Olá, Estranho. Tudo bem com você?

Me desculpe te chamar assim, é que já faz tanto tempo que para mim, hoje, não tenho mais o direito de achar que te conheço. De forma alguma. Passaram-se o que, quase dois anos? Eu te prometi que não ia esquecer o teu cheiro, o teu gosto e o teu toque… Mas eu esqueci. E isso é a melhor coisa que poderia ter me acontecido, sabia? Acho que eu não suportaria essas memórias vivas somadas às memórias que ficaram guardadas em mim. Apesar de todos os esquecimentos, de você jamais esqueço.

Desculpa te escrever depois de tanto tempo, mas é que eu ainda me lembro de você, todas as noites, quando deito minha cabeça no travesseiro e me pergunto incansavelmente se você também pensa em mim. Acho que você não deve pensar, e acabo pensando por nós dois – será que daqui mais 20 anos você terá um choque de realidade e pensará também? Sinceramente, espero que sim.

Soube que você realizou algumas das suas aspirações e que, inclusive, está bem e feliz com outra pessoa. Espero que ela te faça feliz e realize os teus sonhos que eu nem sequer tive tempo de ouvir ou tentar realizar, assim como também realize os que você decidiu que não era eu a pessoa a acompanha-lo pelo caminho.

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Sobre mim? Eu estou bem também, muito obrigada. Me casei, me mudei, troquei o corte de cabelo e um pouco do estilo também. Sim, me mudei. Estou bem mais longe de você, geograficamente. E foi aqui, do outro lado do estado que pude me levantar e seguir com a minha vida, sem você.

Não foi fácil, eu confesso. E continua não sendo fácil lutar contra esses pensamentos que me invadem em meio às manhãs internas cinzas ou aos finais de tarde particularmente chuvosos. Você decidiu, sozinho, que não íamos mais ser dois e simplesmente me deixou… Com o celular em uma mão e o coração em outra. Nunca mais te vi, nunca mais te ouvi, nunca mais te reconheci.

E são esses finais, cheios de interrogações e vácuos para a dúvida do que poderia ter sido, do que não foi e de que se algo ainda vive latente em você que me acompanha até hoje. Já me dizia um amigo que tudo que é inacabado fica solto pelo ar e, assim como a chuva, cedo ou tarde desagua na gente. Será que desagua em você também?

Se desaguar, saiba que nunca lhe virarei as costas, tá? Não que eu acredite ou ache que voltaremos daqui 50 anos e seremos felizes para sempre. Não. Mas gostaria de saber a sua versão da pós-história, dos sentimentos que foram e dos que ficaram, também, e, quem sabe, relembrar como é deitar no teu abraço e fazer a minha morada só mais uma vez aí.

Com amor,
aquela que ficou,
mesmo você tendo ido há tanto tempo.

• Carta do Leitor

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