Uma anedota

Essa é só uma anedota

Um pedaço velho de papel

Largado no balcão, não cobre mais o sanduiche

Rapaz bonito que comeu, bebeu

Saiu. 

Levou com ele meu coração

Essa é só mais uma anedota

Daqueles amores impossíveis de acontecer

Mas que nos meus sonhos são reais

  

  

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Cartas para a posteridade 

Há momentos tão intrinsecamente meus, tão grudados à parede da alma e tão pertos da saída da fala. 

Desesperados silêncios momentâneos que assolam os loucos e fracos. Desafiadoras verdades inaceitáveis e inaceitada. 

A solidão que é companheira. A amizade que se distancia. Pensei que era fogo, mas vento era… E soprou. 

Antes do hoje a existência do ser condenada ao eterno redemoinho dos pensamentos incertos. Das certezas erradas e errôneas e das falas mal ditas e malditas. 

Arranho a parede. Está escuro aqui hoje. Não fez sol. Éramos tanto e hoje somos tão pouco. Especialmente agora. 

Não pensei ser assim. Achava que meu destino era outro. Mas dos meus achares, não me acho. Não me achei. 

Estarei perdido em meio ao nada? Ou quem não sabe para onde ir já está no lugar certo? 

Escrevo para a posteridade. Escrevo para que não restem dúvidas: é possível caminhar sozinho. É possível estar sozinho. 

É possível se iludir. 

Achei que era tanto e não era nada. 

E agora? Morte cerebral? 

Sem drama. Vida que segue e banda que toca. 

E que, na posteridade, quando ler esta carta, saiba que fui muito pouco. Achei que não era nada. E estava, de novo, errado. 

Olá, Estranho. Tudo bem com você?

Me desculpe te chamar assim, é que já faz tanto tempo que para mim, hoje, não tenho mais o direito de achar que te conheço. De forma alguma. Passaram-se o que, quase dois anos? Eu te prometi que não ia esquecer o teu cheiro, o teu gosto e o teu toque… Mas eu esqueci. E isso é a melhor coisa que poderia ter me acontecido, sabia? Acho que eu não suportaria essas memórias vivas somadas às memórias que ficaram guardadas em mim. Apesar de todos os esquecimentos, de você jamais esqueço.

Desculpa te escrever depois de tanto tempo, mas é que eu ainda me lembro de você, todas as noites, quando deito minha cabeça no travesseiro e me pergunto incansavelmente se você também pensa em mim. Acho que você não deve pensar, e acabo pensando por nós dois – será que daqui mais 20 anos você terá um choque de realidade e pensará também? Sinceramente, espero que sim.

Soube que você realizou algumas das suas aspirações e que, inclusive, está bem e feliz com outra pessoa. Espero que ela te faça feliz e realize os teus sonhos que eu nem sequer tive tempo de ouvir ou tentar realizar, assim como também realize os que você decidiu que não era eu a pessoa a acompanha-lo pelo caminho.

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Sobre mim? Eu estou bem também, muito obrigada. Me casei, me mudei, troquei o corte de cabelo e um pouco do estilo também. Sim, me mudei. Estou bem mais longe de você, geograficamente. E foi aqui, do outro lado do estado que pude me levantar e seguir com a minha vida, sem você.

Não foi fácil, eu confesso. E continua não sendo fácil lutar contra esses pensamentos que me invadem em meio às manhãs internas cinzas ou aos finais de tarde particularmente chuvosos. Você decidiu, sozinho, que não íamos mais ser dois e simplesmente me deixou… Com o celular em uma mão e o coração em outra. Nunca mais te vi, nunca mais te ouvi, nunca mais te reconheci.

E são esses finais, cheios de interrogações e vácuos para a dúvida do que poderia ter sido, do que não foi e de que se algo ainda vive latente em você que me acompanha até hoje. Já me dizia um amigo que tudo que é inacabado fica solto pelo ar e, assim como a chuva, cedo ou tarde desagua na gente. Será que desagua em você também?

Se desaguar, saiba que nunca lhe virarei as costas, tá? Não que eu acredite ou ache que voltaremos daqui 50 anos e seremos felizes para sempre. Não. Mas gostaria de saber a sua versão da pós-história, dos sentimentos que foram e dos que ficaram, também, e, quem sabe, relembrar como é deitar no teu abraço e fazer a minha morada só mais uma vez aí.

Com amor,
aquela que ficou,
mesmo você tendo ido há tanto tempo.

• Carta do Leitor

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Amar é ser livre

É a primeira vez que estou escrevendo um texto mais voltado  para o autoconhecimento, apesar de sempre estar pesquisando e me envolvendo na temática, eu nunca me senti inspirada para colocar essas palavras em um conjunto de frases.

