Uma anedota

Essa é só uma anedota

Um pedaço velho de papel

Largado no balcão, não cobre mais o sanduiche

Rapaz bonito que comeu, bebeu

Saiu. 

Levou com ele meu coração

Essa é só mais uma anedota

Daqueles amores impossíveis de acontecer

Mas que nos meus sonhos são reais

  

  

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Cartas para a posteridade 

Há momentos tão intrinsecamente meus, tão grudados à parede da alma e tão pertos da saída da fala. 

Desesperados silêncios momentâneos que assolam os loucos e fracos. Desafiadoras verdades inaceitáveis e inaceitada. 

A solidão que é companheira. A amizade que se distancia. Pensei que era fogo, mas vento era… E soprou. 

Antes do hoje a existência do ser condenada ao eterno redemoinho dos pensamentos incertos. Das certezas erradas e errôneas e das falas mal ditas e malditas. 

Arranho a parede. Está escuro aqui hoje. Não fez sol. Éramos tanto e hoje somos tão pouco. Especialmente agora. 

Não pensei ser assim. Achava que meu destino era outro. Mas dos meus achares, não me acho. Não me achei. 

Estarei perdido em meio ao nada? Ou quem não sabe para onde ir já está no lugar certo? 

Escrevo para a posteridade. Escrevo para que não restem dúvidas: é possível caminhar sozinho. É possível estar sozinho. 

É possível se iludir. 

Achei que era tanto e não era nada. 

E agora? Morte cerebral? 

Sem drama. Vida que segue e banda que toca. 

E que, na posteridade, quando ler esta carta, saiba que fui muito pouco. Achei que não era nada. E estava, de novo, errado. 

No seu momento

Muitas das vezes nas quais me perguntaram os motivos de eu nunca ter namorado, eu sempre dei a resposta padrão do “ah, nunca apareceu ninguém”.

Mentira. Já apareceram diversas pessoas. Muitas, inclusive, maravilhosas e que, caso me dessem nova oportunidade hoje, eu certamente consideraria bastante me aventurar na relação. Mas o fato é que, dadas as proporções de minha mentira ao explicar o motivo, torna-se necessária a luz da verdade sobre os acontecimentos. E a verdade é que: eu não estava pronto.

Eu não estou pronto. Sou daquele ingrediente que deve cozinhar sozinho, para depois se juntar à receita. Os motivos disso? Não sei. E, por mais que tenha tentado encontrar diversas explicações, deparei-me sempre com um “espere, não é a hora”.

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No seu tempo

E, agora, você pode me culpar pela covardia, ou entender com admiração que as coisas simplesmente acontecem no tempo certo. Na hora certa, com a pessoa certa.

Sou daqueles românticos bobos que acreditam em alma gêmea, que se apaixonam fácil, que se entregam. E é justamente isso que eu precisava mudar. Eu achei a resposta.

Antes, eu seria capaz de doar a minha vida pelo bem amado. De fazer tudo e me sacrificar em prol da felicidade dele. Eu me anularia completamente para satisfazer as necessidades de meu amor. E isso seria a minha morte, mesmo que em vida.

Viver pelo o outro é morrer. Lenta e dolorosamente. Eu descobri que, antes de amar alguém, eu deveria me amar. Enxergar em mim qualidades que ninguém veria se eu não as visse primeiro. Minha dignidade precisava nascer, aflorar. Dedicar-se tanto a outra pessoa é indigno, é injusto. Comigo e com ele.

O amor não é caridade, não é doação. O amor não é anulação. O amor não é entrega. O amor é a soma de dois amores. E por mais clichê que isso pareça, e por mais vezes que isso já tenha sido dito, parece nunca ser suficiente. Insistimos no erro. Insistimos sempre em acreditar que, para ter alguém do lado, é necessário um calvário de sacrifícios em prol do outro.

Ontem, eu não estava pronto. Hoje também não estou. Talvez eu nunca esteja, e isso não é problema. Não é, porque problemas podem ser resolvidos. O amor, não. Ele só aparece quando você já aprendeu a resolver, sozinho, as dificuldades que a vida te traz.

