Não banalize o meu amor

Das inúmeras babaquices que você pode fazer com meu coração, eu te peço para que você apenas não o banalize.

Eu te amei sim, por muito tempo e não me envergonho de dizer isso. Talvez seja a prova mais sincera de que o amor que senti não foi banal.

Certa vez ouvi um amigo dizer algo sobre a ingratidão que as pessoas carregam. Você deve estar se perguntando o porque encaixei esse diálogo nesse texto sobre banalização do amor. Mas é que ficou um pouco fácil identificar um amor se tornando banal com ingratidão.

Quantos dos seus amigos sentam na mesa de um bar após um término e cospem palavras horríveis sobre a(o) ex, e quantos dos seus amigos sentam e agradecem o aprendizado que aquele relacionamento trouxe? A ingratidão atinge os que banalizam o amor, porque quem ama, sabe agradecer o amor que recebeu.

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Entender isso não é fácil, eu demorei muito para conseguir agradecer e parar de ficar pensando como as atitudes passadas foram ridículas.  Foram incontáveis atitudes ridículas, e foram tantas atitudes, que por pouco não transformei meu ex relacionamento em pedaços de lixo que eu esqueceria no porão da alma.

Olha, dá para resgatar algo bom da nossa jornada, mesmo que hoje essa jornada seja dupla, antes foi via de uma mão só.

Exerça a gratidão  pelo amor que recebeu, limpo e puro do meu peito, agradeça pelas boas energias transferidas do meu corpo para o seu. Não banalize o que foi exclusivamente seu.

De todas as baboseiras ditas, será que fica tão difícil assim agradecer pelo tempo em que nossas mentes se mantiveram conectadas e por tantas mensagens de carinho que desejávamos uma para a outra. Gratidão por ser tão amável e tão cuidadosa com meu coração quando achou que deveria ser, obrigada por revelar seu lado sentimental e mostrar a doçura de um olhar apaixonado.

Que os dias possam mostrar ao seu coração a beleza da gratidão ao amor vivido e que o porão da sua alma não tenha acúmulo de amor ingrato.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.
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Um eu sem você #26 – 30 de Outubro

Quando você decidiu sair da minha vida, e o fez com tanta facilidade, eu me perdi no tempo. Hoje, acordo sempre atordoada, com a cabeça pesada e nunca acerto em que dia da semana estamos. Só consigo acertar quando estou sentada na cadeira do trabalho e o computador me informa precisamente. É que eu não tenho mais grandes motivos para ansiar o fim de semana ou o começo do mês, sabe?

Antes, eu vivia esperando o fim de semana para estar mais perto de você mesmo em cidades diferentes. Antes, eu contava os dias até o quinto dia útil só pra poder comprar a passagem e te ver. Agora, não tenho mais o que ansiar.

Ontem à noite eu te procurei, pela milésima vez após falar que não o faria. Vi que, talvez, você estivesse voltando a flertar com seu “ex primeiro amor”, mesmo você negando e falando que eu estava confundindo as pessoas.

Constatar que, de repente, você nunca tenha o esquecido, ou que talvez com ele você possa viver tudo que eu sonho viver com você, doeu bem fundo no coração que já não consegue cicatrizar.

Eu conheço os seus passos apaixonados, seu comportamento quando está envolvida. Eu te vi e senti assim comigo, agora não é tão difícil conseguir enxergar esses hábitos, mesmo que seja com outros.

Quem nunca foi fuçar as coisas do passado da pessoa pela qual se tem sentimento? E eu fui atrás de tudo dele, só pra não me achar tão louca assim. Ele, canceriano como eu, deve ter se apaixonado tanto quanto eu estou por você. E, aparentemente, antes de mim você também sentia algo por ele. Ou eu estou louca e realmente preciso parar. Mas com todas suas curtidas nas coisas dele e os comentários dele nas suas coisas… Fiquei fora de mim.

E eu te procurei, com sensatez nenhuma. E te pedi desculpas e justifiquei meus atos falhos como respostas de estar tentando… E tentar não significa sucesso. Mas eu estou tentando, mais do que você jamais um dia saberá.

Nunca lutei tanto contra mim mesma para não procurar alguém. É que é difícil demais ouvir todos os barulhos no meu peito e na minha cabeça e não conseguir silenciá-los. É difícil demais lembrar que nós não terminamos porque nos fizemos mal, porque não dava certo ou porque não era recíproco.

É difícil seguir em frente quando a minha cabeça insiste em me lembrar de todos os detalhes que vivi com você e reforçar o quanto você era exatamente tudo que eu queria pra minha vida.

