Não, ela não é o seu milagre

Se você assistiu Papers Towns (Cidades de Papel) e se decepcionou com o final ou pegou uma certa bronca da Margo, eu vim aqui para defendê-la e ensinar a lição principal que esse filme oferece.

Acreditar que todo mundo tem seu milagre não parece ser algo muito diferente de depositar as nossas esperanças em algo ou alguém em quem a gente acredita que vá transformar nossa vida. Quentin acreditava que seu milagre era uma menina que morava ao lado de sua casa, Margo Roth Spiegelman, e se concentrou na ideia de que ela mudaria sua vida.

As diferenças entre Margo e Quentin são notórias: Margo vive por aventuras e descobrimentos, enquanto Quentin é o cara que quase nunca sai da sua zona de conforto.  Até a chamada “noite da vingança”.  Uma noite que Margo aparece na janela do  seu quarto e o convida para uma noite inesquecível (pelo menos para ele).

Logo depois dessa noite, Margo some deixando algumas pistas. Pela esperança de que ela fosse seu milagre, Quentin resolveu ingressar na aventura de reencontrar a garota que amava e aí começa um ciclo maravilhoso de amizade entre Quentin e mais cinco amigos que fazem questão de  acompanhá-lo na jornada em busca de Margo.

paper-towns-trailer

Quando Quentin finalmente encontra Margo em uma cidade bem afastada do estado da Flórida, ela o decepciona dizendo que não ia voltar para casa, que estava se aventurando por outros caminhos e esse era o jeito dela de viver e não abriu mão disso por conta de um menino apaixonado.

Está com raiva dessa atitude? Vejamos, nem todo mundo acredita que os nossos milagres estão em outra pessoa, bastava olhar o filme com os olhos dela – viajar, se deparar com outras culturas e outras realidades era o que a fazia estar viva. Margo nunca acreditou que o milagre dela seria Quentin e nem achou que ela era o milagre de alguém.

É saber que tudo que podemos controlar está em nós mesmos e que as atitudes dos outros são responsabilidade deles. Quentin soube aceitar as consequências dessa longa jornada que, no fim, serviu para entender que o seu verdadeiro milagre se encontrava nele mesmo.

Margo o deixar partir e seguir o seu caminho não é nem de longe um final triste, muito menos sem sentimentos. É um dos finais mais realistas que encontrei em filmes produzidos para o público que sempre espera o casal vivendo felizes juntos. Eles continuarão vivendo felizes, mas cada um acreditando em seu próprio milagre, aquele que vem da gente mesmo.

Jamile Ferraz

Jamile Ferraz Jornalista, mas gosta mesmo é de romance barato. Virginiana com vida profissional, mas nunca conseguiu tomar um rumo na vida pessoal. Acredita em destino, mas nem tanto. Apaixonada por livros, cinema e a música é como combustível. Um dia vocês vão ouvir falar de mim.

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