Você não precisa de outra metade, você já é inteiro. Só precisa descobrir isso. E então o amor chegará. Leve, doce e calmo. Sem cobranças, sem pressões, sem ciúmes, sem tortura. Tudo em paz. Tudo no SEU momento.

 

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24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Mutação

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Paro e repenso. Analiso e percebo migalhas tortas transformadas em banquetes. Aquele pouco fel, que de tão amargo embriaga, na ilusão do amor perdido transformado em doce.

Pura mágica realizadora, idealizadora, que faz do nada o tudo e enche de esperanças um coração cansado. Triste de ver, todo dia, a luz do sol mais longe. O calor mais frio. A praia mais deserta.

Saber que, por um instante, fagulhas acenderam uma chama morta. E o que era lenha se fez pó. A morte em instantes do resto da vida. A incompreensão.

A descoberta torpe, o beijo doce e o sonho lúdico, lúcido. Sonhar de olhos abertos não seria, então, a melhor forma de se enganar? Pois se doce fora o pensamento, salgada a vida chega, em pedaços, aos prantos.

E suspiros se esvaem na poeira do tempo. Ele que nunca para e nunca dorme, hoje, controla a rotina incessante de meus passos. Eu não sei para onde vou, mas eu ando. Prefiro deixar rastros de mim por onde passo a ser inexistente na estrada.

O caminho, como sempre, não é claro. Não há como saber em qual ladeira eu fico e ao pó retorno. Mas o medo não me impede de enxergar um pouco além, a cada amanhecer.

Hoje as ilusões não são minhas. Elas eu deixei para trás. Trago comigo, apenas, a realidade. Objetiva, nua e crua. Completamente bela pela simplicidade irretocável do suspiro profundo.

Eu sei aonde chego. Eu sei por onde vou. Sou navegante do meu caminho. Sou Sol, sou Lua, sou a estrada. Eu me desfaço e me refaço a cada segundo.

Evolução. Eu sou um aprendiz de mim mesmo.

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24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Quanto você me olhou pela primeira vez

Nossos olhos se cruzaram e a única sensação que pude sentir foi um formigamento no pé. Uma dormência que foi subindo lentamente pela minha perna, e despertou as borboletas que moram em meu estômago e que há muito dormiam – elas estavam te esperando!

Quando você me olhou, um segundo se transformou, de repente, em todo o tempo que eu precisava para saber onde mora a felicidade. Eu pude notar, nesse piscar de olhos, que nossos laços se cruzavam de tempos atrás, quem sabe de outras vidas.

Eu pude sentir a sensação de estar em casa novamente, depois de um longo dia de trabalho, e de jogar minhas chaves sobre a mesa, e ainda vestido deitar no sofá enquanto você pergunta como foi o dia, dizendo que eu nunca estive tão lindo como estava naquele momento. Você gosta de elogiar, e eu te amo mais por isso – apesar de sempre ficar sem jeito.

Mesmo ainda sem te tocar, eu senti o seu calor e lembrei de você deitado no meu peito, fazendo os planos mais loucos para o futuro e me tornando cúmplice do que comecei a chamar de “nossas loucuras”, o nosso jeito louco e inocente de ver o mundo.

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Você sempre esteve aqui, eu sempre te senti. E nesse segundo que nossos olhos se cruzaram eu descobri que não era louco, era só um paciente esperando pelo remédio. Era a cura de uma doença que eu não tinha. Era a alegria do beijo doce pelo amanhecer. E você rindo do meu cabelo bagunçado, enquanto eu te enchia de beijos te dizendo que você é a coisa mais bonita que eu já vi.

Depois daquele olhar meus domingos nunca foram os mesmos, e eu pude admirar o entardecer com todo o meu coração, sem ter medo da segunda-feira, afinal, depois de um dia longo, você seria a minha recompensa, o meu desejo de voltar pra casa.

Devo confessar que, devido a esse olhar, ganhei até uns quilos. Nós amamos comer, não é mesmo? Adoro quando, mesmo sem ter todo o dom de um chef, você cozinha coisas que me lembram de casa. Adoro seu jeito de me confortar e me fazer sentir parte do mundo.