O que me inspirou a abrir o coração e a mente foi um livro chamado “Amar e Ser Livre” -eu também me perguntei como que as palavras Amar e Livre podem estar na mesma frase. Para você deve ser difícil compreender que é possível amar na liberdade, no começo foi difícil para mim também.

As teorias que encontrei nas palavras desse livro me levaram a estar aqui hoje escrevendo essa publicação. Eu percebi que muita gente precisa ler o que eu estava lendo, entender o que eu estava entendendo. Vocês precisam saber o porque milhares de relacionamentos não estão dando certo.

Para começar a enxergar essa nova visão dos relacionamentos precisamos compreender alguns fatores fundamentais que começam a ocorrer na nossa infância, pois é nessa fase que começamos a ter ligação com a nossa essência e com a nossa espontaneidade. Quando somos crianças e começamos a ter atitudes espontâneas, como chorar ou brincar, começamos um ciclo com nossa essência. Uma vez que essa espontaneidade é tirada da gente, começamos a nos distanciar da nossa própria essência, criando máscaras para sermos aceitos e continuarmos recebendo amor.

Um exemplo bem clássico disso é a criança que chora por um determinado motivo e os pais pedem para que ela interrompa o choro, alegando que é feio criança chorar. Nesse momento a criança entende que sentir tristeza é para os fracos, e no decorrer do tempo ela vai usando essa máscara para sentir-se acolhida e amada pelos pais.

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Essas pequenas ações resultam no seu comportamento em um relacionamento afetivo. Esses traumas estão presentes em seu corpo, mas não estão aflorados, pois você foi afastado da sua essência e a máscara que encobre seu verdadeiro eu está protagonizando sua vida.

Quando começamos a namorar alguém, nos entregamos ao outro completamente, nos entregamos de alma e de coração, achamos que a responsabilidade de ser feliz está nos braços do outro e quando não temos sucesso no relacionamento jogamos toda a culpa no outro, nos tornando vítimas constantes das nossas próprias escolhas.

Temos que entender que um relacionamento afetivo é uma universidade da vida, o amor que encontramos no nosso parceiro deve ser um espelho para nos conectarmos mais com nós mesmo e, ao invés de canalizarmos nossas energias para reencontrarmos nossa essência, transformamos todo esse amor em ciúmes, insegurança e ódio. Tudo porque não trabalhamos nossos traumas e estamos bem distantes da nossa essência.

Olhando diretamente para os fatos da minha vida e analisando todas essas teorias, tudo começou a fazer sentido. E antes mesmo de acabar de ler e estudar o livro comecei a reparar que muitas pessoas que estavam ao meu redor tinham medo da solidão, ficando presas a um relacionamento sem futuro, sem respeito e sem amor. Elas se perderam no meio do processo e não conseguem mais se reencontrar, enxergam o outro como fonte de companhia para nunca se sentirem sós.

Outro ponto que reparei é a culpa que as pessoas jogam em seus parceiros, os culpam pelo término, os culpam por não estarem mais apaixonados, os culpam por não se doarem mais, por não se esforçarem, os culpam pela frase dita no último encontro: “Eu quero terminar”. E jogar essa culpa é mais uma forma clara de que não há autoconhecimento suficiente para compreender que uma relação não deu certo pelos dois. Além de que quem recebe essa culpa se sente condenado a reverter a situação de algo que nem foi cometido completamente por ele, o receptor dessa culpa se dói achando que o erro está nele, ele se destroça por achar que estar sozinho é culpa exclusivamente dele.

E qual é o problema de estar só? Afinal, é só estando só que podemos nos conectar com o Iceberg que somos. É estando só que nos aprofundamos na nossa essência que nunca deveria ter sido afastada da gente. É estando só que aprendemos o exercício da gratidão, aprendemos a aceitar que as universidades nos ensinam e depois nos preparam para o mercado, assim como os nossos relacionamentos afetivos.

O amor é a cura para todas as formas de ódio. É com amor que se cura o ciúmes, a falta de respeito, a ignorância e a insegurança.

Temos uma longa jornada em busca da nossa essência, temos um árduo trabalho para retirarmos as máscaras que encobrem nossas verdadeiras faces, para então estarmos plenamente engajados no amor ao outro, sem cobranças de felicidades e culpas, sem sermos vítimas das nossas próprias escolhas, amando e sendo livres, amando e sendo nós mesmos.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Um eu sem você #29 – 02 de Novembro

Acordo com as costas doendo e a lembrança que invade minha mente é daquele dia que fiquei travada e você ria de mim. Lembra? Logo depois, suas pequenas mãos percorreram cada centímetro do meu dorso e, em cada toque, minha cura.

