Um eu sem você #20 – 24 de Outubro

Pode soar repetitivo, mas a cada dia que passa está mais difícil acordar e abrir os olhos. A cada dia que passa, a dor aumenta e fica ainda mais cansativo empurrar o peso em cima do meu peito para conseguir me levantar. Mas a gente levanta. A gente precisa trabalhar, ganhar dinheiro e “viver” – mesmo sem conseguir encontrar um porquê.

Quem um dia disse que o tempo cura tudo, com certeza não havia sentido saudades. A saudade não passa de um dia pro outro, pelo contrário: aumenta a cada amanhecer. A única forma de fazer ela desaparecer é substituir o seu sufoco pelo alívio e felicidade em ter a pessoa distante dentro dos seus braços e abraços.

Mas, ainda, a pior das saudades é aquela do não vivido. Essa não tem como ser desafogada nem com mil beijos e abraços. Saudade da viagem que ficou pra ser feita, saudade daquele filme que ficou pra ser assistido, saudade daquele show que íamos comprar os ingressos… Como matar algo que ficou no passado antes mesmo de ser presente?

Torço pra que você fuja desses sentimentos em outros cheiros e gostos… Mas só pra perceber que, em você, também tem um pouco de saudade de mim. E, assim, volte correndo pra escrever e colorir as páginas da nossa história. Recíproco ou não, iludida ou não, esperança ou não: eu ainda não consigo acreditar que esse é o fim e nunca mais iremos nos cruzar.

Foram quase dois meses, é pouco tempo, eu sei. Mas só nós sabemos o quanto esses dois meses significaram mais do que dois anos. Vivi com você duas vidas dentro de dois meses e, agora, meu corpo e meu coração querem você por todas as minhas outras vidas. A começar por essa.

Você mesma dizia que nunca tinha sido tão você com alguém. Lembra? Que no seu último namoro você demorou um ano pra ficar sem maquiagem… E eu justamente te amava ainda mais quando estava limpa e inteira pra mim e comigo.

Inclusive sem maquiagem. Eu amo a cicatriz no seu rosto que você tanto esconde entre camadas de base e pó. E acho que eu nunca tive tempo de te dizer isso, né? Então que você saiba agora: eu amo sua pele cor de leite, eu amo sua cicatriz, amo seu sorriso, amo seu olhar, amo o jeito que você costumava me beijar e deixava claro que sentia o mesmo prazer e amor que eu quando nossas línguas se tocavam.

Eu amo sua risada, quando você cantava, quando você fazia bico para fazer charme ou quando chegava perto da hora de eu ir embora… E ah, amo seus seios. Mas isso você já estava cansada de saber, né? Mas você deveria saber: eles são os mais lindos. E sempre serão.

Em pouco tempo de reencontro – pois nós sabemos que esse amor não é só dessa vida –, consegui te amar mais do que eu jamais pensei. E é triste demais acordar todo dia com nada além da sua ausência.

Me desculpe agora a sinceridade, mas espero que você encontre alguém e esteja com esse alguém. Mas que toda vez que deitar com ele, lembre-se de mim. Que uma brisa traga o meu cheiro e você repense a escolha que fez e me deseje com você.

Que você largue tudo e decida viver o amor que um dia pensou ter colocado num baú e perdido a chave. Não se preocupe, eu guardei ela pra quando você quisesse transformar nossos singulares em plural.

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Que em um dia breve, você acorde e se arrependa. E venha correndo. Eu tô aqui, tá vendo? Tô te esperando se enganar, fingir que consegue esquecer, que nunca me viu… Eu espero. Eu não tenho pressa pra ter a vida inteira ao seu lado.

Só não demora muito porque a saudade machuca e eu não sei quanto tempo eu consigo fingir que está tudo bem e que não dói.

Penso que, talvez, você possa me entender e compreender o quão difícil as coisas estão pra mim e te peço para falar comigo sobre o que você sente, se eu fui só um caso e que nunca mais quer isso e acabou.

Ah, como sou tola. Você me ignora e quando peço a resposta, você simplesmente argumenta que já disse tudo que tinha pra dizer. Queria ser como você e conseguir esquecer o que trago no peito.

Maldito signo. Maldito câncer. Maldita mania de ser 8 ou 80 e me entregar por inteira. Maldita ilusão em acreditar que seria diferente e que eu teria um amor pra chamar de meu por mais de algumas noites.

Por enquanto, eu ainda sinto e sofro, mas eu tenho terríveis medos do que eu posso me tornar quando isso passar. Todos os baques que já tive foram pesados e difíceis de me levantar. Depois de tanto tempo – quatro ano , você sabe, eu te contei –, eu me abri pra você.

Eu me joguei sem olhar pra atrás e ver se você estava segurando a corda pra que eu não me afogasse. Por um tempo você amarrou a minha corda em uma pedra e se jogou comigo. Estávamos apenas começando a nos aventurar, mas você se soltou da corda e nem sequer me avisou.

E eu continuei ali pendurada, com as mãos ocupadas e preocupadas demais em te segurar, te abraçar e não deixar você cair e se machucar que quem caiu, no final, fui eu.

Não me arrependo. Mas me conheço de uma maneira que você não teve tempo de conhecer e sei que essas marcas não cicatrizarão de uma hora pra outra. Sei que comigo o processo é longo e demorado e eu não conseguirei ignorar o estrago que fizestes em mim.

A maioria das pessoas consegue acordar no dia seguinte e agir como se a outra vida nunca tivesse tocado nas delas, mas eu não. Eu me permiti ser tua, te dei tudo o que eu tinha e aceitei tudo o que você estava disposta a dar. Agora, eu tenho só esse peito rasgado e implorando por um cuidado que não chegará.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

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