Senta aqui e vamos conversar: qual o mundo que você quer para sua filha?

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Você já parou para pensar no quanto as coisas – e valores – estão invertidos mesmo que já estejamos em 2016 à espera das transformações futurísticas previstas antes do ano 2000 chegar?

Para não especificar sobre o caso de estupro da menina de 16 anos por 33 homens, vamos simplesmente sentar e conversar sobre a sociedade, pode ser? Até porque muitos de vocês vão querer argumentar dizendo que ela: procurou, estava em um baile funk, na favela, a roupa era curta, onde já se viu?.

“Se estivesse em casa, isso não teria acontecido”, não é mesmo? Mas, afinal, quem é que quer crescer para ter que ficar dentro de casa para nada acontecer? Eu não. E também não quero isso para minha sobrinha, para minha mãe, para minha avó, tia, prima ou você, mulher, que nem sequer conheço.

Você que vê o feminismo como um “privilégio” ou uma luta para sermos superiores aos homens, ou que, ainda, acredita que é coisa dos anos 60, isso não existe mais, afinal as mulheres podem votar e tem seus direitos iguais aos homens… Não! Nós não temos o direito de quase nada.

Sabe quando você sai à noite com seus amigos e se sente confortável para andar por ruas escuras, desacompanhado, às 4 da manhã? Nós não sabemos o que é isso. Nem mesmo durante o dia. Nós até nos arriscamos porque, porra, não vamos deixar de nos divertir porque uma grande parcela da sociedade ainda acha que pode vir nos assediar por simplesmente estarmos ali, existindo.

Basicamente é isso: nós somos punidas por simplesmente existir. E existimos, mesmo que a insegurança esteja ali, sempre. Seja em um baile de favela, um cinema ou um show de rock.

E nós mesmos somos os culpados por isso. Sim, você enquanto mãe, avó, tia, pai, irmão ou amigo. Você que tem suas crenças de que é tudo bem um homem ser assim, porque ele é homem. Tudo bem ele desrespeitar a mulher porque a mulher é quem tem culpa, sempre. Tudo bem assoviar para ela na rua, tudo bem encoxar ela no ônibus lotado, tudo bem ficar secando as mulheres com corpos esculturais na praia… Mas não está tudo bem.

Já pensou se sua filha vai à praia e um cara senta atrás dela e, enquanto a observa, começa a se masturbar simplesmente porque ela está ali existindo? Já pensou que esse cara pode ser o seu filho também?

Talvez para começar a mudar esses pensamentos a gente deva projetar naqueles que mais amamos e protegemos para exigir a mudança na cabeça daqueles que ainda não o fizeram. E a mudança não está em trancar as mulheres dentro de casa – até porque o assédio pode acontecer mesmo dentro de quatro paredes – nem tampouco exigir que elas usem burcas para “não provocar” – até porque nesses países também têm assédios! –, mas sim educar. Educar aos meninos e meninas – afinal, se nós mesmas culpamos a vítima às vezes, o problema não está só no homem –, desde pequenos, que o respeito deve servir igualitariamente para a mulher e para o homem.

A didática é muito simples: qual o mundo que você quer que sua suposta futura filha viva? A partir daí, se teu filho for um menino, você o educará seguindo os mesmos preceitos que você faria pela sua filha e pelo mundo de todas as mulheres que ainda vão nascer.

Talvez seja realmente difícil mudar a cabeça dos mais velhos, mas nunca vai ser tarde demais para parar e pensar: e se fosse a sua filha a estuprada? E se fosse o seu filho um dos 33 homens? Sabemos que muitas coisas vão além de educação, mas mudar essa cultura do estupro com certeza será um pequeno grande passo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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Um eu sem você #31 – 4 de novembro

1 mês. 31 dias. São 744 horas sem você aqui. São 44640 minutos sem saber quando ou se você vai voltar.

O dia está cinza e a previsão do tempo indica que o nublado se manterá até domingo. Dentro de mim, meu coração ainda está de luto e não aprendeu a pulsar feliz sem a emoção de ter rastros de felicidade por você estar junto de mim.

