Um eu sem você #22 – 26 de Outubro

Acordo ainda levemente alterada e saio às pressas para votar no segundo turno. O sol quente, o dia abafado, o gosto de álcool na boca e uma sensação de não me lembrar plenamente de tudo. Um almoço em família em Águas de São Pedro, o corpo cansado e os olhos desejando fechar… E o pensamento ainda em você. Saudades de participar do seu dia, da sua vida e saber das suas coisas.

Daquilo que fica, a saudade é o único vazio que não pode ser preenchido com nada que venha a aparecer. Beijos, carinhos, novas paixões… Nada disso consegue ocupar o espaço que oferecemos ao amor que vai embora.

A única capaz de mudar o sentido e o sentimento, é a presença de quem foi embora. E isso pode nunca mais acontecer. Por isso nossas máscaras têm que ser mantidas. É muito mais fácil fingir-se alegre do que explicar a falta que faz o sorriso tímido que ela te dava e poder ver no olhar dela todo o amor do mundo e, assim, sentir-se segura para nunca mais querer sair dali.

É mais fácil fingir não sentir nada do que tentar explicar o quanto era lindo deitar ao lado dela e vê-la dormindo tão perto de mim. O jeito que só ela tinha de acordar ainda mais linda que na noite anterior e o modo como nossos corpos se procuravam embaixo das cobertas.

É melhor fingir que eu não conseguia ler o seu olhar e que você não reconhecia algo de errado sem que eu precisasse abrir a boca do que tentar explicar para o mundo inteiro que o seu coração é o maior que eu já vi. Mas talvez ele estivesse preocupado demais em abraçar e cuidar do mundo inteiro que esqueceu de me acolher.

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É mais sensato fingir que passou do que tentar mostrar ao mundo que você não foi só o meu melhor sexo, mas que era você e continua sendo você, aquela que tem em si todas as qualidades e defeitos que eu buscava, mas nunca encontrava. Para falar a verdade, eu nem sabia o que eu queria antes de você chegar.

Agora, eu sei. Como se faz pra esquecer quando temos nosso maior pedido realizado mas quando começamos a ficar feliz em vivê-lo, ele é tirado com a mesma rapidez com que me foi presenteado?

Depois de conhecer o melhor de mim, em você, fica difícil me interessar por mais de uma noite por quem quer que apareça na minha porta. Sinto-me na obrigação de avisar a quem quer que apareça que no meu peito não bate mais um coração. Quem bate é a saudade.

À noite vou ao cinema com um amigo e, no fundo, desejava que fosse você comigo num domingo à noite esperando a semana começar. No filme, um dos personagens era autista e me lembro de você e da sua paixão sempre que falava do seu curso e das vivências durante os estágios.

A forma como você disparava a falar quando o assunto era Terapia Ocupacional sempre me encantava, mesmo sem entender muita coisa. E eu nem tive tempo de te contar que eu amava quando você tirava o freio das palavras e falava sem parar, principalmente sobre sua futura profissão.

Gostaria de ter uma forma de te mostrar e falar tudo que o tempo que não pude dividir contigo me impossibilitou. Um dia, quem sabe.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 24 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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O amor que você não viu

“Eu te dei o meu amor, mas você não viu”. Eu ouvi isso de mim mesma muitas vezes depois que nossos dias tinham se separado. Eu dei todo o meu amor e você só viu o que quis.

Chega a ser triste essa sua falta de visão ou essa implicância com o seu pessimismo em programar seu cérebro para receber apenas informações negativas. É impressionante  esse seu jeito de largar mão de algo bom porque esse seu olhar se dispersou do foco principal.

Será que você não viu nossas conversas extrovertidas, nossos ataques de carinho e amor, ou quando você desmoronava no meu peito porque algo que você queria muito não tinha dado certo. Será que seus olhos não conseguiram ver todas as vezes que te disse o quanto eu te amava ou como nosso primeiro (segundo) beijo foi algo esperado por anos. Seus olhos não foram capazes de enxergar a pureza de todo o cuidado que eu tinha com seu bem estar e com sua felicidade? Então menina, me diga, o que foi que você viu?

