Procure por alguém que bagunce sua vida

Não se assuste com o título, mas é fundamental encontrar alguém que vire sua vida de cabeça para baixo.

Assustador, não? Pensar que seus planos não estão direcionados,  que o almoço hoje não vai ser no mesmo restaurante, que a viagem do final de semana vai ser programada dentro do carro na hora de partir e aí você vai ter que dar um puta salto para fora da sua zona de conforto sem GPS, bússola ou mapa.

Encontre alguém que te ligue no meio do trabalho para dizer que está passando um filme sensacional no cinema e que vai passar te pegar assim que você sair. Encontre alguém que chame sua mãe para o jantar, que vá ao zoológico com seu irmão mais novo, que cozinhe sem saber cozinhar e que dance sem saber dançar.

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Encontre alguém que poste fotos suas quando você acorda ou que grave um vídeo de você falando enquanto você dorme. Encontre a menina que te faça experimentar um novo sabor de sorvete, de pizza, de cerveja – um novo sabor da vida.

Busque por alguém que te faça dormir nos lugares mais inusitados do universo, ou na cama dos pais dela. Busque por alguém que te beije na frente de velhos chatos conservadores e mentes fechadas e depois comente o ato: “ué, eles têm que engolir isso, mesmo porque engolir o nosso amor só vai fazer bem.”

Encontre uma pessoa que cante no carro enquanto você dirige e depois passa um microfone imaginário para você terminar de cantar uma música super antiga do grupo Ls Jack. Encontre uma pessoa que te faça perder uns minutinhos de trabalho porque te algemou na cama e esqueceu que você tinha uma reunião importante.

E, quando encontrar essa pessoa, agradeça todo dia por ela transformar sua rotina nessa loucura gostosa, por transformar sua vidinha monótona nas aventuras dos descobrimentos do mundo que vocês chamam de seus.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.
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Não, ela não é o seu milagre

Se você assistiu Papers Towns (Cidades de Papel) e se decepcionou com o final ou pegou uma certa bronca da Margo, eu vim aqui para defendê-la e ensinar a lição principal que esse filme oferece.

Acreditar que todo mundo tem seu milagre não parece ser algo muito diferente de depositar as nossas esperanças em algo ou alguém em quem a gente acredita que vá transformar nossa vida. Quentin acreditava que seu milagre era uma menina que morava ao lado de sua casa, Margo Roth Spiegelman, e se concentrou na ideia de que ela mudaria sua vida.

As diferenças entre Margo e Quentin são notórias: Margo vive por aventuras e descobrimentos, enquanto Quentin é o cara que quase nunca sai da sua zona de conforto.  Até a chamada “noite da vingança”.  Uma noite que Margo aparece na janela do  seu quarto e o convida para uma noite inesquecível (pelo menos para ele).

Logo depois dessa noite, Margo some deixando algumas pistas. Pela esperança de que ela fosse seu milagre, Quentin resolveu ingressar na aventura de reencontrar a garota que amava e aí começa um ciclo maravilhoso de amizade entre Quentin e mais cinco amigos que fazem questão de  acompanhá-lo na jornada em busca de Margo.

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Quando Quentin finalmente encontra Margo em uma cidade bem afastada do estado da Flórida, ela o decepciona dizendo que não ia voltar para casa, que estava se aventurando por outros caminhos e esse era o jeito dela de viver e não abriu mão disso por conta de um menino apaixonado.

Está com raiva dessa atitude? Vejamos, nem todo mundo acredita que os nossos milagres estão em outra pessoa, bastava olhar o filme com os olhos dela – viajar, se deparar com outras culturas e outras realidades era o que a fazia estar viva. Margo nunca acreditou que o milagre dela seria Quentin e nem achou que ela era o milagre de alguém.

É saber que tudo que podemos controlar está em nós mesmos e que as atitudes dos outros são responsabilidade deles. Quentin soube aceitar as consequências dessa longa jornada que, no fim, serviu para entender que o seu verdadeiro milagre se encontrava nele mesmo.

Margo o deixar partir e seguir o seu caminho não é nem de longe um final triste, muito menos sem sentimentos. É um dos finais mais realistas que encontrei em filmes produzidos para o público que sempre espera o casal vivendo felizes juntos. Eles continuarão vivendo felizes, mas cada um acreditando em seu próprio milagre, aquele que vem da gente mesmo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Meu pedaço do céu é teu

Todo dia ela para e mira seu olhar para o teto do mundo. Enquanto ergue a cabeça, mantém um pensamento. Olha para a imensidão azul do céu da e os devaneios continuam os mesmos.