Esqueci os óculos na cabeceira da cama e não voltei pra pegar. Como de costume nesse tempo sem você, perdi a hora e se ficasse mais um segundo em casa talvez me recusasse a sair. Talvez seja mais fácil enxergando tudo meio embaçado hoje, talvez me dê uma falsa ilusão de que não é a sua falta que borrou todo o cenário da minha vida.

O contrário da data de hoje é que, ainda nessa semana, também faria 3 meses desde que meu coração encontrou um lugar melhor para pulsar do que dentro de mim. Seu corpo se transformou em moradia para os meus sonhos e o meu amor. Ainda o tenho como destino final, continuo seguindo o mapa da vida e acredito que o x marcado nele me levará até você, mais cedo ou mais tarde.

Na hora do almoço vou ao mercado em busca de doces para liberar um pouco de endorfina no meu dia e deixá-lo menos triste. No caixa, quem coloca meus bombons na sacola é uma moça com Síndrome de Down.

Lembro na hora de você e no tamanho do amor incondicional e lindo que você carrega no seu corpo inteiro e demonstra na dedicação no trabalho que você ainda está começando a trilhar. Sinto uma vontade absurda de compartilhar com você, mas me contenho.

Não o bastante, à tarde também vejo uma matéria de um rapaz com autismo que não podia falar e aos 20 anos descobre que pode cantar. Imagino o quanto você iria gostar de ver o vídeo, até mesmo pelo seu TCC. E me contenho mais uma vez.

Um pouco depois de me conter, vejo você entrando no Skype e você fica ali, online, por algum tempo. Fazia tempo que eu não a via tanto tempo online. Meu pensamento viaja entre coisas boas e ruins: você está ali pelo mesmo motivo que eu penso ou é simplesmente uma coincidência com o dia de hoje? Será que está em uma videoconferência com outro alguém? Começo a interpretar sua presença online de modo que eu jamais saberei qual é a certa. Minha única certeza é das saudades das noites com você na webcam.

Ouço ininterruptamente Adam Levine e a trilha sonora de Begin Again. É minha forma de te ter comigo em um dia tão triste e que só me lembra que ele, na verdade, é o marco de um tempo fechado sem você.

No final da noite, saio conversar e beber com um amigo e, ao chegar em casa, a chuva lava a minha alma e, em cada gota que toca o meu corpo, sinto como se fosse um beijo teu. E te mando, por sintonia telepática, outros milhares de beijos de boa noite.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #30 – 03 de Novembro

O despertador toca e me tira da cama, me lembrando que mais uma semana está começando. Por pura ilusão ou falsa esperança, eu ainda abro o Whatsapp pra ver se tem algo seu. Como sou tola, você sequer responde quando a procuro, o que dirá me mandar uma mensagem por livre e espontânea vontade, né?

No segundo seguinte, me levanto e quase caio com a intensidade da cólica. Por incrível que pareça, desde que você se foi eu perdi todo o equilíbrio não só da vida, mas do meu corpo. As dores são mais fortes e estou adoecendo constantemente.

No Terminal de ônibus, me atento aos adolescentes em seus rituais de paquera. O pensamento que assola minha cabeça é um só: quando somos mais novos, as decepções parecem ser menores, ou a capacidade de regeneração do coração é mais veloz. Com o amadurecimento e o acúmulo de desilusões, as feridas tornam-se incicatrizáveis. Ficamos imunes às drogas que nos permitiam acreditar mais uma vez e nada mais faz efeito.

Sem contar quando conseguimos, por sorte ou azar, fazer o coração cicatrizar com a condição de sempre carregarmos uma marca gigante e impossível de esquecer. Se jogar no labirinto de outro ser, sem sequer pensar se vai doer, é utópico.

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De repente, o que podia ser curado torna-se irremediável. Nós só temos que aprender a viver com as ausências e as dores, especialmente nos dias gelados que as acentuam. Principalmente eu, amante do frio. O único calor que me agrada é o do teu corpo.

Abro meu e-mail no trabalho e o primeiro que leio é que você não retirou a almofada que eu havia comprado pra você. Controlo meu impulso de procurá-la e só o faço quando estou mais sã.

