Um eu sem você #22 – 26 de Outubro

Acordo ainda levemente alterada e saio às pressas para votar no segundo turno. O sol quente, o dia abafado, o gosto de álcool na boca e uma sensação de não me lembrar plenamente de tudo. Um almoço em família em Águas de São Pedro, o corpo cansado e os olhos desejando fechar… E o pensamento ainda em você. Saudades de participar do seu dia, da sua vida e saber das suas coisas.

Daquilo que fica, a saudade é o único vazio que não pode ser preenchido com nada que venha a aparecer. Beijos, carinhos, novas paixões… Nada disso consegue ocupar o espaço que oferecemos ao amor que vai embora.

A única capaz de mudar o sentido e o sentimento, é a presença de quem foi embora. E isso pode nunca mais acontecer. Por isso nossas máscaras têm que ser mantidas. É muito mais fácil fingir-se alegre do que explicar a falta que faz o sorriso tímido que ela te dava e poder ver no olhar dela todo o amor do mundo e, assim, sentir-se segura para nunca mais querer sair dali.

É mais fácil fingir não sentir nada do que tentar explicar o quanto era lindo deitar ao lado dela e vê-la dormindo tão perto de mim. O jeito que só ela tinha de acordar ainda mais linda que na noite anterior e o modo como nossos corpos se procuravam embaixo das cobertas.

É melhor fingir que eu não conseguia ler o seu olhar e que você não reconhecia algo de errado sem que eu precisasse abrir a boca do que tentar explicar para o mundo inteiro que o seu coração é o maior que eu já vi. Mas talvez ele estivesse preocupado demais em abraçar e cuidar do mundo inteiro que esqueceu de me acolher.

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É mais sensato fingir que passou do que tentar mostrar ao mundo que você não foi só o meu melhor sexo, mas que era você e continua sendo você, aquela que tem em si todas as qualidades e defeitos que eu buscava, mas nunca encontrava. Para falar a verdade, eu nem sabia o que eu queria antes de você chegar.

Agora, eu sei. Como se faz pra esquecer quando temos nosso maior pedido realizado mas quando começamos a ficar feliz em vivê-lo, ele é tirado com a mesma rapidez com que me foi presenteado?

Depois de conhecer o melhor de mim, em você, fica difícil me interessar por mais de uma noite por quem quer que apareça na minha porta. Sinto-me na obrigação de avisar a quem quer que apareça que no meu peito não bate mais um coração. Quem bate é a saudade.

À noite vou ao cinema com um amigo e, no fundo, desejava que fosse você comigo num domingo à noite esperando a semana começar. No filme, um dos personagens era autista e me lembro de você e da sua paixão sempre que falava do seu curso e das vivências durante os estágios.

A forma como você disparava a falar quando o assunto era Terapia Ocupacional sempre me encantava, mesmo sem entender muita coisa. E eu nem tive tempo de te contar que eu amava quando você tirava o freio das palavras e falava sem parar, principalmente sobre sua futura profissão.

Gostaria de ter uma forma de te mostrar e falar tudo que o tempo que não pude dividir contigo me impossibilitou. Um dia, quem sabe.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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