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O que te fez desperdiçar horas do seu tempo ao meu lado, me explica o que você viu nesse tempo todo se não a felicidade certa de que tudo iria ficar bem. Me mostra o lugar que você esconde o que seus olhos deixaram de ver, porque eu quero enxergar com eles, eu quero me ver neles.

Porque foge do compromisso de me encarar, de ver os destroços que causou,  porque a falta de vontade de deixar que o caminho do seu olhar se cruze com o meu. O que pode ser mais torturante do que me oferecer as percepções do seu olhar, querida. O que eles podem me oferecer a não ser a sua sinceridade. E o que a sua sinceridade tem a me dizer? Estou esperando esse seu olhar se deparar com o meu numa festa aleatória, na esquina do nosso fastfood favorito, no supermercado perto de casa… Uma hora seus olhos irão encontrar com os meus, então eu te peço, o que foi que você viu?

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Você não precisa curar a carência

Porque carência não é doença, é sintoma!

Assim como eu, acredito que muitos passam fases de extrema carência. Estive um período longe do blog, e pude tomar esse tempo para me observar, me conhecer, e tentar entender a origem desse mal que muito me aflige.

Como todo ser humano, tenho minhas limitações e necessidades. E o tempo me fez perceber que boa parte das respostas que eu preciso estão disponíveis no Universo. Basta que eu vá buscá-las.

Em minhas investigações pude compreender que a carência não é um mal em si, mas sim o sintoma de um muito maior que vem acometendo cada vez mais pessoas: a falta do amor próprio.

Com essa falta, é natural que nosso ego vá tentar encontrar o que precisamos nos outros. E por isso estamos sempre precisando de mais amor, mais atenção, mais carinho, mais abraços, e daí sentimos mais ciúmes, nos sentimos mais frustrados, mais tristes, mais incompletos e é óbvio! Não importa o quanto recebamos dos outros, pois, para nós, sempre será insuficiente. Não há como encher nossa alma com outro combustível que não o nosso. E nesse processo nosso ego vai ficando cada vez mais e mais viciado nas “massagens” que recebe. Vai esperando cada vez mais atenção, cada vez mais exclusividade, cada vez cria mais necessidade e a nossa frustração só aumenta.

Para combater a carência você precisa buscar meios de entender e aceitar que você é um ser suficiente em si, e que nada no mundo pode te dar aquilo que você já possui. Só o amor próprio cura. E quando ele cura, os sintomas desaparecem. A falta de auto-estima é a doença que deve ser tratada.

Para isso, os passos são simples mas requerem total determinação. Seu EGO está viciado, e você precisa desintoxicá-lo para começar o processo. Tente começar entendendo que ninguém no mundo lhe deve nada. Não existe sequer uma pessoa que tenha obrigações para com você. As pessoas são livres, assim como você também é. O que nós damos e recebemos deve partir – SEMPRE – de nosso livre arbítrio. Espere menos delas, e espere mais de você.

Procure em seu interior características que você ame. Sua inteligência, seu humor, seu companheirismo, seu carisma… Eu tenho certeza que aí dentro mora um ser humano muito iluminado, dotado de todas as coisas boas do universo. Depois que descobrir, reforce essas características. Quando você perceber as suas qualidades, vai entender que aquele namorado de quem você tanto espera não é alguém melhor que você, que não existe perfeição em ninguém, e que você não precisa dele, você está com ele porque quer!

Cuide de você. Se você não amar o reflexo que vê no espelho, como pode amar aquilo que você não vê? Malhe, se alimente bem, perca peso, mude o cabelo, radicalize. Comece se amando cada dia mais, de fora para dentro.

Invista em você. Estude, leia aquele livro, veja aquele filme, viaje, trabalhe. Acrescente, todo dia, um novo conteúdo em sua mente. Descubra e aprenda coisas novas. Seja diferente, queira ser melhor. Nunca é tarde para começar aquela pós, ou até mesmo outra faculdade…

Espere mais de você. Pois quando você espera de você, acaba, por consequência, esperando menos dos outros. Todo dia, pela manhã, diga para si mesma aonde quer chegar, que coisas quer fazer, que lugares quer conhecer, com quem quer conversar. Determine metas, prazos, objetivos. Seja um ser humano que faz sua existência valer a pena. Tenho certeza que você pode. Eu acredito em você.