Talvez você não saiba e eu nunca tenha te dito, porque eu tenho um sério problema em expressar o que sinto, mas eu só cheguei tão longe porque você estava me olhando, me apoiando. Era de você que vinha minha força de virar madrugadas a fio no escritório pensando em um jeito de mudar o mundo. Seu compromisso com a verdade, sua integridade, sua fé nas pessoas, sua bondade… É de você que vem a minha humanidade. Teu calor não me deixou ser frio, mesmo depois de tantas pancadas.

Não foi fácil chegar até você. Mas foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Desculpe a demora.

Mas eu tenho certeza que você vai entender, quando os nossos olhos se cruzarem.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Eu deveria partir

Deveria ir embora, correr sem rumo e não olhar para trás. Deveria deixar você em algum lugar distante do passado, apagado, esquecido e moribundo.

Deveria deixar você ir sem a menor chance de voltar. Eu deveria.

Sua presença me mata a cada segundo e toda hora me pego pensando no porque de não ter te deixado. Me pergunto se todas aquelas noites acordado por você não fizeram de mim uma pessoa pior.

Eu queria mesmo comprar uma passagem pra longe, só de ida. Me perder em qualquer lugar no qual você não estivesse.

Eu deveria existir por mim, não por você. Deveria não sentir ciúmes e nem querer mais do que eu posso ter.

A realidade em que vivo, há muito, já deveria ter acabado com a ilusão de que um dia, daqui muito tempo, ou no instante seguinte, você percebesse que eu sou aquele que pode te fazer feliz.

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Deveria deixar essa insanidade em prol da minha estabilidade mental. Da minha paz, do meu amor. Abandonar o Prozac e, junto dele, abandonar todas as nossas lembranças boas, nossos risos fáceis, nossos amigos.

Mas ao contrário de tudo isso, eu me abandonei. Eu me deixei por você. Me entreguei por completo e aqui estou, preso, entre quatro paredes pensando em todas as coisas que eu deveria ter feito e não fiz. Por medo. Medo de te deixar e a realidade lá fora ser ainda pior. Medo de descobrir que o meu errado era o meu certo. Medo de não achar aquilo que eu procurava.

Talvez a felicidade só apareça quando eu partir. Ou talvez ela esteja aqui. Existindo enquanto eu me preocupo com aquilo que eu deveria, mas não fiz.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Você não precisa curar a carência

Porque carência não é doença, é sintoma!

Assim como eu, acredito que muitos passam fases de extrema carência. Estive um período longe do blog, e pude tomar esse tempo para me observar, me conhecer, e tentar entender a origem desse mal que muito me aflige.

Como todo ser humano, tenho minhas limitações e necessidades. E o tempo me fez perceber que boa parte das respostas que eu preciso estão disponíveis no Universo. Basta que eu vá buscá-las.

Em minhas investigações pude compreender que a carência não é um mal em si, mas sim o sintoma de um muito maior que vem acometendo cada vez mais pessoas: a falta do amor próprio.

Com essa falta, é natural que nosso ego vá tentar encontrar o que precisamos nos outros. E por isso estamos sempre precisando de mais amor, mais atenção, mais carinho, mais abraços, e daí sentimos mais ciúmes, nos sentimos mais frustrados, mais tristes, mais incompletos e é óbvio! Não importa o quanto recebamos dos outros, pois, para nós, sempre será insuficiente. Não há como encher nossa alma com outro combustível que não o nosso. E nesse processo nosso ego vai ficando cada vez mais e mais viciado nas “massagens” que recebe. Vai esperando cada vez mais atenção, cada vez mais exclusividade, cada vez cria mais necessidade e a nossa frustração só aumenta.

Para combater a carência você precisa buscar meios de entender e aceitar que você é um ser suficiente em si, e que nada no mundo pode te dar aquilo que você já possui. Só o amor próprio cura. E quando ele cura, os sintomas desaparecem. A falta de auto-estima é a doença que deve ser tratada.

Para isso, os passos são simples mas requerem total determinação. Seu EGO está viciado, e você precisa desintoxicá-lo para começar o processo. Tente começar entendendo que ninguém no mundo lhe deve nada. Não existe sequer uma pessoa que tenha obrigações para com você. As pessoas são livres, assim como você também é. O que nós damos e recebemos deve partir – SEMPRE – de nosso livre arbítrio. Espere menos delas, e espere mais de você.

