Um eu sem você #13 – 16 de Outubro

Os dias estão passando, mas eu não sinto a sua falta passar. A cada dia que eu abro os olhos está mais difícil. Invento desculpas e doenças para chegar mais tarde ou faltar ao trabalho. Procuro remédio e ânimos para continuar, mas o meu remédio estava na dose diária de você.

Mando uma mensagem para avisá-la que precisará retirar a almofada no Correio. Você fica online algumas vezes após isso e nem sequer me responde. Eu me desespero, perco a fome e fico pensando incansavelmente na hipótese de você nem se dar ao trabalho de me responder. Será que já chegou a esse ponto?

Espero três horas passarem após ter enviado a mensagem e mando outra mensagem. Esta você responde rapidamente e, da mesma forma, fria. Distante. Seca. Monossilábica.

Essa sua frieza só me faz querer ainda mais conversar com você e tentar ter algo nosso de volta. Insisto e declaro sentir que parece que nunca nem existi na sua vida. Ao invés de me responder com carinho e proteção – que sempre esteve presente em tudo nosso –, simplesmente fica brava por eu ‘questionar’ o seu modo de lidar e diz que não tem como ser diferente, que não há nada a ser feito.

Minha vontade é falar que isso não é verdade. Tem muito o que ser feito! Você poderia sair do guarda-roupas e me abraçar. Você poderia, inclusive, me puxar para dentro desse esconderijo com você. Eu não me importaria de viver parcialmente escondida se fosse em sua companhia.  Mas eu me calo e evito maiores dores. Me despeço antes que eu me despedace ainda mais pra e por você.

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Na cozinha, estavam conversando sobre fantasias sexuais para mulheres. Eu, quieta e comendo, apenas me lembro de você com aquele corpete preto, dançando pra mim ao som de Arctic Monkeys. Você dizia que eu havia virado seu mundo do avesso, mas você virou muito mais o meu. Afinal, eu ainda estou aqui.

Alguns me falam “você não tá legal ainda?”. Não, não estou. Eu perdi o que nem cheguei a ter. Por mais uma vez, eu estou ouvindo a mesma faixa do mesmo disco.

Hoje, mais uma vez, você me convenceu de que tudo foi mentira, ilusão e histórias que criei na minha cabeça. Ou onde é que tudo o que você sentia foi parar? Onde está a parte em que você dizia me ter como o maior amor, sua preciosidade e que a vida nos colocasse nos mesmos caminhos novamente?

Tenho uma entrevista marcada às 20h com um cara de uma agência em São Paulo. A entrevista é por Skype e flui tranquilamente. Penso nas possibilidades de mudar de vida e ir para São Paulo. O caos da metrópole talvez pudesse me ser uma boa companhia e me distrair do caos que carrego em mim mesma.

Tento conversar com minha mãe pra saber a opinião dela e em um segundo de conversa, tudo se transforma numa enorme briga. Uma a qual não tínhamos há anos. Após horas discutindo e de desentendimento, saio de casa para respirar e poder me acalmar.

Um amigo-irmão me busca e me salva de mais esse peso. Jantamos, conversamos e ele consegue, de uma maneira excepcional, me trazer paz.

Nesse segundo, agradeço pelo amigo que tenho e reconheço de que, de fato, “eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.”

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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