Entenda que pessoas são só pessoas. E elas não podem te dar tudo aquilo que você quer. Você não muda ninguém, não melhora ninguém, não conserta ninguém. As pessoas mudam, evoluem e crescem apenas por vontade própria. Apenas por percepções particulares, nunca porque você quer que elas mudem.

Sei que não é tarefa fácil consertar a si mesmo. Mas sei, também, que sofrer de falta de amor próprio é muito pior. Sei que sentir ciúmes é muito pior. Sei que esperar algo que nunca chega é terrível. Aquela ligação, aquela mensagem, aquela atenção… Tudo isso é angustiante. Então espero que você consiga. Espero que você tente. Que se dê uma chance.

Há uma vida toda pela frente. E você merece ser feliz, sendo de si mesma.

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Leonardo Lino 24 anos, publicitário,  é um apaixonado por economia, política e filosofia. É um inimigo declarado do estado. Um minarquista pragmático. Tem como inspiração Ayn Rand e Ludwig von Mises. Gosta de falar abobrinhas, bobagens e jamais vai te levar a sério. Também tem um lado místico. Não olha torto que o santo é forte. Está aprendendo a escrever, desculpem os maus modos.

Vem novidade por aí

Faaala galera! Como vocês estão?

O UmEuSemVocê está se reinventando e estamos preparando muitas novidades para vocês!

Como a maioria sabe, eu, o Leo e a Carla não moramos na mesma cidade, mas isso nunca nos impediu de estarmos juntos. Uma prova disso é esse blog cheio de palavras inspiradoras que construímos para compartilhar nossa jornada com vocês.

É isso que o UmEuSemVocê vem fazendo durante esses meses de atuação, mas queremos mais, queremos encher vocês de coisas boas e de conhecimento. Não basta só textos inspiradores e tapas na cara da realidade, a gente quer cada um de vocês bem pertinho do nosso delicioso triângulo.

É por isso que estamos anunciando duas novas novidades!

A primeira é que o Blog vai ter um Vlog, isso mesmo! Vamos sair de trás dos computadores e meter a cara em frente as câmeras. Vai ter quadro de entrevista, de conselhos, de perguntas e mais uma penca de coisas que vamos mostrar durante nosso dia a dia.

A segunda novidade é que eu vou levar o UmEuSemVocê para os EUA!! É isso mesmo pessoal, um dos quadros do nosso Vlog é o UmEuSemVocê Na Gringa. Vou mostrar tudinho para vocês e principalmente destacar como é a rotina de um americano. O objetivo do Vlog é transportar conhecimento e cultura aos navegantes dessa jornada incrível que eu vou viver por lá.

É importante destacar que estou indo como Au Pair (e vamos falar disso em outro post), e o mais legal de tudo isso, é que eu sou gay , Au pair e vou mostrar como vai ser essa aventura incrível nos Estados Unidos!

Estamos bem empolgados com a ideia e esperamos que vocês também estejam esperando por vídeos incríveis.

Não vamos abandonar o blog com nossos textos, vamos completa-lo com informações e muuuuuita diversão.

É isso aí, chegou a hora de embarcar nessa nova caminhada que estamos trilhando juntos! 😀

Confira nosso primeiro vídeo

Abraços

Carla, Leo e Jamile

Entre sorrisos

Em certo filme que muita gente já viu e compartilhou pelos quatros cantos das redes sociais e da vida, aprendi que “happiness is only real when shared” (ou seja: a felicidade só é real quando compartilhada). E é sobre isso que eu queria compartilhar com vocês, mas mais especificamente nos relacionamentos – amorosos ou não.