Procure em seu interior características que você ame. Sua inteligência, seu humor, seu companheirismo, seu carisma… Eu tenho certeza que aí dentro mora um ser humano muito iluminado, dotado de todas as coisas boas do universo. Depois que descobrir, reforce essas características. Quando você perceber as suas qualidades, vai entender que aquele namorado de quem você tanto espera não é alguém melhor que você, que não existe perfeição em ninguém, e que você não precisa dele, você está com ele porque quer!

Cuide de você. Se você não amar o reflexo que vê no espelho, como pode amar aquilo que você não vê? Malhe, se alimente bem, perca peso, mude o cabelo, radicalize. Comece se amando cada dia mais, de fora para dentro.

Invista em você. Estude, leia aquele livro, veja aquele filme, viaje, trabalhe. Acrescente, todo dia, um novo conteúdo em sua mente. Descubra e aprenda coisas novas. Seja diferente, queira ser melhor. Nunca é tarde para começar aquela pós, ou até mesmo outra faculdade…

Espere mais de você. Pois quando você espera de você, acaba, por consequência, esperando menos dos outros. Todo dia, pela manhã, diga para si mesma aonde quer chegar, que coisas quer fazer, que lugares quer conhecer, com quem quer conversar. Determine metas, prazos, objetivos. Seja um ser humano que faz sua existência valer a pena. Tenho certeza que você pode. Eu acredito em você.

Entenda que pessoas são só pessoas. E elas não podem te dar tudo aquilo que você quer. Você não muda ninguém, não melhora ninguém, não conserta ninguém. As pessoas mudam, evoluem e crescem apenas por vontade própria. Apenas por percepções particulares, nunca porque você quer que elas mudem.

Sei que não é tarefa fácil consertar a si mesmo. Mas sei, também, que sofrer de falta de amor próprio é muito pior. Sei que sentir ciúmes é muito pior. Sei que esperar algo que nunca chega é terrível. Aquela ligação, aquela mensagem, aquela atenção… Tudo isso é angustiante. Então espero que você consiga. Espero que você tente. Que se dê uma chance.

Há uma vida toda pela frente. E você merece ser feliz, sendo de si mesma.

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Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Você não está sozinho

Um dos sentimentos mais terríveis que um ser humano pode experimentar durante sua jornada é a solidão. Digo isso pois a solidão geralmente é vasta, ampla, e parece não ter fim no horizonte. Mesmo em companhia, muitas pessoas ainda experimentam a solidão. Ela é vertiginosa e sorrateira. Te pega quando você menos espera. É quase uma doença, na qual a cura está em você mesmo.

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Ao longo dos meus (curtos) 24 anos de existência, pude me deparar com diversos momentos de solidão. Estar só, na verdade, é a condição natural do ser humano. Somos seres autônomos, independentes e donos de nossas próprias vontades e escolhas. O convívio social, a interação entre os seres humanos é que é avessa à nossa condição natural. É a ruptura, a fuga do caos do individualismo que encontra ordem em outros seres.

Pode parecer piegas, mas todos nós, em algum momento de nossa vida, nos sentiremos sozinhos. É como aquele remédio ruim que você TEM que tomar. Ele tem o gosto amargo, mas faz de você uma pessoa melhor no fim de tudo. E estar sozinho não se trata de ter companhia. Eu mesmo já estive acompanhado diversas vezes e, ainda assim, estava só. Só, porque sonhos, vontades, idéias, conversas… as almas não eram compartilhadas. Compartilhar tempo não é o antídoto que você precisa. Às vezes, para deixar a solidão passar, você só precisa, simplesmente, vivê-la…

Há um ditado americano que eu gosto muito: “get your shit together” (algo como recomponha-se). Você precisa se recompor desse sentimento. Aceitar que ele existe e que uma hora ele passará. Encontre verdadeira companhia em si mesmo. É possível? Com certeza. É fácil? Não.

