu.

Um eu sem você #31 – 4 de novembro

1 mês. 31 dias. São 744 horas sem você aqui. São 44640 minutos sem saber quando ou se você vai voltar.

O dia está cinza e a previsão do tempo indica que o nublado se manterá até domingo. Dentro de mim, meu coração ainda está de luto e não aprendeu a pulsar feliz sem a emoção de ter rastros de felicidade por você estar junto de mim.

Esqueci os óculos na cabeceira da cama e não voltei pra pegar. Como de costume nesse tempo sem você, perdi a hora e se ficasse mais um segundo em casa talvez me recusasse a sair. Talvez seja mais fácil enxergando tudo meio embaçado hoje, talvez me dê uma falsa ilusão de que não é a sua falta que borrou todo o cenário da minha vida.

O contrário da data de hoje é que, ainda nessa semana, também faria 3 meses desde que meu coração encontrou um lugar melhor para pulsar do que dentro de mim. Seu corpo se transformou em moradia para os meus sonhos e o meu amor. Ainda o tenho como destino final, continuo seguindo o mapa da vida e acredito que o x marcado nele me levará até você, mais cedo ou mais tarde.

Na hora do almoço vou ao mercado em busca de doces para liberar um pouco de endorfina no meu dia e deixá-lo menos triste. No caixa, quem coloca meus bombons na sacola é uma moça com Síndrome de Down.

Lembro na hora de você e no tamanho do amor incondicional e lindo que você carrega no seu corpo inteiro e demonstra na dedicação no trabalho que você ainda está começando a trilhar. Sinto uma vontade absurda de compartilhar com você, mas me contenho.

Não o bastante, à tarde também vejo uma matéria de um rapaz com autismo que não podia falar e aos 20 anos descobre que pode cantar. Imagino o quanto você iria gostar de ver o vídeo, até mesmo pelo seu TCC. E me contenho mais uma vez.

Um pouco depois de me conter, vejo você entrando no Skype e você fica ali, online, por algum tempo. Fazia tempo que eu não a via tanto tempo online. Meu pensamento viaja entre coisas boas e ruins: você está ali pelo mesmo motivo que eu penso ou é simplesmente uma coincidência com o dia de hoje? Será que está em uma videoconferência com outro alguém? Começo a interpretar sua presença online de modo que eu jamais saberei qual é a certa. Minha única certeza é das saudades das noites com você na webcam.

Ouço ininterruptamente Adam Levine e a trilha sonora de Begin Again. É minha forma de te ter comigo em um dia tão triste e que só me lembra que ele, na verdade, é o marco de um tempo fechado sem você.

No final da noite, saio conversar e beber com um amigo e, ao chegar em casa, a chuva lava a minha alma e, em cada gota que toca o meu corpo, sinto como se fosse um beijo teu. E te mando, por sintonia telepática, outros milhares de beijos de boa noite.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #30 – 03 de Novembro

O despertador toca e me tira da cama, me lembrando que mais uma semana está começando. Por pura ilusão ou falsa esperança, eu ainda abro o Whatsapp pra ver se tem algo seu. Como sou tola, você sequer responde quando a procuro, o que dirá me mandar uma mensagem por livre e espontânea vontade, né?

No segundo seguinte, me levanto e quase caio com a intensidade da cólica. Por incrível que pareça, desde que você se foi eu perdi todo o equilíbrio não só da vida, mas do meu corpo. As dores são mais fortes e estou adoecendo constantemente.

No Terminal de ônibus, me atento aos adolescentes em seus rituais de paquera. O pensamento que assola minha cabeça é um só: quando somos mais novos, as decepções parecem ser menores, ou a capacidade de regeneração do coração é mais veloz. Com o amadurecimento e o acúmulo de desilusões, as feridas tornam-se incicatrizáveis. Ficamos imunes às drogas que nos permitiam acreditar mais uma vez e nada mais faz efeito.

Sem contar quando conseguimos, por sorte ou azar, fazer o coração cicatrizar com a condição de sempre carregarmos uma marca gigante e impossível de esquecer. Se jogar no labirinto de outro ser, sem sequer pensar se vai doer, é utópico.

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De repente, o que podia ser curado torna-se irremediável. Nós só temos que aprender a viver com as ausências e as dores, especialmente nos dias gelados que as acentuam. Principalmente eu, amante do frio. O único calor que me agrada é o do teu corpo.

Abro meu e-mail no trabalho e o primeiro que leio é que você não retirou a almofada que eu havia comprado pra você. Controlo meu impulso de procurá-la e só o faço quando estou mais sã.

Você, com poucas palavras, apenas confirma que não a retirou e julga não ser saudável ter nada meu no momento. Pela primeira vez, tento não demonstrar muitas emoções mas também não sei ser totalmente fria. Te desejo uma boa tarde e você nem consegue me responder o mesmo. Espero que, dentro de você, ainda exista algo de bom disso tudo e que em um dia breve tenhamos todos os pingos nos is.