Você, com poucas palavras, apenas confirma que não a retirou e julga não ser saudável ter nada meu no momento. Pela primeira vez, tento não demonstrar muitas emoções mas também não sei ser totalmente fria. Te desejo uma boa tarde e você nem consegue me responder o mesmo. Espero que, dentro de você, ainda exista algo de bom disso tudo e que em um dia breve tenhamos todos os pingos nos is.

Meu amor é teu e a espera, ainda que inconsciente, é inevitável. Meus pés amaram acompanhar os teus e, agora, tentam constantemente encontrar rastros de onde tens andado.

Um amigo me pergunta como anda meu coração. Sei que, no fundo, é uma investigação em nome de alguém. Ainda não estou pronta pra declarar ao mundo que encontrei o amor mais lindo do mundo e que não posso vivê-lo.

A verdade é que eu queria poder falar que estou indisponível, que meu coração não bate mais no meu peito pois o entreguei pra sempre nas mãos de alguém sensacional: você. Mas respondo apenas superficialmente que estou solteira. Sem mais palavras. Sem mais detalhes.

O tempo passa e aprendemos que é muito mais fácil fingir não sentir nada, camuflar o amor e só deixá-lo transparecer quando nos deitamos na cama à noite do que tentar explicar ao mundo nossos sentimentos.

Espero que você, ao menos você, saiba sempre da verdade que tento ocultar do resto do mundo. Espero, também, que dentro das suas verdades ocultas ainda tenha um pedacinho de amor e carinho por mim.  A nossa reciprocidade era uma das partes mais espetaculares da nossa história.

Que ela dure pra sempre, mesmo que em silêncio.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #29 – 02 de Novembro

Acordo com as costas doendo e a lembrança que invade minha mente é daquele dia que fiquei travada e você ria de mim. Lembra? Logo depois, suas pequenas mãos percorreram cada centímetro do meu dorso e, em cada toque, minha cura.

Acho que você gostaria de saber que comecei a tomar vitaminas. Você sempre tentava me persuadir a tomar remédios e eu, com meu estilo “não tomo remédios”, sempre indo contra você, a não ser em casos extremos.

Acho que, agora, estou constantemente no meu extremo enfermo e semana sim, semana não, me encontro tomando remédios para combater as dores de garganta. Mantenho diariamente a promessa de que me cuidaria e usaria as blusas de frio para evitar adoecer, mas meu corpo não tem como evitar o que me padece a alma.

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Essa saudade nunca vai passar. Vivo em uma confusão constante e a estabilidade me abandonou. Mesmo de olhos abertos, não consigo distinguir a realidade dos meus sonhos. Tudo que dividimos parece agora tão distante que penso ter sido apenas um doce sonho ou agora, sem você, estou dormindo constantemente e vivendo um pesadelo no qual seu voo de retorno sempre se atrasa.

No meio de tudo isso, você continua sendo, e sempre continuará a ser, minha referência de amor. Os beijos da TV me deixam com seu gosto na boca e as cenas mais intensas só me recordam o quanto nossos corpos nunca encontrarão outro encaixe tão perfeito.

Era tudo tão natural e recíproco desde a primeira troca de olhares que é impossível pensar que você nunca voltará.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Caminhos e escolhas

Desde que nos conhecemos por gente, aprendemos que a vida é feita de escolhas e caminhos. Alguns caminhos são mais fáceis que outros, mas não necessariamente mais felizes pela sua facilidade. Mas ainda mais importante que o caminho que escolhemos, são as pessoas que entram no meio do percurso e colorem um pouco mais o ambiente que costumava ser só pedra e terra.

Algumas companhias temos a felicidade de compartilhar desde o berço, como no caso da família. Mas não menos importante que ela, encontramos abrigo dentro do abraço de um ou outro que aparece, reaparece e vai ficando, ficando e ficando… Nas nossa vida e dentro de nós. A esses eu chamo de amigos.

Dentro das nossas escolhas, acabamos sempre indo um pouco mais longe do que os pés do outro podem nos acompanhar. Logo após o Ensino Médio a gente aprende a reconhecer novos amigos e círculos de amizade com a distância da faculdade, onde cada um decide ir pra um canto do Brasil – ou do país. Mas até aí tudo bem, sabe… Somos jovens e poucas são as amizades que crescem e se enraízam junto ao nosso amadurecimento.