Aceitar que a sua solidão geralmente deriva de suas expectativas é uma das partes mais difíceis. As pessoas não vão te corresponder como você espera, não preencherão seu vazio e tampouco trarão algo de que você precise. A solidão é fruto da necessidade de ser aceito, amado, desejado. Entenda: todas essas vontades não lhe são naturais. A priori, você deve se aceitar, se amar, se desejar. É entender que você tem em suas mãos exatamente aquilo que você precisa.

E quando você descobrir isso, vai perceber que as coisas estão ali, há um passo de distância. Go get it! Hoje você pode estar sozinho, mas descobrirá a melhor companhia no exato momento em que se encontrar.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Dicas para equilibrar seus sentimentos

Vivemos uma miscelânea de sentimentos durante toda nossa vida. Às vezes, no mesmo dia, você pode sentir do amor ao ódio em um piscar de olhos. A vida é dinâmica e a gente também. Por isso, é importante aprender a equilibrar seus sentimentos para que nenhum deles te domine.

As técnicas são simples. Inclusive podem parecer simples demais, mas funcionam. Vamos lá:

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DESCUBRA SE O QUE VOCÊ SENTE É REALMENTE SEU

Já esteve em um lugar ou situação e, do nada, você começou a sentir-se triste, irritado, nervoso, angustiado?

Muitas vezes captamos as energias do local ou das pessoas com quem estamos, por isso uma auto-análise breve é fundamental para se manter alinhado.

Faça perguntas do tipo “Esta angústia que eu estou sentindo é minha?”, ou “Eu tenho motivos para me sentir triste?”, ou ainda “de onde vem essa raiva que eu estou sentindo? Não tenho motivos para sentir isso…”

Facilmente você vai descobrir que está carregando algo que não é seu, e restabelecerá seu equilíbrio.

ENTENDA QUE TUDO PASSA

Ao nos depararmos com uma situação difícil, tendemos a acreditar que aquilo vai durar para sempre. Não vai, pois nada é para sempre. Entender que o que se vive é breve e está acontecendo para te ensinar alguma lição é fundamental para não deixar abater-se.

Tente enxergar a vida como um jogo e você como um jogador. Não foque em seus problemas, mas nas soluções que você imagina para eles. Até as mais absurdas valem. Muitas vezes a resposta que procuramos está bem ao nosso lado, e nós deixamos passar por nos concentrarmos no problema e não na solução.

ACEITE QUE NADA É SEU

Seja o carro, o emprego, o namorado… Nada é realmente seu. Nós somos passageiros do tempo e coisas vem e vão a todo o momento em nossa vida.

O apego é um dos nossos maiores inimigos em busca da felicidade. Apegar-se a pessoas, a idéias, a objetos, situações, tornam você escravo de si mesmo e das circunstancias, e todos sabemos que você não quer viver assim. Entender que você é senhor apenas de si mesmo, dono apenas de suas escolhas e consequências farão de você uma pessoa mais calma e serena. Deixe tudo aquilo que precisa ir embora ir. Reduza seu sofrimento. Aceite que você merece algo melhor e o melhor só pode chegar na hora que o ruim der espaço.

NÃO PEÇA PACIÊNCIA

Pedir paciência é uma grande armadilha. Sempre que pedimos paciência, Deus, o Universo, a Vida ou como você queira chamar, nos dá oportunidade para exercitá-la. Como você exercita a paciência? Sim, isso mesmo: ficando irritado. E você não quer isso, né?

Ao invés de pedir paciência, peça sabedoria. É muito mais útil e os resultados são muito melhores.

E POR ÚLTIMO, PREOCUPE-SE MENOS

Existe um provérbio chinês que diz: “Se o problema tem solução, não esquente a cabeça, porque tem solução. Se o problema não tem solução, não esquente a cabeça, porque não tem solução.”  E é exatamente isso. Ao invés de focar no problema, foque na solução.

Por exemplo: Ao invés de ficar pensando nas dívidas, foque na solução – ganhar dinheiro. Ao invés de pensar que você está gorda, pense na solução – Vou me matricular numa academia.

Se você se irrita com alguma pessoa ou ambiente, pense que ficar irritado só faz mal a você mesmo. Coloque fones de ouvido, leia algo, abstraia… Assim o tempo passa mais rápido.