Meu amor é teu e a espera, ainda que inconsciente, é inevitável. Meus pés amaram acompanhar os teus e, agora, tentam constantemente encontrar rastros de onde tens andado.

Um amigo me pergunta como anda meu coração. Sei que, no fundo, é uma investigação em nome de alguém. Ainda não estou pronta pra declarar ao mundo que encontrei o amor mais lindo do mundo e que não posso vivê-lo.

A verdade é que eu queria poder falar que estou indisponível, que meu coração não bate mais no meu peito pois o entreguei pra sempre nas mãos de alguém sensacional: você. Mas respondo apenas superficialmente que estou solteira. Sem mais palavras. Sem mais detalhes.

O tempo passa e aprendemos que é muito mais fácil fingir não sentir nada, camuflar o amor e só deixá-lo transparecer quando nos deitamos na cama à noite do que tentar explicar ao mundo nossos sentimentos.

Espero que você, ao menos você, saiba sempre da verdade que tento ocultar do resto do mundo. Espero, também, que dentro das suas verdades ocultas ainda tenha um pedacinho de amor e carinho por mim.  A nossa reciprocidade era uma das partes mais espetaculares da nossa história.

Que ela dure pra sempre, mesmo que em silêncio.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Cartas para a posteridade 

Há momentos tão intrinsecamente meus, tão grudados à parede da alma e tão pertos da saída da fala. 

Desesperados silêncios momentâneos que assolam os loucos e fracos. Desafiadoras verdades inaceitáveis e inaceitada. 

A solidão que é companheira. A amizade que se distancia. Pensei que era fogo, mas vento era… E soprou. 

Antes do hoje a existência do ser condenada ao eterno redemoinho dos pensamentos incertos. Das certezas erradas e errôneas e das falas mal ditas e malditas. 

Arranho a parede. Está escuro aqui hoje. Não fez sol. Éramos tanto e hoje somos tão pouco. Especialmente agora. 

Não pensei ser assim. Achava que meu destino era outro. Mas dos meus achares, não me acho. Não me achei. 

Estarei perdido em meio ao nada? Ou quem não sabe para onde ir já está no lugar certo? 

Escrevo para a posteridade. Escrevo para que não restem dúvidas: é possível caminhar sozinho. É possível estar sozinho. 

É possível se iludir. 

Achei que era tanto e não era nada. 

E agora? Morte cerebral? 

Sem drama. Vida que segue e banda que toca. 

E que, na posteridade, quando ler esta carta, saiba que fui muito pouco. Achei que não era nada. E estava, de novo, errado. 

Olá, Estranho. Tudo bem com você?

Me desculpe te chamar assim, é que já faz tanto tempo que para mim, hoje, não tenho mais o direito de achar que te conheço. De forma alguma. Passaram-se o que, quase dois anos? Eu te prometi que não ia esquecer o teu cheiro, o teu gosto e o teu toque… Mas eu esqueci. E isso é a melhor coisa que poderia ter me acontecido, sabia? Acho que eu não suportaria essas memórias vivas somadas às memórias que ficaram guardadas em mim. Apesar de todos os esquecimentos, de você jamais esqueço.

Desculpa te escrever depois de tanto tempo, mas é que eu ainda me lembro de você, todas as noites, quando deito minha cabeça no travesseiro e me pergunto incansavelmente se você também pensa em mim. Acho que você não deve pensar, e acabo pensando por nós dois – será que daqui mais 20 anos você terá um choque de realidade e pensará também? Sinceramente, espero que sim.

Soube que você realizou algumas das suas aspirações e que, inclusive, está bem e feliz com outra pessoa. Espero que ela te faça feliz e realize os teus sonhos que eu nem sequer tive tempo de ouvir ou tentar realizar, assim como também realize os que você decidiu que não era eu a pessoa a acompanha-lo pelo caminho.

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Sobre mim? Eu estou bem também, muito obrigada. Me casei, me mudei, troquei o corte de cabelo e um pouco do estilo também. Sim, me mudei. Estou bem mais longe de você, geograficamente. E foi aqui, do outro lado do estado que pude me levantar e seguir com a minha vida, sem você.

Não foi fácil, eu confesso. E continua não sendo fácil lutar contra esses pensamentos que me invadem em meio às manhãs internas cinzas ou aos finais de tarde particularmente chuvosos. Você decidiu, sozinho, que não íamos mais ser dois e simplesmente me deixou… Com o celular em uma mão e o coração em outra. Nunca mais te vi, nunca mais te ouvi, nunca mais te reconheci.

E são esses finais, cheios de interrogações e vácuos para a dúvida do que poderia ter sido, do que não foi e de que se algo ainda vive latente em você que me acompanha até hoje. Já me dizia um amigo que tudo que é inacabado fica solto pelo ar e, assim como a chuva, cedo ou tarde desagua na gente. Será que desagua em você também?

Se desaguar, saiba que nunca lhe virarei as costas, tá? Não que eu acredite ou ache que voltaremos daqui 50 anos e seremos felizes para sempre. Não. Mas gostaria de saber a sua versão da pós-história, dos sentimentos que foram e dos que ficaram, também, e, quem sabe, relembrar como é deitar no teu abraço e fazer a minha morada só mais uma vez aí.