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Quem nunca ficou tão feliz com alguém que, de tanto rir, a barriga doeu e, assim, só se sentiu ainda mais feliz? Aliás, quer felicidade mais louca do que essa que faz a barriga doer? Se me contassem dessa felicidade sem nunca a ter sentido, chamaria a todos de loucos. E quem nunca compartilhou momentos únicos com amigos, familiares ou namorado(a) que, só de lembrar, os cantos da boca se mexeram instantânea e involuntariamente, esboçando um sorriso em meio à seriedade da planilha do excel aberta na tela do computador?

Já li em algum lugar que você encontrará alguns amigos com facilidade quando estiver com problemas e dificuldades, mas que os amigos ou as companhias verdadeiras serão somente aquelas que conseguirem te acompanhar também durante os dias de Sol. Afinal de contas, quantas pessoas encontramos por aí que se deliciam simplesmente pelo prazer de nos verem por baixo? Inúmeras. Por isso eu aprendi desde cedo com a minha mãe que, por exemplo, depois de uma entrevista de trabalho, até ter o resultado final, não devemos fazer alarde. Muitos são os que nos querem longe do sucesso, poucos são os que nos acompanharão faça chuva, arco-íris ou um dia azul.

Mas, ainda mais alegre que todas as felicidades escritas e descritas pelos poetas mais inteligentes e românticos, quando o teu riso ecoa no meu sorriso, me sinto plenamente no paraíso.

Entre brincadeiras, conversas sérias e olhares enigmáticos, o teu riso é o som que eu poderia ouvir por todo o resto da minha vida. Ainda melhor do que compartilhar a felicidade, é dividir o motivo de todos meus sorrisos contigo.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #21 – 25 de Outubro

É absolutamente incrível o que doze horas de sono podem fazer na vida de uma pessoa. Fico na cama o sábado inteiro, apenas curtindo o prazer em poder não fazer nada. Entre o nada e o tédio, abro constantemente o Whatsapp só pra ver sua última visualização.

Ainda é difícil não falar com você. Vez ou outra me pergunto se você também pensa em mim tanto quanto eu penso em você. Será que você também abre minha janela só pra ver minha visualização? Será que você acompanha minhas curtidas no Instagram? Será que você pensa em me procurar, mas luta contra esse instinto e não o faz? Bom, se sim… Você tem feito bem melhor que eu.

A noite chega e vou pra uma festa com os bons amigos que tenho. Meu único plano pra noite? Me embriagar e ficar o tempo que eu puder sem pensar em você.

Seu nome, o que sinto e o que vivi com você torna-se assunto proibido nas rodas de conversas e na minha vida. Antes, era o motivo das coisas ficarem mais leves e felizes. Hoje, me forço a seguir em frente e ignorar que nossas almas se conectaram.

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Em uma tentativa de te esquecer, me dou uma vida de excessos. Sei que não é a alternativa mais sensata, mas eu perdi a linha do raciocínio lógico no segundo em que você desistiu da gente antes mesmo de tentarmos.

Se você consegue ignorar nossa história e me apagar, como se eu nunca tivesse existido, como se nossos corpos nunca tivessem se confundido na sua cama, acredito que eu não esteja assim tão errada em me afogar em alguns copos a mais de cerveja.

Você fez sua escolha, eu faço a minha – mesmo não deixando de te amar.

Aproveito a noite, a bebida, os amigos e ainda no final da noite acabo em lágrimas alcoolizadas imersas num amor que não teve lugar nesse teu mundo para viver.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Acreditar pode ser sua última esperança

Eu não vou ficar falando de quantas vezes passou pela sua cabeça desacreditar do amor, porque, meu caro, eu sei que foram inúmeras.

Mas eu venho aqui para dizer que você tem todo o direito de se revoltar contra esse sentimento, nada impede você de sair com quem quer que seja, você pode se aventurar por aí e beijar quantas bocas você quiser. E eu não vou negar, o descompromisso é uma das liberdades que você tem e abrir mão dela não é fácil.

Mas será que ninguém no mundo merece a sua segurança, o seu amor limpo, a sua clareza e a sua verdade?

