Cartas para a posteridade 

Há momentos tão intrinsecamente meus, tão grudados à parede da alma e tão pertos da saída da fala. 

Desesperados silêncios momentâneos que assolam os loucos e fracos. Desafiadoras verdades inaceitáveis e inaceitada. 

A solidão que é companheira. A amizade que se distancia. Pensei que era fogo, mas vento era… E soprou. 

Antes do hoje a existência do ser condenada ao eterno redemoinho dos pensamentos incertos. Das certezas erradas e errôneas e das falas mal ditas e malditas. 

Arranho a parede. Está escuro aqui hoje. Não fez sol. Éramos tanto e hoje somos tão pouco. Especialmente agora. 

Não pensei ser assim. Achava que meu destino era outro. Mas dos meus achares, não me acho. Não me achei. 

Estarei perdido em meio ao nada? Ou quem não sabe para onde ir já está no lugar certo? 

Escrevo para a posteridade. Escrevo para que não restem dúvidas: é possível caminhar sozinho. É possível estar sozinho. 

É possível se iludir. 

Achei que era tanto e não era nada. 

E agora? Morte cerebral? 

Sem drama. Vida que segue e banda que toca. 

E que, na posteridade, quando ler esta carta, saiba que fui muito pouco. Achei que não era nada. E estava, de novo, errado. 

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