Como quem busca tirar o coelho da cartola da Lua, saboreando pedaços de nuvens feitos de algodão doce, entre um mergulho e outro na imensidão azul dos dias de Sol, ela nunca desiste de encontrar a Estrela Cadente que irá ouvir seus pedidos e realizar seus sonhos.

No coração – que vez ou outra teima em endurecer, mas é amolecido com a mesma facilidade –, apenas o desejo de oferecer um pedaço do seu céu e dessa magia para alguém.

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Aceita um pedaço do meu céu? (aceite!)

De repente, ela até te presenteia com uma estrela num pingente pra nunca esquecer que o brilho está em você.

Que todos os dias cinza sejam substituídos por um céu sem nuvens e um pôr-do-Sol alaranjado. Que as águas passadas, vindas para lavar tudo de ruim que estava acumulado – nela, em você e no mundo –, possam se tornar alimento para fazer florescer os Girassóis da vida.

Que o encantamento pela vida dure mais alguns instantes, fazendo com que os raios do Sol e o reflexo da Lua no mar se transformem em anestesia para todo o mal que tenta derrubá-la. Que os dias a seguir façam as flores encontrarem um motivo para nascerem ainda mais fortes e lindas.

E que, no final de tudo, tudo seja doce.

Mesmo que você não saiba, a Fresno já falou por você

Eu estava sentada na sala de aula com o olhar perdido para o menino que sentava na minha frente, a classe estava em caos, o professor já tinha desistido da matéria, mas na minha cabeça só passava a decepção de saber que dois dias atrás eu estava no estado mais lastimável que já me encontrei.

Uma amiga reconheceu a desesperança no olhar daquela adolescente de 16 anos que tinha passado pela primeira decepção amorosa da vida e disse: “olha, escuta essa música, eu sei que não vai melhorar, na verdade, vai piorar, mas um dia você vai ver sentido nisso.”

A música tinha o nome mais estranho que eu já tinha visto, Stonehenge. Para quem não sabe o significado dessa palavra, Stonehenge é um alinhamento megalítico da Idade do Bronze, localizado no sul da Inglaterra, mas a ligação do nome da música com o sentido dela até hoje eu não sei.

O fato é que aquela letra me tocou, foi o meu primeiro contato com a banda, e a partir daí o circulo de sentido começou a ter seus efeitos.

Aquele dia eu saí mais cedo da escola e marquei de cabeça o nome da banda, que até hoje é apenas o nome de um rio, de uma cidade e de uma árvore.

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Ouvi o que a internet me proporcionava e todas as letras dominaram o meu consciente. Eram versos regidos por palavras que expressavam exatamente o que eu queria dizer para o mundo e eu achava que nada no mundo poderia falar por mim. A Fresno conseguiu.

A banda tem hoje 15 anos de estrada, e foi rotulada por muito tempo como emo ou piegas demais. As letras que antes transbordavam sentimentalismo eram o que o meu coração, e o de muitas outras pessoas, sentia. Foi assim que o grupo ganhou espaço na mídia e milhões de pessoas cantavam com força na garganta as palavras que as sufocavam.

Pois bem, a Fresno seguiu seu caminho no ramo indie. Sem nenhuma gravadora, fez 2 EP e 1 CD independente e pautou as novas músicas com revolta e inspiração, traçando letras mais adultas e conceituais. Em suma, os caras priorizaram sua origem e lutaram para continuar sua jornada.

A carreira dos caras começou a fazer parte do meu dia a dia, músicas como: Desde Quando Você Se Foi, Redenção, Duas Lágrimas, Cada Poça Dessa Rua tem Um Pouco de Minhas Lágrimas e Milonga foram fundamentais para entender e aceitar mais as perdas da vida.

Estou quase fazendo 22 anos e tive a oportunidade de ir a 3 shows deles: o primeiro em 2012 e o último ainda este ano. Cada vez que escuto eles ao vivo, o coração pulsa e as lembranças de cada música se transportam para os meus olhos. O fato é que a Fresno decodificou os monstros e transformou isso em arte, passou a compartilhar isso e reorganizou a ideia de uma penca de gente que sofreu por amor.