Não sou eu quem vai dizer a hora em que você deve abrir seus olhos e finalmente acreditar no amor e… Sinceramente? A gente só vai acreditar quando estivermos prontos. Talvez só falte alguém. E para você também é só isso, é só a falta de alguém que te faça acreditar, ou talvez seja só o tempo, o tempo certo que te faça acreditar…

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A gente nunca sabe o que pode nos fazer ter fé, mas é importante não perder essa coisa pura que circula dentro do nosso coração. Perder o calor e a paixão vai fazer muitas coisas da sua vida não terem mais sentido. É importante se apaixonar e se doar sempre que achar, se permitir sempre que sentir vontade e acreditar que nem todo mundo é igual.

Eu mesmo sempre acreditei que posso encontrar a garota da minha vida em outro país ou pode ser que a vizinha nova lá do meu prédio me faça perder o juízo. Sei lá, eu sei que é um ato de extrema coragem acreditar nas pessoas. Ou pior, acreditar no amor delas. Ou pior ainda, acreditar no amor delas por você. E eu só estou dando a cara a tapa nesse texto porque é melhor continuar acreditando do que viver por uma caralhada de anos sem achar algum sentido na vida.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Um eu sem você #20 – 24 de Outubro

Pode soar repetitivo, mas a cada dia que passa está mais difícil acordar e abrir os olhos. A cada dia que passa, a dor aumenta e fica ainda mais cansativo empurrar o peso em cima do meu peito para conseguir me levantar. Mas a gente levanta. A gente precisa trabalhar, ganhar dinheiro e “viver” – mesmo sem conseguir encontrar um porquê.

Quem um dia disse que o tempo cura tudo, com certeza não havia sentido saudades. A saudade não passa de um dia pro outro, pelo contrário: aumenta a cada amanhecer. A única forma de fazer ela desaparecer é substituir o seu sufoco pelo alívio e felicidade em ter a pessoa distante dentro dos seus braços e abraços.

Mas, ainda, a pior das saudades é aquela do não vivido. Essa não tem como ser desafogada nem com mil beijos e abraços. Saudade da viagem que ficou pra ser feita, saudade daquele filme que ficou pra ser assistido, saudade daquele show que íamos comprar os ingressos… Como matar algo que ficou no passado antes mesmo de ser presente?

Torço pra que você fuja desses sentimentos em outros cheiros e gostos… Mas só pra perceber que, em você, também tem um pouco de saudade de mim. E, assim, volte correndo pra escrever e colorir as páginas da nossa história. Recíproco ou não, iludida ou não, esperança ou não: eu ainda não consigo acreditar que esse é o fim e nunca mais iremos nos cruzar.

Foram quase dois meses, é pouco tempo, eu sei. Mas só nós sabemos o quanto esses dois meses significaram mais do que dois anos. Vivi com você duas vidas dentro de dois meses e, agora, meu corpo e meu coração querem você por todas as minhas outras vidas. A começar por essa.

Você mesma dizia que nunca tinha sido tão você com alguém. Lembra? Que no seu último namoro você demorou um ano pra ficar sem maquiagem… E eu justamente te amava ainda mais quando estava limpa e inteira pra mim e comigo.

Inclusive sem maquiagem. Eu amo a cicatriz no seu rosto que você tanto esconde entre camadas de base e pó. E acho que eu nunca tive tempo de te dizer isso, né? Então que você saiba agora: eu amo sua pele cor de leite, eu amo sua cicatriz, amo seu sorriso, amo seu olhar, amo o jeito que você costumava me beijar e deixava claro que sentia o mesmo prazer e amor que eu quando nossas línguas se tocavam.

Eu amo sua risada, quando você cantava, quando você fazia bico para fazer charme ou quando chegava perto da hora de eu ir embora… E ah, amo seus seios. Mas isso você já estava cansada de saber, né? Mas você deveria saber: eles são os mais lindos. E sempre serão.

Em pouco tempo de reencontro – pois nós sabemos que esse amor não é só dessa vida –, consegui te amar mais do que eu jamais pensei. E é triste demais acordar todo dia com nada além da sua ausência.

