Um eu sem você #2 – 5 de Outubro

Eleições. Esse deveria ser meu primeiro pensamento no dia, mas não foi. Assim como em todas as manhãs desde o segundo que me apaixonei por você, meu primeiro pensamento é teu.

No celular, mensagens as quais, pela primeira vez, eu não esperava nenhuma sua. Sempre contrária às minhas intuições, lá estava você querendo saber de mim. Respondi com todo carinho – e uma pontinha de felicidade por você não conseguir manter-se distante – e, com a mesma naturalidade em que te conheci naquele bar quando nossas almas se conectaram, o papo fluiu durante todo o dia e noite.

Engraçado, mas eu ainda não me permiti sentir esse término do que só ameaçou começar.

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Um eu com você #1 – 11 de Julho

“Conhecer você foi como encontrar o prêmio mais valioso de uma competição que eu nem sabia que estava participando. Numa tradução aproximada, vi que “serendipidade” é como chamamos as descobertas felizes que fazemos, aparentemente, por sorte ou acaso. No meu caso, você”.

Era uma semana antes do meu aniversário, e, como de costume, me bateu aquela sensação de poupar as energias para que o novo ano pudesse chegar ainda mais com disposição para que eu pudesse ganhar o mundo. Então, nesse dia – que além de tudo estava gelado, pedindo um edredom, um misto quente e o Netflix ligado –, eu não ia sair de casa.

Fazia algum tempo que não via um amigo e entre minhas oscilações cancerianas de humor e vontades, aceitei ir com ele e outros amigos em um bar de uma cidade próxima a que eu morava. Eu não tinha expectativas nenhuma quanto ao lugar ou ao passeio. Tudo o que eu queria era uma cerveja, uma porção de batatas fritas e uma conversa agradável com aqueles que me cercavam.

Foi quando, antes mesmo de entrar no bar, te vi entre os espaços dos toldos. De imediato, me senti como se estivesse na pista de um show internacional, rodeada de pessoas, mas só conseguisse enxergar um rosto à frente: o seu.

Isso eu nunca te contei, mas na disposição das mesas livres, persuadi meus amigos a escolherem um lugar onde eu pudesse estar ao mesmo tempo mais próxima de ti e, também, que me permitisse te observar. Antes mesmo do primeiro diálogo, eu já te estudava e tentava entender aqui dentro de mim o que é que havia em você para se destacar tanto assim na minha retina.

Passei todos os instantes em que estava no bar te olhando de tempos em tempos, como quem está perto de um ídolo e não consegue tirar os olhos dele. A cada ida sua ao banheiro, um desejo insano de ir até você me seguia e ainda me lembro de quando cruzei contigo na fila do banheiro e, sem explicativa alguma, me estremeci por inteira só de perguntar se iria usá-lo.

Quase no final da noite, um amigo meu arriscou falar contigo e voltou com a notícia de que nunca tinhas ficado com alguma menina, mas que talvez eu pudesse ir falar contigo. Depois disso, sua mesa lotou de companhias masculinas e a minha coragem de ir até você voltou à estaca zero.

Seus olhares direcionados pra mim, acompanhados pelo brilho do teu sorriso, me faziam movimentar os lábios e sorrir pra ti de uma forma tão natural que há tempos eu não sabia como era. Eu já havia desistido dessa história de envolvimentos emocionais há bastante tempo, então descobrir que uma alma conseguia tocar a minha sem nem uma palavra trocada era, ao mesmo tempo, assustador e excitante.

Normalmente, eu não me importaria tanto em descobrir um nome para manter contato com alguém que nem sequer havia “experimentado” o que eu tinha para oferecer, mas com você nada nunca fez muito sentido além do sentir. E foi nos 45 minutos do segundo tempo, na fila do caixa, enquanto você estava atrás mim, que eu tive um segundo de coragem insana, virei para você e perguntei o seu nome.

Mal pisei na calçada do bar e já busquei por você nas redes sociais para tentar te conhecer e entender o que é que tanto tinha em você. O que eu mal sabia, na verdade, era que você já estava abrindo a porta do meu coração e garantindo o seu lugar aqui dentro.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na sua pele. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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