Acho que você gostaria de saber que comecei a tomar vitaminas. Você sempre tentava me persuadir a tomar remédios e eu, com meu estilo “não tomo remédios”, sempre indo contra você, a não ser em casos extremos.

Acho que, agora, estou constantemente no meu extremo enfermo e semana sim, semana não, me encontro tomando remédios para combater as dores de garganta. Mantenho diariamente a promessa de que me cuidaria e usaria as blusas de frio para evitar adoecer, mas meu corpo não tem como evitar o que me padece a alma.

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Essa saudade nunca vai passar. Vivo em uma confusão constante e a estabilidade me abandonou. Mesmo de olhos abertos, não consigo distinguir a realidade dos meus sonhos. Tudo que dividimos parece agora tão distante que penso ter sido apenas um doce sonho ou agora, sem você, estou dormindo constantemente e vivendo um pesadelo no qual seu voo de retorno sempre se atrasa.

No meio de tudo isso, você continua sendo, e sempre continuará a ser, minha referência de amor. Os beijos da TV me deixam com seu gosto na boca e as cenas mais intensas só me recordam o quanto nossos corpos nunca encontrarão outro encaixe tão perfeito.

Era tudo tão natural e recíproco desde a primeira troca de olhares que é impossível pensar que você nunca voltará.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Caminhos e escolhas

Desde que nos conhecemos por gente, aprendemos que a vida é feita de escolhas e caminhos. Alguns caminhos são mais fáceis que outros, mas não necessariamente mais felizes pela sua facilidade. Mas ainda mais importante que o caminho que escolhemos, são as pessoas que entram no meio do percurso e colorem um pouco mais o ambiente que costumava ser só pedra e terra.

Algumas companhias temos a felicidade de compartilhar desde o berço, como no caso da família. Mas não menos importante que ela, encontramos abrigo dentro do abraço de um ou outro que aparece, reaparece e vai ficando, ficando e ficando… Nas nossa vida e dentro de nós. A esses eu chamo de amigos.

Dentro das nossas escolhas, acabamos sempre indo um pouco mais longe do que os pés do outro podem nos acompanhar. Logo após o Ensino Médio a gente aprende a reconhecer novos amigos e círculos de amizade com a distância da faculdade, onde cada um decide ir pra um canto do Brasil – ou do país. Mas até aí tudo bem, sabe… Somos jovens e poucas são as amizades que crescem e se enraízam junto ao nosso amadurecimento.

Difícil mesmo é se afastar daqueles que se mostraram sempre sinceros e verdadeiros, para toda a hora e situação. Mas é inevitável. Você decide mudar de cidade, seu amigo decide ir pra outra cidade, um terceiro é promovido e também tem que se mudar e, quando nos deparamos, temos amigos espalhados por todos os cantos. Só não conseguimos mais encontra-los fisicamente. E essa é a parte doída e doida.

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Há quase um ano eu saí do meu mundo e vim descobrir outro mundo do outro lado do país, e posso dizer que, talvez, seja mais fácil ser a que vai embora. Você se enche com novidades, emprego, lugares e novas pessoas que, vez ou outra, você tira do foco o fato de estar sozinha do lado de cá. Mas aí chegam os aniversários, os feriados, as festas e comemorações… E realmente dói não estar lá. As crianças vão crescendo, os pais vão envelhecendo, você vai correndo contra o tempo e, a cada dia que passa, você se sente um pouco menos de lá e um pouco mais daqui.

Os dias trazem novas lembranças e sentimentos, sua vida vai acontecendo, você vai vivendo e os reencontros mostram o quanto você passou tempo demais fora para saber de todas as novidades, brigas, términos, conflitos e surpresas que acontecem na vida daqueles que, um dia, costumavam ser grande parte da sua vida. Mas não tem problema, porque você sabe que eles, do lado de lá, também estão fazendo o que podem para que a felicidade deles seja tão real quanto seus sonhos. E que realmente seja.

Se nós somos do tamanho de nossos sonhos, que todos vocês, amigos, sejam gigantes por toda a vida e com tudo o que fizerem. Exatamente igual ao tamanho do carinho e amor que sinto por vocês, mesmo que eu não demonstre ou não esteja mais tanto próxima quanto costumava estar com as saídas de segunda a segunda, de janeiro a dezembro.

Que todos nós possamos ir, mas que sempre saibamos que sempre poderemos voltar.

P.s.: Post dedicado àqueles que decidiram voar e o fizeram com excelência.
Vocês podem não saber, mas são o sinônimo de amizade
verdadeira, mesmo distantes.
I’ll always be here for you, brodás and sistá.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.