Um eu sem você #17 – 20 e 21 de Outubro

Estou cansada, com dores musculares e sem ânimo para ir trabalhar. Acordo no horário certo, mas não consigo sair da cama. Mando uma mensagem e invento uma desculpa que me faça ficar na cama. E fico.

Acordo de verdade apenas às 15h e logo vejo rastros teu pelo Instagram. Tento pensar que nas curtidas em frases que poderiam se encaixar em nós, você ainda pense em mim.

Baixo o Tinder novamente, a título de curiosidade sobre você. Quando vejo as combinações, você não está mais lá. Tenho vontade de te procurar e te explicar o porquê eu havia baixado ele novamente. Só a ideia de que pense o que não é, me deixa louca. Não te procuro mas durmo pensando em você.

No outro dia, acordo e uma hora depois o dia já está extremamente difícil. A saudade hoje está insuportável. Estou sem ar, meu peito está apertado e tudo o que eu queria era te abraçar e sentir que tudo vai ficar bem.

A cada dia que passa fica mais difícil sair da cama e ter vontade de trabalhar. É como se eu tivesse perdido o objetivo e o caminho a seguir, afinal, minha bússola apontava para a direção dos nossos sonhos.

Penso em enviar uma mensagem só pra dizer que acordei com saudades e estou pensando em você. Sei lá, acho que saber que alguém, em algum lugar do mundo, pensa e sente um amor imenso pela gente deveria sempre ser algo bom, né?

Tenho vontade de saber de você, do seu dia, do seu coração e da sua vida. Mas não posso. E deixo o dia passar sobre mim.

Desde que tudo isso está acontecendo, eu não tenho sonhado mais. Justo eu, que sempre me lembrei de 90% dos sonhos. Penso que você deve estar em todos eles e meu inconsciente decide me acordar sem memórias do que vivi à noite para não tornar-se tão pesado.

Todo dia é uma luta diária para que eu não te procure. Depois de alguns dias sem procurá-la, eu sigo meu coração e te deixo saber e sentir que ainda penso em você. Que, no meu coração, só tem lugar pra você morar. E te peço que nem sequer responda, às vezes o seu silêncio dói menos do que sentir a frieza em sua fala.

Me sinto mais leve. Acredito que o sufoco pela sua falta é, também, o amor acumulado. Guardar tanto carinho e afeto e não ter onde e como extravasá-lo é complicado, uma hora ou outra a gente explode. E minha explosão sempre vai ser pra você, afinal de contas, sou apaixonada por você. Me permiti ser completa e plenamente sua, mesmo você não sendo mais minha.

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Quando recebo no meu feed de notícias alguma foto recente sua, o chão sob meus pés somem, meu corpo inteiro esquenta e, por um segundo, parece que estou te vendo bem na minha frente.

Involuntariamente, te olho por minutos ininterruptos. O mundo à minha volta sumiu. Tudo o que vejo e vivo é você. Seu sorriso, seus olhos. Me atento em cada detalhe teu registrado nas fotografias. Eu não quero ousar perder nada mais além do que já estou perdendo.

Eu daria tudo para estar com você. Daria tudo para te encontrar na cozinha, com uma regata um pouco maior que você que te servia como um vestido de ficar em casa, preparando um jantar pra gente e eu te beijar a nuca e te desconcentrar.

Eu daria tudo pra voltar no tempo e te agarrar em pé na cozinha do seu apartamento, derrubando o interfone da parede e te segurando pela cintura para você não cair.

Eu daria o resto da minha vida só pra poder viver tudo isso só mais uma vez. Porque se eu soubesse que aquela seria a última vez, eu não teria te largado tão cedo. Eu ligaria no trabalho e inventaria uma gripe só pra poder acordar mais uma manhã olhando você.

Se eu soubesse antes que aquela seria minha última viagem, eu teria derramado menos lágrimas – minhas e suas –, eu teria ignorado meus hormônios na TPM e teria respondido o Eu Te Amo desde a primeira vez.

Ao contrário dos que se decepcionam e desejam nunca ter conhecido a pessoa, eu me arrependo apenas de não ter sido plenamente sua desde o segundo que meu olhar cruzou com o seu.

E, enquanto eu me lembro dos detalhes que dividi com você, as lágrimas brotam sem que eu permita que elas saiam dos meus olhos. A cicatriz que você esconde com maquiagem, sua pele tão branca quanto à paz que me trouxe, o jeito de você me amar e a forma como nossos corpos pareciam ter esperado ansiosamente pelo nosso encontro – tudo que não me sai da cabeça nem do coração.

Em pouco menos de dois meses, você acrescentou tanto em mim e na minha vida. Meus planos se somaram aos seus sonhos e, graças a você, hoje eu olho pra frente e consigo ver coisas que nunca ninguém me fez ver.

Eu quero ter uma família. Quero crianças pela casa, brinquedos pelo chão e o seu amor por elas. Quero ser teu lar e transformar qualquer lugar onde passarmos em felicidade.

As noites não são mais as mesmas. Minha alegria ficou no tempo em que eu chegava às 18h30 e, uma hora depois, tinha você. Eu me perdi na hora de voltar e ser sozinha mais uma vez. Pensei que você tinha chego pra ficar… Mas você foi embora, como todas as outras.

Tudo o que eu quero é preencher meus dias com sonos longos para não acordar em busca de sinais que eu não vou mais encontrar.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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