Me desculpe agora a sinceridade, mas espero que você encontre alguém e esteja com esse alguém. Mas que toda vez que deitar com ele, lembre-se de mim. Que uma brisa traga o meu cheiro e você repense a escolha que fez e me deseje com você.

Que você largue tudo e decida viver o amor que um dia pensou ter colocado num baú e perdido a chave. Não se preocupe, eu guardei ela pra quando você quisesse transformar nossos singulares em plural.

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Que em um dia breve, você acorde e se arrependa. E venha correndo. Eu tô aqui, tá vendo? Tô te esperando se enganar, fingir que consegue esquecer, que nunca me viu… Eu espero. Eu não tenho pressa pra ter a vida inteira ao seu lado.

Só não demora muito porque a saudade machuca e eu não sei quanto tempo eu consigo fingir que está tudo bem e que não dói.

Penso que, talvez, você possa me entender e compreender o quão difícil as coisas estão pra mim e te peço para falar comigo sobre o que você sente, se eu fui só um caso e que nunca mais quer isso e acabou.

Ah, como sou tola. Você me ignora e quando peço a resposta, você simplesmente argumenta que já disse tudo que tinha pra dizer. Queria ser como você e conseguir esquecer o que trago no peito.

Maldito signo. Maldito câncer. Maldita mania de ser 8 ou 80 e me entregar por inteira. Maldita ilusão em acreditar que seria diferente e que eu teria um amor pra chamar de meu por mais de algumas noites.

Por enquanto, eu ainda sinto e sofro, mas eu tenho terríveis medos do que eu posso me tornar quando isso passar. Todos os baques que já tive foram pesados e difíceis de me levantar. Depois de tanto tempo – quatro ano , você sabe, eu te contei –, eu me abri pra você.

Eu me joguei sem olhar pra atrás e ver se você estava segurando a corda pra que eu não me afogasse. Por um tempo você amarrou a minha corda em uma pedra e se jogou comigo. Estávamos apenas começando a nos aventurar, mas você se soltou da corda e nem sequer me avisou.

E eu continuei ali pendurada, com as mãos ocupadas e preocupadas demais em te segurar, te abraçar e não deixar você cair e se machucar que quem caiu, no final, fui eu.

Não me arrependo. Mas me conheço de uma maneira que você não teve tempo de conhecer e sei que essas marcas não cicatrizarão de uma hora pra outra. Sei que comigo o processo é longo e demorado e eu não conseguirei ignorar o estrago que fizestes em mim.

A maioria das pessoas consegue acordar no dia seguinte e agir como se a outra vida nunca tivesse tocado nas delas, mas eu não. Eu me permiti ser tua, te dei tudo o que eu tinha e aceitei tudo o que você estava disposta a dar. Agora, eu tenho só esse peito rasgado e implorando por um cuidado que não chegará.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Um eu sem você #19 – 23 de Outubro

Perdi a hora do trabalho e acordei assustada às 08h20. Tenho tentado voltar a sentir sono às 21h como quando você me trazia paz e eu não tinha nenhum pensamento ruim ao repousar a cabeça nos travesseiros.

Mas está cada noite mais difícil. Deito às 21h, o tempo não para, meu sono não chega e vou dormir depois das 23h. Todo dia. Se eu te contasse isso, acho que você nem acreditaria, né? Eu sempre lutava contra mim mesma pra me manter acordada e aproveitar sempre um pouco mais de você…

E agora meu inconsciente não me deixa fechar os olhos que é pra ver se você volta. Eles se cansam e acabam fechando as cortinas dos meus olhos, mas eu durmo, acordo e está tudo igual. Menos a saudade, que só aumenta com o tempo que se arrasta nos meus dias sem você.

Durante as longas horas do meu dia, tenho vontade de te procurar e dizer: volta! Se você sente alguma coisa ainda, volta. Por favor, volta. Mas volta depressa, que a cada segundo sem você eu me perco ainda mais de mim.