Como eu posso mudar de pensamento sendo que quando eu estou ali sentada no ônibus, não tem mais nada que venha na cabeça? É só você, seu sorriso, seu olhar, seu toque, seu cheiro, o jeito que você costumava me olhar e a forma como nossos corpos pareciam sempre ter pertencido uma à outra que me vem como cenas de um filme dentro de mim.

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O problema é que mesmo eu sendo a roteirista dessa produção, eu não consigo controlar o enredo e te fazer voltar. Éramos ótimas parceiras e nossa vida teria sido linda. Como se faz para lutar para esquecer isso? Para esquecer que encontramos a melhor pessoa pra gente e que, simplesmente, não pode ser?

Eu não consigo esquecer você e desocupar a casa do meu coração, te expulsar daqui e abrir o peito pra outra morar. E talvez eu nunca consiga. Talvez eu não queira que ninguém ocupe o seu lugar. Talvez eu não tenha mais forças pra te despejar e muito menos pra deixar o futuro trazer um novo inquilino.

Eu não perdi somente a minha melhor amante e o amor mais doce que já senti, mas perdi também uma amiga, uma companheira e uma confidente. Abri minha vida pra você, te contei coisas que nem meus amigos de dez anos sabem. Fui inteiramente sua e amava sentir que você também era inteiramente minha.

Eu te confiei meu amor, meu passado e meu futuro e te via confiando o teu em mim também. Agora, talvez ninguém mais saiba do que contei pra você. E você deveria saber: eu confiei instantânea e cegamente em você.

Tudo que era nosso, ia além do corpo, do material. Acho que você sabe do que estou falando. E acho que só você poderia entender isso.

Hoje eu vesti aquela minha camiseta que tem um buraco do lado, porque eu cortei muito a etiqueta, sabe? E me lembrei que você havia ficado de costurá-la pra mim. Espero que também tenha anotado na sua agenda de voltar para costurar os buracos do meu coração.

Agora já são 23h30 e me pergunto: onde está meu sono? Voltei à semana em que a garganta começa a doer… É que são muitas palavras guardadas, muito amor que eu não posso extravasar que tudo fica aqui, preso entre minha boca e meu coração.

Me distraio pelo Instagram até o sono me pegar e o que me pega é a sua foto fantasiada para uma festa de Hallowen. Como pode alguém nesse mundo ser tão linda assim? É covardia isso, sabia? Reunir em si tanta beleza, o amor mais leve, o sexo mais sensacional e o carinho mais afável. Tudo isso em uma só pessoa. Meu coração não aguenta.

Dou um print na tela com a sua foto e me obrigo a dormir, ainda pensando em como alguém pode não se apaixonar por você? Ou te magoar? Ou te trair? Ou não dar valor a tudo que você é? Pra mim, és um sonho bom o qual eu não queria jamais acordar. Por isso, durmo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #25 – 29 de Outubro

São nesses buracos, entre espaços de tempo e trajetos, como da cama pro banheiro, do banheiro pro quarto, da casa pro ponto de ônibus e do ônibus pro trabalho que o pensamento torna-se indomável.

Hoje comecei a pensar antes mesmo de abrir os olhos. Quando meu corpo despertou, todas as lembranças de você estavam na minha visão, mesmo que os meus olhos ainda estivessem fechados. Seu corpo, seu beijo, seu gosto e seu cheiro. Tudo tão vivo que quase me iludi e acreditei que finalmente estivesse acordando desse pesadelo que é não ter você pra mim.

Entre as lembranças, revivi o dia em que te conheci. Era como se todo o resto do bar estivesse borrado e eu só conseguisse olhar pra você. Te vi antes mesmo de adentrar na casa, entre toldos, feições e paredes.

Você não sabe, mas troquei de lugar só para te enxergar melhor. Meus olhos estavam viciados em você desde o instante que te reencontrei. Era como se, de alguma forma, eu já tivesse te visto antes, sabe? Era como se eu te conhecesse de algum lugar que, ao nascer de novo, foi apagado das minhas lembranças.

O estalo que eu tive na fila do caixa de perguntar seu nome foi os cinco segundos de coragem que eu mais me orgulho. Foi depois de ouvir sua voz e um mês depois de conversas, quando minha boca se juntou à tua e nossos corpos se aproximaram de forma a parecerem só um, que eu caí em mim e vi o amor de todas as minhas vidas novamente comigo.

Acho que nessa vida não demos sorte, né? Afinal, pro amor dar certo, precisamos tirar a sorte grande de encontrar a pessoa certa no tempo exato e somar tudo isso com uma pitada de vontade recíproca de ser dois. Sentir, por si só, não é suficiente.

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No nosso caso, o azar ficou por conta dos sexos iguais. Um obstáculo que não deveria ser empecilho pro amor, certo? Certo. Mas não pro mundo que vivemos. Espero que o tempo passe e esse cenário mude. Quem sabe, assim, ainda dê tempo de terminarmos essa vida juntas.

