Um eu sem você #3 – 6 de Outubro

De volta à rotina que as segundas-feiras oferecem, abro os olhos, mal tenho tempo de pensar e a minha ficha cai com um atraso de 48 horas. Meu peito está apertado. Parece que fizeram um boneco com a minha imagem e começaram a alfinetá-lo exatamente no peito.

Como toda pessoa que se forma, cresce e tem um emprego, eu preciso me levantar, eu preciso escovar os dentes, eu preciso trocar de roupa. Eu preciso abrir a porta e sair pelo estacionamento do Condomínio e me dirigir até o ponto de ônibus. Eu preciso mostrar meu rosto para o mundo, mesmo querendo enterrá-lo no travesseiro e dormir pelo resto da minha vida. Mais do que precisar, eu sou obrigada a cumprir meus deveres e obrigações.

E eu cumpro. Com esse incômodo instalado bem do lado esquerdo do meu peito, eu executo minhas tarefas diárias assim como deveriam ser feitas, mas 90% de mim não está mais aqui. Eu luto contra mim mesma a cada segundo que passa, mas essa guerra já está vencida por mim mesma.

Na luta pra não te procurar, eu falho em menos de 12 horas. Mas é a sua fala – seja ela audível ou legível – que me acalma. Loucura, né? A única pessoa que pode te salvar é a mesma que te destrói.

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Passo a manhã conversando com você, sabendo de você… E apenas a ciência da sua vida já me é suficiente. Eu falho em te procurar, mas, em um segundo, por um instante, tudo pareceu ser bom como era há duas semanas atrás. Como se nada tivesse acontecido.

Dentre as conversas, planos de onde moraremos, de um futuro conjunto e próspero. Da família que eu pensava em construir com você.

Eu sei que não pode ser assim. A escolha foi feita: os caminhos devem ser distintos. Então eu te deixo em paz durante a tarde. Percebo que tirou o last seen do Whatsapp (será que foi por “minha” culpa?) e ainda pior que ver que esteve online há um minuto atrás é não saber quando esteve.

Com o passar das horas, a dor de garganta também decide juntar-se a mim e me enfraquecer ainda mais para continuar essa luta sem você. Minha garganta não aguenta mais guardar tantas emoções, meu corpo não sabe mais ser triste sem adoecer.

Junto com a noite vem o esquadrão mais forte e bem armado. Deitada na minha cama, a falta do que fazer só me lembra do quanto era bom chegar em casa e ter você. Volto a lutar contra eles e, mais uma vez, sou derrotada. Dessa vez eu não deixo a briga ir muito longe e brevemente te desejo mentalmente uma boa noite.

Eu, que costumava ter sono às 21h, agora não consigo me deitar antes das 23h.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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