Sobre essa tal amizade

Dia desses estava lendo um artigo que falava sobre amizade e há algum tempo tenho ficado de deixar claro e explícito a minha gratidão ao universo por todas as pessoas que apareceram – e ficaram – na minha vida. Pois bem.

Durante nossos caminhos a gente cruza com tanta gente, mas são tão poucas as que realmente nos tocam, né? Pode ser professor, colega de classe ou trabalho, amigos de balada… Se a gente parasse algum dia pra tentar contar com quantas pessoas já trocamos ao menos um breve diálogo, com certeza ultrapassaria o limite de amizades imposto pelo facebook. Mas poucos conhecidos realmente se dispõem a construir uma amizade sincera e verdadeira.

Em resumo ao texto que estou usando como referência e lembrete pra, finalmente, tirar essa declaração apenas da teoria, o autor falava que sem afinidade não existe amizade*. E tem frase mais verdadeira do que essa?

Eu nunca pertenci a um grupo específico (tipo as patricinhas/mauricinhos, sabe?). Na verdade, pertenci sim. Ao grupo dos inadequados pra qualquer outro grupo e, assim, sempre tive amigos muito diferentes. Mas todos sempre me complementavam em ao menos um aspecto.

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Tenho amigos que, se eu ligar às duas da manhã chorando, me encontram sem nem perguntar o porque – e se não estiverem na mesma cidade que eu, vão ficar me ouvindo até às quatro sem nem pensar que dali duas horas já é a hora de levantar e ir trabalhar. Eu tenho companhias lindas pra falar sobre seriados, ir ao cinema, discutir gostos musicais e cantar sertanejo na pista, pra falar sobre mulheres e homens, dividir as experiências e até mesmo falar sobre cocô (porque, sim, esse é o auge que atingimos de intimidade depois de um tempo de amizade) e depilação… Ou simplesmente companhias que, por serem tão afins da minha alma, uma mesa de bar ou uma roda de violão é suficiente pra encher meu pote imaginário com risos e sorrisos pro resto do mês.

Dizem que precisamos ter alguém na nossa vida pra sermos plenamente felizes (afinal, “a felicidade só é real quando compartilhada”, né?), mas todo o mundo foca tanto em encontrar UMA pessoa – o futuro marido ou a futura esposa – para dividir a vida até o fim dos dias que se esquece de ver o brilho nas múltiplas pessoas que nos cercam diariamente. Mas eu não.

Eu não quero um amor pra vida toda se eu não tiver, ao meu lado, meus amigos pra vida toda. Eu poderia passar um século da minha vida sem ter alguém pra chamar de amor, mas seria imensamente infeliz se não tivesse ao menos uma alma pra chamar de amigo.

Recentemente mudei minha vida radicalmente (saí de casa, aos 23 anos, pra morar com pessoas que mal conhecia, em outro estado e há mais de 700 quilômetros de distância) e foi nessa reviravolta do mundo que eu pude reconhecer aqueles que realmente estão comigo, mesmo eu não estando mais fisicamente ao lado deles.

E são eles, as pessoas que ficaram do meu lado em cada segundo, que usaram as palavras mais lindas antes, durante e depois, e que continuam me apoiando e dividindo as novidades da vida mesmo longes, que eu quero por toda a minha vida.

Afinal, são eles, meus amigos lindos e tão imperfeitos quanto eu, que me conhecem da cabeça aos pés, com todos meus sonhos, sentimentos, conselhos, loucuras cancerianas e bizarrices que só a convivência proporciona e me aceitam assim, mesmo jogando a verdade na cara de cada um de vocês. (Aceitem mais essa verdade recheada de sentimento e amor <3).

Dizem que se puderes contar e encher uma mão com todos os amigos – AMIGOS MESMO –, podes se considerar uma pessoa rica. Eu, meus caros, já ultrapassei uma mão. E nada tem me feito mais feliz e grata do que saber que tenho as melhores pessoas correndo ao meu lado.

*É bom lembrar que os anos passam e tendemos a crescer e a evoluir. Por isso não estranhe se algumas amizades não durarem sua vida inteira – afinidade não é tudo, mas duas – ou mais – almas precisam estar em sintonia para seguirem juntas.

Carla Oliveira

Carla Oliveira Jornalista por formação, apaixonada pelos encantamentos diários por destino. Há 23 anos tenta escapar dos sentimentos, mas sem eles fica sem sentido. O cheiro que mais gosta é aquele teu que gruda na pele dela. Ah: canceriana, intensa, extremista e chata.
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