Com amor,
aquela que ficou,
mesmo você tendo ido há tanto tempo.

• Carta do Leitor

Você também pode mandar sua carta para nós! envie para: umeusemvoce@outlook.com.br

Amar é ser livre

É a primeira vez que estou escrevendo um texto mais voltado  para o autoconhecimento, apesar de sempre estar pesquisando e me envolvendo na temática, eu nunca me senti inspirada para colocar essas palavras em um conjunto de frases.

O que me inspirou a abrir o coração e a mente foi um livro chamado “Amar e Ser Livre” -eu também me perguntei como que as palavras Amar e Livre podem estar na mesma frase. Para você deve ser difícil compreender que é possível amar na liberdade, no começo foi difícil para mim também.

As teorias que encontrei nas palavras desse livro me levaram a estar aqui hoje escrevendo essa publicação. Eu percebi que muita gente precisa ler o que eu estava lendo, entender o que eu estava entendendo. Vocês precisam saber o porque milhares de relacionamentos não estão dando certo.

Para começar a enxergar essa nova visão dos relacionamentos precisamos compreender alguns fatores fundamentais que começam a ocorrer na nossa infância, pois é nessa fase que começamos a ter ligação com a nossa essência e com a nossa espontaneidade. Quando somos crianças e começamos a ter atitudes espontâneas, como chorar ou brincar, começamos um ciclo com nossa essência. Uma vez que essa espontaneidade é tirada da gente, começamos a nos distanciar da nossa própria essência, criando máscaras para sermos aceitos e continuarmos recebendo amor.

Um exemplo bem clássico disso é a criança que chora por um determinado motivo e os pais pedem para que ela interrompa o choro, alegando que é feio criança chorar. Nesse momento a criança entende que sentir tristeza é para os fracos, e no decorrer do tempo ela vai usando essa máscara para sentir-se acolhida e amada pelos pais.

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Essas pequenas ações resultam no seu comportamento em um relacionamento afetivo. Esses traumas estão presentes em seu corpo, mas não estão aflorados, pois você foi afastado da sua essência e a máscara que encobre seu verdadeiro eu está protagonizando sua vida.

Quando começamos a namorar alguém, nos entregamos ao outro completamente, nos entregamos de alma e de coração, achamos que a responsabilidade de ser feliz está nos braços do outro e quando não temos sucesso no relacionamento jogamos toda a culpa no outro, nos tornando vítimas constantes das nossas próprias escolhas.

Temos que entender que um relacionamento afetivo é uma universidade da vida, o amor que encontramos no nosso parceiro deve ser um espelho para nos conectarmos mais com nós mesmo e, ao invés de canalizarmos nossas energias para reencontrarmos nossa essência, transformamos todo esse amor em ciúmes, insegurança e ódio. Tudo porque não trabalhamos nossos traumas e estamos bem distantes da nossa essência.

Olhando diretamente para os fatos da minha vida e analisando todas essas teorias, tudo começou a fazer sentido. E antes mesmo de acabar de ler e estudar o livro comecei a reparar que muitas pessoas que estavam ao meu redor tinham medo da solidão, ficando presas a um relacionamento sem futuro, sem respeito e sem amor. Elas se perderam no meio do processo e não conseguem mais se reencontrar, enxergam o outro como fonte de companhia para nunca se sentirem sós.

Outro ponto que reparei é a culpa que as pessoas jogam em seus parceiros, os culpam pelo término, os culpam por não estarem mais apaixonados, os culpam por não se doarem mais, por não se esforçarem, os culpam pela frase dita no último encontro: “Eu quero terminar”. E jogar essa culpa é mais uma forma clara de que não há autoconhecimento suficiente para compreender que uma relação não deu certo pelos dois. Além de que quem recebe essa culpa se sente condenado a reverter a situação de algo que nem foi cometido completamente por ele, o receptor dessa culpa se dói achando que o erro está nele, ele se destroça por achar que estar sozinho é culpa exclusivamente dele.

E qual é o problema de estar só? Afinal, é só estando só que podemos nos conectar com o Iceberg que somos. É estando só que nos aprofundamos na nossa essência que nunca deveria ter sido afastada da gente. É estando só que aprendemos o exercício da gratidão, aprendemos a aceitar que as universidades nos ensinam e depois nos preparam para o mercado, assim como os nossos relacionamentos afetivos.

O amor é a cura para todas as formas de ódio. É com amor que se cura o ciúmes, a falta de respeito, a ignorância e a insegurança.

Temos uma longa jornada em busca da nossa essência, temos um árduo trabalho para retirarmos as máscaras que encobrem nossas verdadeiras faces, para então estarmos plenamente engajados no amor ao outro, sem cobranças de felicidades e culpas, sem sermos vítimas das nossas próprias escolhas, amando e sendo livres, amando e sendo nós mesmos.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.