Na rua, o Sol põe-se alto para iluminar o dia. O moletom que uso, mesmo em dias quentes, é pra aquecer as emoções que foram congeladas desde que você se foi. Sem você, todo dia faz frio. Até mesmo quando lá fora o Sol está escaldante e a temperatura acima dos 30ºC.

Mas basta olhar para a janela do Skype me avisando que você está online que todo meu gelo se derrete. Antes você só entrava à noite, quando nos encontrávamos para dividir a rotina e nosso amor. Penso se você ainda entra só pra ver meu status online. Se for, saiba que também me faz bem quando vejo você ali. É como se você estivesse um pouco mais perto de mim. Abro e fecho sua janela um milhão de vezes, até você ficar offline. Depois de você, o Skype ficou tão sem graça, e você nem imagina.

Durante a manhã, me pego num ato falho de ver todas as suas postagens no Facebook. Quer dizer, todas as desbloqueadas. A cada foto sua, meus olhos marejam águas salgadas da saudade de você. Eu havia encontrado a minha paz no teu olhar, e você costumava chamar meu abraço de lar. Onde nos perdemos?

Eu nem tive tempo de ver você fazendo as malas e calçando seu tênis para viajar. Talvez se eu percebesse antes, teria colocado um cadeado em nossos corações e jogado a chave fora. Será que adiantaria?

Espero que, assim como toda viagem exige retorno para o aconchego do nosso ninho, você volte para o meu carinho. Que o tempo a passar nos faça melhor uma para a outra.

Por hora, se alguém me pedisse para desenhar a saudade, eu tentaria tirar do lápis e colocar no papel um dia cinza de inverno com uma brisa carregada com teu cheiro. E as nuvens que descolorem o azul do céu se fazem tão triste que, assim como eu, seguram as suas chuvas para não desaguarem a todo instante e em cima de quem não tem na a ver com essa história toda.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

No seu momento

Muitas das vezes nas quais me perguntaram os motivos de eu nunca ter namorado, eu sempre dei a resposta padrão do “ah, nunca apareceu ninguém”.

Mentira. Já apareceram diversas pessoas. Muitas, inclusive, maravilhosas e que, caso me dessem nova oportunidade hoje, eu certamente consideraria bastante me aventurar na relação. Mas o fato é que, dadas as proporções de minha mentira ao explicar o motivo, torna-se necessária a luz da verdade sobre os acontecimentos. E a verdade é que: eu não estava pronto.

Eu não estou pronto. Sou daquele ingrediente que deve cozinhar sozinho, para depois se juntar à receita. Os motivos disso? Não sei. E, por mais que tenha tentado encontrar diversas explicações, deparei-me sempre com um “espere, não é a hora”.

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No seu tempo

E, agora, você pode me culpar pela covardia, ou entender com admiração que as coisas simplesmente acontecem no tempo certo. Na hora certa, com a pessoa certa.

Sou daqueles românticos bobos que acreditam em alma gêmea, que se apaixonam fácil, que se entregam. E é justamente isso que eu precisava mudar. Eu achei a resposta.

Antes, eu seria capaz de doar a minha vida pelo bem amado. De fazer tudo e me sacrificar em prol da felicidade dele. Eu me anularia completamente para satisfazer as necessidades de meu amor. E isso seria a minha morte, mesmo que em vida.

Viver pelo o outro é morrer. Lenta e dolorosamente. Eu descobri que, antes de amar alguém, eu deveria me amar. Enxergar em mim qualidades que ninguém veria se eu não as visse primeiro. Minha dignidade precisava nascer, aflorar. Dedicar-se tanto a outra pessoa é indigno, é injusto. Comigo e com ele.

O amor não é caridade, não é doação. O amor não é anulação. O amor não é entrega. O amor é a soma de dois amores. E por mais clichê que isso pareça, e por mais vezes que isso já tenha sido dito, parece nunca ser suficiente. Insistimos no erro. Insistimos sempre em acreditar que, para ter alguém do lado, é necessário um calvário de sacrifícios em prol do outro.

Ontem, eu não estava pronto. Hoje também não estou. Talvez eu nunca esteja, e isso não é problema. Não é, porque problemas podem ser resolvidos. O amor, não. Ele só aparece quando você já aprendeu a resolver, sozinho, as dificuldades que a vida te traz.

Você não precisa de outra metade, você já é inteiro. Só precisa descobrir isso. E então o amor chegará. Leve, doce e calmo. Sem cobranças, sem pressões, sem ciúmes, sem tortura. Tudo em paz. Tudo no SEU momento.

 

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24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.