Um eu sem você #19 – 23 de Outubro

Perdi a hora do trabalho e acordei assustada às 08h20. Tenho tentado voltar a sentir sono às 21h como quando você me trazia paz e eu não tinha nenhum pensamento ruim ao repousar a cabeça nos travesseiros.

Mas está cada noite mais difícil. Deito às 21h, o tempo não para, meu sono não chega e vou dormir depois das 23h. Todo dia. Se eu te contasse isso, acho que você nem acreditaria, né? Eu sempre lutava contra mim mesma pra me manter acordada e aproveitar sempre um pouco mais de você…

E agora meu inconsciente não me deixa fechar os olhos que é pra ver se você volta. Eles se cansam e acabam fechando as cortinas dos meus olhos, mas eu durmo, acordo e está tudo igual. Menos a saudade, que só aumenta com o tempo que se arrasta nos meus dias sem você.

Durante as longas horas do meu dia, tenho vontade de te procurar e dizer: volta! Se você sente alguma coisa ainda, volta. Por favor, volta. Mas volta depressa, que a cada segundo sem você eu me perco ainda mais de mim.

Volta. Eu já não conseguia acreditar em muita coisa quando você chegou e mudou todas minhas dúvidas para potenciais certezas. Volta. Agora tá difícil me apegar em qualquer ilusão ou realidade pra me manter em pé.

Volta. Eu prometo que vai valer a pena. Eu prometo que a coragem vai ser compensada. Eu prometo que nossa vida vai ser cheia de sorrisos e amor. Eu prometo que te faço cócegas só pra poder correr atrás de você pelo apartamento e, no final, te segurar em meu braços e te beijar.

Volta. Esquece os problemas, as dificuldades, os obstáculos… Só volta.

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Saudade é um bicho que não dá pra adestrar e ensinar que não se deve bagunçar o coração da gente. Tenho tentado prendê-lo, mostrar que é errado revirar um sentimento que não tem como continuar vivo, mas quanto mais eu o prendo, mais forte ele fica e as grades que o prendiam já não conseguem mais conter a sua agitação. Ele exige ser notado. O problema é que só você pode acalmá-lo. E eu sei que você não vem.

Enquanto o seu silêncio e ausência deixam a entender que você está bem sem mim, eu encosto a minha cabeça na cadeira durante uma pausa no trabalho e monto cenas na minha cabeça.

Desejo chegar bem perto de você, colocar o seu cabelo atrás da orelha, me atentando aos detalhes da sua expressão pedindo pra que eu te beije. Em seguida, puxo sua cintura contra a minha, puxo seu cabelo e te beijo de forma que, entre nossos corpos, nem sequer o ar passe. Finjo que não é sua presença que me tira o fôlego.

Deitada, tudo o que me vem à cabeça é você e a vontade de falar contigo. Montando diálogos imaginários, meu coração dispara e o oxigênio não consegue circular em mim. É desesperador. Mesmo assim, eu te procuro.

– O que eu faço com essa saudade de você? – eu lhe pergunto.

E sua resposta me vem como um escudo: – Carla, não faz isso. – você diz.

– Eu sei. Só… Faz falta. Como você está? – digo implorando por uma palavra tua que me abrace e me acalme como costumava ser. Mais uma vez em vão.

– Tô bem. E você? – a resposta vem tão seca quanto o Cantareira.

– Uhum… Sucesso no TCC? – insisto mais uma vez.

– Uhum, tá caminhando bem. – e o tapa seco dói mais uma vez.

– Que bom… Bom… Desculpa te procurar. É só que você foi, ou ainda é – não sei mais conjugar os verbos no tempo correto quanto ao que costumava ser sempre presente –, muito especial. Se cuida. Beijos. – finalizo a conversa, mas não o meu pensamento.

– Você também foi muito especial, de verdade. Se cuida! Beijos! – você encerra sem nem mais uma sílaba.

Internamente eu continuo a conversa: – Queria ter vivido mais.

E, assim, acaba uma tentativa de diálogo. Não sei se encaro sua maciez nas palavras como algo bom, se encaro com conjugar o nós no passado ou se fico pensando se um dia esse “especial” será tão especial a ponto de voltar a ter um lugar em nossas vidas novamente.

Com o peito dilacerado, eu durmo. Só assim para não te procurar e fugir de mim.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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5 comentários

  1. F. Tanaka · outubro 8, 2015

    Não sei se é real, mas posso dizer que eu senti. Muito bom o texto.

    Curtido por 1 pessoa

    • Leonardo Lino · outubro 29, 2015

      Em geral, todos os textos postados no blog refletem nossas experiências pessoais. Então sim, é real. ❤ Obrigado por acompanhar.

      Curtido por 1 pessoa

      • F. Tanaka · outubro 30, 2015

        Bom saber!! Os textos são excelentes.

        Curtido por 2 pessoas

    • cjoliveir · outubro 30, 2015

      Sim, sim! All real.

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  2. Pingback: Um eu sem você #19 – 23 de Outubro | Sou perdido, perdido estou.

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