Um eu sem você #6 – 9 de Outubro

Os dias se arrastam e mais um dia começa. “Ainda é quinta-feira”, penso enquanto coloco meus tênis para ir trabalhar. Hoje o meu coração voltou a pesar e eu ainda não consigo ficar sem pensar em você por mais de 10 minutos.

Hoje sinto sua ausência virtual de maneira suprema. É como se eu nem tivesse te conhecido – se não fosse pelos sentimentos e lembranças que agora carrego em mim. Por que pra todo mundo é simples e fácil ir embora? Por que sempre sou eu a pessoa a ficar com os planos, sonhos, sentimentos e memórias?

Mexo no meu caderno de anotações do trabalho e, desastradamente, deixo-o cair. Enquanto recolho os papéis espalhados pelo chão, encontro as anotações de horários de ônibus para poder te ver. Instantaneamente, meu coração aperta.

Eu tenho uma maneira bem estranha de pensar, sabia? Sempre que me deparo com situações as quais são adiadas, mas que eu queria viver elas inteiras HOJE, eu falo comigo mesma, querendo que você ouvisse: “eu poderia morrer amanhã, sabe?”. Não de uma maneira mórbida, como se eu fosse me matar… Mas simplesmente por saber que a vida é frágil demais para ser adiada. O amor e todos os sentimentos atrelados a ele foram feitos para consumar imediatamente, não no próximo mês.

Durante as conversas com as pessoas próximas de mim, começo a achar que logo as cansarei por desabafar sobre você. Mas é inevitável: se eu não posso falar com você, é sobre você que eu estarei falando e pensando.

Uma amiga, que tem sido uma baita de uma amiga mesmo para passar essa fase nada fácil, me manda um site de presentes criativos… Em tudo que eu olho, vejo você. Tenho vontade de comprar o mundo inteiro de fofuras pra você, de modo que você sinta ao menos 1% do amor e da falta que faz nos meus dias.

A manhã vai passando e às 09h51, exatamente, eu olho pro calendário e vejo que, hoje, seriam 2 meses desde que voltei àquele bar para conhecer teu cheiro, teu abraço e teu beijo. Há exatamente 2 meses eu estava deixando pra trás todas minhas desilusões e pulando nesse barco para remar com você em direção à nossa felicidade. No minuto em que percebo o dia de hoje, é o minuto em que entendo o porquê de ter sido tão difícil sair da cama e encarar a realidade.

Entre um afazer e outro, acabo vendo um vídeo de um casamento em uma praça na Vila Madalena, em São Paulo. Eles fizeram o casamento em um formato de carnaval, sabe? Foi tudo tão lindo e simples. Ultimamente, qualquer cena de amor me desequilibra – não é inveja nem tampouco felicidade, é apenas a esperança de poder ter isso com você.

Vasculhando o site que minha amiga me passou, encontro uma almofada com a frase: “Paciência tem limite! Não aguento esperar tanto pra te ver”. Isso é tão nosso, né? Esperar e contar todos os dias do mês só para poder ir até você.

Em uma impulsividade, decido comprá-la. Acho que é a data que toma conta de mim e me deixa agir assim. Saio na hora do almoço para pagar o boleto e no caminho, que nem é tão longo assim, eu sinto o quanto você roubou não só meu coração, mas também todo meu ar e fôlego.

Essas duas semanas têm sido as mais difíceis. Fazia tempo que eu não me entregava tanto pra alguém, fazia tempo demais que eu não abria as portas do meu coração para que quando saíssem por ela, eu tivesse vontade de jogar as chaves fora. Na agência, todos percebem minha mudança de humor. Uma das mulheres até ousam falar que eu estou apaixonada. Minha vontade é de responder: antes fosse só isso.

tumblr_mcfjedenyS1r1mmbpo1_500

Te vejo online no Facebook e me contenho ao máximo para não trocar palavras contigo. Casualmente vejo suas atividades no Instagram e, de certa forma, isso me acalma. É como se eu pudesse te sentir perto de mim. Saber de você é a melhor coisa diante de tanto silêncio.

Em busca de conteúdo para uma Landing Page de uma Floricultura, encontro algumas características das Orquídeas semelhantes ao amor. Você me transformou inteira e, onde quer que eu olhe, vejo um pouco desse sentimento.

Assim como as Orquídeas precisam da quantidade certa de água para viver, no amor a gente precisa acertar a medida ideal que cada um gosta e precisa de carinho, dedicação e afeto.

Com alguns, cuidar demais pode fazer o que nem começou morrer. Outros, carinho de menos deixa o coração seco e incapaz de pulsar por você. Mas, ao contrário das Orquídeas – que podem morrer mais com o excesso do que com a falta –, o amor precisa do máximo de cuidado, atenção e demonstração para continuar vivo.

Não existem regras, fórmulas ou soluções matemáticas capazes de resolver os mistérios de cada um e mostrar o melhor caminho a ser seguido. A verdade é que só o tempo e a experiência de relacionamentos passados e, inclusive, errados para descobrirmos a dose ideal que precisamos do outro para ser feliz e, da mesma forma, aceitar e oferecer a quantia suficiente para alegrar a vida o outro.

No caminho de volta pra casa eu começo a pensar na parte mais dolorida dessa semana. Hoje eu tiraria a noite para arrumar minhas coisas para poder viajar até você amanhã às 20h. Isso me dói mais do que chutar a mesa com o dedinho do pé.

A minha dor de garganta aumenta e até parece uma forma do meu organismo sabotar meus pensamentos, como se uma dor fosse anular a outra. Sem alternativas, tenho que tomar antibiótico por uma semana. Minha mãe insiste para que eu tome vitamina quando acabar os medicamentos e meu desejo é avisá-la que não adiantará, pois meu problema não é físico, é emocional. É o excesso de sentimentos parados na garganta e que agora não poderão mais ser ditos.

Saio comer um lanche com a minha mãe e ela me avisa que irá para a praia no fim de semana. Ela me convida, inclusive. Mas meu humor não está para socializar e minha garganta não aguenta mais dizer o que não sinto realmente. Recuso e prefiro ficar no meu quarto onde minha realidade é dolorida, mas é sincera.

Ao entrar no carro, a rádio começa a tocar Magic. Parece que o mundo não quer que eu te esqueça também, né? A Lua Cheia na janela, Coldplay nas caixas de som e meu pensamento em você.

Quando estou em casa, eu só consigo colocar uma música para tocar: Lost Stars. Você transformou ela em nossa música e nem sabe. Você mudou um dos meus filmes preferidos e nem suspeita disso. Enquanto a música toca como trilha sonora dos meus pensamentos e lembranças tua, me seguro para não curtir todas as suas fotos no Facebook e me achar uma louca de verdade.

Penso comigo: melhor eu dormir.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

1 comentário

  1. Um admirador <3 · julho 2, 2015

    Texto maravilhoso. Li vários de uma vez e já estou ansioso para os próximos.
    Você arrasa. Parabéns ❤

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s