Espero que essas dicas simples tenham ajudado. Tente sempre buscar o equilíbrio, e deixe a energia fluir naturalmente.

Paz e bem para você.

Namastê!

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não me olha torto que meu santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Um eu em carta – Leonardo Lino

Para escrever uma carta ao meu passado, eu precisei voltar até lá. Enxergar novamente tudo aquilo que um dia eu vivi, que um dia me machucou, que um dia me alegrou… Revisitar lugares e rever pessoas que eu não tinha a intenção de reencontrar.

Mesmo que seja só por pensamento, a tarefa foi difícil. Mas lá vou eu. E seja o que Deus quiser.

Léo, 10 anos depois, aqui está você. Sentado em frente a um computador que você sempre quis (acredite, você tem um Mac, haha), um celular bacana, um carro, os melhores amigos do mundo e muitos problemas para enfrentar. A vida não ficou mais fácil e nem mais bacana. A vida ficou diferente. Diferente daquilo que você esperava, mas acredito que um pouco melhor. Nós nos superamos, Léo. Mas calma, ainda temos uma longa estrada pela frente.

Sei do quão difícil está sendo para você. Aos 14, um adolescente pobre, acima do peso (bem acima), e gay, não é uma das pessoas mais populares do colégio católico ultra-fancy que você estuda. Seus amigos de verdade, a essa altura, se resumem a 0, e você vai descobrir que pode ficar pior. Espere até os dezesseis.

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Mas eu estou aqui para conversar com você de maneira aberta e sem ressentimentos, visto que não poderemos mudar o que já passou. Nosso trabalho, agora, consiste em mudar o futuro do ponto de onde eu estou.

Você está passando por uma fase depressiva. Falta coragem, falta entusiasmo, sobra vergonha da sua condição financeira quando comparada à das pessoas ao seu redor. Neste ponto da vida, você tem vergonha até de entrar no carro simples da sua família.

Léo 14, desculpa te expor desse jeito. Não quero parecer sensacionalista ou dramático, mas quero me lembrar das coisas que já enfrentamos para que eu nunca me esqueça da força que eu tenho. Você sabe que não está sendo fácil estudar o dia todo comendo um salgado na hora do almoço, apenas, e depois andando 6 km para voltar para casa pois não tem o dinheiro do ônibus. Para que te conforte, hoje você corre isso por hobby e come bem, bem melhor. Gratidão universo.

A sensação de estar numa escola como a que você estuda não é das melhores, pelo menos não nesse seu momento. Ainda é cedo, mas seus talentos começam a aparecer agora, e você sempre apresenta os trabalhos, e até se diverte um pouco com seus amigos. Talvez neste ponto você já esteja mais zen em relação a tudo, em relação ao bullying (a gente nem sabia da existência desse termo), você está ficando mais forte.

O seu inconformismo diante da vida não vai acabar. Nós somos eternos inconformados. Você se sente revoltado com o que vê, você é agitador, e não acredita que as coisas possam ser do jeito que é. Esse espírito quero manter sempre vivo dentro de mim, graças a você.

A transição da oitava série para o colegial não é das melhores. Ah, você nunca vai ser bom o suficiente para seus colegas do time de vôlei – desista deles porque eles já não acreditam em você. Seu primeiro “emprego” na loja da tia tem muito a te ensinar. Muito, muito mesmo. E você não vai parar de trabalhar, então se acostume com isso.

Hoje você é grato por ter estado onde esteve. Vai perceber que tudo o que você tem deve-se à melhor educação que sua vida, seu colégio e seus pais te proporcionaram. Não preciso te dizer para se afastar das falsianes, pois a vida vai se encarregar disso. Você estará sozinho, mas não estará só. Você me ajudou a descobrir que somos sempre a nossa melhor companhia, e que, quando queremos, podemos chegar onde quisermos.

Obrigado, Léo aos 14. Você me fez lembrar que nós somos bem maiores que os nossos problemas, e que já passamos por mais coisas do que achamos que passaríamos. Agora, reabastecido da nossa coragem, eu volto para o presente. Te deixo aí, intacto, perfeito. Como tem que ser. Daqui em diante, ainda há muito para ser vivido.