Volta. Eu já não conseguia acreditar em muita coisa quando você chegou e mudou todas minhas dúvidas para potenciais certezas. Volta. Agora tá difícil me apegar em qualquer ilusão ou realidade pra me manter em pé.

Volta. Eu prometo que vai valer a pena. Eu prometo que a coragem vai ser compensada. Eu prometo que nossa vida vai ser cheia de sorrisos e amor. Eu prometo que te faço cócegas só pra poder correr atrás de você pelo apartamento e, no final, te segurar em meu braços e te beijar.

Volta. Esquece os problemas, as dificuldades, os obstáculos… Só volta.

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Saudade é um bicho que não dá pra adestrar e ensinar que não se deve bagunçar o coração da gente. Tenho tentado prendê-lo, mostrar que é errado revirar um sentimento que não tem como continuar vivo, mas quanto mais eu o prendo, mais forte ele fica e as grades que o prendiam já não conseguem mais conter a sua agitação. Ele exige ser notado. O problema é que só você pode acalmá-lo. E eu sei que você não vem.

Enquanto o seu silêncio e ausência deixam a entender que você está bem sem mim, eu encosto a minha cabeça na cadeira durante uma pausa no trabalho e monto cenas na minha cabeça.

Desejo chegar bem perto de você, colocar o seu cabelo atrás da orelha, me atentando aos detalhes da sua expressão pedindo pra que eu te beije. Em seguida, puxo sua cintura contra a minha, puxo seu cabelo e te beijo de forma que, entre nossos corpos, nem sequer o ar passe. Finjo que não é sua presença que me tira o fôlego.

Deitada, tudo o que me vem à cabeça é você e a vontade de falar contigo. Montando diálogos imaginários, meu coração dispara e o oxigênio não consegue circular em mim. É desesperador. Mesmo assim, eu te procuro.

– O que eu faço com essa saudade de você? – eu lhe pergunto.

E sua resposta me vem como um escudo: – Carla, não faz isso. – você diz.

– Eu sei. Só… Faz falta. Como você está? – digo implorando por uma palavra tua que me abrace e me acalme como costumava ser. Mais uma vez em vão.

– Tô bem. E você? – a resposta vem tão seca quanto o Cantareira.

– Uhum… Sucesso no TCC? – insisto mais uma vez.

– Uhum, tá caminhando bem. – e o tapa seco dói mais uma vez.

– Que bom… Bom… Desculpa te procurar. É só que você foi, ou ainda é – não sei mais conjugar os verbos no tempo correto quanto ao que costumava ser sempre presente –, muito especial. Se cuida. Beijos. – finalizo a conversa, mas não o meu pensamento.

– Você também foi muito especial, de verdade. Se cuida! Beijos! – você encerra sem nem mais uma sílaba.

Internamente eu continuo a conversa: – Queria ter vivido mais.

E, assim, acaba uma tentativa de diálogo. Não sei se encaro sua maciez nas palavras como algo bom, se encaro com conjugar o nós no passado ou se fico pensando se um dia esse “especial” será tão especial a ponto de voltar a ter um lugar em nossas vidas novamente.

Com o peito dilacerado, eu durmo. Só assim para não te procurar e fugir de mim.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

Aquele ciclo que chamamos de “fim de namoro”

Eu, você e mais da metade da população mundial já passou por isso. O que muita gente não sabe é que esse ciclo que chamamos de “fim de namoro” serve para alguma coisa. Em especial, serve para fazer você ser uma pessoa melhor, mas antes disso acontecer você vai ser o maior babaca do planeta Terra.

Eu não vou colocar aqui o fim de namoro como algo dramático e doentio, vamos tratá-lo como o título desse texto: um ciclo.

Você namora a pessoa há 1 mês, 3 meses, 9 meses, 4 anos, 10 anos e a única semelhança que todos esses períodos têm é que um dia a contagem vai voltar a estaca zero e você será aquele -1 da matemática. Mas calma, nada que uma soma de fatores não resolva.