Difícil mesmo é se afastar daqueles que se mostraram sempre sinceros e verdadeiros, para toda a hora e situação. Mas é inevitável. Você decide mudar de cidade, seu amigo decide ir pra outra cidade, um terceiro é promovido e também tem que se mudar e, quando nos deparamos, temos amigos espalhados por todos os cantos. Só não conseguimos mais encontra-los fisicamente. E essa é a parte doída e doida.

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Há quase um ano eu saí do meu mundo e vim descobrir outro mundo do outro lado do país, e posso dizer que, talvez, seja mais fácil ser a que vai embora. Você se enche com novidades, emprego, lugares e novas pessoas que, vez ou outra, você tira do foco o fato de estar sozinha do lado de cá. Mas aí chegam os aniversários, os feriados, as festas e comemorações… E realmente dói não estar lá. As crianças vão crescendo, os pais vão envelhecendo, você vai correndo contra o tempo e, a cada dia que passa, você se sente um pouco menos de lá e um pouco mais daqui.

Os dias trazem novas lembranças e sentimentos, sua vida vai acontecendo, você vai vivendo e os reencontros mostram o quanto você passou tempo demais fora para saber de todas as novidades, brigas, términos, conflitos e surpresas que acontecem na vida daqueles que, um dia, costumavam ser grande parte da sua vida. Mas não tem problema, porque você sabe que eles, do lado de lá, também estão fazendo o que podem para que a felicidade deles seja tão real quanto seus sonhos. E que realmente seja.

Se nós somos do tamanho de nossos sonhos, que todos vocês, amigos, sejam gigantes por toda a vida e com tudo o que fizerem. Exatamente igual ao tamanho do carinho e amor que sinto por vocês, mesmo que eu não demonstre ou não esteja mais tanto próxima quanto costumava estar com as saídas de segunda a segunda, de janeiro a dezembro.

Que todos nós possamos ir, mas que sempre saibamos que sempre poderemos voltar.

P.s.: Post dedicado àqueles que decidiram voar e o fizeram com excelência.
Vocês podem não saber, mas são o sinônimo de amizade
verdadeira, mesmo distantes.
I’ll always be here for you, brodás and sistá.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #28 – 01 de Novembro

Você levou contigo tudo o que eu havia de bom. Meu sorriso, minha paz, meu sossego, meu riso, minha calma… Meu coração. Aqui, agora, bate apenas um órgão que me mantém sobrevivendo às cegas, trancos e barrancos.

Passo o sábado deitada, vendo seriados e tentando constantemente dormir para não pensar em você. Coloco o filme que ficou por assistir com você, Se Eu Ficar e, em uma cena, um dos personagens chama a pessoa amada de Lar. Assim como você costumava referir-se a mim.

Isso dói na minha alma e desato a chorar. Tenho andado com o coração menos apertado, mas a saudade ainda me visita diariamente. Ela gosta de se juntar a mim para jantar, que é o momento que mais penso em você.

Revejo nossas e suas fotos no celular e é impossível não notar que nós sorríamos com os olhos. Tudo que não podíamos gritar pro mundo inteiro ouvir, o brilho em nossos olhares nos entregavam.

Atente-se às fotografias: a alegria de dividirmos sorrisos, beijos e carinhos dilatavam nossas pupilas. A felicidade e o amor estavam além da leitura simples de sorrisos eternizados, eles estão fixados em nossos corações.

Talvez um dia você entenda. E quando cansar de fugir e fingir não sentir nada e se forçar a ler as pequenas linhas de nossa história da pior maneira, talvez você consiga realizar uma leitura mais sensata e real do amor que cresceu não só em nossos peitos, mas em cada expressão em nossos rostos.

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Em um segundo, penso que não a quero fora da minha vida por completo e te convido a ficar, mesmo que não possamos ser nós. Você não responde e deixa a conversa pra outra hora. As horas passam e eu decido voltar atrás.

Dessa vez, te deixo realmente livre para partir e viver o que achar que deve ser vivido. Acredito que sua não resposta tenha dado espaço para eu pensar melhor e aceitar que nunca conseguiria te tirar do lugar que coloquei em mim e em minha vida para algo menor e acabaríamos nos machucando ainda mais.

