Senta aqui e vamos conversar: qual o mundo que você quer para sua filha?

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Você já parou para pensar no quanto as coisas – e valores – estão invertidos mesmo que já estejamos em 2016 à espera das transformações futurísticas previstas antes do ano 2000 chegar?

Para não especificar sobre o caso de estupro da menina de 16 anos por 33 homens, vamos simplesmente sentar e conversar sobre a sociedade, pode ser? Até porque muitos de vocês vão querer argumentar dizendo que ela: procurou, estava em um baile funk, na favela, a roupa era curta, onde já se viu?.

“Se estivesse em casa, isso não teria acontecido”, não é mesmo? Mas, afinal, quem é que quer crescer para ter que ficar dentro de casa para nada acontecer? Eu não. E também não quero isso para minha sobrinha, para minha mãe, para minha avó, tia, prima ou você, mulher, que nem sequer conheço.

Você que vê o feminismo como um “privilégio” ou uma luta para sermos superiores aos homens, ou que, ainda, acredita que é coisa dos anos 60, isso não existe mais, afinal as mulheres podem votar e tem seus direitos iguais aos homens… Não! Nós não temos o direito de quase nada.

Sabe quando você sai à noite com seus amigos e se sente confortável para andar por ruas escuras, desacompanhado, às 4 da manhã? Nós não sabemos o que é isso. Nem mesmo durante o dia. Nós até nos arriscamos porque, porra, não vamos deixar de nos divertir porque uma grande parcela da sociedade ainda acha que pode vir nos assediar por simplesmente estarmos ali, existindo.

Basicamente é isso: nós somos punidas por simplesmente existir. E existimos, mesmo que a insegurança esteja ali, sempre. Seja em um baile de favela, um cinema ou um show de rock.

E nós mesmos somos os culpados por isso. Sim, você enquanto mãe, avó, tia, pai, irmão ou amigo. Você que tem suas crenças de que é tudo bem um homem ser assim, porque ele é homem. Tudo bem ele desrespeitar a mulher porque a mulher é quem tem culpa, sempre. Tudo bem assoviar para ela na rua, tudo bem encoxar ela no ônibus lotado, tudo bem ficar secando as mulheres com corpos esculturais na praia… Mas não está tudo bem.

Já pensou se sua filha vai à praia e um cara senta atrás dela e, enquanto a observa, começa a se masturbar simplesmente porque ela está ali existindo? Já pensou que esse cara pode ser o seu filho também?

Talvez para começar a mudar esses pensamentos a gente deva projetar naqueles que mais amamos e protegemos para exigir a mudança na cabeça daqueles que ainda não o fizeram. E a mudança não está em trancar as mulheres dentro de casa – até porque o assédio pode acontecer mesmo dentro de quatro paredes – nem tampouco exigir que elas usem burcas para “não provocar” – até porque nesses países também têm assédios! –, mas sim educar. Educar aos meninos e meninas – afinal, se nós mesmas culpamos a vítima às vezes, o problema não está só no homem –, desde pequenos, que o respeito deve servir igualitariamente para a mulher e para o homem.

A didática é muito simples: qual o mundo que você quer que sua suposta futura filha viva? A partir daí, se teu filho for um menino, você o educará seguindo os mesmos preceitos que você faria pela sua filha e pelo mundo de todas as mulheres que ainda vão nascer.

Talvez seja realmente difícil mudar a cabeça dos mais velhos, mas nunca vai ser tarde demais para parar e pensar: e se fosse a sua filha a estuprada? E se fosse o seu filho um dos 33 homens? Sabemos que muitas coisas vão além de educação, mas mudar essa cultura do estupro com certeza será um pequeno grande passo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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