Um Eu Sem Você #5 – 8 de Outubro

Hoje eu acordei mais leve. Não leve o suficiente para achar que tudo está bem novamente, mas suficientemente leve para levantar da cama. Sem dúvidas, minha pequenina flor de Liz consegue trazer calma e paz pro meu coração tão bagunçado.

Antes de ir ao trabalho, passo na farmácia para comprar um remédio que alivie as emoções e palavras não ditas que ficam constantemente presas na garganta. Olho pra uma prateleira e vejo um pacote de Oreo, e meu único pensamento é da última vez que te visitei e você havia comprado várias bolachas e as devorou. Enquanto espero na fila do caixa, quase me esqueço do mundo ao meu redor pensando em você.

Durante a travessia de ruas, me perco em pensamentos escuros e começo a te imaginar com outros. Outros sentindo seu cheiro, seu gosto, seu beijo, seu toque, seu carinho… Outros sentindo tudo que um dia você me fez sentir. Tudo que, por pura inocência, pensei ter e poder passar o resto da vida tendo.

No segundo seguinte, me pego pensando nos pequenos planos que já estávamos montando: a festa de um amigo na minha cidade, o show da Banda do Mar na sua cidade, a HoliFest em São Paulo… E, como se meus pensamentos não fossem suficientemente esmagadores, constantemente recebo notificações no Facebook sobre todos eles.

Tantas coisas viraram passado antes mesmo de acontecerem que chego a conclusão de que deveria ser proibido relacionamentos terminarem até todos os planos se concretizarem. A ideia de nunca poder ter um terço do que sonhei é o que mais dói.

Há uns dias, assinei para receber notificações de uma página do Facebook (a Razões para Acreditar, sabe?). E em uma dessas notificações, recebi uma matéria sobre uma menina com autismo que tem como animal terapêutico um gato. Ao ler a reportagem toda, uma parte de mim se despedaça por não poder dividir isso com você.

No almoço, vou ao Shopping. Mesmo sem nunca ter pisado lá com você, eu te enxergo em todos os lugares. Compro um presente pra minha sobrinha com uma colega de trabalho e tudo o que eu sinto é a vontade de que fosse você ali, comigo. Ou, ao menos, nas mensagens. Passo de loja em loja e tudo o que eu consigo ver são calças. O seu vício entrou nas minhas retinas e onde quer que eu olhe, te vejo.

Durante minha rotina de trabalho, acabo sempre entrando no seu perfil do Facebook. A saudade já está gigante e eu preciso te ver. Olho suas fotos e sinto vontade de sorrir. Acho incrível a capacidade de, mesmo com todo o caos no nosso mundo, você conseguir mexer com os cantos dos meus lábios assim, sem pretensão alguma e nenhum esforço. Meus olhos ficaram viciados em você e toda vez que os fecho, é você bem perto de mim que eu enxergo.

Fico pateticamente seguindo seus passos em todas as redes sociais e aplicativos que posso. É como se eu precisasse saber de você, seja da forma que for. Vez ou outra, acabo sempre presenciando algo que mexe com minhas estruturas e aumenta o medo de te perder. Mas o que eu posso fazer? Eu prefiro imaginar, “paranoiar” ou saber do que simplesmente agir como se eu nunca tivesse te encontrado.

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Sua vida ainda é a pauta principal da minha. Como jornalista, eu vou em busca das informações necessárias para poder continuar escrevendo essa história.

Hoje à noite, por exemplo, tem eclipse e me pergunto se você sabe disso. Na pista para Limeira, olho a Lua com sua beleza natural e avermelhada e tudo o que eu queria era poder tentar fotografá-la e mandar pra você. E mais: queria te pedir que olhasse-a comigo, onde você estivesse.

Na casa da minha vó, acabo assistindo à novela e, mais uma vez, penso em você, dquele sábado no sofá da sua casa, vendo TV ao teu lado. Algo que era tão simples no momento, mas que hoje eu daria o mundo para poder reviver. Nós humanos somos assim, né? Deixamos os pequenos – e grandes – momentos passarem despercebidos e só nos damos conta da sua imensidão depois que eles se perdem conforme as folhas do calendário são viradas ou jogadas no lixo.

Bato meu recorde e passo mais de 24 sem te procurar. Não que nesse tempo todo eu não esteja morrendo por dentro e agindo como louca olhando para o celular de minuto em minuto para ver seus likes em fotos do Instagram ou se está online no WhatsApp.

Falar isso em voz alta me faz parecer ainda mais estúpida. Mas o que eu posso fazer? O amor não é racional e talvez ele realmente seja a droga mais pesada e todos esses anos que passei consciente da minha resistência às drogas ilícitas ou lícitas tenha caído por terra quando me viciei em você, no seu cheiro e no gosto do teu beijo.

Hoje, me arrependi de ter entrado no ônibus para voltar para casa da última vez. Me arrependi dos segundos que perdi sem te curtir sendo minha. Me arrependi dos beijos que não dei, das vezes que não me permiti ser louca e pegar o primeiro ônibus só para te abraçar. Hoje, mais do que nunca, me arrependi de todos os segundos que perdi brigando e deixando os hormônios da TPM nos afastarem.

Se eu soubesse que três semanas atrás seriam meus últimos beijos, abraços e carinhos, eu jamais teria te soltado. Eu jamais teria saído do seu lado. Eu teria dormido menos só pra poder te olhar mais. Eu teria te amado mais.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.

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