Então que você vá e viva sua vida, em paz e no sossego das companhias que decidir agregar pra ela. Enquanto isso, eu torço para que um dia você decida voltar e ficar, para nunca mais ir embora.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #27 – 31 de Outubro

Acordo e a primeira coisa que faço é rever a foto que me lembrou o quanto você foi, e continuará sendo até minha última respiração, o sonho bom da minha realidade. Com você, tudo era sempre bom, leve, gostoso e sem censuras.

Nossas brincadeiras, cumplicidade, amizade, companheirismo, confiança e amor estavam acima das coisas da Terra, e você sabe o que eu quero dizer com isso.

No nosso primeiro encontro, o assunto casamento já havia aparecido de forma desprentesiosa entre nós. Você falando sobre tons pastéis e eu simplesmente aceitando pra te fazer feliz. Afinal, essa era minha ambição: acordar todo dia só pra te fazer sorrir.

Antes de levantar da cama, de forma totalmente estúpida, beijo a tela do celular como se de alguma forma você fosse receber e sentir esse meu beijo. Será que você sentiu? Espero que sim.

Hoje acordei com uma sensação estranha. Uma mistura de coração menos pesado mas uma tristeza bem forte. Desde ontem me peguei ouvindo constante e repetidamente Arctic Monkeys. Sim, Do I Wanna Know.

Nunca havia reparado na letra. Você já? Se não, eu te conto aqui o quanto ela é nossa música muito mais do que nas danças que você fazia pra mim com seu corpete preto. No comecinho, ele canta que achou um tom que, de alguma forma, o faz pensar em alguém e mantém tocando-o repetidamente até cair no sono. Exatamente como Do I Wanna Know está sendo pra mim.

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Quanto a nós: será que eu quero saber se esse sentimento é recíproco? Triste em ver você ir, estava meio que esperando que você ficasse. Linda, nós duas sabemos que as noites foram feitas principalmente para dizer as coisas que você não pode dizer amanhã de manhã. (Vai ver é por isso que sempre que eu te procuro, é tarde da noite. Meu peito fica cansado de carregar o amor por você durante todo o dia e, à noite, ele fraqueja e te procura).

Te digo mais: estou me arrastando de volta pra você. Você já pensou em me ligar quando teve alguns… Porque eu sempre penso. Meu amor, estou ocupada demais sendo sua pra me apaixonar por alguém novo. E agora eu pensei melhor e estou me arrastando de volta pra você.

E tudo o que eu queria era te perguntar: Você criou coragem?! Tenho me perguntando se seu coração ainda está aberto, se ele estiver, que horas ele fecha? Acalme-se e feche seus lábios. Me desculpe interromper, é que eu estou constantemente tentando beijar você.

Minha maior dúvida: Não sei se você sente o mesmo que eu, mas nós poderíamos ficar juntas, se você quisesse.

Viu? É nossa música, desde a primeira dança, passando pelas longas noites de amor com essa trilha sonora, até hoje, que não tem mais você aqui. Espero que você nunca mais use essa música com ninguém. Por favor, não faz isso, tá? Ela é nossa. Mesmo que as melodias estejam desconexas sem o acompanhamento da sua dança ou da sua respiração… Ela continua sendo nossa.

Eu postei uma imagem dessa música no Instagram. Você viu? Espero que sim. Você sabe que foi pra você, né? Duvido que haja dúvidas na sua cabeça quanto a isso. É sempre sobre você, as músicas, as legendas, as palavras e o que quer que eu escreva.

Fico pensando no que você sente quando vê alguma coisa minha. Será que é o mesmo que eu sinto por você? Se for, você realmente consegue ser racional, porque não tem um dia que eu passe sem pensar em você.

Me pergunto também se eu ainda sou o seu pensamento quando lê e curte algo no Instagram que fale sobre amor. Espero que sim, porque você é o meu, e continuará sendo por um longo tempo. Na verdade, acredito que será pra sempre a minha referência quando a pauta for amar.

Ainda está por vir o dia em que eu consiga acordar sem imaginar como você está, se continua segurando colheres com o pé enquanto usa o notebook ou se continua colocando hormônios no shampoo pro cabelo crescer.

