Um eu sem você #26 – 30 de Outubro

Quando você decidiu sair da minha vida, e o fez com tanta facilidade, eu me perdi no tempo. Hoje, acordo sempre atordoada, com a cabeça pesada e nunca acerto em que dia da semana estamos. Só consigo acertar quando estou sentada na cadeira do trabalho e o computador me informa precisamente. É que eu não tenho mais grandes motivos para ansiar o fim de semana ou o começo do mês, sabe?

Antes, eu vivia esperando o fim de semana para estar mais perto de você mesmo em cidades diferentes. Antes, eu contava os dias até o quinto dia útil só pra poder comprar a passagem e te ver. Agora, não tenho mais o que ansiar.

Ontem à noite eu te procurei, pela milésima vez após falar que não o faria. Vi que, talvez, você estivesse voltando a flertar com seu “ex primeiro amor”, mesmo você negando e falando que eu estava confundindo as pessoas.

Constatar que, de repente, você nunca tenha o esquecido, ou que talvez com ele você possa viver tudo que eu sonho viver com você, doeu bem fundo no coração que já não consegue cicatrizar.

Eu conheço os seus passos apaixonados, seu comportamento quando está envolvida. Eu te vi e senti assim comigo, agora não é tão difícil conseguir enxergar esses hábitos, mesmo que seja com outros.

Quem nunca foi fuçar as coisas do passado da pessoa pela qual se tem sentimento? E eu fui atrás de tudo dele, só pra não me achar tão louca assim. Ele, canceriano como eu, deve ter se apaixonado tanto quanto eu estou por você. E, aparentemente, antes de mim você também sentia algo por ele. Ou eu estou louca e realmente preciso parar. Mas com todas suas curtidas nas coisas dele e os comentários dele nas suas coisas… Fiquei fora de mim.

E eu te procurei, com sensatez nenhuma. E te pedi desculpas e justifiquei meus atos falhos como respostas de estar tentando… E tentar não significa sucesso. Mas eu estou tentando, mais do que você jamais um dia saberá.

Nunca lutei tanto contra mim mesma para não procurar alguém. É que é difícil demais ouvir todos os barulhos no meu peito e na minha cabeça e não conseguir silenciá-los. É difícil demais lembrar que nós não terminamos porque nos fizemos mal, porque não dava certo ou porque não era recíproco.

É difícil seguir em frente quando a minha cabeça insiste em me lembrar de todos os detalhes que vivi com você e reforçar o quanto você era exatamente tudo que eu queria pra minha vida.

Como eu posso mudar de pensamento sendo que quando eu estou ali sentada no ônibus, não tem mais nada que venha na cabeça? É só você, seu sorriso, seu olhar, seu toque, seu cheiro, o jeito que você costumava me olhar e a forma como nossos corpos pareciam sempre ter pertencido uma à outra que me vem como cenas de um filme dentro de mim.

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O problema é que mesmo eu sendo a roteirista dessa produção, eu não consigo controlar o enredo e te fazer voltar. Éramos ótimas parceiras e nossa vida teria sido linda. Como se faz para lutar para esquecer isso? Para esquecer que encontramos a melhor pessoa pra gente e que, simplesmente, não pode ser?

Eu não consigo esquecer você e desocupar a casa do meu coração, te expulsar daqui e abrir o peito pra outra morar. E talvez eu nunca consiga. Talvez eu não queira que ninguém ocupe o seu lugar. Talvez eu não tenha mais forças pra te despejar e muito menos pra deixar o futuro trazer um novo inquilino.

Eu não perdi somente a minha melhor amante e o amor mais doce que já senti, mas perdi também uma amiga, uma companheira e uma confidente. Abri minha vida pra você, te contei coisas que nem meus amigos de dez anos sabem. Fui inteiramente sua e amava sentir que você também era inteiramente minha.

Eu te confiei meu amor, meu passado e meu futuro e te via confiando o teu em mim também. Agora, talvez ninguém mais saiba do que contei pra você. E você deveria saber: eu confiei instantânea e cegamente em você.

Tudo que era nosso, ia além do corpo, do material. Acho que você sabe do que estou falando. E acho que só você poderia entender isso.

Hoje eu vesti aquela minha camiseta que tem um buraco do lado, porque eu cortei muito a etiqueta, sabe? E me lembrei que você havia ficado de costurá-la pra mim. Espero que também tenha anotado na sua agenda de voltar para costurar os buracos do meu coração.

Agora já são 23h30 e me pergunto: onde está meu sono? Voltei à semana em que a garganta começa a doer… É que são muitas palavras guardadas, muito amor que eu não posso extravasar que tudo fica aqui, preso entre minha boca e meu coração.

Me distraio pelo Instagram até o sono me pegar e o que me pega é a sua foto fantasiada para uma festa de Hallowen. Como pode alguém nesse mundo ser tão linda assim? É covardia isso, sabia? Reunir em si tanta beleza, o amor mais leve, o sexo mais sensacional e o carinho mais afável. Tudo isso em uma só pessoa. Meu coração não aguenta.

Dou um print na tela com a sua foto e me obrigo a dormir, ainda pensando em como alguém pode não se apaixonar por você? Ou te magoar? Ou te trair? Ou não dar valor a tudo que você é? Pra mim, és um sonho bom o qual eu não queria jamais acordar. Por isso, durmo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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