O primeiro mês pós-término é quando o ciclo se inicia, é o momento em que você se perde em meio a tantos sentimentos que preenchem seu coração, você sente saudade, raiva, dor, fome, sono, depois perde a fome, fica com insônia, quer se matar, quer procurar a pessoa, quer mostrar que está triste e depois que está feliz – e TUDO isso no FACEBOOK. Quem nunca postou uma foto com os amigos em um rolê super bosta e colocou de legenda: “Que rolê épico, o melhor, manda mais”. Se o ex viu ou não, a gente nunca vai saber, mas o objetivo é claro: EU TO NA MERDA MAS SE VOCÊ ENTRAR NO MEU FACEBOOK VAI VER QUE TÔ MELHOR QUE VOCÊ. É nesse momento que você é o -1.

O segundo mês não se difere muito disso, mas você se sente um pouco mais organizado com suas emoções. A saudade chega a ser sufocante, você olha pro lado e lembra da pessoa, olha pra frente e lembra, você olha para a barraquinha de cachorro quente da esquina e adivinha? Você lembra dela. Mas não dê muita importância, depois dos 6 meses essa coisa de lembrar vai ser bem rara.

No terceiro mês tudo que você precisa é fazer com que tudo que você faz chegue aos ouvidos do ex, e, aí, você continua sendo o -1, mas agora você é um -1 babaca. Eu vejo tanta gente nesse estágio que não sei ao certo quanto tempo essa de “olha aqui, veja como eu tô bem sem você” vai passar.

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A partir do quarto mês MUITA coisa muda, você quer fugir dos seus sentimentos e aí você bloqueia tudo, cada vez que a pessoa vem em sua mente você troca seus pensamentos, você para de passar na frente de lugares que eram tão seus, não veste mais a blusa, a camiseta, ou o colar que ganhou de presente, você evita ouvir músicas que faziam parte da sua história e sua cartilha de filmes se limita em ação e suspense.

É nesse estágio que você começa aceitar melhor a ideia de que não tem mais volta. E aí volta a doer um pouco como nos dois primeiros meses, mas você passa por mais essa numa boa, porque agora você se deu conta que o mundo dos solteiros também tem um lugarzinho para você.

É hora de conhecer gente nova, lugares novos. Enfim, é hora de conhecer o poder da sua autoestima. Conforme você vai saindo e fazendo aquelas loucuras de quem se sente na liberdade, existem pessoas que começam a se interessar por você e a te querer. Agora que você já passou do -1 e está no 0,25 você até se dá a permissão de beijar outras bocas, de cair em outros braços e de trocar ideia com alguém bacana no final da balada, mas ainda assim, meu chapa, a noite vem e quando você deitar sua cabeça no travesseiro seus pensamentos vão se direcionar a apenas uma boca, e, te garanto, não é a mesma boca da balada.

Vai chegar o mês que completará 1 ano que você tirou o status de “relacionamento sério” do facebook e da sua vida. Mas quando esse dia chegar você terá outras preocupações, tais como: trabalho, jantar, qual série assistir, terminar de ler aquele livro do criado mudo, jogar vídeo game, ou sei lá, ficar no whatsapp.

Eu sempre acreditei que você esquece uma pessoa quando simplesmente não lembra mais de datas especiais, não se incomoda mais em usar o presente que ganhou, passa na frente dos lugares que eram tão seus e tudo isso fica um pouco indiferente para você. Seu catálogo de filmes volta a ser os seus romances e suas músicas começam a ter outros sentidos.

Não sou especialista em términos de namoro, mas sei que você passa de um babaca para alguém que cresceu muito emocionalmente. Ultrapassou os dramas, as fotos positivas com objetivo secreto de atingir o ex, você deixou de se sentir pequeno e começou a sentir-se grande.

Você provavelmente descobriu que dormir sozinho nem é tão ruim assim (excetos em domingos chuvosos), que o cinema pode ter graça com um litro de coca e muita pipoca. Você também deve ter dado mais valor aos seus amigos e à sua família, que provavelmente ficaram do seu lado nesse ciclo todo.

Espero que existam muitos ciclos em suas vidas e que vocês possam aprender e a evoluir muito com eles.

Que o cronômetro recomece.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.