Ainda está pra nascer o Sol que me fará não pensar se você continua arriscando na cozinha, se aquele tênis novo ainda machuca os seus pés (agora quem é que vai te emprestar a meia quando a dor for insuportável?) ou se você tirou os meus recados e fotos do seu mural.

Acho que nunca chegará o dia em que eu não fique curiosa pra saber como estão as coisas no seu estágio, se conseguiu a nota máxima no TCC, se seus avó, sua família e sua irmã estão bens… E se sua vida está do jeito que você queria.

Eu gostava de ser parte de tudo teu. Nada me dava mais prazer do que te ouvir dividindo momentos dos seus dias e sentindo o seu prazer em fazer isso. De tudo que pode vir a acontecer, a ausência da saudade que eu sinto é a única certeza que carrego no peito de que nunca acontecerá.

Você é a certeza do amor que nasceu e veio pra ficar.

E ficou, mesmo você tendo que partir.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #26 – 30 de Outubro

Quando você decidiu sair da minha vida, e o fez com tanta facilidade, eu me perdi no tempo. Hoje, acordo sempre atordoada, com a cabeça pesada e nunca acerto em que dia da semana estamos. Só consigo acertar quando estou sentada na cadeira do trabalho e o computador me informa precisamente. É que eu não tenho mais grandes motivos para ansiar o fim de semana ou o começo do mês, sabe?

Antes, eu vivia esperando o fim de semana para estar mais perto de você mesmo em cidades diferentes. Antes, eu contava os dias até o quinto dia útil só pra poder comprar a passagem e te ver. Agora, não tenho mais o que ansiar.

Ontem à noite eu te procurei, pela milésima vez após falar que não o faria. Vi que, talvez, você estivesse voltando a flertar com seu “ex primeiro amor”, mesmo você negando e falando que eu estava confundindo as pessoas.

Constatar que, de repente, você nunca tenha o esquecido, ou que talvez com ele você possa viver tudo que eu sonho viver com você, doeu bem fundo no coração que já não consegue cicatrizar.

Eu conheço os seus passos apaixonados, seu comportamento quando está envolvida. Eu te vi e senti assim comigo, agora não é tão difícil conseguir enxergar esses hábitos, mesmo que seja com outros.

Quem nunca foi fuçar as coisas do passado da pessoa pela qual se tem sentimento? E eu fui atrás de tudo dele, só pra não me achar tão louca assim. Ele, canceriano como eu, deve ter se apaixonado tanto quanto eu estou por você. E, aparentemente, antes de mim você também sentia algo por ele. Ou eu estou louca e realmente preciso parar. Mas com todas suas curtidas nas coisas dele e os comentários dele nas suas coisas… Fiquei fora de mim.

E eu te procurei, com sensatez nenhuma. E te pedi desculpas e justifiquei meus atos falhos como respostas de estar tentando… E tentar não significa sucesso. Mas eu estou tentando, mais do que você jamais um dia saberá.

Nunca lutei tanto contra mim mesma para não procurar alguém. É que é difícil demais ouvir todos os barulhos no meu peito e na minha cabeça e não conseguir silenciá-los. É difícil demais lembrar que nós não terminamos porque nos fizemos mal, porque não dava certo ou porque não era recíproco.

É difícil seguir em frente quando a minha cabeça insiste em me lembrar de todos os detalhes que vivi com você e reforçar o quanto você era exatamente tudo que eu queria pra minha vida.

Como eu posso mudar de pensamento sendo que quando eu estou ali sentada no ônibus, não tem mais nada que venha na cabeça? É só você, seu sorriso, seu olhar, seu toque, seu cheiro, o jeito que você costumava me olhar e a forma como nossos corpos pareciam sempre ter pertencido uma à outra que me vem como cenas de um filme dentro de mim.

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O problema é que mesmo eu sendo a roteirista dessa produção, eu não consigo controlar o enredo e te fazer voltar. Éramos ótimas parceiras e nossa vida teria sido linda. Como se faz para lutar para esquecer isso? Para esquecer que encontramos a melhor pessoa pra gente e que, simplesmente, não pode ser?