As músicas atuais estão mais centradas em temas alarmantes para a sociedade, Manifesto é a obra mais centrada que a Fresno expôs ao mundo e não fala de amor, fala de justiça e mesmo assim é tocante e emocionante.

Não me lembro quantas vezes a música Diga Parte 2 me fez ter a entonação mais grave da minha voz para cantar a parte mais revoltante que eu conheço em uma música. É essa revolta, esse peso que tiro das costas que faz eu me sentir leve, capaz e motivada.

Se um dia eu pensei em desistir da vida e das pessoas, a música Sobreviver e Acreditar me pôs em pé, me empurrou para frente e destacou que eu precisava ser melhor que isso. E ainda que eu me perca no turbulento oceano de sentimentos, sei que aquela primeira música fez todo o sentido e vai continuar fazendo por anos.

Vão tentar derrubar, que é pra me ver crescer

E às vezes me matar, que é pra eu renascer

Como uma supernova que atravessa o ar

Eu sou a maré viva… Se entrar, vai se afogar.

Se esse verso não te fez sentido agora, pode apostar, ele ainda vai fazer.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

Um eu sem você #11 – 14 de Outubro

Ah, quem me dera que a leveza da vida não fosse apenas ilusões momentâneas. O sol nasce, e junto dele nasce toda a realidade diante dos meus olhos e sentidos: a sua falta. A cabeça que não me deixa te esquecer e, a cada dia, me faz viver uma lembrança nova.

Acredito que sempre temos uma nova história pra ser lida. Se não nas páginas de um livro, na vida. O problema é que, às vezes, a gente gosta tanto de uma história em específico que fica difícil gostar das sinopses à mostra.

O dia está pesado, mas, de certa forma, estou mais calma quanto a você. Assim, volto seu nome pra minha agenda telefônica. Agora, vejo também seu last seen do Whatsapp.

A tarde termina pesada, acho que é o ambiente de trabalho me carregando. Em casa, eu não consigo ter um bom humor. Tenho sono, preguiça das pessoas e de dialogar… Desconto essa infelicidade em minha mãe. Eu sei que ela não tem culpa, mas é involuntário.

Minha vontade é trancar tudo o que eu sinto e jogar a chave fora, mas ao não conseguir fazer isso, me tranco em uma cara fechada e em um humor que não melhora, apenas oscila. Sua falta afeta até onde nunca teve você.

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WHY IS DAMM DIFFICULT NOT TALKING TO YOU?

Te vejo online no Facebook e tenho que me controlar muito para não abrir seu chat e falar: “ei, estou aqui! Você está me vendo? Te amo!” No mesmo instante em que penso ir falar contigo, vejo suas atividades na rede social, curtindo postagens antigas de caras que nem sei quem são. Prefiro sair dali para não fazer besteira.

Deitada, decido passar pelo Instagram. Lá, você acaba de curtir outras duas fotos antigas de um cara que eu já não ia muito com a cara durante minhas stalkeadas. Eu sinto a maior raiva que eu jamais pensei poder sentir por você. E decido: eu não posso ver isso. Deslogo do Instagram, deleto meu Facebook e tento me acalmar.

Sinto-me a maior otária do mundo. Eu estou aqui, sofrendo, não consigo nem pensar em outra pessoa se não você… E você? Você está bem, “focando no TCC”, curtindo postagens e fotos antigas de caras nas redes sociais. Porra, não faz nem duas semanas!

Sinto como se tivesse sido a maior tola em acreditar em você ou na gente. Você conseguiu estragar algo que nunca ninguém no mundo havia conseguido: você estragou minhas redes sociais. Você estragou duas das redes as quais eu mais gostava.

Eu até desisti dos meus jogos para não correr mais o risco de ver você andando por aí feliz e sedutora no campo virtual enquanto eu acordo cada dia mais com olheiras, cansada e com um coração cada vez mais aberto, rasgado e diminuído.

Uma amiga me diz que você está em negação, tentando provar pra si mesma que não gostou. Mas precisava ser assim? Agir como se eu nem existisse, como se eu tivesse sido só mais uma?

Com o perdão da palavra, você me fodeu. E, dessa vez, não foi gostoso.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.