Quanto você me olhou pela primeira vez

Nossos olhos se cruzaram e a única sensação que pude sentir foi um formigamento no pé. Uma dormência que foi subindo lentamente pela minha perna, e despertou as borboletas que moram em meu estômago e que há muito dormiam – elas estavam te esperando!

Quando você me olhou, um segundo se transformou, de repente, em todo o tempo que eu precisava para saber onde mora a felicidade. Eu pude notar, nesse piscar de olhos, que nossos laços se cruzavam de tempos atrás, quem sabe de outras vidas.

Eu pude sentir a sensação de estar em casa novamente, depois de um longo dia de trabalho, e de jogar minhas chaves sobre a mesa, e ainda vestido deitar no sofá enquanto você pergunta como foi o dia, dizendo que eu nunca estive tão lindo como estava naquele momento. Você gosta de elogiar, e eu te amo mais por isso – apesar de sempre ficar sem jeito.

Mesmo ainda sem te tocar, eu senti o seu calor e lembrei de você deitado no meu peito, fazendo os planos mais loucos para o futuro e me tornando cúmplice do que comecei a chamar de “nossas loucuras”, o nosso jeito louco e inocente de ver o mundo.

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Você sempre esteve aqui, eu sempre te senti. E nesse segundo que nossos olhos se cruzaram eu descobri que não era louco, era só um paciente esperando pelo remédio. Era a cura de uma doença que eu não tinha. Era a alegria do beijo doce pelo amanhecer. E você rindo do meu cabelo bagunçado, enquanto eu te enchia de beijos te dizendo que você é a coisa mais bonita que eu já vi.

Depois daquele olhar meus domingos nunca foram os mesmos, e eu pude admirar o entardecer com todo o meu coração, sem ter medo da segunda-feira, afinal, depois de um dia longo, você seria a minha recompensa, o meu desejo de voltar pra casa.

Devo confessar que, devido a esse olhar, ganhei até uns quilos. Nós amamos comer, não é mesmo? Adoro quando, mesmo sem ter todo o dom de um chef, você cozinha coisas que me lembram de casa. Adoro seu jeito de me confortar e me fazer sentir parte do mundo.

Talvez você não saiba e eu nunca tenha te dito, porque eu tenho um sério problema em expressar o que sinto, mas eu só cheguei tão longe porque você estava me olhando, me apoiando. Era de você que vinha minha força de virar madrugadas a fio no escritório pensando em um jeito de mudar o mundo. Seu compromisso com a verdade, sua integridade, sua fé nas pessoas, sua bondade… É de você que vem a minha humanidade. Teu calor não me deixou ser frio, mesmo depois de tantas pancadas.

Não foi fácil chegar até você. Mas foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Desculpe a demora.

Mas eu tenho certeza que você vai entender, quando os nossos olhos se cruzarem.

Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

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