Eu não consigo esquecer você e desocupar a casa do meu coração, te expulsar daqui e abrir o peito pra outra morar. E talvez eu nunca consiga. Talvez eu não queira que ninguém ocupe o seu lugar. Talvez eu não tenha mais forças pra te despejar e muito menos pra deixar o futuro trazer um novo inquilino.

Eu não perdi somente a minha melhor amante e o amor mais doce que já senti, mas perdi também uma amiga, uma companheira e uma confidente. Abri minha vida pra você, te contei coisas que nem meus amigos de dez anos sabem. Fui inteiramente sua e amava sentir que você também era inteiramente minha.

Eu te confiei meu amor, meu passado e meu futuro e te via confiando o teu em mim também. Agora, talvez ninguém mais saiba do que contei pra você. E você deveria saber: eu confiei instantânea e cegamente em você.

Tudo que era nosso, ia além do corpo, do material. Acho que você sabe do que estou falando. E acho que só você poderia entender isso.

Hoje eu vesti aquela minha camiseta que tem um buraco do lado, porque eu cortei muito a etiqueta, sabe? E me lembrei que você havia ficado de costurá-la pra mim. Espero que também tenha anotado na sua agenda de voltar para costurar os buracos do meu coração.

Agora já são 23h30 e me pergunto: onde está meu sono? Voltei à semana em que a garganta começa a doer… É que são muitas palavras guardadas, muito amor que eu não posso extravasar que tudo fica aqui, preso entre minha boca e meu coração.

Me distraio pelo Instagram até o sono me pegar e o que me pega é a sua foto fantasiada para uma festa de Hallowen. Como pode alguém nesse mundo ser tão linda assim? É covardia isso, sabia? Reunir em si tanta beleza, o amor mais leve, o sexo mais sensacional e o carinho mais afável. Tudo isso em uma só pessoa. Meu coração não aguenta.

Dou um print na tela com a sua foto e me obrigo a dormir, ainda pensando em como alguém pode não se apaixonar por você? Ou te magoar? Ou te trair? Ou não dar valor a tudo que você é? Pra mim, és um sonho bom o qual eu não queria jamais acordar. Por isso, durmo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #25 – 29 de Outubro

São nesses buracos, entre espaços de tempo e trajetos, como da cama pro banheiro, do banheiro pro quarto, da casa pro ponto de ônibus e do ônibus pro trabalho que o pensamento torna-se indomável.

Hoje comecei a pensar antes mesmo de abrir os olhos. Quando meu corpo despertou, todas as lembranças de você estavam na minha visão, mesmo que os meus olhos ainda estivessem fechados. Seu corpo, seu beijo, seu gosto e seu cheiro. Tudo tão vivo que quase me iludi e acreditei que finalmente estivesse acordando desse pesadelo que é não ter você pra mim.

Entre as lembranças, revivi o dia em que te conheci. Era como se todo o resto do bar estivesse borrado e eu só conseguisse olhar pra você. Te vi antes mesmo de adentrar na casa, entre toldos, feições e paredes.

Você não sabe, mas troquei de lugar só para te enxergar melhor. Meus olhos estavam viciados em você desde o instante que te reencontrei. Era como se, de alguma forma, eu já tivesse te visto antes, sabe? Era como se eu te conhecesse de algum lugar que, ao nascer de novo, foi apagado das minhas lembranças.

O estalo que eu tive na fila do caixa de perguntar seu nome foi os cinco segundos de coragem que eu mais me orgulho. Foi depois de ouvir sua voz e um mês depois de conversas, quando minha boca se juntou à tua e nossos corpos se aproximaram de forma a parecerem só um, que eu caí em mim e vi o amor de todas as minhas vidas novamente comigo.

Acho que nessa vida não demos sorte, né? Afinal, pro amor dar certo, precisamos tirar a sorte grande de encontrar a pessoa certa no tempo exato e somar tudo isso com uma pitada de vontade recíproca de ser dois. Sentir, por si só, não é suficiente.

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No nosso caso, o azar ficou por conta dos sexos iguais. Um obstáculo que não deveria ser empecilho pro amor, certo? Certo. Mas não pro mundo que vivemos. Espero que o tempo passe e esse cenário mude. Quem sabe, assim, ainda dê tempo de terminarmos essa vida juntas.

Na rua, o Sol põe-se alto para iluminar o dia. O moletom que uso, mesmo em dias quentes, é pra aquecer as emoções que foram congeladas desde que você se foi. Sem você, todo dia faz frio. Até mesmo quando lá fora o Sol está escaldante e a temperatura acima dos 30ºC.

Mas basta olhar para a janela do Skype me avisando que você está online que todo meu gelo se derrete. Antes você só entrava à noite, quando nos encontrávamos para dividir a rotina e nosso amor. Penso se você ainda entra só pra ver meu status online. Se for, saiba que também me faz bem quando vejo você ali. É como se você estivesse um pouco mais perto de mim. Abro e fecho sua janela um milhão de vezes, até você ficar offline. Depois de você, o Skype ficou tão sem graça, e você nem imagina.

Durante a manhã, me pego num ato falho de ver todas as suas postagens no Facebook. Quer dizer, todas as desbloqueadas. A cada foto sua, meus olhos marejam águas salgadas da saudade de você. Eu havia encontrado a minha paz no teu olhar, e você costumava chamar meu abraço de lar. Onde nos perdemos?

Eu nem tive tempo de ver você fazendo as malas e calçando seu tênis para viajar. Talvez se eu percebesse antes, teria colocado um cadeado em nossos corações e jogado a chave fora. Será que adiantaria?

Espero que, assim como toda viagem exige retorno para o aconchego do nosso ninho, você volte para o meu carinho. Que o tempo a passar nos faça melhor uma para a outra.

Por hora, se alguém me pedisse para desenhar a saudade, eu tentaria tirar do lápis e colocar no papel um dia cinza de inverno com uma brisa carregada com teu cheiro. E as nuvens que descolorem o azul do céu se fazem tão triste que, assim como eu, seguram as suas chuvas para não desaguarem a todo instante e em cima de quem não tem na a ver com essa história toda.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #24 – 28 de Outubro

Fingir estar triste é impossível, ou você está ou não está. Assim como amar, embora muitas pessoas consigam fingir sentir algo por anos. Mas a felicidade? Ah, essa é uma máscara fácil de se encontrar no rosto das pessoas. Ao caminhar pela rua, quase nunca cruzamos com alguém em lágrimas. Afinal, é muito mais fácil tampar aquilo que nos perturba para não darmos maiores explicações ao mundo.

Mas a verdade é que sempre percebemos quando uma felicidade é plena e verdadeira. Ela se difere das máscaras: ela é real! A gente não consegue passar por ela e não percebê-la: os olhos brilham, os cantos da boca se movimentam sozinhos e, quem não entende, até os julgam loucos por sorrirem sozinhos.

Eu costumava ser assim quando tinha você. Até nos dias cinzas, que sempre me deixavam um pouco deprimida, você conseguia encher de cores e transformar as tristezas em alegria. Eu pensei que você havia chego para transformar minha vida por toda a eternidade, sabe?

No final é muito mais fácil fingir não sentir quando se sente tudo do que fingir sentir tudo quando não se sente nada. Pelo menos comigo, sempre foi assim. Nunca consegui fingir afetos e esconder os que tenho sempre foi um desafio.

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Mas quem em sã consciência trocaria estar em paz para fingir ter um buraco no peito que não pode ser preenchido? Eu não. Por isso tento, diariamente, fingir não ter um buraco no peito.

Antes, eu precisei me desculpar com você. Precisei dizer o quanto eu sentia muito pelas coisas que eu te disse, pelas dúvidas e ofensas que joguei em você em meio ao caos que eu não consigo arrumar. Sei que te machuquei e essa era a última das minhas intenções.

Sei que o que passou foi verdadeiro e que o fato de não poder ser não anula o que foi. Não podemos julgar o passado pelo presente, por mais difícil que seja aceitar isso na prática. Você merece ficar bem e ser feliz. E eu vou te deixar ir e viver o que quiser e sentir.

E eu vou continuar. Vou continuar a te ver nos textos de amor e a te escutar nas músicas que falam sobre saudades. E você vai seguir sendo a melhor pessoa que conheci e o caminho que se perdeu do meu, mas que um dia há de cruzar.

E eu vou continuar: a amar você.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.